sábado, 25 de março de 2017

Dizer o indizível


Lendo a tomada de posição de António Costa no Público, antes da Declaração de Roma, percebe-se nas entrelinhas, no limite do politicamente aceitável para um partido da social-democracia dos nossos dias, que o futuro desta ‘Europa’ é muito precário. Diria mesmo, pela forma como o texto está construído, e como termina, que António Costa e os seus mais próximos colaboradores conhecem bem onde estão os problemas e sabem que não há, nem haverá, apoio político para os superar. O parágrafo final resume isso mesmo:
“concluir a União Económica e Monetária, retomar a convergência e garantir a coesão, são bases essenciais para estabilizar o euro e construir o futuro.”
Bem sabemos o que significa concluir a União Económica e Monetária. Desde logo, para concluir a vertente monetária, é preciso que a União Bancária assuma totalmente a sua responsabilidade sobre as crises dos bancos. Isso significa que o dinheiro da União financiará os resgates. O que implica que a Alemanha, Holanda, Áustria, Finlândia (bastam estes) contribuam para um fundo comum destinado a resgatar qualquer banco da Zona Euro e a garantir os depósitos abaixo do limite fixado. Imagino que António Costa tenha sérias dúvidas quanto à viabilidade da conclusão da União Bancária. O eleitorado destes países não está, nem estará, disposto a pagar a sua quota parte desta grande factura. À Alemanha já lhe basta o Deutsch Bank. E os italianos que resolvam o seu problema bancário. E Portugal o seu.

António Costa também deve saber que não é possível convencer a opinião pública, e as elites alemãs, de que o BCE tem de tornar-se um verdadeiro banco central, o que de facto não é. Não pode financiar directamente os Estados desta União Monetária e, ainda por cima, tem de respeitar limites quanto aos montantes de dívida pública que pode comprar nos mercados. Tudo isto porque há medo de que o BCE tenha de assumir elevados prejuízos quando houver incumprimento de algum Estado e seja necessário aumentar o capital pedindo dinheiro aos accionistas. Dito de outra maneira, o BCE não pode tornar-se um verdadeiro banco central porque é senso comum na UE que um banco central é uma empresa que pode falir. Como é possível não perceber que a instituição central de um sistema financeiro moderno, aquela que pode criar moeda a partir do nada, teria de se recapitalizar com o dinheiro dos contribuintes da UE? Mas é assim que 'a coisa' é vista. De facto, politicamente, não é possível converter esta aberração num banco central a sério. O BCE nunca poderá fazer o que a Reserva Federal fez, quando resgatou o sistema financeiro norte-americano em 2008.

Finalmente, “completar a União Económica” e “garantir a coesão”, implica um orçamento comum, financiado por impostos supranacionais ou por contribuições dos Estados, para que se possam realizar transferências anuais do centro para a periferia da ZE em montantes muitíssimo elevados. Só a Alemanha teria de transferir um valor entre 8 e 9% do seu PIB, segundo estimativas de Jacques Sapir. Isto para não falar da necessidade de uma pauta aduaneira comum que tivesse em conta as debilidades estruturais das economias mais frágeis e a imposição de multas à Alemanha que acumula excedentes comerciais com a periferia. Ora, se há coisa que é impossível fazer no quadro da UE é mesmo isto. Como também é impossível uma União política que dê legitimidade às escolhas de um orçamento digno desse nome.

Depois de repetir o frágil e delirante argumentário do europeísmo, António Costa conclui mencionando as “bases essenciais para estabilizar o euro”. Porém, ao fazê-lo, acaba por denunciar a consciência que tem da sua inviabilidade política. A impressão que fica é que, subliminarmente, o texto pretende dizer aos portugueses algo indizível. Será optimismo, mas creio que, em momento próprio, talvez possamos contar com a lucidez e a experiência política de quem formatou o essencial deste documento. Talvez.

30 comentários:

Anónimo disse...

Oxalá tenha razão caro Jorge Bateira.

No indizível não dito

Jose disse...

Esse caldo de misturar os problemas dos bancos e as finanças públicas é não tratar de nenhuma das questões.
A união bancária vai chegar quando os bancos estiverem limpos e supervisão unificada, a limpeza das contas públicas virá quando todos se convencerem que não haverá almoços grátis.

