terça-feira, 30 de setembro de 2014

Sem o PS não haverá governação de esquerda. E com o PS, haverá?

As eleições primárias do PS no passado domingo marcaram tanto pela vitória expressiva de António Costa, como pelo elevado nível de participação, especialmente por parte de não-militantes. Cerca de 150 mil pessoas deram-se ao trabalho de se registar como simpatizantes do PS e de ir votar nas primárias. Não é coisa pouca.

Tal não significa, porém, que todos tenham esquecido a história recente do país e a forma como o PS governou. A maioria lembrar-se-á que o PS esteve no governo durante 13 dos últimos 19 anos. Isto, juntamente com o apoio que deu aos governos do PSD nas questões europeias, torna o PS co-responsável por várias das decisões que trouxeram o país à actual situação.

A incompetência e o fanatismo ideológico da coligação actualmente no poder levam-nos, por vezes, a sentir saudades de anteriores governos. Mas muitas das pessoas que participaram nas primárias do PS guardam memória dos lados menos bons dos últimos governos socialistas: a falta de transparência de muitas decisões estruturantes para a vida nacional; o autoritarismo disfarçado de ímpeto reformista; a tendência para gerir o aparelho de Estado como se tratasse de uma propriedade da família socialista; a proximidade aos interesses da banca e da construção; as vantagens concedidas aos operadores privados na saúde e na educação; as privatizações; a subvalorização das regras ambientais nos projectos imobiliários disfarçados de investimentos turísticos; a propaganda oficial erigida a preocupação central da governação...

As pessoas lembram-se disto tudo e de muito mais. No entanto, não deixaram de participar nas primárias do PS. Fizeram-no porque sabem que assim aumentam as probabilidades de derrota do actual governo nas próximas eleições legislativas. Fizeram-no porque estão convictas de que ainda faz alguma diferença quem e como se governa em Portugal. E porque sabem que sem o PS não haverá tão cedo um governo em Portugal que resista à trajectória de empobrecimento que as instituições europeias persistem em impor-nos.

Grande parte daqueles que participaram nas primárias de domingo sabe também que é preciso muito mais do que um cravo na lapela de António Costa para que o PS governe à esquerda. É preciso quem se apresente a votos assumindo que não haverá governo de esquerda sem o PS, mas que o PS nunca será suficiente para que se governe à esquerda. Até lá, as pessoas continuarão a votar em quem lhes oferece alguma perspectiva de uma governação diferente – mesmo que a diferença seja mínima.

27 comentários:

João disse...

As chamadas ""primárias do PS", fora do circo mediático e do que revelaram para lá da vontade dos revelados (em bom rigor aquilo a que as televisões foram chamando debates, reduziram-se a exercícios de verdadeira ordinarice pessoal e politica), correspondem a um programado exercício de mistificação, que visa, no que toca ao PS, colocar o contador a zero, como se não fosse o PS tão responsável no actual estado do País como o próprio PSD ou o CDS, acólito indiferenciado de uns e de outros. Não há uma decisão legislativa e política relevante, a começar pelo tão famigerado "memorando", que não conte com a assinatura do triunvirato. Dizia-se nos corredores, que logo após a noite do irrevogável Paulo Portas, um banqueiro que agora se tornou mais mediático por uns dias, terá visitado António Costa na residência deste, assegurando-lhe o apoio necessário para as legislativas, caso fossem antecipadas. É precisamente aí que está o nó górdio do PS: no enfeudamento aos interesses, às políticas e às opções de classe que nos trouxeram até aqui. O resto, é tudo uma questão de moscas, com o Costa e o Seguro a voarem mais por aqui ou mais por ali, mas acabando sempre por pousar na mesma massa fétida.
Portanto, as primárias do PS e este esforço para ganhar novo fôlego, se alguma coisa tem que ver com esquerda e opções de esquerda, é precisamente o seu contributo objectivo para que tais opções morram na praia destes rotativismo de quase meio século.

