sábado, 21 de fevereiro de 2015

Desanimado suspiro

Ontem tive uma experiência à semelhança do João Ramos de Almeida, mas com resultados diferentes: ler e reler o documento aprovado no eurogrupo e ouvir Varoufakis mais ou menos ao mesmo tempo. A experiência não foi boa. O que estava escrito pareceu-me uma cedência em toda linha em relação ao moderadíssimo programa do Syriza, veremos se temporária, muito depende da reacção interna, no partido e fora dele, mas o que era dito pareceu-me que estava longe disso, aproximando-se de um Ministro das Finanças, mais um, a falar de confiança entre parceiros e das imposições de austeridade como forma de evitar tentações e outras coisas mais: palavras, as coisas significam o que eu quero que elas signifiquem e por aí fora. Suspirei, profundamente desanimado, porque nesse momento a capitulação pareceu mais provável do que a sua única alternativa real. Veremos, pensei: a história ainda não acabou. Novo suspiro.

13 comentários:

Anónimo disse...

E que tal dizer as razões (de modo fundamentado) para ter a opinião que tem? Não percebi ainda se o governo grego cedeu se não, e, infelizmente, o seu comentário não ajuda a perceber. Tenho este espaço em boa conta, por isso é que aqui venho. Para opniães e propaganda já basta a RTP, SIC, Público, Sol e quejandos.

Anónimo disse...

Comigo sucedeu o mesmo.

Anónimo disse...

É difícil de entender?!?
Da promessa de rasgar o memorando antes assinado com os prestamistas da UE, BCE e FMI que visou medidas anti-trabalhadores e anti-povo e a captura dos ativos publicos gregos, o memorando... Não passou ainda um mês de governo concorda com 70% das "reformas" e que não atuará unilateralmente em violação do memorando, desculpem, programa, acordo ou lá o que seja.
Do tudo ou nada, a cedência. Dá que pensar!!!
É certo que a eleição caiu em contra-mão, em cima da data limite. Os especuladores só tiveram que esperar e dar sinal que não se desviavam do objetivo: continuar a predar a vitima.
A Europa segue em vertigem um caminho de indignidade para todos. As questões económicas e financeiras tal como estão postas, amarram os povos para todo o sempre. Não há negociações, há imposições invocando leis e conceitos interiorizados pela propaganda e educação em tudo contrários aos nossos interesses. Continua a dar-se enfoque a parte do problema deixando na sombra outros reais e sérios: a transferência colossal de recursos dos de baixo para uma "elite", a corrupção e a fuga aos impostos, o alastramento de politicas anti-povo, a dominação de instrumentos que impedem os Estados de politicas dignas e realização de politicas não conformadas com a orientação dos interesses da plutocracia.
Se o governo grego claudicou? Veremos, mas tudo leva a crer que sim.
Os povos, sejam o grego ou os outros, continuam ameaçados e condenados, se não se organizarem para exigirem recuperação de perdas de rendimento, dos seus direitos e necessidades contemporâneas.

Jose disse...

Às almas mais angustiadas convém lembrar que nunca o dinheiro dos outros esteve disponível com liberalidade senão pela violência; seja da revolta, seja da guerra, seja do roubo.
A solidariedade, a justiça social e demais padrões de partilha civilizada sempre tem limites e regras, e se tem havido país sem regras e limites de decência tem sido a Grécia, e não é pelos seus palavrosos líderes que há que confiar que tenham deixado de assim ser.
Querem-se acções, e das que se conhecem só há a concluir nada de razoável haver a esperar.

jose magalhaes disse...

O governo grego cedeu às pressões do Eurogrupo, é uma evidência, antes de ser uma derrota,por duas razões óbvias.A primeira é que ,continua a ter a confiança da maioria do eleitorado e do povo grego, que não deverá defraudar com as medidas a apresentar na próxima segunda-feira.Se conseguirem substituir a austeridade imposta, pelo rigor das alternativas escolhidas, deixarão o Eurogrupo com uma difícil tarefa.A segunda razão é o terem conseguido um tempo suplementar e um evidente mal estar nos 18 países que constituem o Eurogrupo, que não é mais do que o sintoma da degradação das instituições da UE.

Anónimo disse...

