sábado, 22 de junho de 2013

A sério, não há dinheiro?

Lembram-se de Vítor Gaspar ter dito, no rescaldo da Sexta Avaliação da troika, que era preciso «decidir qual o modelo de Estado que queremos e como o podemos financiar de forma sustentada»? Para de seguida Abebe Selassie sentenciar que «cabe à sociedade portuguesa decidir que nível de protecção social deseja ter, que nível de impostos e qual o equilíbrio entre estas duas dimensões»?

Foi em Novembro de 2012 e a ideia era, basicamente, a de acenar com a promessa de descida de impostos, uma vez aceite - como condição - proceder a um «ajustamento» do Estado Social à suposta capacidade fiscal do país. Sucede, porém, que desde então se preparou um programa de cortes na função pública, nas pensões e nas despesas sociais, que atingirá os 4 mil e setecentos milhões de euros até ao final de 2014. Mas, então, e a descida de impostos? Pois, quanto a isso, esperem sentados: Passos Coelho assegurou que o governo está a trabalhar para aliviar IRS até 2015, mas não se compromete com a sua efectiva descida (ao contrário do IRC, claro).

Ou seja, primeiro eram as «gorduras do Estado Social». E como estas demonstradamente não existiam, passou-se para a tese de que o Estado Social - não sendo afinal gordo - precisava de se ajustar para reduzir o esforço fiscal do país. Quando do que se trata (como sempre se tratou) é de assegurar, acima de todas as coisas, os recursos necessários para alimentar o sorvedouro dos juros agiotas. De uma dívida que é tanto mais impagável quanto mais exaurida se torna a economia, às mãos dos loucos que nos governam com a cumplicidade irresponsável de Belém.

1 comentário:

Urano Cravitz disse...

Saudações... Adorei o post! Continuem publicando de modo a informar a nossa sociedade!