Anónimo disse...

E o que é uma governação "pura" de esquerda ?
É imune aos assédios dos interesses dos privados ?
Garante o melhor funcionamento dos sistemas públicos mesmo sem os reformar ?
Ou consegue fazer reformas que agradema todos ?

Já agora, podia indicar-me algum pais que siga um modelo de governação de Esquerda ?

Anónimo disse...

De acordo, mas não seria de enviar tb o recado aos partidos à esquerda do PS ?

JRodrigues

Anónimo disse...

O Titulo CONTRADIZ o seu último paragrafo.

E o titulo diz TUDO

Ricardo Paes Mamede disse...

Anónimo das 12:48, pode explicar onde está a contradição?

Anónimo disse...

Pois quanto a mim o título está ao contrário:

«Com o PS não haverá governação de esquerda. E sem o PS, haverá?»

Minha resposta: haverá, mas levará tempo. O tempo que for preciso, em especial para que as ilusões quanto ao PS se desfaçam definitivamente.

Há sinais encorajadores. Hoje está muito mais assente na consciência da população que PS, PSD e CDS, certamente com diferenças de grau, fazem fundamentalmente o mesmo quando chegam ao governo.

Valerá a pena recordar o "que se lixe a troika!"? Pois que se lixem também os troikistas! PS, PSD e CDS.

A vida política em Portugal ainda dará muitas voltas e há-de trazer muitas surpresas. Partidos tão ou mais expressivos que o PS, como o PASOK grego, que pareciam poderosos e eternos há meia-dúzia de anos, diminuiram drasticamente a sua influência e contam hoje muito pouco na vida política dos respetivos países, especialmente para alternativas governamentais.

O PS está estruturalmente comprometido com o neo-liberalismo. Não é por ter um lider chamado António, em vez de outro chamado António, que altera alguma coisa de substancial.

A política do PS é, nas questões estruturais, de direita e assim vai continuar. Claro, com grandes movimentações sociais, pode ser obrigado a meter um pouco de perfume social-democrata quando sai de casa de manhã.

Mas só as tolas se inebriam com esses odores artificiais de sedução barata.

Anónimo disse...

É nítido que hoje, em Portugal, o grande empresariado, os grupos económicos e financeiros, a comunicação social que controlam, já deixaram cair o Passos e o governo PSD/CDS.

A grande aposta agora é num governo PS/Costa e, se possível, com maioria absoluta.

Vamos lá ver é se a malta de esquerda, que quer ser digna desse nome, não cai nessa armadilha e, a despeito das melhores intenções, se põe, de facto, a colaborar com a nova estratégia do grande capital vende-pátrias.

Estou mesmo a ver já aí uns quantos a pousar o pé dentro do laço.

Não venham depois bater com a mão no peito. A lucidez é precisa agora, não depois, quando o mal estiver feito.

A estratégia de descartar o Passos e trazer o Costa é tão clarinha que, quando este último estiver mais confortavelmente instalado na liderança dos socialistas, não me surpreendia nada que se precipitasse a antecipação das legislativas.

Pretextos arranjam-se. Mas, como é sabido, não faltam.

Anónimo disse...

O único preocupante é a frase "É preciso quem se apresente a votos assumindo que não haverá governo de esquerda sem o PS".

O PS só se sobressaltará quando no poder sentir o risco de ser ultrapassado pela esquerda.

Até lá, bem pode meter Livres, Anas Dragos e Oliveiras na lapela a fazer de cravos.

Ficamos com govrnação à esquerda adiada para as calendas? Não mais do que com a conclusão de Paes Mamede.Com a vantagem de que o improbabilíssimo crescimento de BE e PCP implicam mesmo governar à esquerda. O neo-liberalismo fofinho, só serve para nos folgarem as costas, mas não dão ímpeto para cortar amarras.

Ricardo Paes Mamede disse...

