segunda-feira, 23 de abril de 2018

Os limites de José Rodrigues dos Santos

O jornalista e pivot da RTP José Rodrigues dos Santos (JRS) decidiu, ele próprio e por duas vezes (a primeira a 18/4/2018), nomear em directo o recém-nomeado Míguel Díaz-Canel como o “novo ditador” de Cuba.

A referência deu azo a uma polémica nas redes sociais. Em sua defesa, surgiu a ideia: Mas se é verdade, por que não dizê-lo? A resposta a essa questão é, obviamente, muito mais complexa do que aparenta.

Por que será ele um “ditador”?

É porque não há eleições ou partidos? Todos nós conhecemos países no mundo em que há partidos e eleições e se está longe de haver democracia... Nem é preciso ir mais longe: basta lembrar Portugal antes do 25 de Abril. Regularmente, o regime deixava constituir-se listas da oposição, mas a ditadura fazia-se sentir de outras formas: recenseamentos adulterados e limitados a uma minoria da população, sistema eleitoral sem representatitividade, repressão da oposição, violações várias aos direitos essenciais, etc., etc.

Será ele “ditador” porque a opinião não é livre e se pode ir parar à prisão por a expressar? Mas essa foi a situação comum em tantos países do mundo! Até acontece actualmente em Espanha e, que eu me lembre, JRS nunca chamou “ditador” a Rajoy...

Será ele “ditador” porque quem exerce o poder não é o povo soberano desse país, que não determina as regras de funcionamento social do país? Mas se assim é, nem precisamos de ir mais longe: falemos da moeda única, falemos do Tratado Orçamental, do Semestre Europeu, de todo o edifício europeu que conduz à centralização de decisões e de poderes num conjunto muito reduzido de pessoas na União Europeia, sem que se perceba – e sem que se consiga averiguar – quem exerce efectivamente o poder. E que eu saiba, nunca fui chamado a sufragar essas decisões. Para mim, trata-se de um golpe de Estado "constitucional".

E depois um “ditador” nunca está sozinho. A pessoa escolhida geralmente constitui apenas a cara de um sistema de forças que o colocou lá e que o mantém até que não seja necessário. E esse sistema de forças não é apenas nacional. É necessário haver cumplicidades internacionais que o favoreçam, caso contrário ele será deposto a pretexto, precisamente, de ser um ... “ditador”. Limitar toda esta situação a um mero papel de pacotilha de uma pessoa, é extremamente redutor e pobre.

Como é redutor e simplista abordar desta forma a situação política de países que tentaram afastar-se de uma lógica do sistema capitalista e que respondem a um desafio tremento: como é possível manter vivo um regime alternativo, cercado e atacado pelo mundo circundante? É um bom tema de discussão, e que tem passados terríveis (como o tem o regime capitalista mundial), mas que vai muito mais além da simplista formulação de "ditador"...

Aliás, interessante porque se bem se recorda, em 1959, Fidel Castro - após a revolução dos barbudos massivamente apoiada pela população - foi aos Estados Unidos pedir ajuda para o novo regime e os Estados Unidos recusaram-na, obrigando Cuba a recorrer aos países socialistas.

Mas se o apego de JRS é à verdade, nesse caso deveríamos exigir dele que adjectivasse um pouco mais quando menciona outras pessoas: o “mentiroso” Passos Coelho – que fez uma campanha eleitoral sabendo que ia aplicar um programa totalmente diferente; a “incompetente” troica que não entendeu que o seu programa nunca poderia ser eficaz; a “despudorada” e "ditadora" Merkel que sabia que estava a exigir “resgates” à Grécia e a Portugal que nunca poderiam ser pagos, que iriam condenar à pobreza milhões de gregos e portugueses, apenas para salvar os donos dos bancos alemães e franceses; o “vendido” Juncker que fixou acordos de baixa tributação com multinacionais em detrimento do comum cidadão; o no mínimo “incompetente” governador do Banco de Portugal que, já quando estava no BCP, era director do departamento internacional e desconhecia a existência de 17 veículos financeiros criados para empolar a cotação do banco ou, quando já estava no Banco de Portugal, deixou Ricardo Salgado à frente do banco, permitindo-lhe desfalcar o banco antes da intervenção pública... E a lista – como se imagina - poderia prosseguir.

