quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Cem anos que abalaram o mundo

O centenário da Revolução Russa serve de ocasião para o CES promover uma reflexão alargada sobre os caminhos emancipatórios que atravessaram o mundo no século XX e sobre as suas heranças, legados e limites. Enquanto lugar-símbolo das esperanças e dos impasses de um novo modelo socialista, 1917 constitui uma oportunidade analítica para pensar experiências e projetos que, na sua esteira e fora dela, foram construindo trajetórias alternativas ao capitalismo, ao colonialismo e ao patriarcado. Num tempo em que as hipóteses emancipatórias parecem pulverizadas, este encontro internacional procurará refletir criticamente sobre as mudanças ocorridas ao longo do século XX e sobre o lugar e a natureza dos imaginários de transformação social e libertação nos dias de hoje.

O programa do colóquio, que tem lugar amanhã e depois na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, está disponível aqui. A entrada é livre.

59 comentários:

Jaime Santos disse...

As hipóteses emancipatórias parecem pulverizadas também porque os emancipadores do século passado, se assim os pudemos chamar, se esqueceram de comparar os resultados da aplicação das suas generosas teorias com as previsões das mesmas (o que é típico de ideias que encontram a sua origem no idealismo alemão). Ou, se calhar, face ao falhanço, consideraram como considerava Lenine que o problema do Terror durante a Revolução Francesa é que não tinha sido suficientemente terrorista e resolveram repetir a dose a dobrar. Por comparação, os austeritários presentes não passam de uns meninos de coro.

Dir-se-à, claro, que o modus operandi não foi afinal muito diferente do Fascismo ou do Capitalismo Liberal. Mas é exatamente aqui que reside o problema. Estes movimentos, pelo menos, não podem ser acusados de duplicidade. O seu objetivo, declarado ou não, é mesmo a servidão da maioria. Um movimento que declara querer acabar com a exploração do homem pelo homem e depois reduz a grande massa dos cidadãos à mesma servidão não só trai o seu objetivo inicial como se torna o alvo da chacota de todos os reacionários que dizem que afinal sois iguais a nós, o Indivíduo não vos interessa para nada, só vos interessa o Poder...

Lobo Xavier foi absolutamente certeiro e cáustico ao dizer que parece que a Revolução Russa foi positiva para todo o Mundo, exceto para a Rússia (e mais tarde para os países de Leste). Aos admiradores modernos deste movimento, como o João Rodrigues, resta-lhes abanar as mãos e dizer que a URSS era boa porque afinal serviu para que os Governos ocidentais fizessem o que era devido para evitar tal descalabro... Fraca desculpa perante tal tragédia...

O Socialismo, se sobreviver (o que eu sinceramente duvido), vai ter que ser capaz de fazer um grande ato de contrição e aceitar o empirismo anglo-saxónico e o fabianismo nascido no Reino Unido. Terá que experimentar com diversas formas novas e velhas de organização social e deitar fora o que não presta, em lugar de tentar procurar voltar aos dogmas, velhos de 200 anos.

Afinal, não se trata de um movimento religioso e sim político, donde se esperaria um pouco mais de humildade... Gostaria de acreditar que, apesar de tudo, Marx não quereria que as suas ideias se tornassem no ópio de um conjunto de ativistas impotentes e amargurados (e penso no parágrafo completo do Manifesto).

Abraham Chevrolet disse...

Santos: quando afirma que Lobo Xavier foi "absolutamente certeiro",compromete absolutamente o comentário expendido. Xavier proclamou aos 4 ventos,do alto púlpito da "quadratura do círculo",que nunca se achou,como combatente pela Liberdade,de menor importância ou menos valia que qualquer preso político do Aljube,Peniche ou Tarrafal! A integridade física dele,Xavier,tinha sido ameaçada,num comício do CDS.no Palácio dos Desportos,no Porto,e uma ameaça tão negra ombreava com anos e anos nos cárceres da PIDE!
Não acredita no que agora lhe digo? Nem eu quis acreditar no que ouvi.Repeti a visão e toda a técnica não bastou para remediar o inominável dislate!
Santos:cuidado com os oráculos,podem ser a morte do artista como foi a morte do seu comentário...

Anónimo disse...

"As hipóteses emancipatórias parecem pulverizadas"

Começa assim e mal um comentário de um aí em cima.

Calcula-se que os esclavagistas também pensassem do mesmo modo.

Ou a monarquia podre e caduca no reinado podre e caduco de Luís XVI. Quando o mundo lhes ruiu debaixo dos pés com a Grande Revolução Francesa iniciava-se a Idade Contemporânea e os oráculos da altura negando as hipóteses emancipadoras desapareceram

Ou foram dormir com o inimigo

Anónimo disse...

Mas a ode aos austeritários do presente, comparando-os com os movimentos emancipadores do passado tem sempre destas coisas. Passa sempre pela deturpação do passado e pela reposição das boas maneiras como se estas tivessem carta de alforria no presente

Há tempos o mesmo sujeito elogiava exactamente os bons modos do Reino Unido que nunca fizera uma Revolução. Historicamente enganava-se, como se sabe. E como também se sabe o RU foi um dos maiores predadores coloniais com milhões de mortos à sua responsabilidade directa.

À deturpação histórica e à conivência com o status quo ( este ainda não percebeu que isto de emancipação acontece mais tarde ou mais cedo,é uma lei da vida, desde que haja vida para emancipar) junta-se outra coisa. A manifesta limitação teórica e a sobranceria de quem fala assim do "idealismo alemão" e do que se lhe seguiu. Alguém lhe soprou ao ouvido estas baboseiras e ele repete-as todo contente. Tal como o faz sobre Lenin mais a Revolução Francesa.

Mas a deturpação da História continua, quando nega o carácter dúplice dos movimentos fascistas e do capitalismo liberal. É ignorar a génese de uns e de outros. Mas francamente nem vale a pena ir por aí. Que o sujeito saia da sua zona de conforto.

Tal como não é a chacota de todos os reaccionários que deve meter medo a quem quer que seja. O que deve meter medo são outras coisas, mas mais uma vez não vamos por aí. A chacota que todos os reaccionários fizeram e fazem sobre a dita geringonça está aí para comprovar a vacuidade deste tipo de argumentos, usados mais para dourar ( ou escurecer a pílula) do que para cumprir qualquer efeito argumentativo.

Sem ligarmos às citações de Lobo Xavier ( diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és), ele próprio um exemplo avinagrado do que é um tipo que se serve bem do status quo e cujo estofo está aí bem documentado no comentário de Chevrolet, podemos espantar-nos com as certezas de Jaime Santos quanto ao que o futuro nos reserva , com os seus actos de contrição ( e fala este depois em movimentos religiosos, lol) e na aceitação do empirismo e do fabianismo and so on.

Há qualquer coisa de sobranceiro e, perdoe-se, de idiota, nestas certezas de Jaime Santos.

Jose disse...

«trajetórias alternativas ao capitalismo, ao colonialismo e ao patriarcado»

C'um caraças!!! Um tipo não é dono de nada em lado nenhum! Nem manda em casa, nem fora de casa, nem fora do país. Um cerco total!

Só pode ser totalitarismo.

Anónimo disse...

Mas Jaime Santos quer qualificar melhor:

"Gostaria de acreditar que, apesar de tudo, Marx não quereria que as suas ideias se tornassem no ópio de um conjunto de ativistas impotentes e amargurados (e penso no parágrafo completo do Manifesto)".

Deixemos para lá nesse mistério de reduzir o Manifesto a um parágrafo,por mais completo que este seja. A pressa na propaganda ideológica aldrabada dá nestes disparates.

Mas para quem fala no Idealismo alemão estamos conversados. Alguém que quer acreditar no que Marx quereria pensar é, para não sermos insultuosos, no mínimo um idealista especial. Ainda para mais quando esse alguém tenta acorrentar Marx ao próprio pensamento do activista impotente e amargurado que o tenta acorrentar.

Será por ainda não terem enterrado o socialismo no baú da História dos finais da história?

Anónimo disse...

Se analisarmos com seriedade alguma coisa que o passado nos diz vemos que este não se veste com as modas que lhe querem atribuir. Lembremo-nos que nos anos 30 do século passado se assistiu ao enfraquecimento das forças de esquerda – período que infelizmente nos faz pensar nos tempos actuais –
Mas as alterações verificadas no pós-guerra foram muito mais do que simples sinais de que o mundo estava à beira de uma mudança.
Na Europa uma dezena de países tinha passado para o campo do socialismo; o movimento de libertação nacional em rápida ascensão transformava as ex-colónias em estados e os seus dirigentes falavam quase todos em socialismo; somava-se ainda um sólido movimento operário nos países ocidentais, com grandes partidos comunistas.
Embora na década de 70 já se falasse muito da crise do marxismo e do comunismo, a verdade é que, todos os anos, um ou mais países passava para o campo anti-imperialista.
Lembremo-nos da Nicarágua, do Afeganistão (país onde houve uma revolução antes da chegada da ajuda militar soviética), de Moçambique e Angola, da revolução do 25 de Abril em Portugal ou mesmo do processo de democratização em Espanha.
Era uma evidência que o movimento progressista continuamente se reforçava. O capitalismo estava em franco recuo. De tal forma que um editorialista do Le Fígaro, um jornal francês de direita, chegou a escrever que, até 1983, ele próprio pensava que a vitória do comunismo era irreversível.
E se isto era assim neste período, quando eu já era uma espécie de «último dos moicanos» em Paris, no pós-guerra a perspectiva de que o mundo seguiria nessa direcção era segura e parecia inevitável.
Neste quadro, a social-democracia constituiu para o capitalismo uma extraordinária bóia de salvação. Mais uma vez no século XX, a partir de 1981, políticos pró-capitalistas tomaram a dianteira não só de partidos de direita mas também de partidos que tinham raízes operárias e eram reputados como de esquerda.
Dançou-se nas ruas de Paris quando Miterrand foi eleito em 1981, dançou-se nas ruas na Grécia quando os socialistas ganharam… Sabemos que tudo isto terminou num desespero generalizado perante duros planos de austeridade e medidas neoliberais".

Anónimo disse...

"Lénine dizia que uma Revolução mesmo vencida conserva uma espécie de invencibilidade porque permanece na memória dos povos, como um assalto heróico, comparável ao «assalto dos céus», que é a expressão que Marx utiliza a propósito dos comunards da Comuna de Paris que foi derrotada ao fim de três meses.
Marx utiliza esta expressão porque era um grande conhecedor da filosofia epicurista. A sua tese de licenciatura foi sobre Demócrito e Epicuro. É Lucrécio, discípulo latino de Epicuro, que nos diz que este saiu em imaginação para além dos limites do nosso mundo, percorreu o universo imenso através do seu pensamento e trouxe-nos a verdade dessa viagem, explicando-nos que há um Deus que não se interessa absolutamente nada pelos nossos assuntos, que não intervém na nossa vida, e nessa passagem do poema Da Natureza das Coisas afirma-se que a vitória de Epicuro sobre a religião «nos elevou aos céus». Marx evoca recordações dos seus estudos de juventude quando diz que os communards se elevaram ao «assalto dos céus».
É óbvio que as épocas heróicas, as épocas de revoluções sociais, deixam na memória colectiva recordações galvanizadoras, mais capazes de nos tornar optimistas em relação à natureza humana do que épocas como a que atravessamos presentemente – ou aquela em que igualmente viveu Epicuro, a época de decadência da Grécia – em que tudo se compra, tudo se vende. As pessoas descrêem nos políticos, vêem-nos como demagogos, impostores e gente corrupta…
As épocas de crise, de decadência não são particularmente entusiasmantes e tendem a deprimir os que nelas vivem. Por isso a nostalgia de um país que derrotou o nazismo, que mostrou que a planificação permite evitar a anarquia da produção capitalista (que apenas visa a obtenção de ganhos para certas camadas privilegiadas e não a satisfação propriamente das necessidades da população) é um sentimento que não pode ir muito longe mas tem o seu papel político...
A nostalgia não nos fará avançar, mas há uma verdade política neste sentimento, que resulta, pelo menos no Ocidente, da ausência de ideais. As pessoas acreditam que deve ser possível ter uma classe política não corrompida, menos ridícula, menos show business. A prova é que os jovens adoptaram o Che como um produto de marketing; todos eles admiram Mandela - sabem que ele é de uma estatura diferente dos chefes ocidentais".

