Fomos muitos, muitos, mil para continuar Abril em Coimbra, com muitos estudantes, uma imensa alegria até a uma Praça de 8 de Maio que transbordou. Lá estava ele na Praça da República, Hermínio Martins, resistente antifascista, com um livro de quase mil páginas – palavra dada, palavra honrada. Fiquei emocionado com o presente: Cadeia de Caxias – a repressão fascista e a luta pela liberdade.
O primeiro terço do livro é história e testemunho inesquecíveis. O resto é uma lista dos heróis e das heroínas, mais de dez mil, que estiveram naquela prisão pelas suas convicções, pelo povo deste país. Abro na página que por acaso encabeça com José Pedro Soares, coordenador da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), que edita o livro: barbaramente torturado, este tipógrafo comunista esteve dois anos, nove meses e vinte sete dias preso.
Tive o prazer de o ouvir há umas semanas atrás, num painel de antigos deputados constituintes, com Helena Roseta e António Campos. Roseta, falando do fascismo que existiu entre nós, teve a honra de pedir um aplauso para este resistente antifascista, que fez um discurso tão convergente em torno da Constituição quanto emocionante, de vida vivida, pensada, sentida.
Haja memória, haja história: 25 de abril sempre, fascismo nunca mais.



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