O José tem razão. Nunca o dinheiro se acumulou (tanto!) a não ser pela subjugação, tirania, exploração, escravatura. É ver o efeito que o roubo de milhões de filhos a seres humanos africanos teve ao catapultar o capitalismo e o seu exponencial poder;
Veja-se o efeito na força e poder do Reino Unido desde então, com a riqueza transferida após a ocupação da India durante 2 séculos por 200 mil ocupantes ingleses.
Conhece o José razoabilidade do capital? Aquilo a que chamamos direitos de civilização não foram sempre o resultado de fraturas? ou quando encostado à parede, por razões taticas, o capital cedeu?
O José como continua na caverna, com razão não consegue ver outras coisas

Sérgio Pinto disse...

Joao Rodrigues,

Nao sendo o resultado que alguem de esquerda quereria, e estando bem longe do ideal, nao creio que seja uma capitulacao. Parece-me que o que Krugman escreve (http://krugman.blogs.nytimes.com/2015/02/20/delphic-demarche/) e' bastante acertado: o resultado nao e' claro, mas da' tempo 'a Grecia para estabelecer um plano.

Adicionalmente, lendo este comunicado do governo (via Robert Went: https://twitter.com/went1955/status/569069654058115072), mesmo descontando as tentatives de engrandecer o que foi conseguido, parece-me que tambem eles percebem que isto foi apenas um primeiro, e pequeno, passo (tal como Varoufakis disse na sequencia do acordo).

Por fim, considerando este texto mais longo de Varoufakis, em 2013 (http://www.theguardian.com/news/2015/feb/18/yanis-varoufakis-how-i-became-an-erratic-marxist), parece-me que o desenrolar da situacao nao e' especialmente surpreendente. E agora e' aguardar para ver o que se segue.

P.S. Joao Rodrigues, um pouco como a-parte, mas a descricao do programa do SYRIZA como "moderadissimo", nao me parece especialmente acertada, mesmo tendo em conta o quanto os parametros do que pode constituir um governo 'radical' poderao ter sido ajustados para baixo na sequencia dos ultimos anos e da hegemonia do campo austeritario.

Jose disse...

O anónimo das 17:25 vive o confortável mito dos que dispõem de um mal absoluto que lhe explique o mundo.
Houve um tempo que o Diabo fazia esse papel, mas os ateus e agnósticos precisavam de um outro figurino e encontraram o Capital.
Mas como precisavam do voto do merceeiro meu vizinho qualificaram o mal com uma ordem de grandeza que lhes sossega o espírito e aguça a inveja.

Anónimo disse...

Se o actual Governo Grego ceder em toda a linha , parece não haver duvidas que a situação irá agravar-se passo a passo até chegar a uma situação insustentável.O difcil é prever quando e que acontecimentos graves irão acontecer.
Se a Grecia não ceder irá ser iniciado todo um processo de destabilização com sabotagem económica , agitação da extrema direita e outras forças conservadoras. Podemos admitir que será iniciado um processo semelhante ao que ocorreu no Chile com o derrube do Governo de Salvador Allende

Aleixo disse...

Suspiro...

Anónimo disse...

Caro João,
Não tenho veleidades de ir além do que sabes. E tens por isso mais razões para estar angustiado e desanimado e eu menos razões para te conseguir desanimar do desânimo. Eu, na minha linearidade, convenço-me facilmente que os combates são isto mesmo: embates. E que muito deles depende da nossa atitude, de ter ideias claras e eficazes, e a percepção muito transparente de que o tempo das medidas é diferente do nosso tempo. Um passo de cada vez. Para já 2F. Depois daqui a 4 meses. E depois se verá. Tempo é a medida.

Antonio Cristovao disse...

E por posts destes que gosto do ler mesmo quando discordo totalmente.

AAlves disse...

Summary assessment:

Was it worth the hassle to reject the draft of 16 February, just to accept the statement four days later? For Athens it most certainly was. It got the promise that no self-defeating, excessive austerity would be asked of it any more, the assurance that it could devise its own economic and social policies, as long as htey did not impact negatively on the interests of its partners, rather than having to execute and leaving in place all the measures accepted by the former government and strongly rejected by the people. These are huge improvements for Athens, with no significant counterbalancing downside compared to 16 February.

http://norberthaering.de/index.php/de/newsblog2/27-german/news/274-worth-it#1-weiterlesen