Jaime Santos disse...

Não sei se posso ler tanto num texto em que Costa se limita anunciar com língua de pau aquela que é a posição do Governo Português. Tenho a certeza que ele não tem ilusões sobre o que é possível fazer por agora, mas também me parece que o que deseja conseguir não chega a tanto. Costa é um gradualista e um pragmático que tem tendência a prometer pouco pela sua parte e que consegue manter o sangue frio perante as dificuldades. Espero que ele já disponha de uma unidade de missão que lhe permita mais do que dizer o indizível, pensá-lo e pensar como irá enfrentar a eventual borrasca, algo que francamente as pessoas à Esquerda de Costa têm sido incapazes de fazer, ou porque não sabem, ou então porque não lhes interessa. Os princípios e a ideologia são importantes mas não se substituem à estratégia política. Aquilo justamente que faltou ao Syriza...

Anónimo disse...


Como se fosse possível ao 1º ministro alterar alguma coisa fora do que foi estimado pela chefia Unionista…
Ainda não viram que esta gentinha esta´ toda feita em torno do objectivo principal – O Estado Federalista da Europa – ou Estados Unidos da Europa em que tudo gira em volta do Eixo Central Franco-alemão?
O que me entristece mais nesta molenga toda e´ o ter de assistir a´ paródia dita “Radical” em que não se sabe bem porque, apoiam o governo de um partido todo ele cervo do neoliberalismo – o Partido Socialista com a distinta lata de, afinal – “Havia Alternativa”.
Para mim esta “alternativa” não passa da continuação de uma mais suave política de baixos salários e pensões, desemprego e emprego precário que nos leva direitinhos ao «Banco Alimentar» “Sopa do Barroso” e a´ Caritas Portuguesa. Ou então a tragicomédia da CGD/UGT. de Adelino Silva

Anónimo disse...

Não, Jaime Santos
Quem tem sido incapaz de dizer o que fazer para enfrentar a borrasca tem sido precisamente Jaime Santos.

JS aqui está a ser desonesto. Os debates sobre este euro e esta europa estão na ordem do dia.Pode-se dizer que a JS não lhe agradam as alternativas. Mas estas existem.

Donde e de acordo com os postulados de JS a sua incapacidade para ver tal resulta de uma das duas condições: ou não sabe ou não lhe interessa.
Quanto ao Syriza, capitulou pura e simplesmente. Traiu o voto popular. Aqui no LdB chamou-se várias vezes a atenção para a necessidade de um plano B.
Na altura da rendição do Syriza JS postou vários comentários a louvar tal rendição: era o "mal menor". Schauble podia-se levar com falinhas mansas

Anónimo disse...

O caldo das finanças públicas e dos bancos...

Percebe-se que o sujeito das 22 00 se aflija com tais misturas. Adivinha-se até o ar entre o enjoado e o aflito.

É que os bancos, os banqueiros, aqueles a quem o mesmo fulano tecia hinos de louvor e de prostração abriram a porta a uma crise de todo o tamanho. A sua divida, a dívida, a dívida monstruosa da Banca, dos banqueiros, dos seus bons rapazes, arruinou as finanças públicas. Comprometeu o Estado Social. Permitiu a venda a retalho das riquezas nacionais.

A dívida privada convertida em dívida pública.

E, entre o enjoado e o aflito o sujeito das 22 00 insta a separar os dois temas.

O motivo percebe-se à légua. Quer mesmo almoços grátis. Para o capital financeiro em primeiro lugar.


Anónimo disse...

Entretanto a "limpeza das contas públicas" passará pelo convencimento de todos de que não há "almoços grátis"

A pequena questão em nota de roda pé é se tal convencimento inclui os bandalhos que utilizam os offshores , esses verdadeiros bordéis tributários, como forma de continuarem a cumprir as suas obrigações alimentares.

Há mais. Fica para depois

Anónimo disse...