Anónimo disse...

A história contada pelos vencedores deve ser sempre questionada. Quando se juntam meios extremamente poderosos para a fazer aceitar como se verdade bíblica fosse, manda a honestidade intelectual ir vasculhar mais do que o que nos querem inpingir

Isto independentemente do facto de se saber que a leitura da História tem repercussões tremendas sobre os antagonismos do presente. Não é por nada que se tentam ancorar as rachas da parede. No fundo, no fundo, os triunfadores actuais têm medo, e por isso esses exercícios quase unanimistas nos órgãos de comunicação social em que se misturam argumentos sérios, factos, invenções, mistificações, deturpações e canalhices

O cineasta norte-americano Kens Burns explicou a um jornal que se decidiu a fazer o documentário «A Guerra» (The War), porque 40 por cento dos jovens americanos entre os 15 e os 18 anos pensam que a II Guerra Mundial opôs os Estados Unidos e a União Soviética. Outra sondagem em França indica que a maioria dos jovens franceses pensa que a União Soviética foi aliada da Alemanha nazi.

Anónimo disse...

"Cum caraças"

E sai um faduncho lamuriento sobre um tipo que quer ser dono.

Cada um pode fazer o choradinho que quiser, mesmo que tal vá contra as indicações de Passos.

Mas tal não impedem as interrogações sobre o que tem tal faduncho do dono lamuriento com o relatado. Nem sobre o "só pode ser totalitarismo" em jeito de conclusão.

Há algo de enternecedoramente histérico que faz lembrar as tiazorras e os tiozorros.

Jose disse...

«sondagem em França indica que a maioria dos jovens franceses pensa que a União Soviética foi aliada da Alemanha nazi»

Incrível ignorância!
Pois se só fizeram um pacto para repartir a Polónia (cuja invasão pelos alemães iniciou a 2ªGG) e mais uns países para os lados do Báltico, e deram-se muito bem até que o Hitler resolveu invadir - coisa que o Estaline nunca acreditou acontecer até ao dia em que aconteceu.

A.R.A revolução disse...

Jose

Ficou de se retratar da sua MENTIRA do post anterior! Não o fazendo corre o serio risco de que tudo o que aqui partilhe sejam MENTIRAS (o que nem sempre é o caso) ditas por um MENTIROSO COMPULSIVO

Quanto ao tema do post, na impossibilidade de estar presente, devo dizer que estou muito curioso por saber das varias respostas para a questão:
- É tão difícil imaginar o fim do capitalismo como imaginar que o capitalismo não tenha fim?

Este é que será o grande ponto de interrogação que irá, também ele, abalar o mundo pois alvitrar sequer que o capitalismo seja o último estádio da evolução socio-economica mundial é como largar o volante de um carro a mais de 200Km hora.

Anónimo disse...

Não vale a pena as cenas vadias que herr jose nos quer impingir.

O desespero tem destas coisas. E se ele se quer irmanar, qual vero vadio feito asno, com a ignorância bárbara dos seus amados ignorantes, isso é lá com ele.

Mas a mediocridade intelectual e cognitiva, associada a esta boçalidade, dum patronato inculto e caceteiro é sempre causa dum certo espanto

Anónimo disse...

Alguém há tempos dizia e provavelmente com toda a razão, que o ódio e a histeria idiota e destrambelhada de jose, perante os factos históricos da segunda grande guerra, eram função directa da sua profunda mágoa pela derrota do nazi-fascismo.

Os factos são lixados para estas coisas.Já não se trata de releituras da História ou de anedotas de salão. Trata-se apenas das cenas patéticas e pungentes que, pontuadas de desespero, acompanham estes esgares ideológicos de extrema-direita, a que se adivinha alguma senilidade militante

Os hinos de louvor de jose ao colaboracionista Pétain, condenado à morte por traição e depois com pena convertida a prisão perpétua, mais as suas saudações românticas aos Viva la muerte da escumalha franquista, mostram, infelizmente para jose, para onde ruíram as suas simpatias.

Não foi por nada que a 25 de Abril se sentiu tão mal e não se conteve do ponto de vista orgânico

Anónimo disse...

"A propaganda dos privilegiados escolhe sempre os seus alvos de forma selectiva. Há quilómetros de páginas impressas sobre determinados acontecimentos enquanto outros, com consequências semelhantes ou muito piores, são silenciados. (E jose faz o que pode nesta máquina informativa(.

Por exemplo, os famosos horrores cometidos pelo regime de Saddam Hussein nas aldeias curdas são pouco significativos quando comparados com os crimes de guerra perpetrados pelos norte-americanos no Vietname. Não peço que canonizem Saddam Hussein, mas será que os norte-americanos alguma vez foram julgados ou apresentaram desculpas pelo que fizeram? Pelo contrário, alegam que os vietnamitas exageram o que se passou… o «agente laranja», a utilização generalizada de armas químicas, etc.

Aliás, antes da revolução de 1917, Lénine escreveu que os dez milhões de mortos e vinte milhões de estropiados da I Guerra Mundial, que apenas favoreceu os interesses dos negociantes de canhões, serão vistos pela burguesia como algo de perfeitamente normal e como um sacrifício inteiramente legítimo, mas se se registarem algumas centenas de mortos durante uma revolução, dir-se-á que foi um massacre bárbaro provocado por bárbaros.

É óbvio que a inacreditável resistência oferecida pelos povos da URSS, que fez virar o rumo da guerra, é uma fotografia, um referendo perfeito sobre o que pensavam dessa época soviética os que nela viviam.

O povo de que falamos não se sentia apenas como uma vítima aterrorizada – era parte envolvida numa dinâmica revolucionária, com os seus desvios, os seus erros, os seus crimes.

Alguns historiados não comunistas britânicos e americanos, quer logo a seguir à guerra, quando o prestígio da URSS era enorme, quer hoje, como um certo Michael Coney, consideram como um facto evidente que o anticomunismo foi, a cada passo, um dos elementos, se não mesmo o principal elemento, que permitiu a corrida à guerra.
As potências ocidentais fizeram tudo para deixar as mãos livres a Hitler na sua cruzada a Leste. E o facto de a maioria dos jovens em França acreditar que a URSS era aliada da Alemanha na Guerra é o resultado da intensa propaganda em torno do pacto germano-soviético. (Propaganda servida como se vê por este Jose.)

Quantos sabem que o pacto germano-soviético [Agosto 1939] teve lugar um ano depois do acordo de Munique [Setembro 1938], que foi uma espécie de conselho de guerra de Hitler, no qual a Inglaterra e a França, entregando-lhe a Checoslováquia e abandonando os seus aliados, o convidaram a voltar-se para Leste?

Quem sabe que após o discurso contra a guerra pronunciado por Maurice Thorez, então secretário-geral do PCF, em Estrasburgo, o governo francês apresentou à Alemanha um pedido formal de desculpas por «esta provocação dos comunistas»?

Não digo que tudo tenha sido bem feito, mas é preciso lembrar que a URSS, que tinha sofrido a intervenção de 20 potências coligadas para derrotar a revolução em apoio dos brancos na guerra civil, tinha de utilizar todas as possibilidades para evitar uma nova guerra. Não vejo que pudesse ter agido de forma diferente"

(Jean Salem)

Jose disse...

Quantos sabem que o pacto germano-soviético [23 de Agosto 1939] partilhava o Leste entre a Alemanha e a URSS e que isso precedeu de oito dias a invasão da Polónia pela Alemanha logo seguida pela URSS.
Teria havido guerra sem pacto? Provavelmente sim, mas não era a mesma coisa...

A.R.A revolução disse...

Anónimo

A verdade será sempre subjectiva pelo meio e por quem a conta e por muito que um dos lados admita os erros do passado para que estes não se confundam com as lutas do presente nunca houve uma admissão de culpa formal, ou pelo menos com semelhante impacto, da barbárie do ocidente para que não haja duvidas entre os "bons" e os "maus" da fita que desde sempre têm utilizado Holliwood para a sua mui conseguida propaganda.

E se é certo que havia um pacto de não agressão entre Estaline e Hitler, também é verdade que Estaline já há muito sabia da "traição" de Hitler sem que o 1º acreditasse que tal fosse possível (ter se ia evitado uma mortandade) pelo que aconselho a quem quiser saber um pouco mais para pesquisar acerca de uma figura que é, ainda hoje, por todos reconhecida como o maior espião de todos os tempos, Richard Sorge. Aconselho de igual modo o livro O Insensato - de Morgan Sportès.

Boas leituras

Anónimo disse...

O jose quer partilhar os seus conhecimentos de história.

Por isso repete feito de forma irrepreensível a asnice dos tontinhos e idiotas que venera e admira

A maioria dos jovens franceses pensa que a União Soviética foi aliada da Alemanha nazi...

São estes e jose

Anónimo disse...

Na sua tresloucada dor pela derrota do nazi-fascismo jose inventa-se a ele próprio.

Ei-lo a desbobinar o tese dos idiotas.

O que é jose?

Anónimo disse...


"Quantos sabem que o pacto germano-soviético [Agosto 1939] teve lugar um ano depois do acordo de Munique [Setembro 1938], que foi uma espécie de conselho de guerra de Hitler, no qual a Inglaterra e a França, entregando-lhe a Checoslováquia e abandonando os seus aliados, o convidaram a voltar-se para Leste?"

O que faz jose?

Fala no pacto germano-sovietico. E mete o rabinho entre as pernas em relação ao acordo de munique


Anónimo disse...

O pacto germano-soviético (que, no caso da Polónia, restaurou uma linha de fronteira que não oferece hoje contestação) foi uma tentativa de appeasement da Alemanha nazi (que, como qualquer outra tentativa de apaziguar esse regime criminoso e agressor, não é nunca defensável do ponto de vista das suas virtudes absolutas, mas apenas das suas eventuais vantagens tácticas) e que não pode ser entendida fora do seu contexto histórico: em Munique, em 38, sacrificando a Checoslováquia, a França de Daladier e a Grã-Bretanha de Chamberlain procuraram aplacar o expansionismo nazi; um ano depois, a URSS pagou-se da mesma moeda, tentando furtar-se à agressão alemã e mantê-la tanto quanto possível à distância, através da restauração das fronteiras czaristas no Báltico e do estabelecimento da linha Curzon na fronteira da Bielorrússia e da Ucrânia. As peripécias negociais destes anos terríveis estão desde há muito à disposição de todos, e quem, por eventual preconceito ideológico, não quiser conhecê-las nas obras de Isaac Deutscher, E. H. Carr ou A. J. P. Taylor, pois que leia a sua descrição nas Memórias de Churchill: o que então se passou não impediu a coligação anglo-americano-soviética de se criar e levar de vencida, para sorte da humanidade, os nazi-fascistas – que, convém não esquecer, foram quem começou a II Guerra Mundial e lhe emprestou o carácter genocidário que teve, sobretudo a Leste.

Jose disse...

Estrebucha o Cuco tentando equiparar Munique a um pacto de não agressão entre totalitários.
Triste figura!

Anónimo disse...

"Estrebucha"?

A raiva patente e impotente aí toda escancarada.

Desmascarado só lhe resta isto?



Anónimo disse...

"A maioria dos jovens franceses pensa que a União Soviética foi aliada da Alemanha nazi...

São estes e jose"

Raivas escondidas pela derrota do nazi-fascismo às mãos da coligação anglo-americano-soviética?

Nazi-fascistas – que, convém não esquecer, foram quem começou a II Guerra Mundial e lhe emprestou o carácter genocidário que teve, sobretudo a Leste...


Anónimo disse...

Não. Não passa, nem a idiotia nem a tentativa de dar cobertura aos jovens ignorantes por alguém que não esconde os seus desejos dum ensino em que se ensinem tais barbaridades aos jovens.

Tem saudades da educação no fascismo e no nazi-fascismo? Almeja o cargo de Capo da Comissão de Censura? Ou o cargo ministerial da propaganda num seu regime de estimação que impinja estas anormalidades?

A ideologia, a frustração e a idiotice chegam a tal ponto?

Anónimo disse...

Passemos a coisas mais sérias. É altura de não deixar que a merda informativa continue a ocupar todo o espaço mediático às mãos de gajos sem vergonha e politicamente comprometidos com os derrotados da segunda grande guerra.