Os que acreditam na Pasokização do PS fazem bem em esperar. Outros não acreditam, mas ficam à espera na mesma, é mais seguro. Outros ainda não ficam à espera - simplesmente não estão convencidos que faça qualquer diferença quem governa, pelo que não é por aí que vão.

Os que consideram que ainda faz alguma diferença quem e como se governa em Portugal, e não estão dispostos a ficar a ver, devem ir à luta pelos votos. Vai fazer diferença? Não sei, nunca se tentou.

Diogo disse...

«Fizeram-no porque estão convictas de que ainda faz alguma diferença quem e como se governa em Portugal. E porque sabem que sem o PS não haverá tão cedo um governo em Portugal que resista à trajectória de empobrecimento que as instituições europeias persistem em impor-nos.

Grande parte daqueles que participaram nas primárias de domingo sabe também que é preciso muito mais do que um cravo na lapela de António Costa para que o PS governe à esquerda. É preciso quem se apresente a votos assumindo que não haverá governo de esquerda sem o PS, mas que o PS nunca será suficiente para que se governe à esquerda. Até lá, as pessoas continuarão a votar em quem lhes oferece alguma perspectiva de uma governação diferente – mesmo que a diferença seja mínima.»




Isso não é verdade. A abstenção tem vindo paulatinamente a subir porque a informação começa a chegar às pessoas muito mais pela Internet (directa ou indirectamente) do que pelos jornais e televisões (cujos leitores telespectadores estão a cair a pique). E a Internet tem informação infinitamente mais verdadeira (e também muito disparate) que os jornais e telejornais. Ou seja, a verdade da «Democracia Representativa» está a chegar a cada vez mais gente.


Exemplos:

Num programa do Prós e Contras, a boca fugiu para a verdade ao Mário Soares (um tipo que eu acho execrável):

Mário Soares acerca dos Media no Programa "Prós e Contras" [27.04.2009]:
Mário Soares: [...] «Pois bem, agora um jornal, não há! Uma pessoa não pode formar um jornal, precisa de milhares de contos para formar hoje um jornal e, então, para uma rádio ou uma televisão, muito mais. Quer dizer, toda a concentração da comunicação social foi feita e está na mão de meia dúzia de pessoas, não mais do que meia dúzia de pessoas.»

Fátima Campos Ferreira: «Grupos económicos, é?»

Mário Soares: «Grupos económicos, claro, grupos económicos. Bem, e isso é complicado, porque os jornalistas têm medo. Os jornalistas fazem o que lhes mandam, duma maneira geral. Não quer dizer que não haja muitas excepções e honrosas mas, a verdade é que fazem o que lhes mandam, porque sabem que se não fizerem aquilo que lhe mandam, por uma razão ou por outra, são despedidos, e não têm depois para onde ir.» [...]

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PS e PSD + (cds) é um partido único

Chris Gupta: "A constituição de uma «Democracia Representativa» "consiste na fundação e financiamento pela elite do poder de dois partidos políticos que surgem aos olhos do eleitorado como antagónicos, mas que, de facto, constituem um partido único. O objectivo é fornecer aos eleitores a ilusão de liberdade de escolha política e serenar possíveis sentimentos de revolta..."


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Mas os meus amigos do «Ladrões de Bicicletas», embora tendo um blogue, parece que se continuam a beber informação principalmente nos jornais e telejornais (que escrevem e dizem aquilo que os Grupos Económicos lhes ditam). E continuam sem perceber que PS e PSD + (cds) é um partido único, fundado e financiado pelos mesmíssimos Grupos Económicos.

Anónimo disse...

Paes Mamede, Também é verdade que quando se o conjunto BE e PCP dava mostras de poder crescer e constituir-se a médio prazo como alternativa à esquerda sem ir pela pasokizaçao do PS logo houve quem dentro do BE começasse a gritar por alianças com o PS, zangado por não se insistir nos tiros na água alegrista, sá fernandista e rui tavarista.