As relações "esquecidas" entre os bancos e as finanças públicas:

A propósito deste bom texto de Pena Preta:
" Quando Salgado se esqueceu de declarar no IRS pela terceira vez pequeninas somas que tinha no estrangeiro , o Governador chamou-o para opinião pública ver , mas continuou a considerá-lo idóneo para continuar como banqueiro…e quando foi descoberto o também pequenino prejuízo , a tal "enfermidade" do contabilista , como lhe chamou Salgado , o governador continuou a considerar este senhor como idóneo para ser banqueiro. Fantástico . Como prémio merece ir para o BCE tal como o Vítor Constâncio!"

Acontece que este mesmo Salgado foi alvo duma comovedora homenagem e defesa da sua posição na vida, da sua posição económica, da sua condição de legítimo proprietário das imensas riquezas recebidas(" o direito ao retorno" assim escrevia o sujeito das 22 00)

E concretizava:
"Sabe porque é que essas antigas famílias regressaram ao poder económico?
Umas indeminizações ajudaram, mas no essencial têm crédito porque são credíveis – ia dizer que sabe gerir e honram os seus compromissos, mas honra já vi que é coisa em grande descrédito!

Estávamos em Março de 2013.

A "credibilidade" da banca e de seus muchachos haveria de provocar um imenso rombo nas finanças públicas.

Percebe-se assim o "enjoo" e a aflição do dito sujeito. É um autêntico caldo para ele e para as posições que defende.

Antonio Cristovao disse...

Fico espantado como depois de na tal UE, tenebrosa, se ter construído a zona do mundo (fica de fora apenas os paraísos socialistas que ninguém sabe onde ficam) onde há mais liberdade, melhor apoio social, melhor qualidade de vida, ainda haja tanto crente para as maravilhosas sociedades que derrotarão o tenebroso neo liberalismo.Felizmente que podemos ouvir o lero lero que assim advoga e posso mostrar como é cretino esse lerolero, fora das amplas "liberdades " que os "crentes" gostariam de ver implementados

Anónimo disse...

Cretino fora do lero-lero?

Isso Cristovão, isso.

Entretanto a Noruega, a Suiça e agora o Reino Unido ficam espantados ao se verem incluídos num sítio onde ninguém sabe onde fica, segundo a douta definição de Cristóvão.

Cretino e lero-lero? Pois estamos conversados

João Pimentel Ferreira disse...

O projeto Europeu é muito mais que liberalismo económico e migrações, mesmo que a esquerda anti-capitalista e os fascistas nacionalistas de direita, respetivamente, a queiram reduzir a isso.

Os caros co-comentadores, com o devido respeito, não acompanharam os últimos updates desde Maastricht. Há a cidadania europeia, a livre circulação de pessoas, bens, serviços e capital, o BCE, a Europol, o Frontex, várias agências europeias, uma das quais sediadas em Lisboa no Cais do Sodré, a Agência Espacial Europeia, e mais importante de tudo, a Paz, a tão ansiada por Kant Paz Perpétua. Contra tudo o que se diz e contra toda a verborreia anti-europeia, o facto, é que a Europa nunca teve um período tão longo de Paz. Segundo Kant, a paz eterna trata que o direito cosmopolítico deve circunscrever-se às condições de uma hospitalidade universal. Dessa forma, Kant traz no terceiro artigo definitivo de um tratado de paz perpétua, o facto de que existe um direito cosmopolitano relacionado com os diferentes modos de conflito dos indivíduos e como estes intervêm nas relações uns com os outros. Os supra-estados como a UE, tendo valores fundamentais salvaguardados, como a Liberdade, a Democracia ou o Respeito pelos Direitos Humanos, mesmo sendo desprovidos de militarismo, preservam a Paz Perpétua!

A Paz da UE é imposta pelos Valores, Princípios e Direitos e não, tal como a USRR ou os EUA, pela Espada! É um facto histórico inegável que os cidadãos tendem a esquecer, porque já deram a assimilação da Paz como garante dos seus quotidianos. Se o fizeram, devem-no à UE. Mas como bem sabemos, as guerras fizeram parte do quotidiano da História da Europa. Por isso, sim, como criticava o prezado co-comentador, confesso, sou euro-apologista.

Anónimo disse...

Ultimos updates ?

Francamente João Pimentel,quem parece que não tem acompanhado nada é mesmo o senhor.

Invoca a verborreia anti-europeia e depois temos que aturar uma verborreia que atropela os factos e que, perdoe-se a franqueza, parece um exercício escolástico para entreter ignorantes.

