sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Sem soberania monetária não há democracia


Para percebermos o que nos está a acontecer:

"Na Europa, e especialmente na Itália, ainda não se entende a importância crucial da moeda na economia, na política e na democracia. Infelizmente, o erro é compartilhado por boa parte da esquerda. Toda a gente entende (pelo menos aparentemente) que não há democracia política sem Estado democrático, ou seja, sem as instituições do Estado que garantem a democracia e respondem pela soberania popular. Mas ainda poucos percebem que não há um Estado sem uma moeda nacional. Proponho o silogismo: não há democracia sem Estado; e não há um Estado sem moeda. Portanto, não há democracia se não houver uma moeda nacional. Infelizmente e paradoxalmente, apenas os partidos populistas e os chauvinistas antidemocratas parecem ter entendido esta verdade simples e incontestável. A moeda representa a comunidade nacional. Do ponto de vista económico, a moeda é o símbolo mais concreto da unidade, força, e também do bem-estar de uma nação. Não surpreendentemente, a primeira coisa que uma nação [Estado-nação] institui, quando nasce, é uma moeda nacional." (Henry Grazzini, MicroMega)

15 comentários:

Anónimo disse...

Isso estaria certo se o Banco Emissor fosse independente do poder politico.

cumps

Rui Silva

Anónimo disse...

É uma taxatividade perfeitamente positivista - ao estilo dos economistas e dos tipos da ciência política - mas para efeito imediato, para os que só compreendem o falso intuitivo, parece-me bem.

Antonio Cristovao disse...

Os diferentes estados americanos e brasileiros vivem num permanente desassossego e diferendo. Temos que nos habituar ou sair do euro

p c disse...

BES

SÓCRATES

ESTADO DE (IN)JUSTIÇA


https://www.youtube.com/watch?v=Zs5tqFuVSh8

António Geraldo Dias disse...

A sua imagem ilustra bem a violência da moeda o seu poder simbólico levado ao extremo - mas como se trata de uma relação social pode-se dizer aos extremos - não por acaso as paixões nacionalistas e revolucionárias se misturam com as guerras mais simples de cunhar moeda, de usura ou de dívida, às guerras do sistema mundo em que desempenham um papel fundamental na manutenção dos impérios...a moeda é ao mesmo tempo dotada de um poder criativo e destrutivo imenso... Do ponto de vista de um dado regime de acumulação
é parte de um conjunto mais vasto onde se incluem a relação salarial, a inserção internacional da economia,o sistema bancário e o próprio Estado.Se falamos de um sistema moeda ele é inseparável da desordem monetária mas também da desordem no sistema político que inclui a própria ordem constitucional democrática - não é por acaso que as crises se fazem acompanhar por desvalorizações gigantescas que afectam todo o sistema social:quer dizer que se perdeu a confiança na moeda.Estamos aqui muito longe dos problemas de valorização/desvalorização da moeda para efeitos competitivos em condições de funcionamento normal das economias.Qual é a situação na zona euro?Em primeiro lugar temos o que chamo de países da zona euro em risco entre os quais nos incluímos, a confiança e a desconfiança na moeda existem em partes iguais (para simplificar)e o status quo monetário vai-se mantendo -à custa claro dos que sofrem com os seus efeitos- mas até agora o efeito sistémico global vem resistindo às fissuras do mesmo modo que a união europeia tem resistido à desordem constitucional.Mas tal como os movimentos anti-união germinam também os movimentos contra a moeda única se fazem sentir.Tenho para mim que os movimentos em torno da auditoria das "dívidas soberanas" e a própria "restruturação" podem vir a ser absorvidas pelo sistema assim como a saída do mesmo.Já o não pagamento, reivindicação legítima para componentes muito importantes da dívida nunca será aceite.

Anónimo disse...

Não há raqzões nenhumas para que o banco emissor seja independente do poder político, que é o que acontece actualmente com os bancos centrais europeu e dos países da UE. Só quando passarem a ter os governadores eleitos. Desse modo pode ser que passem a ser conduzidos democraticamente em vez de fazerem bicos à finança dos salgados e outros.

Anónimo disse...

Mas por que razão não pode haver um estado sem moeda?

E onde se baseia o comentário de que a primeira coisa que uma nação institui, quando nasce, é uma moeda nacional?
As mais recentes nações da Europa, o Montenegro e o Kosovo, não instituíram uma moeda nacional. O Montenegro adoptou o Marco alemão e depois o Euro. O Kosovo adoptou o Euro.
Timor Leste adoptou o Dólar dos EUA.
Mesmo os EUA usaram durante quase o seu primeiro século de existência os reais espanhóis e os pesos mexicanos. O dólar foi criado tinha o país quase 20 anos e esteve em circulação conjunta com os reais e os pesos durante quase esse século.

Jose disse...

«não há democracia sem Estado; e não há um Estado sem moeda» - O Equador viveu e vive com independência e tem por moeda o dólar americano, sem ter qualquer pacto de unidade com os EUA, bem pelo contrário.

Que os políticos cobardes e intrujões precisam de moeda para 'ajustamentos' não explícitos, isso é uma grande verdade.