É-se sempre livre para ir ensaiar outras coisas nunca tentadas, mas ensaio por ensaio preferia aquele que seguia com dois partidos de confiança do que o ensaio dos que se querem aproximar do PS, que não por acaso tem governado 14 em 19 anos, sempre neo-liberal.


Sei bem como sou indisciplinado e impaciente e nunca fui, nem serei militante de nenhum partido, mas poupem-me - nem é o seu caso, nem o de Jorge Bateira, não enfiem a carapuça - ao discurso sectário de superioridade moral de gente que se acha mais livre e inteligente que os outros, cambada de tolos e cegos que não vêem o óbvio, que não têm reflexão consistente sobre os mesmos assuntos (e pior, bem mais convergente do que aquela que existe com o PS) e que andam a mando dos pastores.

Anónimo disse...

Não se trata de ficar à espera, nem se trata de contar com a "pasokização" do PS, nem de achar que quem governa não faz diferença.

Trata-se de não alimentar ilusões no PS e ser cúmplice da política de direita que vai fazer quando chegar ao governo.

Não é que quem governe não faça diferença. É que PS no governo não faça a diferença em relação ao PSD no governo (nas questões estruturantes).

A luta política em Portugal não se resume a escolher entre os partidos que assinaram o acordo com a troika.

Claro que também passa pelas eleições. Não passa é por votos no PS, ou por alianças ou por cumplicidades governativas com o PS.

Nunca se tentou, o quê? (Pergunta-se ao Ricardo, 14:25)

Ir a votos? Votar no PS? Aliar-se ao PS? Fazer acordos com o PS?

Meu caro amigo, está-se farto de tentar o mesmo.

Mas como se costuma dizer, com uma sabedoria que parece faltar-lhe, "quem não recorda o passado, está condenado a repeti-lo".

Mais memória, mais inteligência e mais sensibilidade é, amigavelmente, o que lhe desejo.

Ricardo Paes Mamede disse...

Não se tentou ir a votos assumindo que não haverá governo de esquerda sem o PS, mas que o PS nunca será suficiente para que se governe à esquerda. Pelo que depreendo das suas palavras, não é coisa que se tente. Não estou de acordo.

Anónimo disse...

Não é verdade. Assim de repente, mesmo coligação entre organizações partidárias, legalizadas como tal, lembro-me da UEDS do Lopes Cardoso, em 80.

Mas grupos e plataformas políticas organizadas são mais. Por exemplo, o GIS, dissidentes sampaístas do MES, a plataforma de esquerda e outros grupos dissidentes do PC nos princípios de 90, a Renovação Comunista mais recentemente, sem contar um sem número de personalidades de esquerda que, querem muita, muita esquerda nos intervalos das eleições, mas que, depois na altura delas, votam no PS "para fazer a diferença", que nunca chega.

Esse filme já vimos muitas vezes, demasiadas vezes.

O grande inimigo que há que combater é a política de direita. Mas a política de direita é praticada por gente e organizações concretas. PS, PSD e CDS são os principais executores.

Dessa gente, desses partidos, não há nada a esperar e uma das grandes novidades que vou notando é a maior consciência desse facto junto do eleitorado e da população.

Mais uma vez, não se trata de contar com a "pasokização" do PS, trata-se de fazer pela "pasokização" do PS.

E sim, não é coisa que se tente, ir a votos contando com o PS para uma política de esquerda. Aí é que é flagrante a falta de memória. Ou pior, formulando delicadamente para não ofender, porque não se aprendeu nada, mesmo com tantas lições.

Essa ingenuidade - partamos do pressuposto de que se trata apenas disso - é que já não é admissível nesta altura.

Ricardo Paes Mamede disse...

Dou o braço a torcer: do que se passou em 1980 já não me lembro. Quanot aos restantes exemplos, não se aplicam ao que estamos aqui a discutir: nenhum foi a votos sozinho.