No dia seguinte aos atentados de 13 de Novembro de 2015 em Paris, perante o Congresso, François Hollande afirmou em tom grave: "a França está em guerra". A mesma frase repete-a sem cessar após cada atentado. Depois dos acontecimentos de Niza, acrescentou que a "guerra está fora e dentro da França".

Compare-se a realidade com o a "verborreia" escrita aí em cima. Mas os exemplos são tantos que até dói. Impressiona a ignorância ou se calhar, impressiona como os media deturpam a realidade de tal forma que depois temos que ver este espectáculo deprimente aí em cima postado

Anónimo disse...

"A versão da história que se supõe que deveríamos aceitar e assumir, nós, os povos de uma Europa civilizada que temos conseguido viver em paz há setenta anos.

Na realidade, nunca deixámos de estar em guerra. E a França é um bom exemplo do que é um estado de guerra permanente. Impõe-se a necessidade de recordar a história

Mal acabara a II Guerra Mundial, o governo provisório francês envia ao Vietname (nessa época parte da Indochina francesa) um corpo militar expedicionário para tratar de acabar com a guerra de independência. A intervenção transforma-se numa verdadeira guerra. A França envia cerca de meio milhão de soldados para salvaguardar o seu território colonial: 43,5% dos soldados desse exército provem das outras colónias francesas (Magreb e África negra) A França será derrotada na batalha de Dien Bien Phu, em Maio de 1954.

Nesse mesmo período, em 1947, a França perpetra um massacre em Madagáscar contra a rebelião dos malgaches, houve 11 mil mortos, segundo as versões oficiais francesas e 100 mil mortos segundo os resistentes malgaches. Nessa guerra, uma vez mais, as tropas de repressão francesas eram constituídas na sua maioria por soldados provenientes das colónias africanas e magrebinas.

Respeito pelos direitos humanos? Pela liberdade? Pela democracia?
Mas que macacada vem a ser esta?

A história continua até às intervenções mais recentes em África. Podemos falar na Líbia ou é proibido?

E agora passar à Espanha? A Portugal? Ao Reino Unido?

João Pimentel Ferreira disse...

Comparar os atentados jihadistas com as guerras pelas quais a Europa passou, demonstra, além de uma extrema ignorância histórica, um enorme desrespeito pelos milhões de europeus que morreram nas diversas guerras no continente europeu. Sim, a Europa está em Paz e as palavras de Hollande foram apenas retórica circunstancial. E refiro-me à Europa enquanto continente e não ao Ultramar.

Anónimo disse...

Quando a pedantice ultrapassa a compreensão o espectáculo é deprimente.

O desrespeito pelos milhões de mortos, que as guerras em que intervieram europeus no último século, provocaram, não pode passar desta forma impune.Tanto mais que quem o assume é o mesmo que vem para aqui alardear "direitos humanos, liberdade, democracia". Tanto mais que em muitos casos foram da responsabilidade dos tais europeus, os que "estão em paz"

A referência a Hollande serviu apenas para desmontar a grotesca verborreia postada pelo citado sujeito. A declaração de guerra do francês deita por terra as patetices debitadas a despropósito sobre Kant. E os arabescos colaterais.

A citação dos massacres coloniais põe a nú por outro lado o vazio de frases feitas sobre o respeito pelos direitos humanos. Como se os mortos fossem diferentes consoante o local do morticínio. Como se também nessas guerras não tivessem morrido europeus. Como se o esterco, o crime, a guerra, a morte e o sofrimento fossem legítimos se fora de portas e invalidassem o juízo moral, ético, civilizacional, social e ideológico dos factos. Tal posição é simplesmente obscena.

Os EUA como se sabe estão quase que permanentemente em guerra. Este sujeito, JPF, no meio do seu delírio, falava na imposição dos Valores, Princípios e Direitos dos EUA pela "espada". De acordo com o princípio grotesco citado pelo sujeito em causa, como as guerras não são no território dos EUA...estes estariam sempre em paz.

Francamente é confrangedor ter que ler tais patetices, ditas como se verdades irrefutáveis fossem.E nem a extrema ignorância histórica, invocada em jeito de defesa destas, pode desculpar a desfaçatez ...da sua extrema-ignorância.

