sábado, 17 de janeiro de 2015

Imprimir dinheiro e distribuí-lo: simples de mais para ser verdade?

Se toda a gente tivesse emprego, todas as máquinas estivessem a trabalhar 24 horas por dia e os campos cultivados, havendo mais dinheiro, o preço das coisas produzidas aumentaria porque não seria possível produzir mais coisas, logo, criar mais dinheiro seria estúpido e prejudicial. Mas, numa crise económica há muitas pessoas e máquinas paradas, há campos por cultivar porque não há procura, e não há procura porque as pessoas não têm dinheiro. E há muita pobreza e fome. Neste caso, imprimir dinheiro e distribuí-lo bem, ajuda.

Manuel Carvalho da Silva, Jornal de Notícias

15 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

O texto não é grande mas as verdades são claras e incontestáveis.
Por detrás das politicas de cada governo escondem-se outros interesses menos claros e mais maliciosos.

Jose disse...

Como demora tempo a pôr fábricas a trabalhar ou colheitas nos campos - o primeiro impacto seria nas importações.
E lá se manteria em tudo o que não fossemos competitivos.

Competição, palavra maldita para os amantes da economia autárcica, esse sonho húmido de comunistas e outros delirantes economistas de trazer por casa.

Diogo disse...

Se a Caixa Geral de Depósitos (supostamente um banco do Estado) começasse a emprestar dinheiro com juros próximos do zero e sem spreads (o suficiente apenas para pagar os custos de funcionamento do banco), o investimento e o emprego não disparariam imediatamente?

Quanto aos «bailouts» aos bancos à custa dos cidadãos: porquê? Então, em simultâneo, bancos de todo o mundo metem-se em negócios ruinosos numa aparente maré de incompetência? E todos os governos correm a pedir empréstimos aos mercados (outros bancos) a juros escandalosos para os ajudar?

Fernando Madrinha - Jornal Expresso de 1/9/2007:
[...] "Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. [...] os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais." [...]

Anónimo disse...

Num sistema de câmbio fixo o BC ao emitir títulos leva à saída de capitais logo ou desvaloriza o câmbio ou então tem de aumentar os juros.

Anónimo disse...

Nas importações do conjunto da zona euro? Óptimo.

José, o senhor não tem argumentos...
Acha que devemos ser mais competitivos ainda? Então cause-se mais recessão e aumente-se o desemprego ainda mais. Isto não faz sentido nenhum... Pela mesma razão que não faz sentido ter um país como o nosso na moeda única.

António Barreto disse...

Valha-nos Deus!

Pedro Ribeiro disse...

A questão é que esse recurso (já) não funciona. Apenas alimenta bolhas especulativas num conjunto de activos financeiros - que a prazo mais ou menos breve acabarão por estoirar e relançar-nos numa outra crise, porventura mais grave do que a anterior.

O grande problema é que o dinheiro injectado não chga à economia real. É tão mais fácil, líquido e potencialmente lucrativo colocá-lo "a rodar" na esfera financeira que o seu efeito na economia real é apenas uma pequena fracção do que seria expectável face ao "papel" injectado na economia. O seu efeito mais saliente é a valorização de um conjunto de activos especulativos.

Para que este tipo de instrumentos volte a ser minimamente eficaz é necessária uma revolução fiscal que penalize de forma pesada os retornos de "investimentos" especulativos, particularmente focados no curto prazo e que discrimine positivamente investimentos canalizados para a esfera real da economia. Até podemos estar a falar de uma alteração "neutra" em termos orçamentais, mas tem de ser suficientemente drástica para alterar o jogo de incentivos entre a esfera real da economia e a esfera "meramente" financeira, sem "espantar" capitais. Tratar-se-ia mesmo de uma revolução.

Sem isto, estes remédios não têm mais do que (limitados) efeitos paliativos e a prazo redundarão em novas crises financeiras, eventualmente com efeitos mais devastadores do que as anteriores.

Anónimo disse...

(Parece que os "sonhos húmidos " são coisa recorrente,pelo menos no vocabulário de alguns.Povavelmente resulta da experiência vivida, o "saber da experiência feito"desses tais alguns)

“Os verdadeiros homens de bem não procuram a competição. Mesmo num torneio de tiro ao arco, saúdam-se e cedem a passagem; depois do torneio bebem à saúde do vencedor. Mesmo na competição o homem de bem continua a ser um homem de bem”. Confúcio

"A economia hoje, mais que nunca baseia-se na competição. Pode dizer-se que a competição sempre existiu e é um estímulo para o desenvolvimento económico. Mas o que a frase acima nos diz não é para acabar com a competição. É para sermos homens de bem mesmo na competição, para não se tornar no objectivo central da vida pessoal e social. O que a frase nos diz é que o homem de bem deve procurar não a competição, mas a perfeição. A perfeição não é vencermos o outro, é vencer-nos a nós próprios, ajudando os mais fracos, saudando os mais aptos. A competição para ser um bem terá de ser equilibrada pela cooperação.
A concorrência é necessária, mas é como um remédio. O que se passa é que o sistema actual faz da competição um absoluto, até à intoxicação. É o que se passa com a lógica do designado mercado livre. O que devia ser um meio usado controladamente de acordo com as necessidades e em benefício dos povos, torna-se uma droga ou um veneno social. Em nome da competitividade, as sociedades sofrem os piores retrocessos sociais e civilizacionais. A competitividade torna-se uma abstracção, ou melhor, uma falácia, para encobrir o domínio das oligarquias, sempre demasiado grandes e poderosas para falir, em nome de fantasiosos riscos sistémicos, que encobrem perante a opinião pública, as cedências do poder político.
Aristóteles dizia que o excesso de virtude é vício. E o sistema torna-se vicioso na medida em que a ausência de regulação e controlo, abre a porta não só à irracionalidade da especulação financeira como ao crime organizado, à medida que os interesses privados se apropriam de bens públicos e orientam as políticas da sociedade em função dos seus interesses. Desta forma a competitividade torna-se no seu contrário: “O monopólio é engendrado pela própria concorrência”
O “comércio livre” é a arma que os oligopólios usam para enfraquecer ou aniquilar as resistências ao seu domínio.
(Cont)
Daniel Vaz de Carvalho

De

Anónimo disse...

