terça-feira, 3 de novembro de 2026

Censor de cátedra


É irónico que os principais aliados dos ativistas sejam empresas privadas que se esforçam, para além do que permite a força humana, para amplificar os eventos. De forma bem enviesada, diga-se. As famílias Azevedo, Balsemão e o astronauta Mário Ferreira são os donos do megafone da agitação. Os ativistas já lhes devem uma estátua. 

Sob o manto diáfano da ironia, António Nogueira Leite, o maior super-administrador do país, catedrático-censor-mor na FEUNL, vulgo Nova SBE, apela a uma ainda maior vigilância, a um ainda maior enviesamento, por parte dos proprietários dos meios de produção ideológicos. Não esquecemos o caso Nova-EDP-Peralta e o seu papel: old new economics, indeed. Sim, Thomas Piketty tem razão nisto: o neoliberalismo é um neoproprietarismo.

Neste contexto, resgato um parágrafo de um artigo no Le Monde diplomatique – edição portuguesa: 

A ideologia proprietária televisionada afiança falsamente que o que é de todos não é de ninguém, o que significaria que poderíamos retorquir: será que os deveres que são de todos, sem os quais de resto não existiria propriedade privada, não são de ninguém? As televisões ditas privadas usam e abusam de um bem público licenciado pelo Estado — o espectro hertziano terrestre destinado à radiodifusão —, furtando-se aos seus deveres de formar e informar, sem que haja qualquer consequência: claramente, a ideologia dominante é a dos seus proprietários, num capitalismo televisivo sem freios e contrapesos, até pelo enfraquecimento do poder dos jornalistas. Sim, por todo o lado, as relações de propriedade são relações de poder. 

Os liberais até dizer chega sabem que não se aguentam num debate de igual para igual, dada pobreza confrangedora dos seus argumentos. Pelo menos, Leite ainda escreve os seus textos...

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