sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Francisco Assis, o pragmatismo e a moderação

Francisco Assis fez ontem no Público a sua habitual defesa do bom-senso conservador – essa mistura de responsabilidade, pragmatismo e moderação – que, segundo nos explica recorrentemente, é a única via possível para uma evolução respeitável do mundo em que vivemos.

Segundo Assis, este é o caminho que o governo grego tem vindo a trilhar. “O Governo grego tem dado provas de uma respeitável dose de pragmatismo”, diz-nos o eurodeputado socialista, acrescentando que “não há Europa, nem há soluções europeias para a presente crise, se descurarmos essa virtude essencial que é a moderação”.

É um facto que não faltou responsabilidade, bom-senso e moderação à social-democracia europeia nos últimos 25 anos. Foi assim que os governos socialistas aprovaram o Tratado de Maastricht em 1992, tornando a Europa prisioneira de uma trajectória deflacionista e da deterioração social contínua, que só poderá ser intervertida com moderação no dia em que todos os Estados da UE aceitarem uma alteração substancial do Tratado. A família social-democrata europeia, em que o PS se insere, supostamente tentou em 1997 que a 'Europa do Mercado' saída de Maastricht fosse moderada por uma 'Europa Social', mas o Tratado de Amesterdão não fez mais do que institucionalizar o princípio da ‘flexibilização laboral’ à escala da UE. Os socialistas europeus criaram depois a Estratégia de Lisboa para que o objectivo da competitividade fosse prosseguido através do conhecimento e da inovação, moderando assim a pressão para a desvalorização de salários e direitos sociais, até ver essa estratégia ser utilizada para colorir com tons de rosa o aprofundamento da desregulamentação do direitos laborais e da liberalização irrestrita dos mercados na UE. Em 2008 defendeu uma resposta keynesiana à maior crise económica mundial desde a década de 1930 e acabou pouco depois a implementar programas de austeridade cujo único sucesso visível foi acelerar a concretização da agenda conservadora na Europa.

Sempre, mas sempre, com bom-senso e muita moderação, em busca de 'soluções europeias' e para que houvesse 'Europa', os socialistas europeus, PS incluído, foram responsáveis, de facto: responsáveis por termos hoje uma UE que é mais fonte de problemas do que de soluções, pelo menos para quem defende uma sociedade mais justa.

Há um aspecto em que concordo com Assis: o governo grego tem dado mostras de grande pragmatismo. E é por razões pragmáticas que devemos perceber que, como em tudo, até na moderação devemos ser moderados.

8 comentários:

HC disse...

Perigosos os tempos em que pragmatismo e evolução nada tem a ver com o modo como John Dewey e Walter Benjamin nos ensinaram a pensar respectivamente estes conceitos.

Jose disse...

A relação entre Estado Social e flexibilização laboralé é tão só a relação entre o objectivo e o meio de o assegurar.
Mas as teias de aranha socialistas sempre priveligiam o comodismo de um mundo de certezas imutáveis e logo a seguir se dizem adversários da moderação que lhes ameaça o ideal do costume - um dia nunca pior que o anterior.

Anónimo disse...

Desmistificar o PS é contribuir para a clareza política, este partido é e sempre foi uma mentira em que demasiadas pessoas quiseram acreditar, este partido sempre defendeu o "status quo" de uma classe média pouco preocupada com o bem estar do outro ou com o progresso para todos. Os discursos sempre foram de circunstância, vagos e sem conteúdo. Ao mesmo tempo que defendem a igualdade conferem um poder desmesurado aos mais fortes, o PS é bem o retrato da sociedade decadente que temos, uma sociedade que tem como único farol o dinheiro e a relação de poder que este institui.

Anónimo disse...

a tempo de avançar com certeza apoia as chinesices do ps e quer recuperar francisco assis para o centro direita. assim tem hipóteses de ter um pezinho no conselho de ministros. mas com os tiros no pé de costa, talvez seja com o psd-cds a secretaria de estado. as posições da tempo de avançar não irão gerar faltas de consenso com o cds. ambos querem os portugueses a viver de acordo com as suas possibilidades.

D., H disse...

“There Is No Alternative”

Assis está a ser cínico ao realçar o “pragmatismo do governo grego”, surfando uma certa onda das inevitabilidades, que ele tanto aprecia.
Entregar o poder a estes “socialistas de direita”, é mais tragédia pela certa.

Anónimo disse...

Pragmáticos, Moderados e até Dorminhocos, não faltam nesta Urbe, é verdade..!
Achar quem lute pela democracia por inteiro é que é difícil!
A presidência da “república”, O parlamento mais a presidência do concelho de ministros têm sido um alfobre de todos eles.
Depois vêm os governos civis, outro saco sem fundo e. logo de seguida os municípios com suas juntas de freguesia a compartilhar dos avanços moderados, senão consensuais…
Nunca um país deu tanto para a moderação e ao pragmatismo!
Somente a Banca puxou ao radicalismo, vejam lá.
Por Adelino Silva

Anónimo disse...

A grande duvida que nós temos é se estas cedências do Governo Grego não irão levar a Grecia a uma situação insustentável.A integração europeia na forma como ela está a ser feita tem dado origem a que tenhamos chegado à situação que se vive hoje. Os tratados de Mastricht, Amesterdão e Lisboa deram origem a uma grave crise , isso parece ser inegavel, que acabou por criar um aglomerado de paises que em termos de Direito Internacional Publico não se sabe bem o que é, não é uma Confederação nem uma Federação , tambem não é uma União Aduaneira. . Há quem fale em Neo- -colonialismo.
O Tratado de Lisboa deu alvo a grandes e calorosa discussões no interior do Partido Socialista francês, no portugues nada consta.













































































































































































































































































































































































































































































































































































































































que é







































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































Anónimo disse...

desde a historia do CLIO que acho que este gajo é uma bosta.