Anónimo disse...

Os "políticos cobardes e intrujões"?

Precisam de "moeda"?

Isso parece uma aula viscosa

Eis uma forma um pouco canhestra confessemos , de referir os "políticos" de direita que têm a governança, mais ou menos caceteita mais ou menos neoliberal, servindo os interesses dos outros "políticos" que servem os interesses óbvios dos credores e dos agiotas...e tirando a fatia correspondente que consideram adequada ao seu serviço.

Exemplos há muitos e variados.
As palavras "cobardes" e intrujões são demasiado pobres para descrição de tais canalhices.Canalhices quantas vezes acompanhadas de verdadeiras ameaças que costumam proferir contra quem ousa outros caminhos que não os seus

Lembremos o caso mais recente

De

Anónimo disse...

"A aquisição por Portugal de dois submarinos alemães proporcionou aos quatro arguidos no processo e a membros do Grupo Espírito Santo 27 milhões de euros, segundo apurou o inquérito do Ministério Público.
Apesar dos factos estabelecidos, o caso foi arquivado por «impossibilidade de recolher prova documental», como se explica numa nota do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), divulgada dia 18.
O DCIAP adianta ainda que não teve acesso «aos dados constantes do RERT (Regime Excepcional de Regularização Tributária) e às declarações dos arguidos», o que inviabilizou «a possibilidade de incriminação por fraude fiscal». Também «não foi possível imputar o crime de corrupção», nem de branqueamento de capitais.
No entanto, o documento afirma que cada membro do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo recebeu um milhão de euros. Trata-se em concreto de António Luís Roquette Ricciardi, Ricardo Espírito Santo Salgado, Manuel Fernando Espírito Santo Silva e José Manuel Pinheiro Espírito Santo Silva.
Foi ainda depositado um milhão de euros em nome de «Mónica, Marta, Tiago e Pedro Mosqueira do Amaral».
O DCIAP refere igualmente que investigou um eventual crime de prevaricação de titular de cargo político, confirmando a celebração «de um contrato substancialmente diverso do adjudicado pela Resolução do Conselho de Ministros, com alteração de aspectos essenciais em matéria de direitos e deveres das partes».
O contrato da compra dos dois submarinos por mil milhões de euros foi assinado em 2004, quando Durão Barroso era primeiro-ministro e Paulo Portas ministro da Defesa"

Daqui:http://ocastendo.blogs.sapo.pt/negocio-dos-submarinos-rendeu-milhoes-1835666

(De)

Jose disse...

Não se cansa DE de apontar males e defeitos a tudo que mexe!
Para quando o louvor do que diz ser o Bem, para quando a exaltação da ditadura do proletariado e das suas inefáveis conquistas, suas amplas liberdades, seu modo de produção inovador e enriquecedor?

Anónimo disse...

Caro José,

Acrescento também o Panamá, que apesar de ter moeda usa sobretudo o dólar americano.
Veja também que pela lógica aqui vigente, não só Portugal devia ter moeda como também (porque não) Porto, Lisboa etc, aliás como já aconteceu .A concorrência de moedas seria desejável. O monopólio de moeda é que já não é recomendável. Sem concorrência de moedas, deixarmos o seu monopólio na mão dos políticos dá no que dá...


cumps

Rui Silva

Anónimo disse...

Sem moeda própria um Estado está condenado à irrelevância.

Fica dependente dos mercados para se financiar, das taxas de juro e das políticas económicas do país que controla a moeda que utiliza.

Na verdade, o governo português tem tanta autonomia como uma câmara municipal ou um governo regional.

Anónimo disse...

Assinalemos o óbvio

Perante a denúncia do comportamento da governança neoliberal, alguém utiliza o comportamento típico e diz expressamente estas palavras:
"apontar males e defeitos a tudo que mexe!"

Já não se ousa defender a canalhice nacional-troikista. Parece que isto é tudo uma questão de males e defeitos
a tudo o que mexe.Uma espécie de má-língua de uns tantos que parece que andam a proclamar o Bem

Esta é uma posição que, infelizmente para o seu "defensor", cai por terra com fragor. Cai porque quem denuncia aquilo que jose parece querer silenciar,nunca utilizou coisas do género do Bem ( isso é linguagem de idiota bushista ).

Depois porque objectivamente isto parece ser um exercício de desculpabilização.Desculpabilização para com a governança em curso em termos genéricos, mas também desculpabilização face aos seus actores individuais.

O que não deixa de ser significativo.Tanto que poder-se-ia partir daqui para outras extrapolações, que todavia não serão feitas,por respeito à clareza dos factos

Mas o que não poderá deixar de se sublinhar é o contraste gritante entre esta forma tão beata de "apagar" a corrupção,os corruptos, a exploração e os exploradores e o contraponto de quase ódio que este mesmo sujeito tem contra os que trabalham ou que são sindicalizados ou simplesmente funcionários públicos.

(Já para não falar nas ameaças expressas para quem recusa seguir os passos troikistas)

De

Luís Lavoura disse...

Há montes de países democráticos que abandonaram a soberania sobre a sua moeda, utilizando de facto a moeda de um outro país.