Nuno Severiano Teixeira estava fadado para o Conselho de Estado de Seguro. Do extremo-centro, cultor da fábula da “ordem baseada em regras”, servindo para ocultar a história do estruturalmente violento sistema imperialista liderado pelos EUA, é difícil pensar num liberal mais conforme na área das relações internacionais.
Na assessoria económica, Seguro foi buscar quadros à direita económica pura e dura. Jorge Marrão, defensor de articulações com a extrema-direita, é a encarnação do sórdido mundo da consultoria, atividade ineficiente que prosperou na sombra do desmantelamento das capacidades técnicas do Estado. Luís Aguiar-Conraria, por sua vez, encarna a sabedoria económica convencional, estando sistematicamente errado desde que me lembro.
É o que temos, nunca tivemos ilusões, votámos na segunda volta em quem não se chamava Ventura, nunca andámos a anunciar mudanças de ciclo. Se depender destas escolhas, será mais do mesmo, o mesmo declínio desde a introdução do euro, apoiado por intelectuais do cortejo fúnebre da sociedade portuguesa, entalados entre Washington e Bruxelas, bons alunos de mestres cada dia piores.


6 comentários:
Resumindo: pulhas e mentecaptos em forma pura ou com doses variaveis de mistura entre si.
Nao diz o Joao Rodrigues porque, apesar de tudo, ainda cultiva urbanidade no debate com esta gente - talvez a derradeira ilusao do homem sem ilusoes.
Digo eu entao.
Votámos?
Alguém pegou na mão do João Rodrigues e o ajudou a pôr a cruz no euroliberal Seguro? Não acredito que isto aconteceu...
O voto é essencialmente um acto individual.
Sim, João Rodrigues, é também responsável pela eleição de um tipo que serve a mesma classe dominante que o Ventura, e a serve com devoção, talvez não com a mesma intensidade como os do Chega ou IL, mas serve.
Permanentemente sujeitar a população abandonada, e que sente que a andam a lixar, ao mal menor inevitavelmente produz o mal maior. O troco do voto no neoliberalismo poucochinho é o niilismo da população desprezada pela classe política, o André Ventura sabe disto muito bem.
O definhamento da esquerda não se deve ao seu radicalismo, mas à falta dele, e o não radicalismo da esquerda permite partidos como o Chega apresentarem-se como anti-sistema.
Aqui eu, que não sou nem fui de esquerda, não mordi o anzol. Fiquei em casa. Bem fui pressionado, até por quem me é mais chegado e é PSD, a dar o voto contra o tenebroso André. Está quieto! Já sabia que este não tinha hipóteses e não tenho por hábito juntar-me a rebanhos.
Fora isso o eborense é uma ternura. Um rapaz bem pensante. Tão bem pensante que antes de abrir a boca já sei o que vai dizer. Um desafio intelectual. Fico-me pelos títulos dos artigos dele. O texto cansa a vista.
Malhão nem sei quem seja. Amália tinha uma bonita música. O outro é economista. Vale o que vale. Sempre contas mal feitas.
Em tempo: para o conselho de estado? Para as funções definidas pela CRP para o Conselho de Estado? Se assim é, Seguro pensa o mesmo de tão augusto Órgão quanto o seu antecessor que nomeou para o cargo Joana Carneiro. Teria sido melhor convidar a Teresa Guilherme. Afinal de contas aquilo passa por ser uma casa dos segredos.
Votaria da mesma forma. Radicalismo é também identificar o inimigo principal quando se está perante duas opções eleitorais. Felizmente, há mais na maior parte das circunstâncias.
Claro que o homem serve a mesma canalha desde o tempo das abstenções indignadas.
Mas não me arrependo de ter contribuído para não ter um fascista assumido como presidente.
Alguém que nos faria do ser visitados pelo refugo da Terra.
Estão a imaginar a recepção que aquele pulha daria ao Lula?
Quantos já não teriam sido impunemente mortos?
Por isso não insultem quem não quis um fascista assumido no poder.
Se a segunda fosse com o Cotrim também tinha ficado em casa.
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