Churchill, referindo-se ao acordo germano-soviético de não-agressão, dirá nas suas memórias:

"para os Sovietes era uma necessidade vital procurar que os exércitos alemães se concentrassem no Oeste (…) Agora as suas fronteiras situavam-se muito mais ao Leste do que na guerra anterior. A Rússia necessitava, pela força ou pela astúcia, ocupar os Estados Bálticos e grande parte da Polônia antes de sofrer o ataque inimigo. Esta política foi realista em alto grau."

Isaac Deutscher – crítico implacável de Stalin e do governo soviético – assim opinou sobre o acordo germano-soviético:

"No pacto prometeram permanecer rigorosamente neutros um em relação ao outro, caso um deles se envolvesse na guerra. O documento não continha garantias de amizade, salvo a obrigação dos dois governos solucionarem suas divergências ‘mediante a troca amigável de opiniões’. (...) ele, Stalin, não sentiu remorsos. No seu entender a guerra era, de qualquer maneira, inevitável; mesmo que ele não tivesse feito acordo com Hitler, a guerra teria rebentado logo ou um pouco mais tarde, em condições incomparavelmente menos favoráveis ao seu país. (...) Ele, Stalin, estava apenas afastando a conflagração da Rússia. (...) não tinha dúvida que a Polónia sucumbiria e que as potências ocidentais não poderiam ou não quereriam dar-lhe ajuda efectiva. Consequentemente, via a Alemanha trocar sua posição por um possível ataque à Rússia situada várias centenas de quilómetros a leste. Compreendeu que tinha o dever de reduzir o risco estratégico inerente a esta troca; e só poderia reduzi-lo tomando parte no desmembramento da Polónia. (...) Stalin agia unicamente em função de intuitos imediatos de segurança, sem visar a expansão pela expansão (...) Seu propósito agora era ganhar tempo e, mais uma vez, tempo, para executar seus planos económicos, construir o poderio russo e depois lançar esse poderio na balança quando os outros beligerantes estivessem nas últimas.

Mesmo Pierre Broué – que prefere apresentar o acordo de Munique como um fracasso de Stalin em sua busca de uma aliança com Paris e Londres, e não como uma capitulação das democracias ocidentais – é obrigado a reconhecer que “o Pacto Germano-Soviético tinha (...) um carácter defensivo para a própria URSS (...) ao desviar para o oeste o avanço alemão.” Já Mandel – depois de concordar que “considerando a irresolução (...) dos governos francês e inglês sobre a colaboração militar em uma agressão alemã contra a Polónia, o governo soviético tinha todo o direito de garantir sua segurança imediata no caso de uma conquista alemã desse país” - questiona o protocolo secreto e o veto de Stalin à criação de um Estado polaco sob controle nazista.

Anónimo disse...

Roy Medvedev, historiador russo, crítico ferrenho de Stalin, diria anos mais tarde:

"o facto é que não se pode incluir o pacto germano soviético de não-agressão na lista dos crimes e erros de Stalin. O governo Soviético viu-se obrigado a assinar esse pacto porque a Inglaterra e a França favoreciam o fascismo alemão e impediam que fossem consumadas negociações que levassem à assinatura de um pacto de assistência mútua com a URSS. (...) a França e a Grã-Bretanha entregavam-se a um jogo político perigoso: as duas esperavam conseguir um acordo com Hitler e procuravam desviar a agressão alemã na direcção do Leste. (...) Foram os meios dirigentes da Inglaterra e da França (...) que permitiram à Alemanha reconstruir uma poderosa máquina militar, na esperança de que essa força se voltasse contra o bolchevismo. (...) Tais circunstâncias obrigavam a União Soviética a se proteger, procurando aproveitar-se dos conflitos em que se achavam envolvidos os Estados imperialistas: em 1939, o pacto de não-agressão com a Alemanha serviu a esse fim. (...) a União Soviética não podia ficar indiferente à sorte dos ucranianos e dos bielorussos, cujos territórios haviam sido anexados quando do ataque polaco ao jovem Estado soviético. A chegada do Exército Vermelho aos territórios da Bielorrússia e da Ucrânia era, portanto, um acto de libertação justificada (...) a União Soviética não se apoderou de territórios originalmente pertencentes à Polónia: para os ucranianos e bielorrussos, esta operação do Exército Vermelho não foi mais que um acto de libertação.

No mesmo rumo vai Giuliano Procacci quando afirma que “hoje não são poucos os estudiosos certamente insuspeitos de simpatias por Stalin que reconhecem que, depois de Munique, as margens de manobra para a diplomacia soviética se haviam restringido a tal ponto (...) que não permitiam opções diferentes das que foram feitas.” E Nelson Werneck Sodré, conhecido historiador brasileiro, escreveu sobre o acordo germano-soviético: “as manobras políticas dos chamados Aliados eram feitas para incitar Hitler contra a União Soviética. Os dois - Alemanha e União Soviética - deveriam se enfrentar e se destruir. (...) a União Soviética precisava se preparar para um conflito que era inevitável. (...) A União Soviética fez bem em assinar o pacto e ocupar uma área da Polónia. Se não, os alemães iriam ocupar. A cláusula nem precisaria ser secreta.” Jacob Gorender também considera o acordo germano-soviético foi uma imposição da política da imperialista que visava isolar a URSS:

"Penso que, nas circunstâncias de 1939, a União Soviética não tinha alternativa, a não ser fazer o pacto de não-agressão com a Alemanha. Todas as tentativas de um acordo efectivo com a Inglaterra e com a França para uma reacção contra a política agressiva da Alemanha, tinham fracassado. Era evidente que a França e a Inglaterra, através dos seus diplomatas, faziam todo o possível para bloquear a consumação de um acordo anti-hitlerista. Isolada, não restou à União Soviética outra saída além do pacto de não-agressão com a Alemanha. (...) O erro foi que a liderança stalinista interpretou o pacto de não agressão como um pacto de aliança (...) Hoje é possível ver que o pacto de não-agressão foi uma imposição da política hipócrita aplicada pela Alemanha, França Inglaterra em 1939. A União Soviética não tinha saída".

Anónimo disse...

É muito importante colocar no seu devido lugar os factos históricos e não deixar que a ideologia sinistra que tenta ensinar mentiras inenarráveis aos jovens franceses sobre os lados em conflito na segunda grande guerra consiga espalhar a sua mancha de aleivosias de bordel desculpabilizador do nazi-fascismo.

Quando se desmascararam os falangistas e os franquistas como criminosos sórdidos e abjectos, evidenciou-se o papel de salazar na vitória de Franco. Papel as mais das vezes escamoteado pelos seus servidores, sicários e simpatizantes.

E também se evidenciou o papel de salazar em chás de caridade para cobrar aos potentados económicos do Capital a sua "taxa" de ajuda ao fascismo.

Anónimo disse...

" Cabe-nos, como estudiosos da história - sem dobrar-nos à avalanche do “pensamento único” dos dias de hoje - procurar restabelecer a verdade histórica, analisando criticamente os novos argumentos trazidos à discussão. Sem medo de corrigir interpretações que tenham envelhecido devido à descoberta de novos fatos. Cientes de que todo o conhecimento, inclusive o histórico (mas não somente ele), é um processo de aproximação “assintótica” da verdade, com a qual nunca coincide. Por isso mesmo, todo o conhecimento (e não só a história) é um processo de permanente construção."

Para compreendermos a política de apaziguamento das potências ocidentais - que contribuiu de forma decisiva para a eclosão da Segunda Guerra Mundial - e o paradoxal Pacto Germano-Soviético, é necessário que examinemos os seus antecedentes, aqui incluídas a vitória da Revolução Socialista na Rússia, a nova divisão do mundo após a Primeira Guerra Mundial - através do sistema Versalhes-Washington - e o ascenso do nazi-fascismo, resposta do grande capital ao crescimento das lutas revolucionárias, principalmente dos povos da Europa.

O Sistema de Versalhes

A 18 de janeiro de 1919, inaugurou-se em Versalhes a conferência dos “vencedores”, para ditarem as condições da paz no pós-guerra. Estavam representados 27 países que, de uma forma ou outra, participaram da aliança contra a Alemanha, a Áustria-Hungria, a Turquia e a Bulgária. Foram excluídas desta conferência tanto a Alemanha e suas aliadas, quanto a Rússia socialista, apesar desta ter participado da guerra ao lado dos aliados. Na prática, três países decidiram sobre o destino da futura paz: Inglaterra, França e Estados Unidos. Após quase quatro meses de discussões, as duríssimas condições da paz são comunicadas à delegação alemã. Diante da insatisfação alemã e da tentativa de amenizar as condições impostas, os aliados ameaçaram com a ocupação militar. Pressionada, a Assembléia Nacional Alemã autorizou a assinatura do Tratado, por 237 contra 138 votos.

O tratado é firmado em Versalhes, no dia 28 de junho de 1919. Através dele, além de pesadas indenizações, a Alemanha é obrigada a renunciar a todas suas colônias, ceder a Alsácia-Lorena à França, a zona de Eupen-Malmedy à Bélgica, o Schleswig setentrional à Dinamarca. Além disso, a Alemanha reconhece a independência da Polónia e tem que lhe entregar Poznam, a Prússia Ocidental e parte da Alta Silésia. Também perde Memel, posteriormente anexado à Lituânia (1923). Durante 15 anos, o Sarre passa a ser administrado pela Sociedade das Nações, a qual cede a exploração do seu carvão à França. Mas, Dantzig não é entregue à Polónia, sendo transformada em “cidade livre”. A margem direita do rio Reno é dividida em três zonas de ocupação, a serem evacuadas no prazo de 5, 10 e 15 anos, e a Alemanha perde o controle sobre seus rios navegáveis. É obrigada a entregar todo o seu material de guerra e a quase totalidade da sua esquadra, e fica proibida de possuir couraçados e submarinos. O seu exército é limitado a 100 mil homens, e é proibido de manter um Estado Maior, ter carros de combate, aviões militares, artilharia pesada e antiaérea. As suas fortificações ao leste são desmanteladas.

Em 10 de setembro de 1919, é assinado o Tratado de paz com a Áustria em Saint Germain-en-Laye. O Império Áustro-Húngaro é desmembrado, devendo a Áustria reconhecer a independência da Hungria. Pelo Tratado, a Áustria entrega a Boêmia e a Morávia para a Checoslováquia. Perde a Dalmácia e a Bósnia-Herzegóvina que - junto com a Sérvia e Montenegro e os territórios perdidos pela Hungria - constituirão a Iugoslávia. Entrega o Sul do Tirol, Triestre, Istria, e partes da Dalmácia, Caríntia e Carniola, à Itália. Cede a Bucovina à Romênia. Por fim, fornece os territórios da Galícia ocidental para formar o sul da Polônia do pós-guerra. Pelo mesmo tratado, a Áustria - reduzida a 84 mil km2 e isolada do mar - foi proibida de unir-se à Alemanha e tem o seu exército limitado a 30 mil homens.

Anónimo disse...

Em 27 de novembro de 1919, é firmado o Tratado de paz com a Bulgária, em Neuilly. A Bulgária teve que entregar o sul da Drobudja à Romênia, a Macedônia ocidental à Iugoslávia e os seus territórios Trácios à Grécia, perdendo a sua costa no Mediterrâneo. O seu exército foi limitado a 20 mil homens.

Em 4 de junho de 1920 - depois do sufocamento do Poder Soviético de Bela Kun por tropas francesas, romenas e checoslovacas - foi assinado com a Hungria o Tratado de Trianon, reduzindo o seu território a um terço da sua superfície de 1914 e isolando-a do mar. Por ele, a Hungria foi obrigada a ceder a Eslováquia e a Rutênia à Checoslováquia, e a entregar a Croácia, a Eslovênia e parte do Banato à Iugoslávia. Também teve que ceder a Transilvânia e a outra parte do Banato à Romênia. Proibida de unir-se à Áustria, teve o seu exército limitado a 35 mil homens.

Em 10 de agosto de 1920, é assinado o Tratado de paz de Sèvres com a Turquia (não ratificado pelo Parlamento turco). A Turquia é obrigada a ceder a Trácia oriental, Esmirna e as Ilhas Egéias (exceto Rodes) à Grécia; Síria e Cilícia à França; Iraque, Palestina, Chipre e Egito à Inglaterra (que também obtém o protetorado da Arábia); Rodes e o Dodecaneso à Itália. Ainda lhe são impostas a independência da Armênia e a autonomia do Curdistão. O seu exército é limitado a 50 mil homens.

