Em 1899, Thorstein Veblen publicou A teoria da classe do lazer – Um estudo económico das instituições (Actual, 2018). Trata-se de um estudo tão arguto quanto ácido sobre os hábitos da classe possidente norte-americana, da forma como as brutalmente desiguais instituições do capitalismo do seu tempo davam livre curso aos instintos predadores, sob a forma da especulação financeira, da corrosão de instituições não-mercantis ou de um ocioso consumo ostentatório; conspícuo, chamou-lhe.
Três anos mais tarde, em 1902, John Hobson, escreveu Imperialism: a study (por traduzir), argumentando que o imperialismo, predação internacional ao serviço de interesses financeiros, não podia ser compreendido sem atender à forma como a desigual distribuição do rendimento e da riqueza nas principais potências capitalistas dava origem a um persistente subconsumo popular interno que tinha de ser de alguma forma compensada externamente.
Encarnado internacionalmente por Bernard Arnault, um dos dez homens mais ricos do mundo, e nacionalmente por Paula Amorim, a herdeira mais rica do país, é fácil de ver que o porno-riquismo, o negócio do consumo conspícuo na nova era das desigualdades pornográficas, é indissociável das guerras de classe multiescalares em curso contra os povos e contra a natureza. O resto é só hipocrisia e ganância.
Num sistema capitalista estruturalmente violento, a paz torna-se crescentemente um luxo para os povos. Por isso, a luta séria e intransigente, de recorte anti-imperialista, pela paz vai à raiz dos problemas. Sim, é radical lutar pela paz.


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