quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Da nova política económica


António Nogueira Leite é a melhor encarnação da imbricação entre certa academia e as frações dominantes do capital, que tem na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, vulgo Nova SBE, a sua mais rica expressão institucional. De tal forma é assim que é impossível explicar o facto de o neoliberalismo não ser um slogan em Portugal sem esta faculdade. 

Ao contrário de outro professor catedrático da FEUNL, Nogueira Leite escreve os seus textos. Tal como Santa Claude, comete erros cada dia mais grosseiros na sua fuga rumo à extrema-direita. Um só exemplo acima. 

O economista, que durante a troika se queixava que havia pavilhões desportivos a mais no nosso país, tem de saber que existe sempre margem de manobra orçamental, incluindo se o Banco Central Europeu quiser. Não há separação possível entre política orçamental e monetária, ao contrário das ilusões de certa teoria refutada na prática. Chama-se política económica por uma boa razão. 

Este é o verdadeiro drama da Zona Euro: países endividados numa moeda que não controlam, como se fosse estrangeira, produto de neoliberalismo com décadas, desde Maastricht. Entre outros, aprendi, aprendemos, a pensar assim com um economista relativamente convencional chamado Paul De Grauwe, em 2011, e daí à teoria monetária moderna foi um passo. 

De resto, Macron fez reformas fiscais e laborais regressivas. Os resultados socioeconómicos estão à vista. E “ajustamento” para esta gente quer dizer austeridade brutalmente recessiva para os outros, os mais pobres, tanto mais brutal quanto mais recursos reais estão sendo desviados para a mortífera economia de guerra. 

Os povos rejeitam esta política económica e por boas razões económicas e não se deve tentar eleger novos povos em nome de uma distopia liberal absolutamente anacrónica.

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