Mesmo nas fronteiras da Europa, as bombas caíram com fragor. Entre europeus. Já não em territórios ultramarinos com que abjecta e xenofobamente se tenta esconjurar o horror, mas em solo europeu. Desde sempre.

Que o tal JPF peque num mapa e veja onde ficava a Jugoslávia.

E depois deixe de fazer estas figuras tristes

João Pimentel Ferreira disse...

Eu vou repetir a minhas premissa factual, que é indubitavelmente verdadeira, contra toda a verborreia subjetiva do meu opositor de debate, e considerando tudo o que a História nos ensinou sobre a Guerra: A Europa está em Paz!

Anónimo disse...

JPF, pode repetir o que quiser.Ou melhor, pode tentar repetir o que quiser.

Porque era bom mesmo repetir o que disse. Mais a verborreia escondida atrás de Kant.

Ficarão para registo estas pequenas pérolas:

-"os últimos updates desde Maastricht".
-"a Paz, a tão ansiada por Kant Paz Perpétua"
-"Os supra-estados como a UE, tendo valores fundamentais salvaguardados, como a Liberdade, a Democracia ou o Respeito pelos Direitos Humanos, mesmo sendo desprovidos de militarismo, preservam a Paz Perpétua!"
-"A Paz da UE é imposta pelos Valores, Princípios e Direitos e não, tal como a USRR ou os EUA, pela Espada! "

Numa manifesta manifestação "esquisita" Pimentel é obrigado a apagar tudo o que disse sobre os direitos humanos, a paz perpétua e os "valores, princípios e direitos". Ou melhor, tenta manter esta treta inqualificável procurando todavia excluir da sua verborreia os territórios do Ultramar. Que diabo estes não contam e quem os habita não pertence ao género humano.

Mostrando um chocante desrespeito pelos milhões de mortos, que as guerras em que intervieram europeus no último século, provocaram, tenta apagar quer as declarações de guerra aberta declaradas por alguns dirigentes europeus, quer a disparatada invocação de ausência de guerra no território como invocação do que é a Paz. Foge apressado e silencioso perante o exemplo dos EUA e as guerras fora de casa em que estes se especializaram.

E, numa sempre espantosa ignorância para estas coisas, "esquece-se" que a Guerra rebentou em todo o seu macabro esplendor no continente europeu, ainda no final do século passado. A Jugoslávia também será um sítio exótico numa ilha do Pacífico ou um território ultramarino?

Há quase um ano, alguém dizia que a "Europa é um continente em guerra, uma guerra diferente das tradicionais, mas que nem por isso deixa de ser uma guerra". É ver o que se passa no Mediterrâneo por exemplo. Tal definição não cabe na apatetada "premissa factual" ( não se riam por favor) invocada na "premissa" "final" de Pimentel. Porque este entretanto desiste de tudo o que disse. Apenas se agarra, numa manifesta prova que para se admitirem os disparates tem que se ter verticalidade e eles no sítio, a um patético "a Europa está em Paz". Faz lembrar um rapazola briguento em que, após lhe retirarem todos os argumentos, se acantona num sítio a repetir um chavão vazio e temporalmente muito limitado, numa esperança vã que não lhe falem nos bombardeamentos recentes na Líbia. E que se esqueçam sobretudo do que o pobre dissera antes

Mas há um motivo ponderoso para expor assim as pequenas "aldrabices" que surgem ao correr da escrita oca de alguns personagens. É que há uma outra guerra em curso na Europa e que ainda não foi aqui falada. Uma outra guerra, a guerra económica. E esta é também uma verdadeira guerra em que também há numerosas vítimas.

Que como todos sabemos é silenciada.

João Pimentel Ferreira disse...

No primeiro comentário apresentei argumentos, conteúdos e factos, e os prezados mais não fizeram que ripostar com verborreia subjetiva, como que se debitando palavras carregadas de veladas ofensas, se adicionasse qualquer coisa de útil ao argumentário. Remeto os prezados camaradas de debate para o meu comentário de 27 de março de 2017 às 18:19.

Mas repito: com tudo aquilo que a História nos ensinou sobre a Guerra, afirmo que a Europa está em Paz. E devemo-lo essencialmente à UE e à vitória da União Soviética sobre os nazis.