De resto, não vale a pena continuarmos: já percebemos que não concordamos. Nomeadamente, sobre o que a esquerda já deveria ter aprendido e não aprendeu. Fiquemos cada um com as lições que valoriza.

Alexandre de Castro disse...

António Costa será melhor do que António Seguro?

À primeira vista, tudo parece fácil para António Costa, porque o acaso fez coincidir a sua expressiva vitória eleitoral, do último fim-de-semana, com o momento de maior fragilidade do governo de Passos Coelho. Mas não é fácil o caminho para o dirigente socialista.
O eleitorado do PS (aqui referido por extrapolação dos resultados destas eleições primárias) manifestou um desejo muito claro de uma mudança radical da política portuguesa, embora as opções que lhe colocaram para escolha fossem vagas e genéricas. Mas um terço desse mesmo eleitorado, aquele que não sentiu na pele a agressividade da crise, preferiria a manutenção do statu quo vigente, com uma aproximação cautelosa do PS ao PSD (com o PS a liderar), para que, no futuro, um governo do bloco central tivesse a legitimidade necessária para impor e prosseguir a política europeísta, uma política que se submetesse aos desígnios de Bruxelas e de Berlim. Para esta política, o homem indicado seria Seguro, que perdeu. E perdeu, porque cometeu o erro de enveredar por um discurso de ziguezague, populista e demagógico, para assim tentar enganar parte do seu eleitorado, aquele situado mais à esquerda, e que deseja efetivamente uma mudança clara e objetiva.
Nos dias de hoje, o eleitorado já não se deixa enganar facilmente e está mais esclarecido e mais informado. Devido ao aperto da crise, foi procurando informação correta e sustentada para a compreender nos seus fundamentos e nas suas causas. E se algum mérito estas eleições tiveram (os desméritos são muitos), foi o facto de terem determinado, aparentemente, o fim do período das falsas promessas eleitorais, que, quando feitas com oportunismo e demagogia nas campanhas, normalmente são logo esquecidas, contrariadas e não concretizadas, quando se alcança o poder. Durão Barroso, Sócrates e Passos Coelho foram mestres exímios neste exercício bacoco e vergonhoso, típico dos vendedores da banha da cobra. Seguro tentou imitá-los e perdeu. Costa foi bastante mais cauteloso, neste domínio, e ganhou.
Mas agora, coloca-se um grande problema a António Costa, que já percebeu que, no futuro, tem de explicar com muita clareza os seus objetivos como primeiro-ministro (isto seria o que deveria ter sido feito nesta campanha, já que estava em causa o candidato do PS àquele cargo), se pretender uma votação muito expressiva nas próximas eleições legislativas. Que estratégia vai ele escolher para juntar aqueles dois diferenciados segmentos do seu potencial eleitorado? Parte do seu eleitorado de esquerda escapar-se-lhe- á, se ele não apresentar a solução definitiva e objetiva do problema da quadratura do círculo, que aqui se consubstancia na irredutível e inultrapassável contradição entre o cumprimento do Tratado Orçamental, exigido por Bruxelas, e a aplicação de uma política de desenvolvimento, que ele até já prometeu. Porque a questão é melindrosa em termos eleitorais e difícil e espinhosa em termos de execução política e económica, António Costa e todos os outros políticos dos partidos do arco da traição fogem dela como o diabo foge da cruz. Se António Costa persistir erraticamente na errada e oportunista ideia de que é possível conciliar o crescimento económico com o cumprimento do Tratado Orçamental (nenhum economista sério defende esta conciliação de objetivos), o melhor que ele poderá vir a conseguir eleitoralmente será uma magra vitória sobre o PSD, tal como foram as duas anteriores vitórias eleitorais de Seguro. Será uma vitória de Pirro! Será tempo perdido! E, neste caso, Costa não fará melhor do que Seguro.

Anónimo disse...

Por acaso não sei (sou o anónimo das 30 de Setembro de 2014 às 13:52
e 30 de Setembro de 2014 às 15:06)quanto se vale a pena discutir.

