segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Forma e conteúdo

«Infelizmente, esta súbita atenção mundial em relação à Venezuela, que Chávez alimenta, nada tem a ver com a democracia na América Latina. A preocupação está um pouco mais abaixo. Abaixo do solo venezuelano». Aqui Daniel Oliveira é certeiro. Se tivesse alguma coisa que ver com a democracia dados como estes não seriam sistematicamente omitidos. O que incomoda realmente é que a renda do petróleo esteja a ser utilizada para expandir as «liberdades positivas» das classes populares (liberdade para aceder progressivamente a condições de vida condignas) e para forjar um Estado desenvolvimentista assente numa economia mista com uma redistribuição importante dos activos. É verdade que Chávez tem um estilo histriónico que, numa era de mediatismo agressivo, tende a toldar a força da sua mensagem política. Sobretudo para algumas audiências. Mas também aqui cabe-nos separar o essencial do acessório. A forma do conteúdo se quiserem. E recusar categorias vazias - «populismo», por exemplo. Até porque se alguma coisa Chávez tem feito na América Latina não é certamente transformar «a esquerda internacional numa palhaçada», mas sim dar força material aos vários projectos progressistas que não cessam de crescer no continente. Acho mesmo que a esquerda europeia, dado o estado em que se encontra, tem muito poucas lições - de forma ou de conteúdo - a dar à pujante e variada esquerda latino-americana de que Chávez é parte integrante. É que esta tem conquistado democraticamente o poder e mudado a vida da gente comum. E no fim, para além da espuma, é só isto que conta.

22 comentários:

José M. Sousa disse...

Muito bem!

Para democratas/activistas de sofá é fácil falar; agora correr riscos, inclusive de vida, como faz Chávez, e apresentar resultados palpáveis para o seu povo no mundo real , é outra coisa!

NC disse...

«a renda do petróleo esteja a ser utilizada para expandir as «liberdades positivas» das classes populares»

Você (ainda) acredita nisso? Deve ser um homem de fé

António P. disse...

Boa noite,
pois ! "Liberdades positivas" !!!??? Entao havera "liberdades negativas " ?
Mas não aprendemos nada com a história ? E desde quando um caudilho militar serve de exemplo para a esquerda ? Ainda se lembra do General Alavrado no Peru ? ou era muito novo ?
N ex-URSS bastaram 4 anos para esemagrem Kronstad em 1921.
Cumprimentos

João Rodrigues disse...

Tarzan, veja os dados. Do Banco Mundial.

Caro António, a distinção é conhecida. Caudilho? Conceito tão elástico. Só serve para confundir o essencial. Quanto aos paralelismos históricos cada um escolhe os que quer.

Pedro Sá disse...

Com os preços do petróleo a subir qualquer um faria o mesmo. Até porque este tipo de ditadores populistas faz sempre algo para querer agradar aos mais pobres.

João Rodrigues disse...

Olhe que nao pedro sa. Veja o que se passava antes. E ja agora um pouco de rigor. Ditador?

L. Rodrigues disse...

"ditadores populistas faz sempre algo para querer agradar aos mais pobres"

Entre um "ditador populista" que tenta "agradar" aos mais pobres, e um "líder do mundo livre" que tenta agradar aos mais ricos, não tenho grandes hesitações em escolher.

Fico passado com estas coisas. Como diacho pode alguém fazer alguma coisa pelas pessoas em países com 70% de pobres, sem levar com o um rótulo de populista (normalmente querendo significar demagogo) ?

Unknown disse...

"Com os preços do petróleo a subir qualquer um faria o mesmo."

Excepto o Irão, a Arábia Saudita, a Nigéria... todos os países com reservas de Petróleo.

Gostava era de ouvir respostas ás alegações de Chavez, que o embaixador Espanhol teve um papel no golpe de 2002.

Em Dezembro a Venezuela volta a estar na boca do mundo, por causa do referendo para alterar a constituição.

Nuno disse...

O q é importante, na minha opinião, é saber se as pessoas na Venezuela estão a viver melhor ou pior! E por aqui se avalia o trabalho do senhor! O resto são invejas! Chegou-se a este ponto pq as desigualdades sociais atingiram limites incomportáveis. É com "lideres do mundo" livre(como Bush) q se produzem e perpetuam essas desigualdades, com choques fiscais, com a privatização de monopólios, etc.... Não faço a apologia do comunismo mas sei q desigualdades sociais são bombas prestes a explodir!