Mas que se saiba JRS nunca teve o apego à verdade de os chamar assim. Apenas porque essa adjectivação vai contra as suas próprias opiniões. E esse é o risco da adjectivação: é que geralmente tende a privilegiar os nossos pontos de vista e a subavaliar os outros. Ou seja, a questão é que JRS está usar a sua posição de pivot para expressar os seus pontos de vista, quando a sua função deveria ser outra.

JRS sabe bem melhor o que é a televisão pública para estar a ter um ataque de teimosia que apenas mancha a televisão pública e o prejudica a ele.

30 comentários:

Geringonço disse...

Porque é que não metem este apresentador (é o que ele é, um apresentador de coisas, não é jornalista) a fazer jornalismo?
Porque é que este e outros, como a Judite de Souza e o José Alberto Carvalho têm que ser tratados como se fossem estrelas, por acaso revelam eles alguma competência extraordinária que os destinge de tantos outros pivots? Eu não vejo...
Mas jornalismo é coisa rasca, coisa de subalternos...

E porque é que a TV financiada pelo o Estado tem que andar a pagar milhares e milhares a "estrelas" não só como JRS como a outras vedetas de diversas áreas?

Mas surpreendido ninguém pode ficar, o agora presidente da República andou a receber 12 mil durante anos para se promover ao eleitorado na RTP...


"José Rodrigues dos Santos terá recusado baixar o seu vencimento mensal."

Ler mais em: https://www.cmjornal.pt/tv-media/detalhe/jornalista-recusa-corte-no-salario


Data 30.06.13 - em pleno governo Pafista austeritário.

Vitor disse...

e Salazar? Na sua opinião foi ou não um ditador?

Vitor disse...

e na mesma linha. O que acha de se referirem recorrentemente a Assad na imprensa portuguesa como ditador? é algo que acontece recorrentemente e que a meu ver reflete uma parcialidade enorme a meu ver e ele é referido dessa forma na maioria dos orgãos da CS portuguesa

Ricardo Silva disse...

Míguel Díaz-Canel é o novo ditador de Cuba. É um facto.

Espero que os autores do blog reencaminhem esta minha ofensa gravissima, para o ministério publico!

Flic Flac disse...

Pronto, pronto... Se é de esquerda não é ditador!... Dê-se a bicicleta ao dono.

Jaime Santos disse...

Ora lá anda quem apoia a ditadura cubana a tentar contextualizar a coisa... João Ramos de Almeida, tenha ao menos a coragem de dizer ou que vem sem meias-palavras...

Os regimes raramente são perfeitos. Portugal até pode ainda viver num regime de soberania limitada (como viveu sempre depois de ter falido, mesmo quando tinha moeda própria) mas há um elemento crucial no nosso sistema político que falta em Cuba, a saber, se eu quiser fazer oposição pacífica ao Governo não me arrisco a ser preso.

O João Ramos de Almeida pode dizer cobras e lagartos de Passos Coelho, da troica, de António Costa, de Rodrigues dos Santos, que nada lhe acontece.

O problema principal dos marxistas é que decidiram que, para democratizar a Economia e colocar os meios de produção sob o controle da população, é necessário sacrificar as liberdades políticas (o que também significa que quem de facto exerce a soberania que tanto lhes enche a boca é uma burocracia sangrenta e medíocre).

E continuam, infelizmente, como a sua peça bem mostra, a apoiar tal ideia. Isto para além do facto, provavelmente mais relevante na prática, de que o sistema que criaram e que deveria superar o Capitalismo se ter revelado muito pior do que ele em todos os aspetos.

E isso não nos deveria aliás espantar, porque um sistema que copia do Capitalismo só o que ele tem de pior, o Monopólio, só podia mesmo dar muita asneira.

Como é que querem ser levados a sério? Ao fim de tantos anos, tantos mortos e tantas experiências malogradas, só conseguem manter a língua de pau sobre o colapso da URSS ter atrasado o processo, sem dele tirar realmente as lições que deviam?

Ou debitando as alarvidades do costume, vide acima, em que contextualizam a repressão das liberdades individuais em Cuba com o argumento de que isso é necessário para proteger a liberdade do povo cubano, em face da pressão dos EUA?

É essa a soberania que nos prometem? A que o povo de Cuba teoricamente dispõe mas não é capaz de exercer? Por amor de Deus, se isto é assim, tragam-me já as grilhetas de Bruxelas...

Jose disse...