Anónimo disse...

Não. No primeiro comentário não apresentou argumentos.

Apresentou sim a sua visão peculiar da situação na Europa. E postou em tom ofensivo um comentário sobre a "verborreia anti-europeia", a que se seguiu lamentavelmente uma autêntica verborreia em forma de ode às virtudes da UE escondidas por detrás da figura de Kant.

E depois foi por aí adiante, escamoteando a realidade dos povos coloniais europeus, apagando a situação de guerra que se viveu recentemente na europa, escondendo o estado tenso, perturbado, perigoso e ameaçador que «vivemos no presente.

Na sua pressa e necessidade de louvar a dita "democracia e direitos humanos" desta Europa actual, expôs-se à humilhação de ver a realidade desmentir estas missas cantadas. E ofendeu a memória de milhões de mortos às mãos das armas sofisticadas dos ocidentais

E na sua pressa de "afirmar" que a Europa está em paz, esqueceu-se que o principal motivo para tal paz foi, não só a derrota do nazi-fascismo, como a guerra fria entre dois blocos que continuamente se observavam e vigiavam.

A guerra na Jugoslávia sucede após o colapso da URSS. A guerra no Iraque e a desfaçatez americana e dos seus aliados europeus idem,idem. Tal como sucedeu com os acontecimentos inenarráveis na Líbia. O mundo tonou-se muito mais perigoso ao tornar-se unipolar

E os tambores da guerra voltam a ecoar com mais força. Os tambores da guerra que se reflectem na chamada ao contributo para uma maior fatia do orçamento para a Nato, o tal braço armado europeu que deixou de ser Atlântico para passar a ser mundial.
E é ver aí os tanques a percorrerem as estradas do leste da Europa, convergindo da Alemanha e da França.E é ver as velhas rivalidades inter-imperialistas, voltarem à tona de água.

Só um desmemoriado mental ousa dizer que a situação hoje não é mais perigosa do que há alguns anos.

Como só alguém muito distraído não vê que uma guerra económica está em curso. Com vítimas já contabilizadas. E que se vai agravar.

Olhe-se para a Grécia e o que fizeram dela.

João Pimentel Ferreira disse...

Sabe quantas pessoas morreram na segunda grande guerra, entre 1939 e 1945? Cerca de 70 milhões, dizem as estimativas mais recentes, uma média de 11 milhões por ano. Sabe quantas pessoas morreram no ano passado de ataques terroristas? 175. Tem aqui a fonte. Julgo por conseguinte não ser de todo comparável. Apenas de desastres de viação morrem 20 mil europeus por ano, logo seria bem mais correto falar de "guerra nas estradas", como em tempos usado, do que guerra com o terrorismo. O facto de se usar a palavra, não quer dizer que seja de facto uma guerra nos moldes militares convencionais. Aliás, todos conhecemos a expressão "guerra fria".

Nunca defendi o imperialismo americano, pelo contrário, desprezo-o, como pode ver em vários dos meus textos, e tenho pleno conhecimento que foi a União Soviética quem venceu o nazi-fascismo. Digo apenas, e tal no meu entender é claro, considerando a história das civilizações, que sempre que se evocou exacerbadamente a soberania nacional, tal desencadeou mais tarde ou mais cedo, sempre em guerras e conflitos armados. E no meu entender a UE é um nobre projeto, porque funciona como um supra-estado, onde todos (em teoria) têm voz, sem militarismo (logo sem imperialismo enquanto mecanismo bélico de imposição de ditames), mas respeitante dos valores da Democracia e dos Direitos Humanos (ao contrário da URSS e dos EUA). Por isso, sempre fui europeísta, por muitos erros que tenha a UE. Tal como um Minhoto pode contestar bastante o governo da República sem ser anti-português, acho que um Europeu pode criticar acerrimamente a governação da UE sem ser anti-europeísta.
Cumprimentos cordiais

Anónimo disse...

Mais uma vez Pimentel não é honesto:
A Paz Universal afinal já não é tão universal como isso. É paz aos bocadinhos. Pode Hollande dizer que estamos em guerra, que Pimentel não deixa. Usa os números ocmo argumento.