O ex-Império Russo - derrotado pela Alemanha, convulsionado pela revolução socialista de 1917, em pleno processo de guerra civil, também é esquartejado pelos “vencedores”. Em dezembro de 1917, a Romênia monárquica ocupou a Bessarábia. Em 1917, o governo soviético foi obrigado a reconhecer a independência da Finlândia e, em março de 1918, a assinar a paz de Brest-Litovsk com a Alemanha, a Áustro-Hungria e a Turquia

O posterior desmoronamento dos exércitos centrais, possibilitou, em fins de 1918, a denúncia do acordo de Brest-Litovsk e a retomada do poder pelos bolcheviques na Estônia, Lituânia, Letônia e Ucrânia. Mas, mais uma vez, a intervenção militar das potências capitalistas impôs ao Poder Soviético uma “paz de salteadores”. Em fevereiro de 1919, os exércitos polacos apoderaram-se de Brest-Litovsk, dando início a guerra russo-polonesa. Em abril de 1920, as tropas polonesas invadiram a Ucrânia e pouco depois tomaram Kiev. Em sua contra-ofensiva, o Exército Vermelho avançou até às portas de Varsóvia, que só foi salva pelas tropas francesas do general Weygand. Em julho de 1920, através da conferência de Spa, as potências ocidentais propuseram como fronteira entre a Rússia e a Polônia a “Linha Curzon”. Em outubro de 1920 é estabelecido um armistício e em março de 1921 o Estado Soviético é obrigado a assinar a paz de Riga, através da qual a Polônia avança 250 km a leste de sua fronteira étnica e desloca a sua fronteira com o Estado soviético 150 km para o Leste, apossando-se da Galícia, da Ucrânia Ocidental, da Bielo-Rússia ocidental e de Vilna.

Anónimo disse...

Em fins de 1920, o tratado de Dorpat, ao obrigar o governo soviético a reconhecer a Estônia, a Letônia e a Lituânia como estados formalmente independentes, sob a clara tutela ocidental - “consagrou não somente a fixação das fronteiras mais desfavoráveis que a região de Leningrado tivera algum dia, como amputou também a Rússia setentrional do território de Pétsamo, que nunca estivera incluído (nem antes de 1914, nem em qualquer outra época) no Grão -Ducado ‘Histórico’ da Finlândia."

Com os tratados de paz impostos, consolidou-se a preponderância francesa no continente europeu, através do avassalamento da Alemanha e de seus aliados. Também foi assegurado o papel dominante da Inglaterra no Oriente próximo e sobre as comunicações marítimas. Ao mesmo tempo que buscava esmagar as potências centrais, o sistema de Versalhes teve uma orientação claramente anti-soviética. Além da conferência de paz de Paris ter-se tornado o Estado-Maior da intervenção armada contra o Estado Soviético, os estados imperialistas procuraram formar um “cordão sanitário” contra o comunismo, através da criação da Polónia e dos pequenos estados bálticos, e da anexação da Bessarábia à Romênia. Em todos esses países foram instalados governos francamente reacionários.

Momentaneamente derrotadas em suas tentativas de liquidar com o Poder Soviético, as grandes potências ocidentais começaram de imediato a armar o tabuleiro de xadrez para as suas futuras jogadas. Em 1921, forma-se a aliança entre a Polônia e a Romênia, contra a Rússia. Em 1922, é constituída a Entente do Báltico - entre a Polônia, a Estônia, a Letônia e a Finlândia - também voltada contra a URSS. Diante da tentativa de cercá-lo e isolá-lo, o Estado Soviético responde com uma aproximação da Alemanha, assinando em 1922 o Tratado de Rapallo que restabelece as relações diplomáticas e, através de um acordo secreto, permite a instalação na URSS de fábricas alemãs para a produção de armamentos proibidos pelo Tratado de Versalhes.

Anónimo disse...

Diante do agravamento da crise da economia alemã - assoberbada pelo pagamento das indenizações de guerra - e do risco de uma revolução social, as potências ocidentais decidem fortalecer a Alemanha, para opô-la ao “perigo vermelho” do Oriente. Um dos precursores dessa idéia é o general alemão Max Hoffmann que já em 1922 afirmava:

"Nenhuma potência européia pode conceder a outra uma influência preponderante sobre a futura Rússia. Este problema só pode ser resolvido pela União dos grandes Estados europeus, principalmente a França, a Inglaterra e a Alemanha. É preciso que, por uma intervenção militar, essas potências aliadas derrubem o poder soviético e restabeleçam a situação na Rússia, no interesse das forças económicas inglesas, francesas e alemãs. A participação financeira e económica dos Estados Unidos da América seria preciosa".

Para isso, é criado em 1924 o Plano Dawes, investindo grande quantidade de capitais - sobretudo norte-americanos (cerca de 70%), mas também ingleses - na Alemanha. O que, contraditoriamente, pouco a pouco lhe permitirá recuperar e ampliar o antigo potencial econômico-militar. A Conferência de Locarno (1925) estabelece diversos acordos bilaterais com a Alemanha, em uma tentativa de melhorar as suas relações com as potências ocidentais. Em 1926, ela é admitida na Sociedade das Nações, inclusive no seu Conselho de Segurança. Começa a desenhar-se no horizonte a futura tática de utilização da Alemanha como um dique contra a URSS e a revolução socialista.

Uma das cláusulas do Tratado de Versalhes estabelecia a criação da Sociedade das Nações, sob o pretexto de defender a paz e a segurança internacional, prevendo a aplicação de sanções económicas, financeiras e militares ao país que cometesse uma agressão. Na realidade a Sociedade das Nações transformou-se em um dos centros da luta militar e diplomática contra o Estado Soviético e em um instrumento da política imperialista e colonial das grandes potências, especialmente a França e a Inglaterra. Assim - sob o argumento de que os povos das colónias arrebatadas à Alemanha e à Turquia eram incapazes de se autogovernarem - entregou à França, sob mandato, a Síria, o Líbano, o Togo e uma parte do Camerum; à Inglaterra a Palestina, a Transjordânia, o Iraque, Tanganica e outros territórios; ao Japão as Ilhas Marianas, Carolinas e Marshall. Como o Senado dos Estados Unidos se negou a ratificar o Tratado de Versalhes, estes não se incorporaram à Sociedade das Nações. Na prática, a Sociedade das Nações nunca impôs, durante toda a sua existência, qualquer sanção a um país agressor (em geral, alguma potência imperialista) nem prestou qualquer ajuda a uma nação agredida.

Anónimo disse...

Os acordos de Washington

Durante a Primeira Guerra Mundial, o Japão havia consolidado as suas posições na China, em detrimento dos interesses dos outros países imperialistas, em especial os Estados Unidos e a Inglaterra. Havia imposto à China acordos que lhe proporcionavam grandes privilégios econômicos e políticos, e assumira o domínio de Tsa-Chou, do porto de Tsing-Tao e das concessões alemãs na península de Chantung. A ratificação desses “direitos” pela conferência de paz de 1919, em Paris, foi uma das razões da não ratificação do Tratado de Versalhes pelos norte-americanos. Desde então, os Estados Unidos pressionaram pela revisão das resoluções da conferência de paz de Paris, quanto ao Extremo Oriente.

Na conferência de Washington, realizada entre novembro de 1921 e fevereiro de 1922, participaram nove países, entre os quais os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, a China e o Japão. Mais uma vez foi negado ao Estado Soviético a participação em suas deliberações. Desta conferência resultaram quatro acordos que complementaram os Sistema de Versalhes. O primeiro deles, o Pacto Naval, determinou a tonelagem máxima de cada potência e tinha por objetivo limitar a expansão da armada japonesa. Fixou 525 mil ton. para as esquadras inglesa e norte-americana, 315 mil ton. para a japonesa e 175 mil ton. para a francesa e a italiana. O Tratado de Chantung obrigava o Japão a retirar-se da Sibéria soviética e das regiões de Chantung e Kiaochow, na China. O Tratado das Quatro Potências - Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Japão - mantinha o status quo no Pacífico. Já o Tratado das Nove Potências, reconhecia a independência e a inviolabilidade territorial da China, mas impunha à China uma política de portas abertas para todas as nações do mundo (o que interessava diretamente aos Estados Unidos, que haviam chegado tarde ao reparto da China, e nela não possuíam concessões).

Os acordos de Washington representaram um fortalecimento fundamentalmente dos Estados Unidos e um debilitamento do Japão, complementando o sistema de tratados de Versalhes.

Anónimo disse...

Temos então que para herr jose o acordo de Munique entre os totalitários e a França e a Inglaterra não pode ser equiparado porque estão implicados precisamente a França e a Inglaterra...mas também os totalitários.

E é desta forma de Herr Jose tenta esconder a espécie de conselho de guerra de Hitler, no qual a Inglaterra e a França, entregando-lhe a Checoslováquia e abandonando os seus aliados, o convidaram a voltar-se para Leste?

As negociatas entre um estado totalitário e a França de Daladier e a Grã-Bretanha de Chamberlain sacrificando a Checoslováquia?

Teria mais legitimidade Hitler quando negociou com as potências ocidentais para obter a Checoslováquia?

Já se percebe o termo "estrebuchar". Define na perfeição o desqualificado mental que faz dos outros idiotas.
E a quem mais não resta que este estrebuchar, invocando estrebuchares alheios.

Simplesmente estrebuchante, lolol.

Jose disse...

Acontece, Cuco treteiro, que a potências ocidentais declararam guerra à Alemanha quando esta invadiu a Polónia enquanto a URSS tinha acordado ficar com boa parte dela; e logo a seguir selou a sua identidade totalitária e brutal com Katyn. Ou não te lembras? Ou não te queres lembrar?

O regime soviético é um czarismo de canalha sem moral nem vergonha, capaz de tudo fazer para se sustentarem no poder. Foram criminosos do primeiro ao último dia!
E dentre a canalha, ainda hoje não lhe faltam adeptos.

Anónimo disse...

Não

Não se admite que jose confunda as suas frustrações pessoais e familiares em torno de cucos, quaisquer que estes sejam

Nem se admitem estas familiaridades em jeito de interrogador pidesco ou de engatatão dúbio mal assumido

Por isso, se este jose não se importa,que deixe as suas raivas idiotas por lhe terem tirado o tapete ideológico montado na sua ideologia simpatizante do fascismo

É tão patente o desnorte pela apresentação serena dos factos que mais parece uma barata tonta a negar o óbvio. O vomitar essa espécie de obscenidades que mais não são do que pura perturbação impotente não contribui para o levar a sério

Anónimo disse...

Vamos aos factos:

A solidariedade ideológica com a ignorância boçal e idiota, manipulada e manipulável da maioria dos jovens franceses, que pensa que a União Soviética foi aliada da Alemanha nazi (e não por mérito próprio uma das potências vencedoras do nazi-fascismo) mostra não só o que lhe vai na alma como mostra uma assustadora perturbação que não põe freios a uma tão franca irracionalidade.

Indiferente à realidade histórica e a comentários de alguns dos que devia ouvir por mais próximos ideologicamente dele, avança este jose assim por trilhos ainda mais fundamentalistas que os fundamentalistas da sua igualha. E ao contrário dos jovens aí em cima citados não tem a desculpa de estarem completamente tapados pela propaganda da canalha. É de motu próprio que se arroga a estas figuras , fazendo lembrar por um lado a mediocridade por outro a pesporrência do grande patronato. Com tiques de.

Anónimo disse...

Apanhado a mentir e a defender o que não pode ser defensável ( só num cárcere da Pide) jose volta-se para o pacto germano-soviético

A pergunta impõe-se:
"Quantos sabem que o pacto germano-soviético [Agosto 1939] teve lugar um ano depois do acordo de Munique [Setembro 1938], que foi uma espécie de conselho de guerra de Hitler, no qual a Inglaterra e a França, entregando-lhe a Checoslováquia e abandonando os seus aliados, o convidaram a voltar-se para Leste?"

Serenamente são aduzidos argumentos e citações para ler a história que não as de um frustrado pelos resultados finais da grande guerra.

O que faz jose?

