domingo, 14 de outubro de 2018

Nova ministra, velha política?

Entrevista dada ao jornal Público, 13/7/2018
Num momento em que os partidos à esquerda do PS, espaldados até por um projecto de lei apoiado pelo fundador do Serviço Nacional de Saúde (SNS), querem que a nova lei de bases do SNS separe as águas entre o sector público e o sector privado, convirá agora ouvir a ministra sobre esse assunto.

O sector privado - aproveitando décadas de subfinanciamento do SNS - tem ido buscar médicos e técnicos so sector público, sem que o Estado acabe com estes vasos comunicantes. Essa captura, muitas vezes em acumulação de funções, até evita um desfalque total de pessoal no sector público, mas ao mesmo tempo facilita aos governantes o adiamento de opções de fundo - que têm desarticulado serviços e equias - e de apostas no sector público, combinando a preguiça com a cumplicidade.

Por isso, embora sem conhecer os pormenores, a ideia suscitada por Marta Temido em curta entrevista dada há uns meses, ao jornal Público, a 13/7/2018, faz-nos questionar. É um pouco mais do mesmo, ou até pior, corre-se o risco de aumentar a perversão? Como pensa realmente a nova ministra sobre esta questão de fundo? O que conseguirá ela fazer com o grupo de trabalho, coordenado pela omnipresente Maria de Belém Roseira, ex-ministra da Saúde, administradora do grupo Luz Saúde e membro da comissão política nacional do PS, aliás tal como o actual ministro? 

A Saúde - pelo menos a julgar pela necessidade mostrada pelo primeiro-ministro em remodelar o seu ministro - vai ser um dos temas centrais até às próximas eleições. Veremos quem vence esta batalha.

2 comentários:

carlos marques disse...

Processo de intenções!...

Os ministros são, como se sabe, intérpretes executivos da política do governo. E essa é, como também é do senso comum, definida superiormente pelo PM e está plasmada no Programa de Governo, sufragado pela AR. Ainda que sem prejuízo, obviamente, de alterações pontuais que possam ser impostas por constrangimentos objectivos, decorrentes de mudanças impositivas das circunstâncias políticas envolventes.

Creio por isso que importa aguardar, apesar de uma ou outra "aparência" pontual, que se afigure a priori mais incoerente.

Anónimo disse...

Não augura nada de bom, esta nova ministra. Adalberto Campos Fernandes tinha boas intenções, parecia ser uma boa pessoa, e não conseguia fazer mais devido ao garrote das finanças. Já vimos que António Costa não quer a proposta de Arnaut e Semedo, por isso foi buscar Maria de Belém para a boicotar. Parece-me evidente que não é agora que vai mudar, e a mudar alguma coisa só para pior, muito pior. Talvez por aí se compreenda o juízo positivo que comentadores de Direita das Tv's se apressaram a produzir. Espero que a Esquerda consiga lutar e denunciar a posição de lobo com pele de cordeiro do PS.
Obrigado ao João Ramos de Almeida por este artigo oportuno.