José M. Sousa disse...

Como aliás explodiram na própria Venezuela , quando o exército foi chamado a reprimir em 1997 ou 1998, não me recordo exactamente, violentamente um motim popular resultando na matança de centenas de pessoas e que, pouco depois levou parte do exército a revoltar-se contra o governo , num golpe falhado liderado por Chávez que acabou na prisão (daí alguns confundirem a sua chegada ao poder (em eleições livres após sair da prisão) com essa tentiva de golpe contra um governo corrupto e incompetente)

Pedro Sá disse...

Ditador com as letras todas. Toda a política de Chávez é autoritária e ditatorial.

Isto para não falar de quem gosta dele só porque quer agradar aos mais pobres. Cambada de complexados...

José M. Sousa disse...

Pedro Sá

Não se trata de agradar aos mais pobres. Você até pode estar-se nas tintas para a sorte de milhões de pessoas na Venezuela e no resto do Mundo. Mas trata-se é de levar a cabo políticas, na saúde, na educação, na economia, na política externa, etc. no sentido de um desenvolvimento mais equilibrado do país (Até porque os ricos não são imunes ao caos social). E o êxito dessas políticas tem sido reconhecido por organizações insuspeitas de simpatias com o Chávez.

João Rodrigues disse...

Caro Pedro Sá, os seus argumentos primorosos e educados ("cambada de complexados") e as suas posições políticas substantivas podem ajudar a explicar algumas das suas copiosas derrotas. Que tal rever posições?

Pedro Sá disse...

1. A grande diferença entre mim e o JMS é que entre direitos sociais e democracia escolho a segunda, muito mais importante. Prefiro neoliberalismo em democracia do que Estado social em ditadura, de iure ou de facto. Acho que não é preciso explicar mais.

2. Cambada de complexados. Ponto. Repito o que disse noutro post: defender o marxismo é ser cúmplice com o assassínio de milhões de pessoas e com uma das visões mais castradoras de sempre.

3. Copiosas derrotas quais, as do PS ? Não, as permanentes e eternas derrotas da extrema-esquerda. Que continuarão, descanse. Mal vejo o dia de a extrema-esquerda ser varrida do Parlamento. Mas ele chegará.

José M. Sousa disse...

Pedro Sá

Você é daqueles que vê o mundo a preto e branco, de um simplismo atroz; Além disso, deve desconhecer, ou faz por isso, a história político-social da Europa.

Eu por mim, não sou marxista, se quer saber. Mas mão tenho problema nenhum em reconhecer a Marx, como grande analista. Simplesmente, acho demasiado limitador esse tipo de rotulagem. Mas já agora, se você atribui de forma simplista ao marxismo o assassínio de milhões de pessoas, o mesmo poderia dizer-se, igualmente de forma simplista, que o neoliberalismo é responsável pela morte de número, quiçá, ainda maior de pessoas. Você, com certeza, não atribuiria a Adam Smith a "culpa" por isso.

Agora, insisto, faz-me impressão a total indiferença de pessoas como você perante o destino de milhões pessoas.
Se a política de Chávez fosse meramente assistencialista eu ainda poderia concordar com o epíteto de populista, etc.
Mas o facto é que não é!
Enfim.

João Rodrigues disse...

As suas derrotas pedro sa, as suas...

Pedro Sá disse...

1. Ah claro, o MAS habitual. E o capitalismo não é uma prática que mate por razões políticas. Só marxistas e dos empedernidos podem defender uma coisa dessas.

2. Para o caso é totalmente irrelevante se sou indiferente ou não ao destino de milhões de pessoas. Relevante é que ter um regime democrático com as liberdades básicas é mais relevante do que ter direitos sociais.

3. Ah pois é, as derrotas e as vitórias que toda a gente tem nos partidos democráticos. O mesmo não se pode dizer dos partidos de extrema-esquerda, onde a democracia interna é no mínimo muito comprimida.

José M. Sousa disse...

Para democrata, parece-me muito intolerante....
Claro, as liberdades formais é que o interessam; rico condeito de democracia... Enfim....

Pedro Sá disse...

É notório que eu não escrevi rigorosamente nada contra os direitos sociais, nem nada que se pareça.

Mas a ter de escolher, é óbvia a escolha. Pela liberdade e pela democracia.

Mas pelos vistos há quem prefira uma ditadura com direitos sociais. É triste.

Anónimo disse...

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