Realmente a prática adjectiva contém enormes complexidades.
Tentemos numa óptica não democrática:
- Talvez dizendo que é o dirigente máximo de uma ditadura, possa atenuar as perplexidades das almas mais sensíveis aos adjectivos.
- Talvez dizendo que é o dirigente de uma revolução permanente, uma vez que permanece imutável há umas dezenas de anos.
Ou tentemos numa óptica democrática:
- Talvez dizendo que é o dirigente máximo de uma democracia nova, em que poucos são os que não falam baixinho, em que a oposição à doutrina do partido único só é possível por intimistas murmúrios.
- Talvez dizendo que é o dirigente máximo da verdadeira democracia, à moda da Grécia antiga, em que fala quem pode e não é cidadão quem quer.

Uma hipótese deve ser liminarmente afastada, chamar-lhe ditador quanto não passa do testa de ferro de uma organização ditatorial.

Anónimo disse...

Ena pá.

A verdadeira brigada do reumático acorre em peso para defender a honra perdida do josé rodrigues dos santos

Anónimo disse...

Uma hipótese deve ser liminarmente convocada.
O jose próximo do 25 de Abril fica transtornado. Como se sabe caiu um ditador da cadeira, mas o enterro só foi feito a 25 de Abril.

Um grande dia esse. Enterrar a porcaria foi um grande feito.

Anónimo disse...

Mas percebe-se que alguns rabiem quando se fala em Cuba como João Ramos de Almeida fala.

É um seu direito dito democrático. Afinal Cuba está aí, orgulhosa, a pouca distância do império e conseguiu sobreviver a tanta coisa. E isso deve deixar a ferver alguns que por aí andam

Já não se percebe é o comportamento de rodrigues dos santos. Está aí espelhado o fundamentalismo dum cacique que se faz passar por jornaleiro e às vezes por "escritor". Mas não devem nem podem ser toleradas estas incursões nas suas ruminações ideológicas quando à frente dum microfone em telejornais de uma estação. Ainda por cima Pública.

manuelpereirabarros Meira disse...

Quem mantém um bloqueio total, a um país vizinho, há sessenta anos consecutivos tem que ser reconhecido por todos como grande democrata...

Anónimo disse...

Mas a desonestidade ( e a pesporrência) de rodrigues dos santos, se é muito mais grave pelo facto de estar onde está (onde todos nós pagamos o seu salário) não inviabiliza que se aponte o dedo à desonestidade de personagens menores, que como marionetas saltam logo em defesa do seu menino querido
(suspeita-se que jose tenha os discursos claros e lúcidos de salazar no seu quarto e os "romances" lúcidos e claros de JRS na sala)

Vejamos por exemplo o flic flac pimentel ferreira. Porque não assume o que é e vem escondido de flic flac à retaguarda repetir o que o mesmo disse como ricardo silva?

Pode ficar descansado este. Ninguém vai fazer queixa pelo facto de debitar as asneiras do JRS. Ele que faça a birra que quiser, que proclame factos a granel e que se ponha em bicos de pés para ver se o escutam.Assumido betinho da Mexicana, queria há dias fazer-se passar pela ralé.

Vamos passar a assuntos mais sérios

Geringonço disse...

Iraque de Saddam, ditadura sem armas de destruição maciça, invadido e destruído com base em mentiras pela maior potência militar e capitalista do mundo!

Síria, país do ditador Assad, ainda assim, regime secular onde as mulheres não são obrigas a usar Burca e têm presença significativa na burocracia, país onde a constituição protege minorias, país onde cristãos e homossexuais não são perseguidos.
Síria 2018, país arrasado e massacrado por mercenários estrangeiros financiados por EUA e Arábia Saudita.
O que seria das mulheres, cristãos e homossexuais se os "rebeldes" derrubassem Assad, de certeza que ficariam ainda mais protegidos...

Arábia Saudita, país de praticamente todos os terroristas do 11 de Setembro, decapita activistas pró-democracia, está a cometer genocídio no Iémen com apoio técnico e armas produzidas nos EUA, financia terroristas e a sua versão do extremista do Islão é também o grande aliado dos EUA.

Israel, país cada vez mais entregue à extrema direita, gere um famoso campo de concentração e é sabido que a indústria militar israelita testa armas nos palestinianos.

NATO, organização militar criada pelos regimes democráticos como os EUA, Portugal de Salazar e entre outros para combater a União Soviética, a União Soviética já não existe, a NATO continua a existir e quer ser ainda maior!