Fala duma maneira perfeitamente espantosa em "estrebuchar", revelando candidamente que o único que está a estrebuchar é ele próprio.

E tem quase um chilique e não hesita em afirmar que se tenta equiparar Munique a um pacto de não agressão entre totalitários.

Sem o querer confirma aquilo que já se suspeitava. Para Jose, Hitler teria mais legitimidade quando negociou com as potências ocidentais para obter a Checoslováquia.

E está (quase) tudo dito

Anónimo disse...

Mas jose volta.

Alguém há tempos dizia e provavelmente com toda a razão, que o ódio e a histeria idiota e destrambelhada de jose, perante os factos históricos da segunda grande guerra, eram função directa da sua profunda mágoa pela derrota do nazi-fascismo.

E é vê-lo voltar-se agora, já não para a subscrição da tese dos infelizes jovens franceses, já não a tentar promover a superioridade moral dos acordos de Munique ( cala-se e mete o rabinho por entre as pernas) mas agora envereda em jeito mais uma vez de fuga para outra estoria ao jeito da sua ideologia: quem declarou a guerra, Katyn e a canalhice própria sem moral e sem vergonha.

A prova da sua impotência está neste destempero aí em cima espelhado igualmente pelo próprio

É que por mais fitas e contorcionismos que tente, não consegue esconder a realidade brutal aí afirmada anonimamente: "o que então se passou não impediu a coligação anglo-americano-soviética de se criar e levar de vencida, para sorte da humanidade, os nazi-fascistas – que, convém não esquecer, foram quem começou a II Guerra Mundial e lhe emprestou o carácter genocidário que teve, sobretudo a Leste".

Um soco no estômago de jose. Que reage dessa forma tão ilustrativa

Anónimo disse...

A revolução russa de 1917, além de dar origem ao primeiro Estado Socialista do mundo, acelerou enormemente os processos revolucionários em todo o mundo e a luta anti-colonial. As revoluções alemãs de 1918, 1919 e 1923; a insurreição finlandesa de 1918; a criação da República Soviética Húngara em 1919; a greve insurrecional de 1917 em Turim, e a greve geral de 1920 em toda a Itália, seguida da ocupação das fábricas; a revolta da armada francesa do Mar Negro, em 1919, o aumento do movimento grevista na França e na Inglaterra; a criação da Internacional Comunista em 1919 e o surgimento de Partidos Comunistas nos principais países; enfim, a crescente simpatia da classe operária e dos povos coloniais pela URSS, criaram uma situação de profunda crise para o sistema capitalista. Diante dessa crise - ao mesmo tempo econômica, política e social - o grande capital, deixando de lado quaisquer veleidades democráticas, optou por governos autoritários de caráter fascista.

Em 1922, Mussolini - após a “marcha sobre Roma” - é chamado pelo rei para formar o governo e instaura o fascismo na Itália, com o beneplácito do grande capital, do Vaticano e das democracias ocidentais[. Três anos depois toda e qualquer oposição seria banida. Em 1923, o general Primo de Rivera impõe uma ditadura militar na Espanha, enquanto que na Bulgária se instala o governo Zankov, fruto de um outro golpe militar. Na Alemanha, Hitler e Lüdendorff conclamam em Munique à “marcha sobre Berlim”, mas são desbaratados. Em 1926, Polónia, Portugal e Lituânia substituem a democracia liberal por regimes autoritários. Em 1929, a Iugoslávia sofre o auto-golpe de estado do rei Alexandre.

A crise de 1929 - cujos efeitos se estendem pelo menos até 1933 - terá por conseqüência o acirramento das lutas sociais e o reforço das tendências fascistas do grande capital em todo o mundo, em especial na Europa. Em 1932, forma-se o governo Salazar em Portugal e a Lituânia torna-se um Estado autoritário, de partido único. Em 1933, depois de uma vitória eleitoral, Hitler é nomeado chanceler, assume o poder e, em nome do nacionalismo e do anticomunismo, implanta o nazismo na Alemanha. No mesmo ano, Dollfus dá um golpe de estado e instaura uma ditadura marcadamente fascista na Áustria. Em 1934 são instalados governos ditatoriais na Estônia (Konstantin Paets) e na Letônia (Karlis Ulmanis). Na França a tentativa de golpe fascista dos bandos armados dos Croix de Feux e dos Cavaleiros do Rei é derrotada pela resistência popular. Em 1936, o general Franco - com o apoio da Alemanha e da Itália - levanta-se contra o governo republicano, dando início à guerra civil espanhola. Nesse mesmo ano, o general Metaxas dá um golpe de estado na Grécia. Salvo a França e alguns países Escandinavos, praticamente toda a Europa continental está submetida a governos fascistas ou filo-fascistas. Mesmo nesses países onde a democracia liberal se mantém, importantes setores das classes dominantes olham com simpatia o fenómeno fascista. No Japão, o primeiro ministro Konoye Fuminaro proclama em 1938 a instauração de uma “Nova Ordem” na Ásia Oriental, fecha os partidos políticos e cria o partido único em 1940.

Anónimo disse...

A POLÍTICA DE “APAZIGUAMENTO”

Considera-se o 1º de setembro de 1939, dia do início da invasão da Polônia pela Alemanha, como a data do início da 2ª Guerra Mundial. Mas, pode-se dizer que, de certa forma, esta já havia iniciado bem antes, através de uma série de agressões localizadas entre 1931 e 1939, só tendo se ampliado com o ataque à Polônia.
O primeiro elo dessa corrente de agressões ocorreu em setembro de 1931, quando o Japão invadiu a Mandchúria, no Nordeste da China e na fronteira da URSS. O governo de Chiang Kai-chek, em luta contra os comunistas chineses, não ofereceu uma resistência efectiva aos invasores japoneses. Estes, criaram no território ocupado a República “independente” do Mandchuko, colocando a sua frente um governo fantoche. A China apelou à Sociedade das Nações e às democracias ocidentais, que nada fizeram: “A Grã-Bretanha, preocupada pela depressão económica, se negou a prestar o seu apoio às sanções contra o Japão.” Os EUA, directamente atingidos por essa expansão japonesa (que contrariava frontalmente as resoluções da Conferência de Washington), também aceitou a ocupação japonesa.

Ficava claro que tanto a Sociedade das Nações (França, Inglaterra, Itália, Japão) como os Estados Unidos - apesar do seu discurso em defesa da autonomia dos povos e em defesa da paz - moviam-se unicamente em função de seus interesses estratégicos: o grande inimigo a isolar era a URSS.

A ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, em 1933, também pode ser considerada como mais um passo no rumo da 2ª Guerra Mundial. Apesar disso, contou com a decidida simpatia das elites dirigentes e o apoio do grande capital das principais democracias capitalistas que consideravam que “a Alemanha deveria se tornar a potência dominante sobre o continente europeu e que o nacional-socialismo era a única barreira contra o comunismo.” Aliás, Hitler soube jogar magistralmente com a histeria anticomunista da burguesia mundial, arrancando-lhe concessões crescentes em nome do combate ao “bolchevismo”. Já em 1924, no penúltimo capítulo de Mein Kampf - intitulado “Orientação para leste ou política de leste” - Hitler afirmara:

Nós, os nacionais-socialistas (…) Fazemos parar a eterna corrente germânica em direção ao sul e ao ocidente da Europa e lançamos a vista para as terras de leste. (…) Quando, hoje em dia, falamos, na Europa, de nosso solo, pensamos, em primeira linha, somente na Rússia e Estados adjacentes, a ela subordinados. O próprio destino parece querer nos indicar a direcção. O destino ao abandonar a Rússia ao bolchevismo, roubou ao povo russo a classe educada que criara e garantira a sua existência como Estado. (…) Devemos enxergar no bolchevismo russo a tentativa do judaísmo, no século vinte, de apoderar-se do domínio do mundo. (…) Não é a orientação para o Ocidente e para o Oriente que deve ser o futuro objectivo de nossa política externa e, sim, a política do Oriente necessária ao nosso povo.

Deixando claro o sentimento das democracias ocidentais em relação ao nazismo, o primeiro ministro inglês Baldwin diria na época: “Todos nós temos conhecimento do desejo da Alemanha de avançar em direcção ao Leste., exposto por Hitler no seu livro. Se avançasse para o Leste, o meu coração não se partiria... Se na Europa surgisse uma disputa, eu gostaria que fosse entre os bolcheviques e os nazistas.”

Anónimo disse...

O rearmamento alemão

Em março de 1935, a Alemanha declarou formalmente que não reconhecia mais as restrições militares do Tratado de Versalhes, ampliou as suas forças terrestres para 12 corpos de exército e 36 divisões, criou a sua Força Aérea e restabeleceu o serviço militar obrigatório. As “potências” ocidentais e a Sociedade das Nações, afora tímidas notas formais de protesto, nada fizeram. Na Inglaterra, essa política de fortalecimento militar da Alemanha correspondia à política do chamado grupo de Cleveden - organizado por Neville Chamberlain, Lord Halifax e o casal Astor - que considerava ser “necessário criar uma frente das potências capitalistas, onde o Império Britânico e a França exerceriam seu poder nos impérios coloniais, e à Alemanha caberia a tarefa de dominar a Europa centro-oriental, destruindo o Estado Soviético e o movimento operário no continente.” Como anotaria em suas Memórias Ernst Heinkel, o construtor de aviões nazi:

Os políticos desses países, que de início haviam condenado o armamento da Alemanha, incentivaram-na, eles próprios, a armar-se, e (…) alguns anos mais tarde, engenheiros e militares desses países vieram consultar os técnicos alemães sobre a forma de acelerar a participação da Alemanha no armamento da Europa, afastando as restrições impostas.

Explorando esse anticomunismo, Hitler assinou em janeiro de 1934 um pacto de não-agressão com a Polónia de Pilsudski (que tinha o general Beck como Ministro do Exterior). A 2 de maio de 1935, com o objectivo de satisfazer a opinião pública francesa, Pierre Laval assina um pacto franco-soviético, mas não demonstra a mínima vontade de concretizá-lo. Em junho de 1935, depois de intensas negociações secretas, à revelia da França e transgredindo o Tratado de Versalhes, foi assinado o Acordo Naval Anglo-Germânico, pelo qual a Alemanha obteve o direito de quadruplicar a sua frota, até atingir 35% do poderio marítimo inglês, e de construir submarinos. No mesmo ano, o Sarre foi reincorporado à Alemanha, com seus imensos recursos económicos.

Em julho de 1935, reunido em Moscovo, o VII Congresso da Internacional Comunista afirmava que o fascismo “não é uma simples mudança de um governo por outro, mas antes a substituição de uma forma estatal de domínio de classe da burguesia – a democracia burguesa – por outra: pela ditadura terrorista declarada”. Conclamou à frente única operária e definiu a Alemanha como o principal inimigo da paz, junto com o Japão e a Itália. Tendo em vista que a agressão fascista ameaçava outros países além da URSS, o congresso concluiu que “a guerra que a burguesia desse país travar para repelir esse ataque pode tomar o carácter de uma guerra de libertação, na qual não podem deixar de intervir a classe operária nem os comunistas do país em questão.”

Anónimo disse...

Agressão à Abissínia, militarização da Renânia, Guerra Civil Espanhola, ocupação da Mandchúria

Encorajada por tanta impunidade, em outubro de 1935 a Itália lançou as suas tropas contra a Abissínia, violando os Estatutos da Sociedade das Nações. Esta, depois do repudiado plano Hoare-Laval - que entregava a metade da Abissínia para a Itália - “um belo exemplo, depois repetido em Munique, de usar a máquina da paz contra a vítima da agressão”[38], determinou unicamente um embargo comercial parcial, autorizando a venda à Itália de petróleo e outros produtos vitais para a sua ação militar.[39] Em maio de 1936, depois de massacrar a população abissínia, inclusive com o uso de gases tóxicos, as tropas italianas entraram em Addis-Abeba e proclamaram Victor Emmanuel III imperador da Etiópia.

Em março de 1936 - transgredindo abertamente o tratado de Versalhes - a Alemanha ocupou a Renânia desmilitarizada com somente 3 batalhões, atingindo a fronteira franco-alemã. A França esboçou a mobilização de 12 divisões, mas antes consultou se a Inglaterra também agiria. Diante da resposta negativa, nada fez, apesar da superioridade absoluta de forças que tinha sobre a Alemanha. Também os Estados Unidos deram o seu beneplácito a mais essa investida nazista. Atemorizada, a Bélgica retirou-se do Pacto de Locarno e da aliança com Grã-Bretanha e França, e declarou-se neutra. No mesmo ano, a Alemanha deu início a construção na Renânia da Linha Sigfried.

