terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Eu que não sou militante...


…gostei de ler o artigo A (des)União Europeia, da autoria de Ângelo Alves e de João Ferreira, no último O Militante. Os seus “quatro vectores de contradição” são uma útil sistematização da presente situação e sobre o Euro a posição é particularmente clara e justa:

“Mais do que nos perguntarmos se o Euro tem futuro, importa questionarmo-nos sobre que futuro espera as economias da periferia da Zona Euro, Portugal incluído, dentro do Euro. A experiência grega foi certamente muito elucidativa, vindo confirmar a tese de que não é possível, no quadro do Euro e das regras que lhe estão associadas, suster e inverter de forma sustentada e duradoura o ciclo de dependência, subordinação e empobrecimento da periferia.”

Se é verdade que um bom diagnóstico, por si só, não evita derrotas, também é verdade que sem ele não há a prazo vitórias, ou seja, transformações que mudem a vida dos subalternos. E só um horizonte estratégico claro permite ter a flexibilidade táctica que a complexa conjuntura exige.

Entretanto, e sobre as últimas eleições presidenciais, gostaria de sublinhar que se trata para os comunistas em particular de uma derrota colectiva numa eleição unipessoal. O enquadramento escolhido para a campanha não ajudou a destacar e a divulgar a notável biografia cívica e política do seu candidato, provavelmente ainda pouco conhecida da maioria dos portugueses, nem a voz comunista original que daí também emerge. Onde era conhecido pelos seus particularmente corajosos combates a favor dos subalternos, na Madeira, isto não era necessário, como se viu pelo bom resultado aí obtido. Onde não era tão conhecido, no continente, isto era absolutamente necessário. As pessoas contam sempre e ainda mais nesta eleição. Creio que isto não explica tudo, obviamente, mas explica alguma coisa.

Enfim, fazendo de Marcelo Rebelo de Sousa em relação às dificuldades dos que apoia, diria que houve aqui mesmo um grande problema de comunicação, visível desde logo nos slogans pouco imaginativos. Comunicação é parte da linha política, claro. Foi pena. Creio mesmo que, até pela forma como encarna os valores defendidos, Edgar Silva é um imprescindível das esquerdas portuguesas.

17 comentários:

Anónimo disse...

É este, o Edgar: http://resistir.info/portugal/edgar_v_longa.html

Antonio Cristovao disse...

A situação do PCP está definitivamente comprometida. A sua imobilidade e teimosia fez com que o BE lhe ocupasse 10% do seu espaço natural. Com este reforço dos líricos do BE o PCP vai definhar lentamente até se tornar residual. Nada que a sua ortodoxia não mereça. Vamos ver se os líricos que saltam de vitoria em vitoria até a derrota final, aprendem algo com os erros dos outros, lá fora. Basta fazerem um exercício de aniversario do SYriza e lerem o que muitos dos nossos líricos escreveram sobre o exemplo que os gregos estavam a dar na UE e as afirmações do Trsipras nos últimos dias. A mentira descarada de afirmarem a falta de liberdade na UE, confundindo com as obrigaçoes de quem tem dividas exageradas, ainda vai enganado muitos, mas cada vez menos.

Dias disse...

Lírica é a sua tia, palerma Cristóvão!
(Já só faltava mais este "analista político"...)

Anónimo disse...

Uma análise de que partilho em parte. Em tempos de deriva, em que singram a injustiça e o confronto que pré-anunciam algo de muito errado para a humanidade, os comunistas valorizaram a importância de fazer cumprir a Constituição da República como a grande referência de progresso e justiça social. A mensagem não passou. E sabendo-se quão decisivo e crescente é o poder mediático do qual o PCP está objetivamente afastado há décadas, a tarefa complicou-se em face do espalhafatoso demagógico e patético leque eleitoral.
Quanto ao candidato, que esteve bem em muitos sentidos, não enveredou por apelos e sentimentos populistas. Fez uma campanha digna e de convicção. E é na verdade uma surpresa por transparecer no seu espírito os ideais porque se bate ele, e muita gente neste país: desmentir os dias pessimistas e derreados que uma casta exploradora, apesar da revolução de Abril continua a impor à massa geral de portugueses através de ideias, de força e de dinheiro e, de violência como a que nos bate às portas.
Esquecer a brutalidade da pobreza, da exploração e da guerra? Que falem os milhões de desempregados, de pobres e de gente sem esperança. Que falem os refugiados e os milhões que se esfacelam mutuamente para que Bruxelas continue tranquilamente os seus negócios.
Mário Reis

Anónimo disse...

Vale a pena comparar os resultados, na Madeira, destas presidenciais e das últimas legislativas:

- Legislativas do passado mês de Outubro: PSD, 37,8 %; PS, 20,9 %; BE, 10,7 %; Juntos pelo Povo, 6,9 %; CDS-PP, 6,0%; CDU, 3,6 %; etc.
- Presidenciais do passado Domingo: Marcelo, 51,4 %; EDGAR, 19,7 %; Nóvoa, 11,3 %; Marisa, 10,1 %; Belém, 2,8 %; etc.

Repare-se, nomeadamente, que Edgar conseguiu muito melhor resultado sozinho (19,7 %) que os dois candidatos do PS juntos (11,3 + 2,8 = 14,1 %), apesar de a CDU/Madeira não ter ido além de 3,6 % nas últimas legislativas, em que o PS/Madeira chegou aos 20,9 %.

Anónimo disse...

O comentário das 20:28 é uma ofensa para todos os que defendem a autodeterminação dos povos. Começa a não haver paciência para todos aqueles que parecem ter medo de se assumir como reaccionários.