EUA, país envolvido em guerras ilegais e nunca aprovadas pelo Senado norte-americano nem pelas Nações Unidas desde a 2ª grande guerra.
EUA, o ÚNICO país a usar bombas nucleares em populações.
Mais de metade do orçamento Norte-Americano vai para o Pentágono.
EUA, país tão mas tão democrático que até existe um consenso entre o Partido Democrata-Republicano e os média na inquestionável necessidade da guerra. Não é suposto haver sempre alternativas em democracia?
Parece que nos EUA NÃO HÁ ALTERNATIVA em relação à guerra, mesmo que a população não queira.

Viva DEMOCRACIA!

Anónimo disse...

Veja-se o esforço de Jaime Santos para repetir a sua cassete.

Veja-se como confirma aquilo que há muito se denuncia por aqui. Os vestígios de "social-democracia" desaparecem-lhe apressadamente. E tão apressadamente que se percebe que tenha acabado nos braços de um Macron.

É a vida. E as suas palavras confirmam-no ponto por ponto.

"João Ramos de Almeida, tenha ao menos a coragem de dizer ou que vem sem meias-palavras..."

Esta é a primeira parte da sua cassete. Invectivar quem escreve é um dos seus métodos. E invectivar desta forma um pouco caceteira leva-nos a interrogar se o seu verniz se quebra assim com tanta facilidade.

João Ramos de Almeida escreve o post e sabe os riscos que assume pelo facto de afrontar um lobby. O lobby que reúne JRS a todos os outros que detestam Cuba. Mas é necessário mostrar até que ponto vai a hipocrisia das virgens púdicas que reagem assim com Cuba mas que se calam perante o que JRA denuncia

Repare-se assim no silêncio pesado perante as acusações de JRA (e não contam as idiotices do vitor pimentel ferreira)

"contextualizam a repressão das liberdades individuais em Cuba " e "tragam-me já as grilhetas de Bruxelas" dirá Jaime Santos

JRA fala em Rajoy.

Quem tiver paciência que leia este artigo de JM Correia Pinto, sobre mais um exemplo do sistema penal espanhol

http://politeiablogspotcom.blogspot.pt/2018/04/a-reyerta-de-alsasua.html

A realidade é tramada. Mas quem leu alguma coisa sobre este escândalo na nossa comunicação social?

E alguém viu algum dos críticos de Cuba saracotear-se perante este mimo fornecido pelo El País?

Anónimo disse...

Na vida há os ditadores, e os copiadores. O Fidel, o Franco, etc eram ditadores.
E o José Rodrigues dos Santos também: ele dita os livros dele. Ou será que lhe ditam?
Nesse caso ele é um copiador.

Anónimo disse...

"se eu quiser fazer oposição pacífica ao governo não me arrisco a ser preso"

É preciso ter muito cuidado com as afirmações assim tão taxativas.

Miguel Sousa Tavares chamou "palhaço" a Cavaco Silva. Este tentou imputar-lhe um crime de ofensa de honra. Tal crime pode levar à prisão. Até 6 meses.

Não consta que Cavaco silva pertencesse na altura ao governo.Mas perante esta manifestação pacífica de expressar uma opinião, alguém arriscou a ser preso

É o direito ao bom nome dirão. Mas como se sabe a lógica de tudo isto é uma batata. Não se sabem as consequências se o caso tivesse ido parar a algum juiz fascista de Espanha. E a hierarquização dos crimes depende de muita coisa

A pressa expedita como se arrumam as coisas tem destas coisas.

Mas há mais exemplos


Anónimo disse...

Há um bons anos,estas frases foram ditas:
‘A cada ano, 80 mil crianças morrem vítimas de doenças evitáveis. Nenhuma delas é cubana’. ‘Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma é cubana".

Está também aqui o motivo do ódio a Cuba. Esta ilha poder-se-ia comparar ao Haiti, com similitudes geográficas e territoriais e que se encontrava sensivelmente no mesmo patamar económico e social, na altura da Revolução cubana.