A partir de que número de vítimas podemos falar em Guerra?

Quantas vítimas morreram sob as bombas dos governos europeus que "estavam" em paz?

Quantos europeus morreram nas guerras despoletadas pelos seus governos que "estavam" em paz?

Quantas vítimas da nossa guerra colonial?

As guerras coloniais não são guerras pois não?

A partir de quando é guerra fria e guerra quente?

(Pimentel tenha vergona mais a sua comparação néscia com as mortes nas estradas.
Um facínora depois da primeira guerra mundial , para minimizar o numero de vítimas, também dizia que a Pneumónica tinha tido uma maior mortalidade.

Esse facínora ( não é o seu caso ) esteve depois envolvido no eclodir da segunda grande guerra)

Anónimo disse...

"Theresa May aseguró que "nunca" cederá la soberanía del Gibraltar y subrayó su "firme e histórico compromiso" a la hora de apoyar a "sus habitantes y su economía", mientras que su ministro de Defensa, Michael Fallon, aseveró que "vamos a proteger Gibraltar hasta sus últimas consecuencias".

El ministro principal de Gibraltar, Fabián Picardo, subió el tono y acusó a Tusk de comportarse "como un marido cornudo" que, tras el "divorcio", la toma "con los niños" y fue más allá: añadió que Gibraltar no va a ser "un peón" ni "una víctima del 'Brexit'" porque "votamos a favor de permanecer en la Unión Europea, por lo que desquitarse con nosotros significa permitir que España se comporte como un matón".

Lenguaje bélico
Más polémica fue la declaración del antiguo líder del Partido Conservador británico, Michael Howard: "Hace 35 años otra mujer, primera ministra, hizo cruzar medio mundo a una fuerza militar para defender la libertad de otro pequeño grupo de británicos" —la Guerra de Malvinas (1982)—, con lo cual "estoy absolutamente seguro de que nuestra actual primera ministra exhibirá el mismo aplomo a la hora de defender a nuestra gente en Gibraltar".

Cristopher John Parry, excomandante de la Marina Real Británica, mantuvo ese tono beligerante: "España debe aprender de la Historia que no merece la pena enfrentarse a nosotros" y apostilló que "podríamos paralizar España y creo que los estadounidenses, probablemente, nos apoyarían".

João Pimentel Ferreira disse...

Se lhe faz confusão saber que morrem das estradas da Europa 20 mil pessoas por ano e que no ano passado o terrorismo ceifou a vida a 170 pessoas na Europa; ou seja, se considera tal comparação inadequada, pense por exemplo no Brasil. Bem sei que o indivíduo mediano de esquerda tem aversão à matemática, e que qualquer operação aritmética leva logo o cunho de neoliberal, mas vejamos. O Brasil tem cerca de 200 milhões de habitantes, e no Brasil morrem por ano cerca de 60 mil pessoas assassinadas (a tiro, à facada, etc., tal como numa guerra), e todavia o caro amigo não diria que o Brasil está em guerra, não invade países, não é invadido por potências estrangeiras, nem mobiliza o exército. Na Europa, com cerca de 500 milhões de habitantes, morreram no passado cerca de 170 pessoas vítimas de terrorismo, e apenas porque Hollande, disse que havia guerra, o caro comentador defere tal afirmação, como se alguma afirmação de políticos ditas a quente tivessem alguma validade. Mas que siga o circo, que afinal, estamos na época da pós-verdade.

Anónimo disse...

Pode insistir à vontade Pimentel porque mais uma vez não passa.

Nem as fugas um pouco apatetadas tentando corrigir o que disse e calando os disparates que disse. Nem as comparações ainda mais apatetadas sobre o número de mortos nas estradas, o número de mortes pela violÊncia e o número de mortes pelo terrorismo. Parece que tem dificuldade em assimilar o que se diz. Já pensou? Olhe lá e o malfadado tabaco? As vítimas que provoca. Já pensou neste argumento para minimizar os factos?
E o que diz ao tipo que tentava minimizar os mortos de primeira grande guerra à custa da gripe?


(Quanto à "aversão da matemática do indivíduo mediano de esquerda" é mais uma patetice lamentável

Ó Pimentel assuma o método científico. Prove lá tal afirmação. Deixe de dizer patetices a torto e a direito como se verdades inquestionáveis fossem)

Anónimo disse...

