quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Um salto qualitativo na crise do euro



O Presidente da Grécia, Karolos Papoulias, reagiu com veemência às declarações do ministro alemão das finanças Wolfgang Schäuble que condicionavam o financiamento da UE ao adiamento das eleições na Grécia e à formação de um novo “governo de tecnocratas” “que não inclua políticos como Venizelos ou Samaras, seguindo o modelo em prática na Itália.” (Diário Económico, p. 8).

No Spiegel Online: “Eu não aceito os insultos ao meu país proferidos pelo Sr. Schäuble.” “Sempre tivemos orgulho em defender não apenas a nossa própria liberdade, não só o nosso país, mas também a liberdade de toda a Europa” disse Papoulias.

Como se vê (ler El País), Alemanha, Holanda e Finlândia já decidiram que é preferível deixar cair a Grécia e pagar a factura. E, na Grécia, a elite política já percebeu isso mesmo (ver aqui). Aliás, a maioria da população também já terá percebido que as condições que lhe são impostas têm precisamente por objectivo obrigar a Grécia a abandonar o euro.

Assim, a crise do euro entra agora na fase terminal, a da crise política. Como eu já tinha antecipado em 2009 (aqui e aqui):

Em vez de anunciar o fim da crise vou fazer uma previsão polémica: o aprofundamento da actual crise com a entrada em cena de uma crise política europeia que irá juntar-se às crises financeira e económica.

Lamentavelmente, há demasiada gente ilustre que ainda não percebeu a natureza da presente crise. E também não percebeu que o tempo que vivemos exige muito mais que escrever manifestos abrangentes e inócuos.

8 comentários:

Anónimo disse...

Deixe lá os panfletários em paz, com noventa anos é bem bom que ainda falem. Outros mais novos, nem aparecem...

Luís Coelho disse...

A cegueira politica mata mais ainda que a fome.
Estes senhores endoidaram completamente. Por lá assim como por cá e ninguém lhes faz frente...

Mário Estevam disse...

Há um intenso cheiro a queimado que me parece vir daquele sítio da europa onde cozinham as políticas económicas e financeiras...

JVC disse...

Porque é que essa previsão é polémica? Eu acho que já é do domínio do senso comum!

Lowlander disse...

"Porque é que essa previsão é polémica? Eu acho que já é do domínio do senso comum!"

Porque? Porque foi feita em 2009 logo no inicio desta crise, siga os links.
Quanto aos dias de hoje... senso comum? Digamos que esta a comecar finalmente a ganhar apoio a muito, mesmo muito contragosto... bem vistas as coisas, uma inconveniencia tremenda que a realidade, essa cabra, seja incapaz de se comportar de acordo com os modelos matematicos. economicos

João Carlos Graça disse...

Caro Jorge
Quanto aos comentadores, bom, sim, percebe-se que é PS “histórico” mais alguma orla à esquerda, "compagons de route" mais ou menos filo-BE... bem, mas sim, "com noventa anos é bem bom que ainda falem" e o mainstream PS é muito pior do que isso.
Quanto ao que interessa: vê aqui, se fazes favor, o Varoufakis:
http://resistir.info/europa/varoufakis_14fev12.html
Diz o tipo que:
"...A França, portanto, ainda é tolerada. E à Espanha e à Itália também será dada uma outra oportunidade (...)
Se conseguirem isso, esperam terem conseguido salvar o projecto político europeu (o qual tentarão argumentar que está nos trilhos, com promessas de que os países amputados são sempre bem vindos de volta uma vez que tenham as suas casas em ordem) e impedir a queda maciça nas exportações que seria inevitável se a Alemanha afrouxasse a corda para todos os países excepto aqueles com excedentes semelhantes.
Será que funciona? Três razões porque não funcionará
Qualquer governo grego ou português ou irlandês que sirva os interesses do seu povo se recusaria directamente a colaborar. A ideia de que sair da eurozona é uma simples questão de desvalorizar está completamente errada. Ela confunde a visão correcta de que a Grécia, Portugal e Irlanda teriam estado melhor fora do euro com a visão inteiramente diferente, e catastroficamente errada, de que sair é a estratégia óptima. Neste sentido, nossos governos não têm razão para concordar com a estratégia de amputação da Alemanha. Mas por outro lado, o governo grego não tem qualquer razão que seja para optar pelo acordo do Salvamento Mk2 (e os grilhões que a ele vêm anexados) ao invés de um simples incumprimento dentro da eurozona (o qual estive a advogar, juntamente com Wolfgang Munchau)."
Bem, no fim da conversa apareço também eu:
1) Afinal, o erro de raiz disto tudo foi confirmadamente, ter-se entrado no comboio do Euro;
2) Diz o YK, porém, que sair "não é uma simples questão de desvalorizar", para daí continuar a inferir que não se deve sair. Em suma, depois da m… feita…
3) Mas isto também é errado. YK volta a espalhar-se, e mais uma vez por viés filo-europeísta. Não é SÓ, mas é TAMBÉM. Sair e desvalorizar chega? Não, não é suficiente; mas é absolutamente necessário. E a alternativa Varoufakis-Munchau parece-me uma coisa assim um pouco, digamos... à Munchausen...
Se decidires responder, acho óptimo. Eis aí o género mesmo do debate necessário entre nós.
Um abraço.

Jorge Bateira disse...

Caro João

Hoje estou sem tempo porque vou para Lisboa participar no Expresso da Meia Noite.

Já tinha lido o texto do Y Varoufakis que manifesta um enorme despero pelo facto de a Grécia ter de sair do euro. Em todo o percurso argumentativo há afirmações apocalipticas com frágil fundamentação que revelam um "a priori" ideológico a comandar a análise.

Como diz o Sapir, sair do euro é uma condição absolutamente necessária para começar vida nova. Mas não é suficiente. A mobilização de uma "coligação" política e social para o desenvolvimento do país pode vir a falhar. Nada está garantido à partida.

Estamos numa bifurcação histórica e precisamos de um novo partido que protagonize a ruptura com o euroliberalismo e com a velha forma de acção política.
Um abraço.

Anónimo disse...

O futuro apresenta-se "risonho" e o fim da paz podre chega célere. Graças ao estado de coisas e à "incompetência" política" poderemos prever uma nova guerra militar mundial após estas últimas décadas de guerra económica e financeira.