terça-feira, 18 de agosto de 2026

Mais uma campanha da economia do medo


É oficial: começou mais uma campanha da economia do medo, destinada a transferir rendimentos para o capital financeiro, à boleia da fraude da “falência” da Segurança Social ou da converseta sobre almofadas, como se os mercados financeiros gerassem valor. A fraude é promovida pelo mesmo Governo que apostou na acentuação da transferência de rendimentos do trabalho para o capital, vulgo pacote laboral. Foram derrotados. Terão de ser outra vez. 

Entretanto, os economistas do medo, que lideram intelectualmente estas campanhas governamentais-mediáticas, com as suas previsões tão inúteis quanto catastrofistas, deviam vir com um aviso, como os produtos tóxicos. Quais são os seus incentivos, quem lhes paga? Esta pergunta aplica-se aos que propagam a fábula do mercado e do homo economicus.

A segurança social pública, por definição, não vai à “falência”. Depende sempre, mas sempre, da repartição solidária de rendimentos entre quem está a criar valor e quem já o criou, numa lógica de reciprocidade sem fim, centrada nos valores do trabalho com direitos, devendo, neste contexto, o salário real pelo menos acompanhar a evolução da produtividade, o que não tem acontecido globalmente acontecido em Portugal no último quarto de século. 

A repartição entre quem está a trabalhar e quem já trabalhou, subjacente à segurança social, é sempre feita em cada momento do tempo, sublinho este ponto muito importante. No sistema de repartição público, as decisões são politicamente mais transparentes e eficientes do que num sistema dito de capitalização, até porque não existem parasitas financeiros a sugar rendimentos por serviços inúteis. Os parasitas financeiros sonham estar no meio de fluxos de rendimentos... 

Creio que estes pontos singelos podem ser um dos pontos de partida para combater os economistas do medo.

2 comentários:

Anónimo disse...

Pergunta simples aos iluminados da reforma da segurança social: a partir do momento em que os descontos deixam de servir para pagar as pensões e passam a ser acumulados numa conta corrente destinada exclusivamente ao próprio, como vão ser pagas as pensões de quem descontou a vida inteira para um sistema de solidariedade intergeracional e se acaba de reformar? Isto, independentemente de todas as outras objecções aos modelos (semi-)privados que se propõem.

Anónimo disse...

O que eles querem é meio meio
Meio seg social e meio ppr.
E o ppr é alimentar nem que seja com 25 EUR mês os bancos e seguradoras com capital que a ser ressarcido o será após décadas é como eu ir ao banco, pedir um crédito para uma casa e começar a pagar só em 2050.
Entretanto, ao contrário de um país, o banco vai a falência . Os por da fidelidade, outra hora da CGD eram tipo públicos....vendidos ou melhor oferecidos a fosun.
A segurança social tem um mecanismo através dos certificados de reforma de por público mas não é publicitado
Re de uma merda, mas ao menos é público