sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Pensar, propor e lutar


As máscaras do governo de Luís Montenegro caíram, a fratura está exposta. Em menos de um mês, um executivo do que se tem chamado a direita tradicional respondeu com cinco cargas policiais de enorme violência a manifestações em luta pelo direito à habitação. Centenas de feridos e detidos depois, os manifestantes das Acampadas da praça D. João I (Porto) e da praça do Rossio (Lisboa), e todos os que com eles se solidarizam das mais diferentes formas, sabem que já não está só em causa defender o direito constitucional à habitação, mas também o direito de manifestação. Isto no ano em que se celebra o 50.º aniversário da Constituição da República Portuguesa. E sem o partido de extrema-direita no poder.

O resto do editorial de Sandra Monteiro está disponível na íntegra do site do jornal: a esperança saiu à rua. E sem esperanças estamos perdidos. Neste número de novembro, há três ladrões a escrever sobre a mesma economia política e por por outra política económica: Ana Cordeiro Santos escreve sobre a direita e a questão da habitação e eu e Paulo Coimbra escrevemos o anti-Centeno. 

Fica o apelo: assinar é apoiar um projeto cooperativo com décadas, uma casa segura e comum do pensamento, de proposta à esquerda.

2 comentários:

Anónimo disse...

Sim, vão poder pensar, propor e lutar, sem o destino do Joshua Wong e de outros jovens de Hong Kong. E porquê? Porque não vivem sob o jugo de uma ditadura.

TINA's Nemesis disse...

A máscara do camarada do Passos Coelho com 50 propriedades só engana quem quer ser enganado…
Quem acha que tipos com dezenas de propriedades como o Montenegro ou Costa têm o incentivo em resolver o problema daqueles que não têm acesso à habitação são no mínimo ingênuos.

Quem fala da questão da habitação por norma passa a ideia que o problema começou há 3 anos para cá, e isto não verdade.
O Estado português falhou sempre em cumprir a constituição. Conseguiram mascarar a realidade com o acesso ao crédito mas isso acabou em 2008, não foi em 2024 com o governo de Montenegro.
Se Portugal tivesse um serviço de habitação equiparável ao SNS muita gente não tinha emigrado, mesmo com todas as doses de austeridade de que a população portuguesa já foi alvo porque a habitação é um fator decisivo de estabilidade na vida das pessoas.

E não é só o Montenegro e interesses rentistas que não querem dar resposta à crise da habitação, há muito povo que já tinha a vida organizada e, extremamente importante, tinha casa antes de 2008 que despreza agora aqueles que se manifestam pelo direito à habitação.