Sem excessiva esperança numa mudança do PS, ainda esperei que com a crise o PS mudasse, que visse diferente até por ter lá dentro gente que vinha pensando (Delgado Alves, Pedro Nuno Santos, Duarte Cordeiro, João Galamba), mas ao longo dos três anos aprofundados pela última campanha interna mostraram nada ter aprendido.

Entendo e respeito que diga "Fiquemos cada um com as lições que valoriza."

O que não aceito nem respeito é que um grupo scetário com grande audiência mediática (Tavares, Daniel Oliveira, Ana Drago) me venha dizer que eu não sou livre, independente, autónomo, crítico e me recuse o direito às conclusões que tirei dessas lições.

HY disse...

Lendo alguns destes comentários fico tranquilo: a verdadeira esquerda vai salvar-nos após pasokizar o PS...tal como quando entregou de mão beijada o poder à pior direita que conhecemos desde o 25 Abril.

Antonio Cristovao disse...

Nao vejo como real falar em esquerda/direita na fase actual da sociedade europeia. É como falar em pureza do islão nas sociedades do medio oriente. Temos problemas reais para resolver: empregos que nunca mais vão chegar para todos,enriquecimento exagerado duns poucos e muitos a tinir pelo basico que fantasiar com mitos da fauna urbana me parece superfluo e enganador, desporto de emapata tolos.

Anónimo disse...

HY, isso da entrega do poder é conversa dos tipos dos adeptos do clube PS na vertente dos que à democracia e à política dizem nada.

Gente que recusa aos outros o direito a dizerem e defenderem coisas fora do quadro do neo-liberalismo. Variando na quantidade, é uma afirmação da mesma natureza do fascismo.


Quanto a Antonio Cristovao, todos os que dizem não distinguir entre esquerda e direita são de direita.

Bem pode prosseguir a votar em quem vota, não será nos ladrões de Bicicleta que encontra coisas que lhe interessem ou que lhe justifiquem a bacoca afirmação.

Anda muito confundido, se encontra convergência entre o que aqui é dito e aquilo que é dito pelo Governo.

Anónimo disse...

Apesar do ponto na sua intervenção nesta discussão, gostava de ver Paes Mamede responder a HY, adepto de um partido com o qual defende o lançamento de pontes.

O que tem a dizer perante a tão retintamenete anti-democrática afirmação de que BE e PCP não tem direito a discutir o país nos termos e bases estabelecidos pelos seus programas e convições, mas apenas nos termos em que mantenham o PS no poder.


Como tenciona Paes Mamede fazer perante este tipo de adepto, quando ele lhe recusarem a discussão com base nos princípios que aqui afirmou em dezenas ou centenas de textos, por exemplo em questões como as PPP, a reestruturação ou renegociação da dívida ou na fiscalidade, trabalho e segurança social?

Ricardo Paes Mamede disse...

Não tenho resposta para HY, na medida em que não me dirigiu nenhuma pergunta.

Em qualquer caso, sobre o episódio a que HY se refere, escrevi em devido tempo dois posts:

1) http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2011/03/momento-da-verdade-para-esquerda.html

e

2) http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2011/03/como-vamos-construir-o-caminho-para-o_6674.html

(sendo o segundo uma resposta à reacção de Vitor Dias ao primeiro).


HY disse...

