domingo, 22 de fevereiro de 2015

Têm cada vez mais razão nesta questão


No plano nacional, três grandes constrangimentos pesam hoje sobre o país, contribuindo para a degradação da situação nacional, entravando a recuperação económica e social e eliminando num prazo mais alargado as hipóteses de um desenvolvimento duradouro e equilibrado. São eles: os níveis brutais da dívida pública e da dívida externa, a integração monetária no euro e a dominação financeira da banca privada. 

A renegociação da dívida, a libertação do país da submissão ao euro, com a readopção de uma moeda própria, e o controlo público da banca são, por isso, três instrumentos fundamentais para a recuperação e o progresso do país, que devem ser aplicados no seu tempo próprio, mas pensados e preparados em conjunto. Tudo devidamente articulado e integrado num projecto mais geral de concretização de uma alternativa política e de construção de uma democracia avançada nas várias vertentes da vida nacional.

O carácter integrado desta proposta tripartida impõe-se pela óbvia inter-relação entre os três constrangimentos e, bem assim, entre os instrumentos para lhes pôr fim.

João Ferreira, A dívida, o euro e a banca, Público de 03/02/2015.

2 comentários:

Antonio Cristovao disse...

O historial da moeda própria é muito pouco animador; e que se veja a qualidade dos políticos e economistas não tem vindo a ser prometedor.
Nem os bancos, nem as empresas grandes, nem as finanças demonstram ter um capital de reserva que nos dè grande confiança que sem controle da UE não vai descambar tudo pela 4ª vez

meirelesportuense disse...

Na verdade, quem sempre teve razão nestas questões -goste-se ou não-, foi o PCP, porque nunca se iludiram com as "cantigas de ninar" dos neoliberais, disfarçados ou não, de Sociais-Democratas...E teve duplamente razão, porque estava tão só, tão atacado foi, como agora, quando continua a não querer alinhar com os discursos esperançosos de muitos, que continuam a sonhar com uma Europa utópica, em que os mais poderosos ajudariam desinteressadamente os mais desfavorecidos. A verdade é que esta Europa está a ser construida para aglutinar os lucros de meia dúzia de Grupos, que não de Povos, embora entre os Povos existam diferenças enormes, mesmo dentro dos Países mais desenvolvidos, existem Regiões Mais e Regiões Menos e nada foi feito nesses Países para atenuar essas diferenças...Vejam o que acontece entre ex-Alemães de Leste e ex-Alemães Ocidentais.
-Eu confesso que se de início senti o impacto da transformação do Escudo em Euros, depois acreditei que as coisas poderiam efectivamente convergir, mas a realidade impôs-se-me, os direitos sociais foram sendo metódiamente destruidos não só em Portugal, como em toda a restante União Monetária. E quem ganha com isso?
É tempo de toda a esquerda se unir, toda a esquerda, desde o PS ao Bloco de Esquerda, passando obviamente pelo Partido Comunista!