Em julho de 1936, o general Franco colocou-se à frente de um levante de caráter fascista contra o governo republicano da Espanha, com total apoio da Itália e da Alemanha:

Em 28 de julho de 1936, no início do conflito, quando parecia que Franco não poderia transportar seus mouros e legionários de Marrocos à península, Hitler lhe enviou 30 aviões Junker de transporte para cruzar o estreito. Esta ajuda foi seguida por um rio de munições, canhões, tropas, aviões, pilotos e mecânicos, enviados com o beneplácito de Hitler e Mussolini. Em 1937, Franco tinha sob o seu mando 30.000 soldados italianos e 12.000 alemães. Chegou a ter até 100.000 soldados italianos. O Papa também prestou a sua ajuda espiritual a Franco “este leal filho da Igreja”. As tropas italianas que embarcavam para a Espanha recebiam a benção papal antes de abandonar o solo italiano. [40]

Tão logo iniciou a guerra civil espanhola, a França, a Inglaterra, a Alemanha e a Itália criaram um hipócrita Comitê de Não Intervenção - que colocava em pé de igualdade o legítimo governo da República e os militares rebelados - e que fazia “olhos de mercador” à intervenção aberta da Alemanha e da Itália em favor dos fascistas espanhóis. Enquanto estas duas potências do Eixo inundavam a Espanha com suas armas e tropas, a França, a Inglaterra e os Estados Unidos se negavam a vender armas ao governo republicano, sob o pretexto de “não intervenção”, e ainda impunham esse embargo ao resto do mundo. Só a União Soviética - apesar do seu isolamento, e dos riscos que isto envolvia - ousou romper esse bloqueio que as “democracias liberais” e o nazi-fascismo impuseram ao governo republicano da Espanha, fornecendo-lhe apoio material e político.[41] Depois de longos três anos de luta - durante os quais antifascistas de todo o mundo combateram lado a lado com o povo espanhol nas famosas brigadas internacionais - em março de 1939 a Republica Espanhola foi derrotada.

Anónimo disse...

Em outubro de 1936, a Alemanha e a Itália criaram um bloco militar denominado “Eixo Berlim-Roma”.Em Novembro do mesmo ano, a Alemanha e o Japão assinaram o Pacto Anticomintern que - com o objetivo de ganhar a simpatia dos meios dirigentes da Inglaterra e da França - conclamava a uma luta comum contra as actividades da Internacional Comunista, dentro e fora dos seus países. Em 1937, a Itália aderiu a ele. Em Abril de 1939, um mês após a sua vitória, Franco fez o mesmo.

Em Julho de 1937, o Japão - que já ocupara impunemente a Mandchúria - se lançou sobre o resto da China. Uma a uma, foram caindo as principais cidades chinesas: Nanquim (Dezembro de 1937), Cantão (Outubro de 1938), Hankow (Outubro de 1938). Virtualmente derrotada a resistência de Chiag-Kai-chek, os japoneses impõem o governo fantoche pró-japonês de Wang Ching-Wei. Em Fevereiro de 1939, foi tomada a ilha de Hainan, posição estratégica para um posterior assalto à Indochina francesa. Washington e Londres limitaram-se a enviar notas formais de protesto a Tóquio, enquanto na prática contribuíam para o esforço de guerra japonês. Mais uma vez, a URSS foi o único país a opor-se a essa agressão. Na verdade, as “aspirações expansionistas do Japão não encontram resistência por parte dos círculos imperialistas dos EUA, da Inglaterra e da França, que contavam aproveitar a possibilidade que se lhes oferecia para reprimir o movimento revolucionário na China e atacar a União Soviética.” Dando razão a esses círculos, em 1938 o Japão empreendeu, a partir da Mandchúria, um ataque armado directo à URSS, na região do lago Khassan, mas foi derrotado.

Anónimo disse...

Em outubro de 1936, a Alemanha e a Itália criaram um bloco militar denominado “Eixo Berlim-Roma”.Em Novembro do mesmo ano, a Alemanha e o Japão assinaram o Pacto Anticomintern que - com o objetivo de ganhar a simpatia dos meios dirigentes da Inglaterra e da França - conclamava a uma luta comum contra as actividades da Internacional Comunista, dentro e fora dos seus países. Em 1937, a Itália aderiu a ele. Em Abril de 1939, um mês após a sua vitória, Franco fez o mesmo.

Em Julho de 1937, o Japão - que já ocupara impunemente a Mandchúria - se lançou sobre o resto da China. Uma a uma, foram caindo as principais cidades chinesas: Nanquim (Dezembro de 1937), Cantão (Outubro de 1938), Hankow (Outubro de 1938). Virtualmente derrotada a resistência de Chiag-Kai-chek, os japoneses impõem o governo fantoche pró-japonês de Wang Ching-Wei. Em Fevereiro de 1939, foi tomada a ilha de Hainan, posição estratégica para um posterior assalto à Indochina francesa. Washington e Londres limitaram-se a enviar notas formais de protesto a Tóquio, enquanto na prática contribuíam para o esforço de guerra japonês. Mais uma vez, a URSS foi o único país a opor-se a essa agressão. Na verdade, as “aspirações expansionistas do Japão não encontram resistência por parte dos círculos imperialistas dos EUA, da Inglaterra e da França, que contavam aproveitar a possibilidade que se lhes oferecia para reprimir o movimento revolucionário na China e atacar a União Soviética.” Dando razão a esses círculos, em 1938 o Japão empreendeu, a partir da Mandchúria, um ataque armado directo à URSS, na região do lago Khassan, mas foi derrotado.

Anónimo disse...

A anexação da Áustria

Dentro da estratégia das democracias ocidentais de incentivar a expansão da Alemanha nazi para o leste e de lançá-la contra a União Soviética, a França e a Inglaterra passaram a sinalizar o seu beneplácito em relação às pretensões de Hitler quanto à Áustria, à Checoslováquia e a Dantzig, desde que não fosse usada a violência. Em Novembro de 1937, Lord Halifax entrevistou-se com Hitler:
Halifax disse tudo o que Hitler esperava ouvir. Elogiou a Alemanha nazista “como o baluarte da Europa contra o bolchevismo”, e evidenciou simpatia para com as reivindicações alemãs. Deteve-se particularmente em certas questões onde “alterações possíveis poderiam estar destinadas a se resolverem com o passar do tempo.” Eram Dantzig, Áustria a Checoslováquia. “A Inglaterra está interessada em que qualquer alteração se faça por meio da evolução pacífica e se evitem métodos que possam causar perturbações de longo alcance.” (...) As observações de Halifax (...) eram um convite a Hitler para promover a agitação nacionalista alemã em Dantzig, Checoslováquia e Áustria, e uma garantia de que a agitação não encontraria resistência externa. Tais insinuações não foram feitas apenas por Halifax. Em Londres, Eden disse a Ribbentrop: “O povo da Inglaterra reconhece que uma maior aproximação entre a Alemanha e a Áustria terá de ocorrer algum dia”. As mesmas notícias vinham da França. Papen, numa visita a Paris, “surpreendeu-se ao notar” que Chautemps, o ‘premier’, e Bonnet, então Ministro das Finanças (...) não tinham objeções a uma acentuada ampliação da influência da Alemanha na Áustria”, obtida através de “meios evolucionários”, nem na Checoslováquia “na base da reorganização numa acção de nacionalidades”

Estavam preparadas as condições para que o ano de 1938 ficasse gravado na história como o ano da anexação da Áustria e da capitulação de Munique. Estas acções foram precedida de uma intensa actividade diplomática de Hitler:

Já em Novembro de 1937 recebera da Inglaterra garantias nesse sentido. Elas foram confirmadas por Henderson, embaixador britânico em Berlim. A 3 de Março de 1938, Henderson informou Hitler, em carácter estritamente confidencial, que era favorável ao Anschluss [V. Documentos e Materiais das Vésperas da Segunda Guerra Mundial, t.. I, Moscou 1948, p. 70]. Em começos de 1938, durante suas entrevistas em Berlim com o ex-presidente dos Estados Unidos Herbert Hoover, Hitler recebera as mesmas garantias. (…) em Setembro de 1937 Hitler obtivera o consentimento de Mussolini para essa operação. (…) A Áustria estava entregue aos nazis.

Agora só faltava o golpe de misericórdia. Depois de ordenar a Seyss-Inquart, chefe dos nazis austríacos que intensificasse as agitações pró-Alemanha na Áustria, Hitler mandou chamar o chanceler Schuschnigg, a quem ameaçou com uma imediata invasão do país e apresentou um ultimato:

Todos os austríacos tinham que aceitar a doutrina do nacional-socialismo; os nazis austríacos poderiam se dedicar sem impedimento algum a suas “actividades legais”; todos os nazis encarcerados, inclusive os assassinos de Dollfuss, tinham que ser postos em liberdade; havia que nomear Seysss-Inquart ministro do Interior, e o exército austríaco tinha que aceitar imediatamente no seu seio uma centena de oficiais do exército alemão. Depois de dez horas (…) Schuschnigg aceitou a maioria das exigências, acrescentando que desejava esclarecer alguns pontos com o presidente Wilhelm Miklas.

Anónimo disse...

De volta à Áustria, Schuschnigg convocou um plebiscito para 13 março de 1938 para decidir sobre o futuro da Áustria. Furioso, Hitler exigiu que o plebiscito fosse suspenso e ordenou a Wehrmacht que se mantivessem pronta para invadir a Áustria. Abandonado pelas democracias ocidentais, Schüschnigg capitulou, afirmando na radio que “tivemos que inclinar-nos ante a força, pois não estamos dispostos, sequer nesta terrível situação, a derramar sangue alemão. Ordenamos ao exército austríaco que se retire, sem oferecer resistência.”. A meia noite do dia 11 de Março de 1938, Seyss-Inquart foi nomeado chanceler da Áustria, momento em que as primeiras unidades alemãs já estavam cruzando a fronteira. Ao meio dia Viena foi ocupada pelas tropas da Alemanha. O presidente Miklas se demitiu. Schuschnigg foi mantido encarcerado durante 17 meses. Hitler declarou a Áustria nova Land (província) do Reich sob o nome de Ostmark, tendo Seyss-Inquart como regente:

País capitalista algum protesta, nem mesmo pró forma, contra este ato de agressão A Inglaterra e a França reconhecem imediatamente a anexação. Os Estados Unidos fecham a embaixada em Viena e a substituem por um Consulado. O Vaticano tampouco se opõe à ocupação da Áustria católica.

Diferentemente das democracias liberais, a URSS condenou a agressão e conclamou todos a se oporem aos invasores. A resposta foi a contemporização com o agressor:

Quando em 18 de Março, a União Soviética solicitou que se adoptasse uma acção coletiva contra aquela evidente agressão, o primeiro-ministro Neville Chamberlain, replicou timidamente que ele não queria estabelecer “um grupo exclusivo de nações que torpedeasse as perspectivas de paz na Europa.” As sombras do apaziguamento começaram a estender-se sobre a Europa.

Com a ocupação da Áustria, a Alemanha dava mais um importante passo para a guerra. Além de aumentar sua “Grande Alemanha” em mais de 6.500.000 habitantes, no terreno estratégico Hitler havia tomado a chave do sistema de comunicações do Danúbio, estabeleceu fronteiras com a Itália e cercou a Checoslováquia. Como expôs Jodl, chefe do Gabinete de Operações do Grande Quartel-General Alemão:

A Anschluss permitiu, por sua vez, atingir não somente um antigo objectivo nacional, mas teve como resultado um crescimento de nossa capacidade de combate e um melhoramento notável de nossas posições estratégicas. Se até então o território da Checoslováquia avançara ameaçadoramente dentro da própria Alemanha, (“Ferrão de vespa” em direcção da França e base aérea para os aliados, sobretudo para a Rússia), agora a Checoslováquia se acha presa nos dentes de uma tenaz.

Anónimo disse...

Começamos a ver que a declaração de guerra à Alemanha por parte das potências ocidentais ia sendo adiada consecutivamente pelos objectivos atrás expostos.