Caro anónimo das 17.40 e 17.49, não diga tonterias, por favor. Ninguém pretende retirar direitos democráticos a ninguém. Convém é compreender que em política os actos têm consequências e ninguém está imune a ser responsabilizado politicamente pelas decisões que toma, por mais democrático que seja o direito a tomar essas decisões. Quem decidiu rejeitar o PEC IV e fazer cair o governo naquele momento, sabia o que se seguiria. Provavelmente até desejava o que se seguiria. Fê-lo num exercício de um direito democrático? É também meu direito democrático considerar que deve ser politicamente responsabilizado pelo que sucedeu a seguir. Se não concorda, tudo bem, mas não se arme em vítima de qualquer perseguição antidemocrática.
Mas suponho que não vai compreender o meu raciocínio. Ao ler os seus comentários equiparando tudo o que lhe desagrada ao neoliberalismo = fascismo, sinto-me recuar no tempo. Salvaguardadas as devidas proporções, parece a III internacional a anatemizar a social-democracia de social-fascismo, com as excelentes consequências conhecidas. Afinal, também nessa altura a tal esquerda referiu eleger Hidenburgo ao candidato social-democrata. Porque era tudo igual… tal como para o caro é tudo igualmente fascistóide excepto a verdadeira esquerda.

Anónimo disse...

Lendo os seus posts de Março de 2011, Paes Mamede, não lhes encontro diferenças que me pareçam substanciais em relação ao que PCP e BE dizem. Aliás chega, como reconhece com honesytidade intelectual a admiti-lo. As diferenças vão para a forma de fazer valer certas propostas e quanto à avaliação de um grau de urgência. Confesso que até convirjo consigo quanto a essa plataforma entre BE e PCP (é ler os meus comentários supra- que já lhes indiquei as horas), mas não é para crescer face ao PS e o caminho seguido recentmente por várias dissidências vai no sentido de minar esse caminho.

Respeito a impaciência (sou dos que também está desempregado e sem expectativas) e essa convicção, mas também considero que se admito que os eleitores não têm obrigação absoluta de se manterem informados acerca de uma mensagem densa e pouco sexy (para citar Pires de Lima, citando outro qualquer), já os deputados do PS têm essa obrigação.

Como Vítor Dias relembrava recentemente, noutro contexto, dias depois de Passos Coelho tomar posse como pm, o PCP voltava à carga com uma ideia que bem acenara durante os PEC, a da renegociação da dívida. Um relativamente jovem e importante quadro do PS respondeu-lhe como se pode ler no post: http://otempodascerejas2.blogspot.pt/2014/09/fernando-medina-ou.html

O que teria sido possível negociar com o PS naquela ocaisão? E pior, pq será agora possível fazê-lo se previsivelmente continuarão a encontrar respaldos onde sempre o procuraram e com os partidos com que sempre convergiram? Falta de abertura do PCP ou de BE? Basta ler ou ouvir Medina na ocasião citada por Vitor Dias para perceber que a abertura do PS os modos de fazer face à dívida só podia estar com o CDS e com o PSD.

Anónimo disse...

Rídículo, HY, é o PS pensar que o BE e o PCP existem não para defender uma agenda política própria mas para manter o PS no Governo e salvá-lo episodicamente das patifarias e das medidas que comete o resto do tempo aos beijos na boca e de braço dado com o PSD e o CDS-PP.

Anónimo disse...

Ou seja, para o leitor HY, o PS mete-se na trampa e o PCP e o BE - que os avisaram repetidamente para os erros do caminho seguido - é que devem ser responsabilizados.


Como raciocínio não está mal.

HY disse...

Caro anonimo, veja la que me estou nas tintas para as dificuldades do PS, do BE e do PCP. Quando avalio a responsabilidade politica das forças politicas pelos seus actos preocupo-me sobretudo em vêr aquilo que considero ser o interesse dos portugueses. Sobretudo dos trabalhadores, reformados, desempregados, pobres, jovens em dificuldades, etc., aqueles em nome de quem essas formações assumem fazer politica. A luz do que eu penso serem os interesses dessas camadas, acho que, como diz o Ricardo Paes Mamede, apesar de tudo ha uma diferença entre ter um governo do PS ou desta direita. Eu acho mesmo que teria feito muita diferença para essas pessoas. A minha principal prioridade teria sido evitar esta hecatombe.E a essa luz que avalio a responsabilidade politica.

E quem decide da responsabilidade ou não das forças politicas não sou eu nem você. São os eleitores...