Infelizmente há mais.

Leia lá de novo tudo o que se disse sobre o que Hollande disse.

Depois leia o que o próprio Pimentel disse. Eu vou ajudar para que o Pimentel não fuja de si próprio:
"Os supra-estados como a UE, tendo valores fundamentais salvaguardados, como a Liberdade, a Democracia ou o Respeito pelos Direitos Humanos, mesmo sendo desprovidos de militarismo, preservam a Paz Perpétua!
A Paz da UE é imposta pelos Valores, Princípios e Direitos e não, tal como a USRR ou os EUA, pela Espada! É um facto histórico inegável que os cidadãos tendem a esquecer, porque já deram a assimilação da Paz como garante dos seus quotidianos. Se o fizeram, devem-no à UE".

A "paz perpétua" lida mal com o terrorismo e com o aproveitamento mediático-político dos casos

E ainda lida pior com todas as outras questões aqui levantadas. "Esquecidas" pelo Pimentel

É a pós-verdade com que se tenta colorir esta UE

João Pimentel Ferreira disse...

A Europa está em Paz, contra tudo o que V. Exas. dizeis. E devemo-lo à UE estes 60 anos de Paz na Europa. Se quereis pensar o contrário, tereis de argumentar contra factos. Já os facultei.

Anónimo disse...

Não Pimentel .

Facultou o tanas. Disse, entre outras coisas, estas preciosidades:

"Os supra-estados como a UE, tendo valores fundamentais salvaguardados, como a Liberdade, a Democracia ou o Respeito pelos Direitos Humanos, mesmo sendo desprovidos de militarismo, preservam a Paz Perpétua!
A Paz da UE é imposta pelos Valores, Princípios e Direitos e não, tal como a USRR ou os EUA, pela Espada! É um facto histórico inegável que os cidadãos tendem a esquecer, porque já deram a assimilação da Paz como garante dos seus quotidianos. Se o fizeram, devem-no à UE".

Que agora não assuma o que diz, isto só demonstra o que é.
Que agora se refugie num banal e esclarecedor "A Europa está em Paz", focando apenas um presente dúbio, revela que mais uma vez tenta tirar o cavalinho da chuva, "esquecendo" propositadamente a resposta a estas questões que foram surgindo pelas suas afirmações mais do que dúbias:

A Paz Universal afinal já não é tão universal como isso. É paz aos bocadinhos. Pode Hollande dizer que estamos em guerra, que Pimentel não deixa. Usava os números como argumento.Os seus números. Agora usa os factos. Os factos dele. Estes processos são reveladores duma banha da cobra que já não se pensava ser possível

A partir de que número de vítimas podemos falar em Guerra?

Quantas vítimas morreram sob as bombas dos governos europeus que "estavam" em paz?

Quantos europeus morreram nas guerras despoletadas pelos seus governos que "estavam" em paz?

Quantas vítimas da nossa guerra colonial?

As guerras coloniais não são guerras pois não?

Anónimo disse...

Ou seja, Pimentel está acantonado ao aqui e agora. Um pouco mais além e choca com a guerra na Líbia. Um pouco mais para trás com uma guerra criminosa na Jugoslávia. Pode ir até à nossa guerra colonial e choca com milhares de mortos. É bom mesmo não falar na "guerra ao terrorismo" proclamada pela França. E "a França é a França", no dizer do dito senhor que mostra até que ponto esta UE não tem qualquer futuro.

Que fazer?

Refugiar-se num tão inocente como esclarecedor "está em paz" dito no presente, como se falasse dum cadáver arrumado e definitivo. Esquecido está já da paz perpétua e dos valores humanos e da liberdade e outras tretas do género.

Tão simples como revelador.

João Pimentel Ferreira disse...

Queiram ter a bondade de ler o que escrevi exatamente sobre a temática, depois de ter lido um livro comprado em Havana, sobre a vida de Einstein.

Anónimo disse...

Como é possível tanta demagogia barata ó Pimentel?

Nem respeita Einstein nem respeita a verdade histórica.

Que tal ler um pouco mais sobre s gênese desta UE em vez de fazer estas associações tão...?