sexta-feira, 18 de julho de 2014

Por causa da honra?

Sala Mecenato BES (ISEG)

A seguir ao visionamento do debate sobre o BES, onde o Ricardo Paes Mamede teve mais uma excelente participação, economia política mesmo, lembrei-me de algo que partilho agora: não foi só para a política ou para a comunicação social que o poder financeiro extravasou, como sempre tende a acontecer no capitalismo sem trela. Também numa certa academia encontramos expressões desse poder, desde as teorias que são ensinadas e que se destinam a celebrar, tantas vezes em regime de monopólio, os “mercados livres”, ocultando os poderes realmente existentes e os potenciais custos sociais, dando prioridade à hipótese dos mercados financeiros eficientes em detrimento da infinitamente mais realista hipótese da instabilidade financeira, até a coisas só aparentemente mais comezinhas, como as salas BES, as cátedras BCP ou os Doutoramentos Honoris Causa e outras honras atribuídos a banqueiros muito respeitáveis. Neste contexto, tenho uma questão para João Duque, que ainda na semana passada debatia com todo o à vontade o caso BES: será que o Doutoramento Honoris Causa, atribuído há um ano, antes da mais recente derrota eleitoral de Duque, a Ricardo Salgado, em linha com os atribuídos a Mexia ou Catroga, mas em contraste com a distinta história do ISEG, se justificou? É verdade que Ricardo Salgado se notabilizou também por teses de economia política de alto recorte - o Estado é um desastre a gerir bancos ou os portugueses preferem o subsídio de desemprego -, mas mesmo assim colocámos todas as dúvidas na altura em relação às razões e às motivações de tal distinção. Um ano depois convinha reexaminá-la.

5 comentários:

António Geraldo Dias disse...

Do capitalismo periférico ao capitalismo pindérico o doutoramento de rs é a melhor ilustração do estado de degradação da universidade transformada em "off-shore" do capital simbólico administrado com o mesmo à vontade por universidades públicas e privadas com história ou sem ela- um fastidioso conto de arrivismo capaz de destruir qualquer comunidade de saber em "outlets" performativos de um capitalismo em crise que nas proporções de um país periférico é a pura representação revisteira da impos(i)tura cultural e educativa reinante contra o melhor da história política e social da escola como lugar de emancipação por ora interrompido...em 69 em económicas lutávamos contra o fascismo está na hora de reeditar o "contra a fábrica" desta feita de chouriços em que alguns querem transformar a velha escola.

Anónimo disse...

Várias Universidades têm muito gosto em convidar para os seus órgãos, de acordo com o RJIES, banqueiros e homens do dinheiro. Cientista ou artista tem menos préstimo e não recebe honrarias.

manuelpereirabarros Meira disse...

Sejamos elegantes:puta que os pariu!

Anónimo disse...

Será que o Sr Ricardo Salgado (E.S. Silva) vai fazer juz às suas teorias sociais e preferirá agora tal como os portugueses recorrer ao subsídio de desemprego?

Anónimo disse...

chasse l'intrus:
https://aquila1.iseg.ulisboa.pt/aquila/instituicao/ISEG/cursos/doutoramentos/doutores-honoris-causa?_request_checksum_=551b49cb216a41cf68ea9c2712e70339c9ac3dc6