segunda-feira, 30 de março de 2026

Elos fracos


“Sem barreiras ao transporte particular, não há aumento da procura do transporte público, nem pressão para melhorar a sua qualidade”, afiançou Vital Moreira. É um mecanismo potencial, de facto.

Quando estamos trancados numa cadeia carrista, que inclui também expressões culturais individualistas, como sublinha, é preciso que a política pública consiga quebrar pelo elo mais fraco, fomentando o mecanismo mais óbvio. O investimento no transporte público, a começar no ferroviário, é talvez o que pode fazê-lo com mais eficácia. 

Ora, como sabe, Portugal tem dos mais baixos níveis de investimento público da UE, fruto da austeridade permanente, o que desde há década e meia nem tem dado para compensar a natural degradação deste crucial, material e logo espiritual, capital social. Isto está a par das mais baixas percentagens de ativos empresariais públicos da UE ou de emprego público ou de floresta pública ou de habitação pública ou de… 

Ademais, nesta senda liberal com décadas, tivemos uma excessiva prioridade dada à expansão da rede de autoestradas, hoje das mais densas da UE. Inacreditavelmente, num país com autoestradas paralelas, não fomos beneficiados com uma ligação rodoviária desta natureza entre Coimbra e Viseu, via altamente movimentada. 

Acumulámos mais de trinta anos de atraso em relação a Espanha na alta velocidade. Para um país periférico, que tem de importar todos os combustíveis fósseis que insustentavelmente queima, é obra (ou ausência dela). 

E já que vivemos os dois em Coimbra, na terceira cidade e área metropolitana do país, convenhamos que o autocarro com via dedicada, que alguns tolos tentam fazer passar por metro, é um símbolo de tudo o que está mal na política pública, em geral, e na de transportes, em particular, da falta de planeamento à austeridade, passando pelos vieses centralistas.

6 comentários:

Anónimo disse...

A terceira cidade do país é Braga!

Anónimo disse...

A quarta é faro

Anónimo disse...

Sim, tem toda a razão. Cumprimentos

Luís disse...

Outra questão muito negligenciada em Portugal, e em Coimbra em particular, é que não há sistema de transporte público que funcione sem uma rede pedonal e ciclável de qualidade à volta das paragens.

A bicicleta é um instrumento potenciador do transporte público particularmente relevante quando temos habitação tão dispersa no território em Coimbra, o que dificulta a captação de passageiros por parte do TP.

Coimbra-B não tem um único estacionamento para bicicletas.

Anónimo disse...

Acho que a classificação de cidade tem fraco valor explicativo. É mais ruído que outra coisa. Coimbra e sua região estão bem longe da população e importância económica de outros pólos urbanos nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Se Gaia, Cascais, Sintra, Oeiras tivessem universidade... E de Braga, naturalmente.

Anónimo disse...

A terceira cidade e áreas metropolitanas do país são claramente Braga e com cada vez maior distância. Só os quatro concelhos Braga+Barcelos+Famalicão+Guimarães têm cerca de 700 mil habitantes, isto fora os concelhos a norte de Braga plenamente integrados na cidade e os muitos concelhos em redor destes. Braga e Minho devem ser das áreas urbanas da Europa com menor investimento público. Refira-se a este respeito dos transportes que é particularmente chocante ler-se sobre metros ligeiros nas AML e AMP com redes muito extensas (há tempos no parlamento discutia-se que uma das redes teria mais x estações e a outra mais y sem se saber sequer para onde), e óptimo para essas áreas, enquanto que noutras não existe o mais básico dos básicos. Um país a duas velocidades será sempre um país subdesenvolvido.