Duas notícias do Financial Times, uma sobre o Brasil e outra sobre França, lembram-me Brecht: “A injustiça avança hoje a passo firme/Os tiranos fazem planos para dez mil anos”. Haja elogio da dialética, no entanto.
O caminho para a tirania política fascista é aberto pelo domínio irrestrito do capital internacional, como se lê.
Na notícia da esquerda, sobre as eleições brasileiras, onde está “crescimento”, leia-se pilhagem imperial com ganhos para uma minoria vira-latista e austeridade depressiva para a esmagadora maioria do povo brasileiro.
Na notícia da direita, sobre a França, confirma-se que também aí só uma ampla mobilização social pode levar a luta às urnas e derrotar o fascismo, neste caso alimentado pela política única do euro.
Convém, entretanto, recordar que só existe tal coisa como um “mercado obrigacionista descontente” se o BCE persistir na sua política de restrição quantitativa e de aumento das taxas de juro. Fá-lo, tomando como pretexto um processo inflacionário com origens bem reais, que se debela com paz e controlo público estrito da fileira energética e jamais com contração da procura, ainda para mais com um martelo monetário na cabeça do povo.
De resto, a ação e a inação, uma forma de ação, do Banco Central fixam todos os termos relevantes de um “mercado” de dívida denominada na moeda emitida por quem detém soberania monetária. Pena que esta não resida na democracia nacional. No fundo, estamos perante uma crise fabricada para intensificar a destruição do Estado social.
Haja resistência democrática nas ruas, em todo o lado. Viva o Brasil, vive la France.


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