Começamos a ver a causa do desespero de quem se vê assim tão sistematicamente desmascarado.

Só resta mesmo a este Jose o insulto soez para tentar esconder aquilo que pouco a pouco se vai revelando. Aqui há não só impotência factual mas sobretudo má-fé militante, ao serviço duma ideologia sinistra. Como se confirmará a seguir

Anónimo disse...

A capitulação de Munique

Os círculos mais reacionários da Inglaterra - tomados pela miopia, e preocupados somente em dirigir o avanço alemão para o Leste - passaram a incentivar novos atos de agressão da Alemanha. Já no dia 14 de março de 1938, o jornal britânico The Daily Express afirmava: “A ocupação da Áustria pela Alemanha não muda nada. Afinal de contas a Áustria era um país germânico mesmo antes de Hitler enviar para lá suas tropas. Devemo-nos ocupar de nossos próprios negócios. A Checoslováquia não nos interessa.” Em 16 de abril de 1938, foi firmado o acordo anglo-italiano, dando carta branca aos italianos na Abissínia e total liberdade para agirem em favor de Franco na Espanha, em troca dos bons ofícios italianos na Europa Central. Em carta a Eden, Churchill comentaria:

O pacto italiano é, desde logo, um completo triunfo para Mussolini, já que aceitamos (...) que consolide a sua conquista da Abissínia e que execute violências na Espanha. (...) Eu creio que o pacto anglo-italiano seja só um primeiro passo, e que o segundo consistirá em uma tentativa de negociar com Alemanha um tratado ainda mais enganador que adormeça o público britânico enquanto permite crescer as forças armadas alemãs e desenvolverem-se os planos da Alemanha no Leste da Europa. Na semana passada, Chamberlain disse em segredo (...) que “não abandonava a esperança de alcançar acordos semelhantes com Alemanha”.

Estava aberto o caminho para a agressão à Checoslováquia. Em maio de 1938, alegando perseguição aos alemães que viviam nos Sudetas, Hitler faz ameaças e desloca tropas para a fronteira checa. Estes respondem concentrando 400.000 homens na fronteira e recebem o apoio da União Soviética, da Inglaterra e da França. Hitler recuou momentaneamente, mas orientou Henlein, o chefe nazista nos Sudetas, a intensificar as acções dos seus seguidores. Ao mesmo tempo, intensificou as pressões diplomáticas sobre a França e a Inglaterra. Temeroso, Chamberlain - em acordo com a França - enviou Lord Runciman a Praga, na qualidade de árbitro oficioso. Pressionados por Runciman, os checos fizeram grandes concessões: concordaram em dividir a Checoslováquia em cantões (como a Suíça), garantir a participação proporcional de todas as nacionalidades no governo e na direcção das empresas do Estado, conceder de empréstimos aos Sudetas para melhorar sua situação económica. Mas quanto mais cediam, mais Hitler ameaçava e intensificava a agitação nos Sudetas, a ponto do presidente Benes se obrigar a proclamar a lei marcial.

Apavorado, Chamberlain tomou um avião em Londres e aterrizou em Berchtesgaden no dia 15 de Setembro de 1938. Era a primeira das três humilhantes viagens feitas por ele à Alemanha, na tentativa de apaziguar Hitler. Este foi enfático: os Sudetas deviam ser imediatamente incorporados ao Terceiro Reich, senão estalaria a guerra geral: Chamberlain afirmou que se Hitler não queria nada mais que os Sudetas alemães a Inglaterra não se oporia a isso, e só pediu alguns dias para consultar o seu ministério. De regresso a Londres, conferenciou com os membros do seu gabinete e com o presidente do Conselho Francês, Eduardo Daladier, e seus ministro de Assuntos Exteriores, George Bonnet. Entrementes, Hitler buscava o apoio da Polónia para a sua agressão à Checoslováquia. Aproveitando-se da situação difícil em que esse país se encontrava, o reacionário governo de Varsóvia reivindicou a região de Teschen, rica em carvão, e assegurou que não vacilaria em usar a força para conquistá-la.

Anónimo disse...

No dia 20 de Setembro, sem qualquer consulta a Praga, a Inglaterra e a França comunicaram à Checoslováquia que, para evitar a guerra, ela deveria entregar todas as regiões habitadas por maiorias alemãs a Hitler, anular o Tratado soviético-checoslovaco de assistência mútua, assinar um acordo económico com a Alemanha (francamente desfavorável) e proibir toda propaganda antifascista. Se aceitasse essas condições, a Inglaterra e a França se comprometiam em garantir a sua independência. Caso contrário, retirariam suas garantias. O gabinete checo decidiu ceder e apresentou a sua demissão. No dia 22 Chamberlain foi ao encontro de Hitler em Godesberg para entregar-lhe os Sudetas. Mas Hitler declarou que agora não bastavam essas condições, que a Alemanha exigia a imediata ocupação de todas as regiões de fala alemã no país e dava o prazo até 1º de outubro para que os checos aceitassem. Atordoado, o chanceler britânico voltou a Londres, para novas conversações com os franceses. Indignados, os checos rechaçaram o ultimato de Godesberg:

Mal a nota de rejeição havia sido recebida pelos enviados inglês e francês em Praga, às cinco da tarde do dia 19, já o ministro britânico, Sir Basil Newton, avisou o Ministro do Exterior checo, Dr. Kamil Krofta de que se o governo checo a ela se apegasse a Inglaterra se desinteressaria do destino do país. M. De Lacroix, o embaixador francês, associou-se a essa declaração, em nome da França.

Anónimo disse...

Mas a realidade ainda é pior do que a até aqui apresentada:

A Inglaterra sinalizava conceder tudo o que Hitler exigia:

Os ingleses também estavam se movendo: se sabe que a FA interceptou a chamada que Chamberlain havia feito à sua Embaixada em Berlim às 11h30 anunciando que estava pronto para ir outra vez à Alemanha. Às 12h30, enquanto François-Poncet se ia, chegou Henderson com a proposta oficial de Chamberlain de que as cinco potências celebrassem uma conferência: “Estou pronto para ir eu mesmo a Berlim.” (…) O embaixador Attolico voltou às 2h40 (…) Durante a tarde se convidou as outras duas potências, Grã-Bretanha e França, à conferência. As duas aceitaram, Checoslováquia não recebeu o convite. (…) Hitler explicou que não estava disposto a perder tempo com plebiscitos nas zonas em litígio. (…) Já que só pedia as zonas de fala alemã e as outras três potências estavam de acordo com isso, o única que restava por tratar era o modo de levar a cabo a separação. (…) o único obstáculo era a evacuação imediata dos territórios por parte dos checos. (…) Às primeiras horas da madrugada se firmava o acordo de Munique. (…) Chamberlain pediu a Hitler a garantia de que - supondo que os checos fossem tão arrogantes como para rechaçar os acordos de Munique - a aviação não bombardearia alvos civis. Hitler prometeu.

Formalizando a capitulação, o Acordo de Munique foi assinado junto com um tratado de amizade anglo-germânico, tendo por signatários Hitler e Chamberlain. Além de entregar os Sudetas e seus 3.100.000 habitantes à Alemanha - impunha que a Checoslováquia resolvesse o problema das minorias nacionais polaca e húngara. Autorizava os exércitos alemães a entrarem na Checoslováquia no dia 1º de Outubro e exigia que os checos abandonassem nas regiões ocupadas toda a classe de bens, em especial as munições. Além de entregar as suas defesas naturais, os checos estavam proibidos de destruir as fortificações que haviam construído. Cinco semanas depois, Hitler se vangloriava: “Só vim a compreender a magnitude de tudo aquilo no momento em que me vi pela primeira vez no meio da linha fortificada checa: me dei conta do que significava ter tomado toda uma frente de quase dois mil quilómetros de fortificações sem haver disparado nem um só tiro.” O Acordo ainda previa a realização de plebiscitos em outras partes da Checoslováquia. Assinado o acordo, os representantes do governo checo foram convidados a comparecer na sala de sessões, sendo-lhes dito pelo representante francês que era um veredicto sem apelo e sem correções possíveis. Nos círculos dirigentes de todas as potências capitalistas o júbilo foi enorme. Dava-se mais um passo no sentido de empurrar a Alemanha para o leste. Sumner Welles, Sub-Secretário de Estado dos Estados Unidos assim caracterizou o ponto de vista desses círculos:

Naquele anos de pré-guerra, os grandes grupos financeiros e comerciais das democracias ocidentais, inclusive numerosos grupos dos Estados Unidos, estavam persuadidos que a guerra entre a União Soviética e a Alemanha só podia ser favorável a seus próprios interesses. Estimavam que a Rússia sofreria uma derrota inevitável e que o comunismo seria aniquilado. Mas, em conseqüência do conflito, a Alemanha ficaria tão enfraquecida que, por longos anos, seria incapaz de apresentar um perigo real para o resto do mundo.[

Anónimo disse...

É preciso que se registe que durante todo o período em que a Inglaterra e a França planeavam a entrega da Checoslováquia, a União Soviética - mantida a margem de qualquer negociação - reafirmava a sua firme disposição de honrar os compromissos que havia assumido em relação àquela nação, inclusive através de um pronunciamento público de Litvinov da tribuna da Sociedade das Nações, em 21 de Setembro de 1938:

O texto do tratado continha uma cláusula que fora introduzida às instâncias de Benes. Estabelecia que os compromisso do tratado soviético-checoslovaco eram válidos somente se a França executasse os seus, assumidos diante da União Soviética ou da Checoslováquia. No momento mais critico da luta em torno do problema, quando tornou claro que a França não cumpriria os compromissos assumidos, a União Soviética recusou-se a “tirar vantagens” desta cláusula. O Governo soviético declarou oficialmente que estava disposto a levar uma ajuda militar à Checoslováquia mesmo que a França não o fizesse e mesmo que a Polônia ou a Romênia impedissem a passagem das tropas soviéticas. Mas ressaltava que a ajuda seria concedida com a condição de que “a Checoslováquia se defendesse e solicitasse a ajuda soviética.
Para as fronteiras ocidentais da URSS foi deslocado um grande agrupamento de tropas. Em 28 de Setembro estavam preparadas para serem expedidas para a Checoslováquia 4 brigadas de aviação (548 aviões de combate), o que foi comunicado ao adido militar francês na URSS, Pallasse, e ao governo checoslovaco. Contudo, o governo Benes-Hodza tomou pela via da traição nacional e preferiu capitular, o que não permitiu à URSS ajudar em 1938 o povo checoslovaco e abriu aos nazis o caminho para a completa ocupação e desmembramento do país.

Anónimo disse...

Depois de apropriar-se da terceira parte do país e de quase um terço da sua população, Hitler apresentou novas demandas: a construção de uma estrada de carácter militar através do país, o direito de arbitrar a sorte da Eslováquia e da Rutênia e a fixação dos territórios que caberiam à Hungria e à Polónia. Assim, no início de Novembro Hitler obrigou os checos a cederem Teschen aos polacos, e as áreas fronteiriças da Eslováquia e da Rutênia à Hungria. A vitória de Hitler foi total:

O ajuste definitivo de 20 de Novembro de 1938 forçou a Checoslováquia a entregar à Alemanha 11.000 milhas quadradas de território, onde viviam 2.800.000 sudatos alemães e 800.000 checos. Nessa área estavam todas as imensas fortificações checas que constituíam até então a mais formidável linha defensiva na Europa, com a possível excepção da linha Maginot, na França. Mas não era tudo. Todo o sistema ferroviário, rodoviário, telegráfico e telefónico de comunicações foi destruído. Segundo os algarismos alemães, o país desmembrado perdeu 66% de seu carvão, 80% de sua linhite, 86% de suas substâncias químicas, 80% de seu cimento, 80% de seus têxteis, 70% de seu ferro e aço, 70% de seu potencial elétrico e 40% de suas florestas.

