quinta-feira, 4 de outubro de 2018

O neoliberalismo é mesmo uma fraude


Passados menos de sete anos desde que, no final de 2011, foi aprovada a transferência para o Estado dos fundos de pensões da banca, mais de metade do valor então recebido já foi usado para pagar pensões, a um ritmo próximo de 500 milhões de euros ao ano. Estes números ilustram o risco que o Estado assumiu com uma operação que, à semelhança de outras realizadas ao longo dos anos, ajudou a cumprir as metas do défice no ano da transferência, mas passou para o sector público responsabilidades que se podem vir a revelar maiores do que o antecipado.

Excerto de uma oportuna notícia de ontem no Público, da autoria de Sérgio Aníbal. No entanto, o ângulo da notícia deve ser duplamente ampliado, para lá da estreiteza das absurdas metas do défice impostas por Bruxelas.

Em primeiro lugar, estamos perante uma situação clássica de socialização dos custos, sobretudo do capital financeiro, em particular da banca. Confirma-se que a questão não é se a banca deve ser socializada, mas sim como e a favor de quem.

Em segundo lugar, estamos perante o enésimo reconhecimento de que os fundos de pensões são um embuste insustentável; o sistema por capitalização é toda uma insegurança social. Os principais promotores nacionais da financeirização da segurança social reconhecem a sua incapacidade de gerir a suposta alternativa ao sistema público de repartição.

O neoliberalismo não é um slogan, mas é uma fraude intelectual e ético-política.

25 comentários:

Jose disse...

«o sistema por capitalização é toda uma insegurança social»
Tem toda a razão!

A 'bica-aberta' do orçamento de Estado é que é segura mama enquanto houver quem possa ser assaltado o bastante.

Anónimo disse...

Pois sim, chamem-lhe neo-liberalismo. Mas é apenas uma questão de poder político total, sem"chekck" nem "balances".
Os sucessivos governos, o partido no poder, têm desde 1976 como única preocupação vencer as próximas eleições legislativas.
Os interesses, a longo prazo, do País são completamente secundários.
É a Constituição que temos. Parabéns aos partidos, os autores de esta Constituição. Ganharam e mantêm um inexpugnável poder, para si, para os seus. Um sucesso.

Anónimo disse...

Mais uma vez um excelente post

Diogo disse...

Para além de ser completamente paradoxal. A defesa do Estado mínimo não entrou nesta medida. Então andou-se a incorporar fundos de pensões com contas mal feitas e que implicam despesas futuras, e privatiza-se tudo o que é possível e que possa dar lucro no futuro. Isto não é a defesa de um Estado mínimo, é a defesa de um Estado despesista, ie, coloca-se no Estado tudo o que os privados não conseguem gerir lucrativamente (fundos de pensões, carteiras de dívidas incobráveis, etc) e tira-se do Estado tudo o que é lucrativo, garantindo ainda o lucro com rendas injustificadas. Lindo.

Anónimo disse...

Olha se não tivéssemos esta Constituição
Ainda estaríamos bem pior

Já oercebemos o “ sucesso “ que este anda a pregar.

Chamamos neoliberalismo e chamamos outras coisas mais. Aqui e na Holanda do Pimentel Ferreira

Anónimo disse...

Claro que João Rodrigues tem toda a razão

Como se demonstra no post e que ninguem consegue desmentir

É a bica aberta do erário publico a servir de mama ( no rudimentar vocabulário de um dos seus) aos interesses privados

Anónimo disse...

Agora a culpa é da Constituição?????
Vale tudo para certa gente. Até a falta de vergonha

Anónimo disse...

Numa mão-cheia de parágrafos JR desmascara e qualifica o neoliberalismo. Identifica os negócios entre os banqueiros e o poder político que os serve. Caracteriza este tipo de governação feita de acordo com os mandamentos de Bruxelas e os interesses da banca. Demonstra a socialização dos prejuízos. E aponta o dedo ao embuste insustentável dos fundos de pensões e à financeirizacao da segurança social
Notável.
Venham mais textos assim

jose martins disse...

Infelizmente não tenho a certeza que o sistema de capitalização não venha a ser a melhor via para salvar a SS. Com a crescente descida da população jovem (0-14 anos), crescente diminuição da população em idade ativa (15-64 anos)e exponencial aumento da população idosa (acima dos 65 anos)não vejo qual a solução de futuro. Aliás, se se derem ao trabalho de ler os relatórios que acompanham o Orçamento de Estado de 2017 e 2018, prevê-se a hipótese de falência da SS a partir de 2040.

Anónimo disse...

Sistemas de capitalização como estes são uma fraude e um esbulho.

Mais tretas de treteiros profissionais agora disfarçadas de relatórios a acompanhar o orçamento de estado

Este Pimentel Ferreira não terá vergonha? É que isto já foi discutido mas ele então aparecia com outro nickname. Com este só mesmo a defender a bolha imobiliária e os senhorios rentistas

Jaime Santos disse...