Veja-se onde estão uma e outra

Em 2014 o Banco Mundial dizia que Cuba tinha o melhor sistema educativo da América Latina e do Caribe. De acordo com a organização internacional, Cuba é o único país da região que dispõe de um sistema educativo de alta qualidade

segundo o relatório do Estado Mundial da Infância do Unicef, Cuba alcançou em 2015 uma taxa de mortalidade infantil abaixo de cinco por 1.000 nascidos, dado que coloca o país entre as primeiras 40 nações do mundo. O país caribenho também foi pioneiro em diversos avanços na medicina. Já em 1985 desenvolveu a primeira e única vacina contra a meningite B. Conseguiu novos tratamentos para combater a hepatite B, o pé diabético, o vitiligo e a psoríase. E desenvolveu uma vacina contra o cancro de pulmão, que está sendo testada nos Estados Unidos, e foi o primeiro país do planeta a eliminar a transmissão materno-infantil de HIV, conforme atesta a Organização Mundial da Saúde (OMS), também em 2015, confirmando a colocação do sistema de saúde cubano na vanguarda do continente americano e muito acima da média mundial.

Anónimo disse...

A questão da traição de grande parte da social-democracia está patente nas pequeninas coisas. Como por exemplo na forma como alguns tratam a questão da ilha caribenha.

A morte de Danielle Mitterrand, em novembro de 2011 abriu a dança dos hipócritas que tinham admirado esta mulher admirável, comprometida em causas humanitárias, mas que, mancha indelével, tinha abraçado Fidel Castro no alto da escadaria do Palácio do Eliseu. Os media recriminá-la-ão sempre.

As declarações de Ségolène Royal em Cuba, a 5 de dezembro, poucos dias depois das exéquias de Fidel Castro, abriram também um cenário de ataques. Ela saudou a memória de Fidel Castro, como "um monumento da história", rejeitando as acusações contra ele de violações dos direitos humanos e contestando as detenções políticas.

Anónimo disse...

Perante estes factos a Amnistia Internacional engasgou-se e resolveu mencionar numerosos casos de prisão

EL SEXTO

Esta ONG seleciona este exemplo para a Europa : " algumas horas após a morte de Fidel Castro, o artista El sexto [um grafiteiro] foi preso novamente. Ele teria escrito numa parede um grafiti dizendo simplesmente: "Se fue…", ou seja: "Ele foi-se…", irónica alusão à morte de Fidel... Reli: "... ele teria escrito numa parede um grafiti dizendo simplesmente : "Se fue..."

Gastei algum tempo a verificar (ou seja, perdi o meu tempo): o executante do grafiti tinha decorado com tags (e não apenas simplesmente as duas palavras: "Se fue"), a parede em frente de um dos mais belos hotéis em Havana, e fez o mesmo em edifícios públicos.

Foi interrompido e retirado do local, algo que não teria acontecido em Paris se tivesse rabiscado o Ritz, o Crillon, o Palais Bourbon, o Palácio do Eliseu ou a Catedral de Notre Dame"

( Maxime Vivas)

A imagem do vandalismo pode-se ver aqui:
http://resistir.info/cuba/imagens/grafiti_se_fue.jpg

Anónimo disse...

"Contarei agora as histórias divertidas de três outros dissidentes pelos quais a Amnistia Internacional e a nossa classe política se inflamaram.

1 - Raul Rivero

Em março de 2003, cansado da multiplicação de balelas lançadas por agências de imprensa cubanas pretensamente independentes, na realidade financiadas pelos EUA (forneço provas detalhadas no meu livro "La face cachée de Reporters sans frontières" ), o governo cubano lançou um isco e apanhou um bando de mercenários (ou dissidentes, como eles dizem).

Entre eles, estava o poeta Raúl Rivero. Foi então desencadeada uma campanha internacional: Rivero estaria a ser submetido a condições de encarceramento terríveis, teria perdido 20 ou 30 kg, sua vida estava em perigo, etc.

Apanhando os mentirosos em velocidade, as autoridades cubanas libertam-no. Aparece então um homem grande e gordo, obeso, confessando ter livre acesso à leitura e ter devorado o último livro de Gabriel Garcia Márquez, "Historias de mis putas tristes" , mas que tinha sofrido à noite com o cantar de um grilo. A Amnistia Internacional reviu então o seu texto. "

"2 - Outro exemplo, mais divertido ainda: Armando Valladares

Trata-se de um ex-polícia do ditador Batista, preso logo após a vitória da revolução quando transportava explosivos para realizar atentados. Ele beneficiou-se de uma campanha internacional pela sua libertação. A imprensa dizia-o poeta e paralítico. Quando o governo cubano decidiu deportá-lo para Madrid em 1982, o presidente François Mitterrand enviou Régis Debray para saudá-lo à sua chegada de avião. A multidão de fotógrafos então viu um homem rindo a descer a passarela com ambas as pernas.