Ora, só pode haver verdadeira competição entre equivalentes. Caso contrário não se trata de competição mas de opressão. Mais grave ainda, quando se faz entrar no funcionamento do dito mercado livre os factores de sobrevivência de quem trabalha. Aí desaparecem todos os conceitos de liberdade, é o campo aberto à escravatura moral e material dos indivíduos.
.....Em concorrência ganha quem tem maior poder de mercado porém a eficiência competitiva só é válida para uma total equivalência desse poder. Assim, o equilíbrio propalado como “perfeito” pode ser e é, na realidade um descalabro social.
Contudo, de que concorrência falamos? Em cada um dos principais sectores dos mercados mundiais, 80% da produção é controlada em média por cerca de 5 ou 6 grandes empresas! Uma rede de 147 empresas transnacionais controla 40% da economia mundial. Passámos do capitalismo monopolista de Estado para o capitalismo oligopolista transnacional.
As relações de produção e o sistema político estabelecido conduzem a que intervenientes, sob a forma de monopólios e oligopólios, adquiram “poder de mercado”, isto é, a capacidade de obter rendimentos ou taxas de lucro superiores à média. O modelo competitivo actual, por muitas loas que se cantem, não existe senão para as MPME.
Sob a lei do “mercado livre” a concorrência tornou-se no seu contrário. É a legalização do saque e da expropriação dos mais fracos, é a economia do desemprego e da regressão social.
Quanto ao comércio internacional, o que se passa, sob o lema da competitividade, transforma uma actividade produtiva essencial à existência e realização de cada país e de cada ser humano numa guerra: a guerra mundial das economias, sob a égide das grandes transnacionais. Como frisou Marx, uma guerra que se ganha não recrutando novos efectivos, mas antes licenciando-os. (Trabalho Assalariado e Capital)

Daniel Vaz de Carvalho

(De)

Jose disse...

A competição no 'tiro ao alvo' é actividade de elevada elevação, passe a cacofonia, mas é essencial garantir o conceito.
Já no tiro à lebre para encher a panela da família verificou-se históricamente a prevalência da tendência na qual o atirador vencedor leva a lebre para casa, sem grande confraternização com os restantes competidores.
O estômago dá-se mal com a filosofia - se não o disse Confúcio, digo-o eu!

Anónimo disse...

Porque motivo quem segue os mandamentos neoliberais e anda pelo lado extremo da política, tem um ódiozito tão característico à filosofia?

Adivinha-se a cada passo o uso do darwinismmo social ,aquela espécie de religião que alicerçou as teorias eugénicas,tão caras aos fundamentalistas americanos e aos nazis de todo o mundo.

O que é curioso é que são alguns destes que depois saem à liça com a hóstia debaixo da língua, o missal ao peito, a mão no chicote e a caridadezinha na ponta da linha, em nome da moral cristã da jonet

De

Jose disse...

O 'darwinismo social', a fórmula que emula a religiosa separação da alma do corpo.
A negação da ciência do comportamento animal para fazer prevalecer uma esotérica filosofia social.
Uma matéria de fé ...

Anónimo disse...

Uma matéria de ignorância atroz tentar extrapolar mecanicamene a "ciência" do comportamento animal para o comportamento humano.

Que fazer perante tal abissal "desconhecimento" do conhecimento científico?

Como pode haver quem faça um emaranhado do "comportamento animal" como um todo, sem ter em atenção de que espécie de animais falamos?

Como é possível alguém enveredar por uma classificação do " comportamento" animal sem se referir de que "comportamentos" se está a falar ou em que âmbito da actividade animal se coloca a comparação?

Como é possível ignorar que há diferenças nas bases neurofisiológicas e biológicas dos variados comportamentos de diferentes espécies de animais?

Como é possível não saber que há comportamentos característicos de cada uma das espécies?

Como é possível desconhecer que há alterações comportamentais nos animais que convivem com o homem e que são induzidas pela interactividade com o homem?

Para alguns, para o "jose" em particular, isto é mesmo uma matéria de fé semelhante à matéria de fé axiomática daquilo que é conhecido como neoliberalismo.Sem pés para andar, sem base de sustentação científica, reveladora dum desconhecimento absurdo para alguém com alguma escolaridade.

Darwin ( que não o darwinismo social seguido por aí por alguns seguidores de) devia ser matéria obrigatória de ensino na escola.


Entretanto mais uma vez se regista o silêncio profundo e inequívo sobre a particular aversão à filosofia por parte do jose.
E a imensa hipocrisia de quem, afirmando que o homem é o lobo do outro homem,depois vem defender a caridadezinha e a missa e a jonet e outras coisas próximas de

De

Unknown disse...

O José é mesmo um iludido. Após tantos e tantos anos de capitalismo selvagem ainda acha que o seu modelo económico assegura a competição, quando de verdade só produz monopólios e empresas rentistas. Quando acontecerá a epifania?

Fernando Barros disse...

Será que Portugal pode, se persistirem os condicionalismos europeus atuais, pôr a funcionar em pleno a sua economia?