O que a leitura do artigo do Público mostra, isso sim, é que o Governo de Passos Coelho foi profundamente imprudente ao ter imposto uma taxa de desconto de 4% nas negociações com a banca quando deveria ter sido ainda mais conservador relativamente à rentabilidade dos fundos de pensões que a SS absorveu.

Francamente, não sei o que isto tem que ver com o neoliberalismo. Tem que ver, isto sim, com o excessivo optimismo de sempre dos actores políticos e financeiros relativamente à capacidade das suas políticas poderem gerar o crescimento de que eles necessitam para honrar os compromissos.

E aí, João Rodrigues, você fica sem moral para criticar o que quer que seja, quando olhamos para a fraude intelectual que é marxismo-leninismo. Devo recordar-lhe que aquilo faliu tudo no Leste da Europa. O problema não eram apenas as hipóteses optimistas em relação ao futuro, era a completa mentira sobre o que era o presente.

E note-se que não se aprendeu nada, basta olhar para o triste estado da Economia Venezuelana...

O que nós precisamos, isso sim, é de um pessimismo inelutável em relação ao futuro e uma transparência total em relação ao presente. O contrário daquilo que nos é oferecido pelos ideólogos de todas as cores...

Anónimo disse...

O que custa é ver que o capitalismo falhou.

Vamos a ver e os países com maior crescimento sustentado são os socialistas quer no século XX ou agora.

Basta olha para os EUA para ver o falhanço da política neoliberal.

Estão a perder riqueza todos os anos.

A população aumenta mais que o PIB.

Não ha saúde e educação para os pobres.

Dentro de 20 anos estão ao nível dos piores países da américa latina relativamente às condições materiais.

Anónimo disse...

Pobre Jaime Santos

Não sabe o motivo pelo qual se fala aqui no neoliberalismo

Será por isso que acorre assim presto e súbito a defendê-lo dos mausoes dos “marxistas-leninistas”

Mais a Venezuela e toda a artilharia própria dos que, traindo, estão assim tão aconchegados aos neoliberais

Uma vergonha de facto

S.T. disse...

Quando a integração dos fundos de pensões da banca foi feita a minha previsão foi logo que isto mesmo aconteceria.

Mas este truque de empurrar o passivo lá para a frente para cortar ao máximo no presente é um vício da direita neoliberal. É aliás habitual que gritem pela redução do endividamento quando são oposição e uma vez chegados ao governo aumentarem ainda mais o mesmo endividamento. Veja-se o resultado do governo Passos Coelho.

Até, pasme-se, a Alemanha segue o mesmo princípio, distribuindo cortes de impostos aos muito ricos e emiserando as camadas mais desfavorecidas da população germânica. As infraestruturas estão a cair aos bocados mas os cortes de impostos são para distribuir pelos onepercenters.

E não contentes com isso os governantes alemães ainda usam truques semelhantes ao das pensões da banca, numa perspectiva de deixar um legado envenenado a quem lhes suceder no governo.

Divirtan-se com o artiguinho!

https://www.theglobalist.com/germany-angela-merkel-migration-economy/

"Trying to assess the total economic damage done by Angela Merkel and her governments over the past 12 years leads to a disturbing calculation. The total costs of the policy decisions made under her tutelage amount to between 3,700 billion and 4,700 billion euros."

Tradução automática

"Tentar avaliar o dano econômico total feito por Angela Merkel e seus governos nos últimos 12 anos leva a um cálculo preocupante. O custo total das decisões políticas tomadas sob sua tutela é de entre 3.700 bilhões e 4.700 bilhões de euros."

"Doubly stupid

The German government pursues a strange policy indeed. On the one hand, it is not investing in the country, therefore undermining the future ability to generate income and wealth and forcing German savings abroad, fostering unsustainable trade surpluses. On the other hand, it is increasing the hidden liabilities, which will become an unmanageable burden in the future. "

"Duplamente estúpido

O governo alemão segue uma política estranha de fato. Por um lado, não está a investir no país, o que prejudica a capacidade futura de gerar rendimento e riqueza e forçar a poupança alemã no exterior, fomentando superávits comerciais insustentáveis. Por outro lado, está a aumentar o passivo oculto, que se tornará um fardo incontrolável no futuro."
S.T.

S.T. disse...

Ha-Ha-Ha-Ha-Ha-Ha-Ha!

Jaime Santos tenta fazer passar a balela do "optimismo" e agita mais uma vez os espantalhos habituais.

O problema é que o comportamento da direita de subavaliar os activos a privatizar e sobreavaliar os valores do que compra aos onepercenters é sistemático.