Anónimo disse...

Meus amigos, isto foram só umas eleições, não se abespinhem…O PECADO esta guardado para quem o há-de comer…
Estes e outros eventos não passam de fluxos passageiros numa viagem intercerebral rumo ao Homo Sapiens…
O companheiro Edgar Silva vai, tal como nos, envolver-se com mais afinco no processo internacional de emancipação dos povos…Tenho a certeza disso…De Adelino Silva

Anónimo disse...

Ao abutre António Cristovão um conselho: sente-se muito bem sentado e encomende já o caixão enquanto espera o definhar lento do PCP, porque quem vai desaparecer mais cedo que tarde, são os traidores à independência nacional.

A.Silva

Anónimo disse...

O factor casa foi o ÚNICO que pesou na boa votação do Edgar Silva na Madeira, aliás como já se tinha passado há cinco anos com o Coelho. As próximas regionais serão a prova se há realmente uma nova configuração de forças na Madeira, ou esta votação teve só a ver com o Edgar ser o único candidato natural da Madeira.

Anónimo disse...

Este caminho está cheio de «Antónios Cristóvãos». Imaginemos o que seria um partido e um ideal de gente tão generosa e unida, ceder à simples opinião negativa e pequena de um «António Cristóvão».
Continuarão a voltar e a bater à porta, sempre com as mesmas palavras e as mesmas profecias inúteis, porque a nossa gente já está preparada para este tipo de «traições».
Como diz o ditado: «Os cães ladram e a caravana (vermelha) passa».
Um abraço a todos os camaradas
Jorge

Anónimo disse...

O Cristóvão é estúpido que nem uma porta. É um daqueles demagogos políticos que se julga brilhante por papaguear as falácias dos outros.

é um daqueles que desde 1989 anuncia a morte do pcp eleição após eleição. Depois dessa data, o pcp subiu em votos, em percentagem, reconquista câmaras perdidas há 20 anos, ficou várias vezes à frente do bloco, assim como ficou outras tantas atrás. Aliás, o mesmo com CDS, todos os três rodando entre eles.

E no entanto estes memórias de peixe, parecendo saídos do filme Em Busca de Nemo, conseguem sempre papaguear argumentos próprios do doente de Alzheimer. Para os Cristóvãos, como Edgar Silva teve um resultado muito mau e ficou atrás da candidata apoiada pelo Bloco, pode concluir-se que o PCP vai desaparecer.

Cristóvaõ nem sequer tem a memória de que, ainda em Outubro, o PCP ficou atrás do BE, com quem trocou mais uma vez de posição, e, no entanto, sucedeu. Houve aumento da percentagem e da votação - o que indicia crescimento e não desaparecimento.

Nestes bestuntos porcinos é razoável acreditar que de Outubro a Janeiro houve mais de duzentas mil eleitores que desertaram do voto no PCP.

Antonio Cristovao disse...

tenho que dar a minha admiração aos responsáveis do blog, que não apagam os comentários, mesmo quando ofendem o credo de alguns dos meus colegas trolls. Companheiros trolls, treinem a tolerancia com o exemplo do blog onde escrevem

Jose disse...

Só mesmo em Portugal, com os seus brandos costumes e congénita tolerância é que pode manter-se esta compreensão pela militância comuna, num quase terno reconhecimento do direito a ser caturra, irracional e negacionista de evidências.
E há quase um tímido orgulho em invocar a originalidade de termos o que mais ninguém tem: comunas à moda antiga.
Bem sei que sendo a alternativa de esquerda uma legião de treteiros e sendo forte a inércia que mantém o país atado à lógica de um discurso de esquerda não propicia uma clarificação.
Acontece de vez em quando...e as vestais pasmam!

Anónimo disse...

Os brandos costumes lastimados pelo tipo aí em cima confirmam as saudades pelos costumes do tempo da pide e dos seus sicários.
Ó! O Marcelo ganhou e perde-se a polidez, aparecendo as fauces aparelhadas com o ritual dos vampiros.
A iliteracia vive também paredes meias com a pesporrência aqui demonstrada. Pelo meio o ódio e a frsutraçãotambém denunciados pelo cheiro.

Anónimo disse...

Mais uma vez um post sereno e reflectido de João Rodrigues que ao permitir também vários níveis de leitura convoca a inteligência de quem o lê.
Por isso não deixa de ser delicioso ver o rancor transbordante de quem, ao não se assumir, assume de forma involuntária o que tenta esconder.
Não, não é apenas o "pela lei, pela ordem e pelo cacete, nem os desconchavados apelos ao não reconhecimento dos seus próprios qualificativos de caturra, irracional e negacionista.
Para além de negar quem não lhe bebe as suas manhas e a sua doutrina, há algo mais fundo, mais sinistro e mais revelador.
Basta sacudir um pouco e temos a fera em todo o seu explendor, nos versos perenes de Gedeão.

Anónimo disse...

Queixa-se Cristóvão que o ofendem, quando é ele que diariamente ofende a inteligêcia de quem o lê, vindo aqui bolsar mentiras e desmemoriamentos. Até tem sorte, que o pessoal é mais simpátcio que a rapaziada qde que gosta. Esse tom pode pegar na comunicação social, mas não por cá. Cartas aos directores dos jornais que temos talvez se lhe quadrem melhor com a substância.

Já José diz muito que negam evidências. Mas nunca diz onde estão.

Anónimo disse...

José, seu calaceiro do caraças:

mande abraços ao dias loureiro, ao mata velhas e a todos os ladrões da banca,tb chamados de BANKSTERS E OS BOYS FOR THE JOBS