quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Acreditar até ao dia do juízo final?



Apesar de a maioria dos portugueses ainda acreditar que a austeridade é inevitável, entendo que um discurso de oposição ao governo deve insistir em dois pontos: a austeridade leva o país ao desastre; existe uma política alternativa defendida por economistas com elevada qualificação académica. Para executar esta política, precisamos de um governo que rompa com o Memorando, recupere a tutela do Banco de Portugal e ponha em execução um controlo eficaz do sistema financeiro. Recorrendo à monetarização da dívida, esse governo lançaria um programa de estímulo ao crescimento da economia e um programa de criação imediata de emprego em colaboração com autarquias, agências de desenvolvimento local e organizações de solidariedade social. Que fique claro: mesmo uma austeridade mais justa não serve.

Da minha coluna no jornal i

10 comentários:

Carlos Albuquerque disse...

A solução proposta no artigo representaria uma austeridade muito maior do que a actual e futura.

Se sairmos do euro e deixarmos de pagar a dívida, só poderemos contar com as exportações para cobrir as importações. Como importamos de tudo, desde alimentos a tecnologia, em termos reais a queda do nível de vida faria a situação actual uma época de prosperidade.

Será que queremos ser a Cuba da Europa?

Nostragallus disse...

Concordo que ESTA austeridade nos vai levar ao desastre. O Governo deveria estar a cortar no consumo intermédio e não a aumentar os impostos. Perante uma inevitável depressão económica após o crescimento excessivo da dívida total (pública e privada), o Estado tem só de mitigar os custos sociais do processo (via política redistributiva) e não procurar influenciá-lo.

Quanto às políticas alternativas apontadas, parece-me que já foram tentadas no passado, com efeitos desastrosos. Monetarizar a dívida deliberadamente conduz à hiperinflação e à destruição do sistema económico. Veja-se o caso recente do Zimbabwe.

Pedro Pinto disse...

Convido-o a reflectir se vale a pena continuar a participar num jornal que tem como director António Ribeiro Ferreira que escreve um editorial desta natureza:

http://www.ionline.pt/conteudo/147794-a-desbunda-no-sns-tem-os-dias-contados

Existe agora no jornal i uma linha editorial panfletária, agressiva e demagógica com a qual julgo que não concorda.
Não tenciono voltar a comprar o jornal i.

Apreciei a sua crónica.

Jorge Bateira disse...

Caro Carlos Albuquerque

Esta zona euro já não tem condições para sobreviver.

Em todo o caso, mesmo que a vida da zona euro venha a ser prolongada, não é do interesse do País afundar-se numa política totalmente errada.

Apenas pretendi dizer que, com outro governo, é possível travar um braço-de-ferro com o eixo Bruxelas-Frankfurt e negociar a saída do euro de uma forma organizada.

Não vai haver nenhuma "Cuba da Europa", até porque serão vários os países que deixarão de ter o euro como moeda. Como é evidente, algumas das medidas a tomar são apenas temporárias.

Recomendo aos meus leitores este texto:

http://postjorion.files.wordpress.com/2011/04/sapir-sil-faut-sortir-de-leuro.pdf

João Carlos Graça disse...

Sim, Jorge, estou de acordo. Mas melhor ainda, segundo me parece, é aceitar-se o elevar da parada retórica e dizer-se: "a austeridade é necessária, sim, mas ao contrário daquela que vocês defendem". Dito de outro modo: "imporre misure draconiane, sì, ma di segno specularmente opposto". Todavia, atenção, que quem raciocina assim conclui pessimisticamente.
Vê aqui, sff: http://materialismostorico.blogspot.com/2011/08/burgio-la-crisi-del-debito-pubblico_14.html
Deixo-te a parte final:
"... chi ha il potere di decidere (a cominciare dai governi e dai parlamenti) non vuole né regole né vincoli, o meglio, vuole solo quelle regole e quei vincoli (a cominciare dal Patto di Stabilità e dagli accordi in sede di Wto) che rafforzano il processo in atto.
Così stando le cose, se ne può trarre un'unica conclusione. Ci sarebbe un solo modo per contrastare la dinamica della crisi: prendere il toro per le corna e imporre misure draconiane, sì, ma di segno specularmente opposto: misure redistributive in senso proprio. Da una cosiddetta crisi finanziaria che altro non è se non l'ennesimo capitolo della guerra del capitale contro il lavoro si può uscire soltanto restituendo al lavoro (al proletariato e alle classi medie in via di proletarizzazione) reddito, risorse e diritti. Tutto il resto non fa che rafforzare la «crisi», semplicemente perché è la crisi. Ma c'è qualcuno - tra i politici - che intenda davvero combatterla? Non si direbbe. Ha ragione Giorgio Ruffolo: la sinistra non esiste più. Si è suicidata una trentina di anni fa in Italia come in Europa, come in tutto l'occidente capitalistico. Ma anche qui: non per follia, sia pure lucida, bensì per un accorto calcolo. Perché diciamoci la verità: partecipare alla grande bouffe, sia pure come «oppositori», non è affatto spiacevole. Anzi, è alquanto gratificante."

Anónimo disse...

Senhor Carlos Albuquerque não terá sido esse pragmatismo que nos trouxe até aqui? Acha mesmo que devemos aceitar a subjugação absoluta?

Porque será que a austeridade não torna o país mais equitativo?

Zuruspa disse...

Ó Carlos... QUEM NOS DERA que Portugal fosse uma 2.a Cuba!

Mas de resto, faço minhas as tuas palavras. As soluçöes apresentadas no artigo säo piores ainda (se possível) que a situaçäo actual. COm elas Portugal tornar-se-ia mas era no Zimbabwe da Europa, se é que ainda näo o é!!!

A soluçäo da cryse passa apenas e só por deixar os bancos falirem... isso sim cura a doença e näo apenas os sintomas. Mas isso é revolucionário demais, é preciso chegar a estarmos como a Arrentina em 2000 para acontecer.

Pedro Pinto disse...

Nem de propósito, o editorial de hoje é ainda mais agressivo.

http://www.ionline.pt/conteudo/148095-e-urgente-partir-espinha-aos-sindicatos

liberdade de expressão é uma coisa. colaborar com gente desta é que não é obrigatório. só faz quem quer.

Anónimo disse...

jorge com todo o respeito isso talvez era possivel com outro poder na unaio europeia e sair do euro nesta altura talvez seria uma pessima decisão. Não digo a longo-prazo, mas para já parece-me uma solucao irrealista arriscada e duvidosa do ponto de vista da eficácia.

Anónimo disse...

Salvo o devido respeito por alguns dos comentadores e nomeadamente o C.A., não consigo entender como é que alguém pode defender esta ou qualquer outra austeridade que apenas lança pessoas e países para a miséria, sabendo-se que existem outras alternativas para resolução dos problemas dos défices e das chamadas dividas soberanas.
Só razões ideológicas muito ultrapassadas mas que infelizmente continuam a fazer o seu caminho nesta europa e no mundo ocidental, em geral, justificam isso.
Estes srs que hoje dizem que tudo mandamos vir lá de fora( e nisso têm toda a razão) fazem-me lembrar o Bush que dizia que era preciso invadir o Iraque porque lá haviam armas de destruição massiva( mentindo com quantos dentes tinham na boca) e depois vieram dizer que não haviam mas que podiam ter havido.
Quer dizer deitaram fogo a um país e depois assobiaram para o lado dizendo que aquilo estava a arder.