quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Pôr os bancos ao serviço da economia

Um governo que se proponha servir o povo terá de enfrentar a financeirização do capitalismo e pôr os bancos ao serviço da economia. É radical, mas a verdade é que há “gente séria”, com carreira feita dentro do sistema financeiro, que começa a pôr em causa o sistema tal como ele existe. Em Portugal, mesmo depois do que temos visto, o discurso à esquerda é muitíssimo recuado.
Vejam:

Lorde Adair Turner, presidente da Autoridade dos Serviços Financeiros do Reino Unido no período de 2008 a 2013, fez na semana passada uma intervenção [Abril 2014], breve mas forte, em que defendeu que os manuais universitários ensinam uma história ‘mítica’ sobre o que fazem os bancos. Falando num painel da conferência do INET “Human After All”, em Toronto, enunciou um conjunto de argumentos fortes:

● A maior parte da actividade do sector financeiro não é útil à economia, e deveríamos abandonar a crença, anterior à crise e sustentada pela maioria dos economistas, de que um maior sector financeiro é sempre benéfico para a economia;

● A ideia de que os bancos recebem o dinheiro dos aforradores e o emprestam é errada. Na realidade, os bancos criam novo dinheiro quando concedem crédito;

● A ideia de que a actividade dos bancos modernos consiste em apoiar os negócios é um ‘mito’. De facto, o crédito às empresas é frequentemente inferior a 15% do total do crédito concedido. Pelo contrário, a maior parte do dinheiro que os bancos criam (emprestando) alimenta bolhas especulativas no imobiliário e nos mercados financeiros.

7 comentários:

Anónimo disse...

Lá está, nos tais partidos de uma esquerda que tem dito não existir, defende-se, abertamente ou sem nunca a ter pedido, a nacionalização da banca.

Jose disse...

Até aos anos 70, nos USA, os bancos estavam proibidos de participar directa ou indirectamente na negocialão de títulos em bolsas; havia limites aos juros dos depósitos, ...
Interessante seria analizar qual o contributo dos fundos de pensões no mercado especulativo; e qual o impacto de os bancos reduzirem - digamos em 30% - a criação de moeda pela via do financiamento do consumo e das dívidas públicas.
A 'bolha financeira' abriga muitas e variadas irrealidades...

Anónimo disse...

Até aos anos 1970, o mundo ocidental e o outro a reboque, ainda vivia sob o keynesianismo saído do New Deal e da II Grande Guerra, depois veio impor o ordolibelarismo a corja de que José gosta. Os mais evidentes Goldwater, Nixon, Pinochet, Reagan, Margaret, Tatcher. Uma contaminação tão má que milhões de mortos depois até foi o terceira via, à escala dos EUA, Clinton, que voltou a unir os dois tipos de banca com o perfeito resultado que hoje conhecemos.

Anónimo disse...

Caro anónimo das 23 e 12
Na mouche.

"é o capitalismo estúpido"

De

Diogo disse...

Caro Bateira,

Há muito tempo que isto é conhecido. Porque é que os meu amigos Ladrões de Bicicletas só agora o descobriram?

Quanto aos (meus) anteriores comentadores, a estupidez continua...


Tiago Pereira da Silva disse...

Até que enfim se começa a falar abertamente da verdadeira origem da crise: o poder da banca comercial produzir sem controlo crédito.
Enquanto não percebermos que as dívidas crescem em percentagem do PIB na generalidade dos países devido ao facto da atividade financeira conceder crédito para financiar ativos financeiros e imobiliários, gerando enormes bolhas, não vamos conseguir dar uma resposta cabal ao problema.
Há que controlar o poder de emissão de moeda (crédito) da banca! Para quando um debate sobre este tema?

Alexandre de Castro disse...

Com a deslocalização de indústrias para mercados de mão de obra barata e com a globalização, o sistema financeiro desligou-se da economia real e entregou-se à pilhagem, promovendo a nível global a transferência da riqueza dos países menos ricos para os mais ricos, e, dentro de cada país, e através da austeridade, implementada por governos a seu soldo, estimulando a transferência dos rendimentos do trabalho para os rendimentos do capital.E é este o fundamento estrutural da atual crise.