Nos states é a mesma comédia: Quando o presidente é democrata fazem um chimfrim infernal com a dívida e o défice. Quando o presidente é republicano de repente o controle do défice deixa de ser importante, moita carrasco, tudo caladinho e os défices a acelerarem.

Portanto quem é que quer enganar, Jaime Santos?

Já veio fazer a mijinha à esquina dos comunas, já pode ir embora. Vá pela sombra! LOL

S.T.

Manuel Galvão disse...

A atuação dos políticos eleitos parece-nos estranha mas não será assim tão.
As pessoas militam nos partidos não por convicções ideológicas mas por interesse de atingir o poder. Isso conduz diretamente a duas características de governação perversas:
1- Considerar a alternância no poder como um acesso alternado a um "pote" de benesses.
2- Ignorar completamente o que é o Sentido de Estado, e de Serviço Público.

Anónimo disse...

"4 de Outubro de 2018 às 20:20":

A voz neoliberal da voz da UE e do euro, joão pimentel ferreira retorna.

Já por cá tinha passado a 4 de Outubro de 2018 às 12:40. E a 4 de Outubro de 2018 às 16:38


Continua o mesmo, com as mesmas penosas e repetidas tretas. Aqui e por tudo o que seja sítio

Anónimo disse...

"Passados menos de sete anos desde que, no final de 2011, foi aprovada a transferência para o Estado dos fundos de pensões da banca, mais de metade do valor então recebido já foi usado para pagar pensões, a um ritmo próximo de 500 milhões de euros ao ano"

Não se preocupem

Isto foi apenas o "excessivo optimismo de sempre dos actores políticos e financeiros", na versão sempre ajustada e desculpabilizadora para os seus, do caro Jaime Santos

Jose disse...

Uns terão mais saberes que outros, uns são puros treteiros, mas a base pseudo-científica que invocam, o marxismo, traduz a pura cretinice de recusar toda a evidência. Podem não se dizer leninistas mas é esse o seu sonho húmido: por qualquer meio declararem-se guias do rebanho, e para isso serve bem o marxismo.

Anónimo disse...

Fala-se do neoliberalismo

José espraia-se em sonhos húmidos e na mais desbocada treta

Está certo. A impotência de ideias e de argumentos também passa por aqui

Anónimo disse...

Perturbado este que traduz a pura cretinice

Mário Reis disse...

Ele há tantas alternativas ao financiamento/garantia da segurança social. É tributar os grandes conglomerados, as operações financeiras, as grandes fortunas, etc. Por exemplo, porque não se (re)introduz o imposto de selo (sucessório) para a tributação da riqueza herdade a ser pago acima de um certo limiar por um pequeno punhado que detém mais de metade da riqueza do país? Porque não se revê firmemente isenções e não sujeições de que beneficiam fundos imobiliários e financeiros, as assimetrias escandalosas na tributação das mais valias?
Sim, o neoliberalismo é uma fraude, está a sedimentar um faroeste social, financeiro e jurídico em que os comportamentos oportunistas e danosos são tolerados e conformados por um legislador de cócoras perante esses grupos de interesses poderosos na captura de benefícios.
João Rodrigues, admiro muito a v/ persistência que vai para além de uma solução politica e económica cínica e cruel que não resolve os problemas colocados aos seres humanos, o modo e a forma como comunicam as alternativas com base num interesse comum, em que todos temos de trabalhar, que faz de nós pessoas mais informadas, atentas ao que corrói e nos vai condenar.
Continuação de bom trabalho.

Jose disse...

O neoliberalismo é uma fraude, donde resulta que o saque a quem tem dinheiro, é a justa solução para acudir aos honestos, aos excelsos, aos coirões que incapazes de se fazerem pagar o bastante pelo pouco que querem e sabem fazer esperam que o Estado vá assaltar para lhes trazer a mama a casa.

Descaramento e não temer o ridículo é padrão universal da esquerdalhada.

Anónimo disse...

Pela terceira vez jose arremete

Demonstra seria preocupação

Depois das mamas e daquele discurso de patarata sobre o marxismo volta-se enfim para o neoliberalismo

Com as inefáveis mamas atrás

Ê pena tanta mediocridade

Anónimo disse...

Esses encadeamentos lógicos são de facto uma miséria:

"O neoliberalismo é uma fraude, donde resulta que o saque a quem tem dinheiro é a justa solução..." blablabla e blablabla

Estamos todos de acordo que o neoliberalismo é uma fraude. Agora como daqui resulta que o saque é "a justa solução" só mesmo na cabeça de alguém com muito descaramento e que não teme o ridículo.

Atenção que isto com toda a certeza não é padrão universal aos " honestos, aos excelsos, aos coirões" que andam às voltas com a apropriação da riqueza produzida por quem trabalha

Quem anda atrás das mamas dá-lhe para esta espécie de silogismo idiota?