A Amnistia Internacional retirou-se, discretamente escondendo a cadeira de rodas prevista para o "poeta deficiente", os funcionários eclipsaram-se. Hoje, sabemos que o único poema de que Valladares se aproveitou era um plágio. Agora vive nos Estados Unidos, onde Reagan o nomeou embaixador dos EUA junto da Comissão de Direitos Humanos da ONU (sic).

E Régis Debray escreveu: "o homem não era um poeta, o poeta não era paralítico e o cubano agora é americano. Este ativista simulava hemiplegia há anos numa cadeira de rodas"

(Maximo Vivas)

Anónimo disse...

"3 - O terceiro exemplo cómico é o de Nestor Baguer

Também contei há algum tempo as suas façanhas no meu livro sobre RSF (Repórteres sem fronteiras), ele era a fonte cubana de RSF. Robert Ménard tinha ido recrutá-lo a Havana.

Nestor Baguer era um jornalista dissidente. Diziam que fora preso, atingido pela polícia, que lhe partiram um pulso, o seu material fora confiscado, fora perseguido, ameaçado, etc. A Amnistia Internacional lançava gritos de escândalo em tom ameaçador.

E, por fim, Nestor Baguer finalmente revelou que na verdade era um agente de segurança cubano infiltrado em círculos contrar-evolucionários financiados pelos EUA. Ele nunca tinha sofrido (e por uma boa razão) qualquer prejuízo. Ele inventou tudo, incluindo o conteúdo dos artigos que escreveu, porém as informações contra Cuba nunca são verificadas. Pessoas de boa-fé poderiam passar horas, meses, anos a ver o que os nossos media propalam sobre Cuba e a descobrir as suas mentiras.

Indignada com a política dos EUA contra Cuba, Danielle Mitterrand disse ao marido: '"François, tu não podes deixar que isso aconteça! Ele respondeu: "Mas Danielle, não sou eu que mando, é o FMI, etc" (cito de memória)"

(Maxime Vivas)

Jose disse...

Cuba é um paraiso reconhecido mundialmente, como destino turístico.
Tem uma economia tão extraordinária que até tem duas moedas, uma para os indígenas e outra para os turistas.
Culturalmente é um exemplo para o mundo, laboratório vivo de como condicionar um povo a viver sem liberdade e a declarar-se feliz.
Recomendo Cayo Largo del Sur, tem na praia uma areia que não aquece sob o sol tropical!

Anónimo disse...

Ditam os livros ao Rodrigues dos Santos? Copiador este?
Esta é daquelas idiotices que não definem o que é o "escritor". Como aliás já se suspeitava pela definição acéfala do mesmo sobre Fidel.

Vitor disse...

A wikipedia vale o que vale.
Curiosamente a versão portuguesa inclui Fidel Castro entre os ditadores da era moderna
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ditador

Já a versão inglesa não faz essa referência
https://en.wikipedia.org/wiki/Dictator

Anónimo disse...

Brilhante este seu texto, a clareza como retrata os factos é uma dádiva. Pareceu-me extremamente precisa a sua descrição sobre esta Europa e sobre a "moeda única", relativamente ao José Rodrigues do Santos a única coisa que me ocorre dizer é que o tenho como uma personagem menor.

Anónimo disse...

Sabemos que a Wikipédia vale o que vale. E as coisas agravam-se quando vemos alguns trafulhas como autores de alguns dos seus textos. Na versão portuguesa está confirmado

Mas isso sabe tão bem como eu o Vitor Ou melhor ainda

Anónimo disse...

...percebe- se a crispação do josé
Ê a data ou o facto de Cuba ter dado um tão grande salto?

Embora a idiotia também se lhe sobre. Essa do povo viver sem liberdade e declarar-se feliz...

Há aqui alguma impotência do josé ... argumentativa, claro

Anónimo disse...

A comparação entre Franco e Fidel demonstra uma coisa

O descabelamento intelectual e moral da nossa direita

O copiador está ali apenas para fazer figura. Para ver se passa a repetição da treta , já que há que cumprir o postulado do outro.

Anónimo disse...

Este é um post do 24 de abril. Obviamente que é um ditador nomeado pelo partido único que monopoliza o poder há mais tempo que salazar.

Anónimo disse...

Este não é um post do 24 de Abril

E o anónimo que anda aqui a citar Franco e a tentar denegrir quem não lhe bebe a tralha neoliberal podia assumir aquilo que é