segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

É por aqui que se distorce o destino

«Portugal é um dos oito países da União Europeia (UE) onde se registam níveis mais elevados de pobreza nas crianças, nomeadamente nas que vivem com adultos empregados, segundo um relatório da Comissão Europeia (. . .) em Portugal há mais de 20 por cento de crianças (uma em cada cinco) expostas ao risco de pobreza» (Público). Estes dados repetem-se. Queremos perceber as fontes do «mal-estar» nacional? As consequências de não garantirmos a todos o acesso a condições para um desenvolvimento humano (o que obviamente só pode ocorrer se, lembrando Marx, organizarmos humanamente as circunstâncias desde os primeiros anos)? Abandono escolar, trabalho infantil, défices de formação, «escolhas» trágicas que recaem sobre alguns? A vacuidade de um discurso que fala, em abstracto, em «premiar o mérito» e em «igualdade de oportunidades»? É por aqui. Alguém disse uma vez que a decência de uma comunidade política se pode avaliar pela forma como cuida das crianças. Por aqui se vê como ainda vivemos num país indecente.

7 comentários:

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Pedro Sá disse...

Não é por nada, mas cheira-me que há algo nesses indicadores que viciou um bocado a coisa, designadamente considerando o que é pobreza em termos relativos dentro de cada país.

João Dias disse...

Um pouco off-topic, ou nem por isso. Acho curioso que o público publique isso, dado que é dirigido por um indivíduo que sempre que intervêm no debate público é para requerer as reformas que minam os direitos individuais e colectivos da sociedade.
É como abater um animal e depois ainda ganhar dinheiro a comover a sociedade com a morte do "pobre bicho".

Isto apesar de haver razões para nos comovermos...

Tiago disse...

Krugman sobre a pobreza

João Rodrigues disse...

Pois sim Pedro Sá. Veja também a evolução. Ainda há jornalistas que fazem o seu trabalho João Dias. E muito obrigado pelo excelente artigo Tiago.

Pedro Sá disse...

Antes estar, de 0 a 100, no 20 de Portugal que no 50 da Roménia, por exemplo.

Em qualquer caso o estudo é ridículo. Pobreza é pobreza para qualquer pessoa.

João Dias disse...

João Rodrigues:

- a minha crítica não era dirigida ao jornalista

- não estou contra a publicação destes dados, pelo contrário

Exerço sim, um acto de reflexão sobre o pernicioso que o sistema informativo consegue ser. Dominado por gente que só convida gente que opina sobre economia do ponto de vista neoliberal, mas não se importa, até gosta, de sensibilizar as pessoas com as consequências. Acho que dá que pensar, a mim dá com certeza.