Esquartejada a Checoslováquia, Ribbentrop viajou para a França, em Dezembro de 1938, para assinar com Bonnet um pacto franco-alemão que - em troca do reconhecimento por Hitler do status quo na Alsácia-Lorena - deixava livres as mãos da Alemanha no Leste. Poucos dias depois da assinatura desse acordo, Bonnet foi interrogado no Comitê de Relações Exteriores da Câmara “se a França cumpriria suas obrigações pelos pactos franco-polaco e franco-soviético, se esses países fossem atacados. Bonnet respondeu que não acreditava que qualquer desses dois países fosse capaz de se defender contra a Alemanha nazi. Acrescentou que novos movimentos alemães no leste não alterariam a posição estratégica da França.” O recado era claro. Coulondre, embaixador francês em Berlim, escreverá a Bonnet:

Com efeito, o desejo de expansão para o Leste por parte do III Reich parece-me tão certa como a sua renúncia, pelo menos de momento, a qualquer conquista no Ocidente (...) quer-me parecer que se vê desenhar pouco a pouco (...) as formas do grande empreendimento alemão: tornar-se senhor da Europa Central, tornando seus vassalos a Checoslováquia e a Hungria, e criar depois a grande Ucrânia sob hegemonia alemã (...) Para tanto, seria necessário dominar a Roménia, convencer a Polónia, espoliar a URSS (...) nos meios militares já se fala da cavalgada até ao Cáucaso e a Baku.

Analisando esses acontecimentos em Outubro de 1938, quase um ano antes do ataque à Polónia, um atilado e privilegiado observador registou: “a guerra é hoje mais provável do que nunca (...) deverá irromper depois das próximas colheitas (...) a Polónia é, sem dúvida alguma a próxima vítima da lista de Hitler (a estupidez cega dos polacos durante a recente crise, auxiliando a destruição da Checoslováquia)”

Anónimo disse...

A destruição final da Checoslováquia

Nos primeiros dias de março de 1939, instigados por Hitler, os separatistas da Eslováquia e da Rutênia proclamaram a sua independência. O governo checoslovaco demitiu, a 6 de março o governo autônomo da Rutênia e, no dia 9 de março, o seu similar eslovaco, e decretou a lei marcial. Imediatamente, Hitler convocou a Berlim o presidente checo Emil Hacha (Benes havia se refugiado nos EUA), comunicando-lhe que a Wermacht ia invadir a Bohemia e a Morávia, mas se ele assinasse a capitulação não haveria derramamento de sangue. Na madrugada do dia 15 de Março de 1939:, sem a esperança de qualquer apoio da Inglaterra ou da França, Hacha assinou a rendição:
O acordo principal se assinou pouco antes das 4 da manhã. Em um segundo documento, Hacha aprovava a entrega imediata aos alemães da aviação e do armamento checo. (…) Enquanto iniciava a sua invasão da Checoslováquia, as 8h02 da manhã o trem especial de Hitler saía da estação de Anhalt. (…) Keitel mantinha Hitler informado sobre o avanço do exército. As 9 da manhã, este já se encontrava nas ruas de Praga. Não houve derramamento e sangue. (…) As 4 da tarde, levantaram a barreira da fronteira para que Hitler entrasse na Checoslováquia (…) Chegou a Praga ao entardecer. (…) Começou a ditar uma lei que estabelecia um sistema de “Protetorado” alemão sobre a Bohemia e a Morávia. (…) A primeira reacção procedente de Londres foi a de tomar o assunto como se não fosse de sua incumbência (…) uma semana depois, Chamberlain se serviu de um intermediário para assegurar a Hitler que estava a favor da acção que a Alemanha havia levado a cabo, ainda que não pudesse dizê-lo de público por encontra-se a mercê de irados ataques de Churchill e companhia. (…) o controle de Praga pôs a disposição de Hitler as reservas de ouro que necessitava para superar o enorme déficit orçamentário do Reich; lhe proporcionava, ainda, aeroportos com que ameaçar a Polónia e a Rússia; e uma redução de mil e seiscentos quilómetros de frente para defender. Lhe proporcionava tanques, artilharia e aviação checas; além disso, colocava a Romênia e a Iugoslávia em suas mãos, pois os exércitos desses países se equipavam em grande parte graças à fábrica de armas Skoda de Pilsen

Há mais ainda

Anónimo disse...

Depois de ocupar toda Checoslováquia e anexar a Bohemia e a Morávia, Hitler transformou a Eslováquia num domínio dirigido por um governo fantoche. A imprensa reaccionária dos EUA, Inglaterra e França aconselhava Hitler a unir a Ucrânia Soviética à Ucrânia Subcarpática, induzindo a Alemanha a uma guerra com a URSS. Bullit, embaixador dos EUA em Paris, informou seu governo:
A Alemanha tentará apoderar-se da Ucrânia, que é o celeiro da União Soviética. Ao faze-lo, a Alemanha se extenuará de tal maneira que não poderá sustentar o esforço e acabará se esfacelando. O Japão ocupará ou tentará ocupar a Sibéria e desmoronará igualmente em conseqüência de um esforço demasiado grande. Abandonando a Rússia à sua sorte, a Inglaterra e a França afastarão a ameaça de seus próprios países.

Mais prudente, a Alemanha entregou a Ucrânia Subcarpática à Hungria, evitando um conflito com a União Soviética. O que as democracias ocidentais ainda não haviam percebido é que a Alemanha considerava a guerra com a URSS uma prova muito difícil e entendia necessário - antes de atacá-la - fortalecer-se no ocidente, principalmente pela derrota da França que podia ameaçar-lhe o flanco, na região estratégica do Rhur, maior centro industrial do país.

A União Soviética foi a única a protestar e não reconhecer a ocupação da Checoslováquia: “Nem a Inglaterra nem a França fizeram o menor gesto para salvá-la, embora em Munique tivessem solenemente garantido apoio à Checoslováquia contra a agressão”. Ao contrário, “os britânicos reconheceram as autoridades alemãs na Boêmia, e o Banco da Inglaterra entregou-lhe seis milhões de libras em ouro checo (...) Um entendimento geral com Hitler continuava sendo o objectivo britânico

Anónimo disse...

A ocupação de Memel, o ataque à Mongólia, a ocupação da Albânia

Aproveitando-se da cumplicidade das potências ocidentais, a Alemanha prosseguiu a sua marcha para o leste. A 22 de março, arrebatou Memel à Lituânia, mediante um “acordo”. No dia seguinte, firmou um tratado germano-romeno, fazendo daquele país um apêndice da economia alemã e uma base militar da Alemanha. A 7 de abril de 1939, a Itália ocupou a Albânia. Nesses dias, a Alemanha denunciou o acordo naval com a Inglaterra e o Tratado de não agressão à Polônia.

Em maio, o Japão atacou a República Popular da Mongólia - à quem a URSS estava unida por um tratado de assistência mútua - nas proximidades do rio Calquin-Gol, com o objetivo de ocupá-la e chegar até as fronteiras soviéticas na região do lago Baikal. Mas foi derrotado pelas Forças Armadas conjuntas da URSS e da Mongólia. Era cada vez mais evidente o cerco que se procurava fazer à URSS.[80] Em março de 1939, referindo-se a política das democracias ocidentais de não deter os agressores, Stalin alertava em seu Informe ao XVIIIº Congresso do Partido Comunista (bolchevique) da URSS:

A política de não-intervenção eqüivale a tolerar a agressão, a desencadear a guerra e, conseqüentemente, a transformá-la em guerra mundial. Na política de não intervenção ressalta a aspiração, o desejo de não impedir aos agressores que realizem sua obra tenebrosa: de não impedir, por exemplo, que o Japão se envolva na guerra com a China e, melhor ainda, com a União Soviética; de não impedir a Alemanha, principalmente, de se imiscuir nos assuntos europeus, de se lançar numa guerra contra a União Soviética; de permitir a todos os beligerantes que se atolem até a cabeça no pântano de guerra, de encorajá-los dissimuladamente nesse sentido; de enfraquecê-los mutuamente e, em seguida, quando estiverem suficientemente débeis, aparecer em cena com forças frescas, de intervir, naturalmente “no interesses da paz” e de ditar condições aos beligerantes enfraquecidos.

Em julho de 1939 - exatamente quando se travavam os combates às margens do Calquin-Gol - a Inglaterra assinava em Tóquio o acordo nipo-inglês - conhecido como o “Munique do Leste” pelo seu abandono da China - onde a Inglaterra declarava “reconhecer a situação actual da China e as necessidades particulares das forças armadas japonesas que operavam na China” e “a não encorajar actos ou medidas que pudessem trazer embaraços ao exército japonês na China”.

Anónimo disse...

O FRACASSO DAS NEGOCIAÇÕES TRIPARTIDAS E O ACORDO GERMANO-SOVIÉTICO

É nesse contexto que têm início as conversações da União Soviética com a França e a Inglaterra. Diante dos rumores de uma próxima agressão à Roménia, rica em petróleo, no dia 18 de Março o embaixador inglês em Moscovo encontrou-se com Litvinov para saber da atitude soviética no caso de uma agressão de Hitler à Roménia. Este, em nome do Governo Soviético, propôs a imediata convocação de uma conferência de representantes da Inglaterra, França, URSS, Roménia, Turquia e Polónia para tomar medidas eficazes contra a ameaça. No dia seguinte, o Governo inglês respondeu negativamente à proposta.

No dia 21 de Março, a França e a Inglaterra propuseram a assinatura de uma declaração, junto com a URSS e a Polónia, pela qual, no caso de um novo ato de agressão, esses países se consultariam urgentemente para examinar as medidas a tomar. Embora considerando a medida pouco eficaz, o Governo Soviético se prontificou a assiná-la. Mas a Polónia, profundamente reaccionária e anti-soviética, negou-se a firmar a declaração se a URSS o assinasse. Ao mesmo tempo que se negava a realizar acordos concretos com a URSS, Chamberlain ofereceu garantias unilaterais - que não tinha condições de cumprir - à Polónia. Mas nada fez de concreto. A França também deu garantias à Polónia. Ambas tentaram arrastar a União Soviética a oferecer as mesmas garantias, sem qualquer contrapartida. Na verdade, coerentes com a sua estratégia, incentivavam o confronto entre a Alemanha e a URSS.

Anónimo disse...

NEGOCIAÇÕES POLÍTICAS PARA ACALMAR A OPINIÃO PÚBLICA

Mas, a única alternativa capaz de deter a agressão nazi-fascista - e, portanto, evitar a Segunda Guerra Mundial - era uma união militar entre a França, a Inglaterra e a URSS. Por isso, em 17 de Abril de 1939, o Governo Soviético voltou a propor a assinatura de um pacto de assistência mútua e de um convénio militar entre a União Soviética, a Inglaterra e a França, além da concessão de garantias a todos os países fronteiriços à URSS, do Báltico ao Mar Negro. Em 8 de Maio a Inglaterra e a França se dignaram dar uma resposta à URSS, mais uma vez negativa, onde alegavam que isso podia ser interpretado pela Alemanha como uma agressão. Contraditoriamente, nesses mesmos dias A França e a Inglaterra assinaram com a Turquia um tratado de assistência mútua. Enquanto isso, “a Polónia, e a Roménia (...) se recusavam a aceitar a garantia russa ou mesmo a admitir que tropas soviéticas atravessassem seus territórios para enfrentar um ataque alemão. A Letónia, a Estónia e a Finlândia também se negavam sistematicamente a aceitar qualquer garantia russa.” Mas, a Inglaterra e a França continuaram insistindo para que a URSS desse garantias unilaterais à Polónia e à Roménia, sem contrapartida. A URSS respondeu que só seria negociado um pacto com compromissos recíprocos.

Estimulado por essa conduta de Chamberlain e Daladier de abortar qualquer acordo sério com a URSS, Hitler iniciou uma intensa campanha contra a Polónia, exigindo a devolução de Dantzig e o livre trânsito alemão pelo corredor polaco. A tensão chegou ao seu ponto máximo. No dia 19 de Maio, na Câmara dos Comuns, Churchil fez um pronunciamento onde criticou a política externa inglesa e lembrou que “as propostas apresentadas pelo Governo da URSS prevêem uma tríplice aliança da Inglaterra, França e União Soviética, de cujos benefícios podem aproveitar-se também outros países.” Lloyd George também defendeu o tríplice pacto: “Sem a ajuda da URSS não poderemos cumprir nossos compromissos com a Polónia e a Roménia. Por que não firmou ainda o Governo acordo de assistência mútua com a URSS?” No mesmo sentido pronunciou-se Eden. Pressionado pela opinião pública, Chamberlain manobrou e no dia 25 de Maio propôs ao Governo soviético um pacto tripartido genérico, vinculado à Sociedade das Nações, sem nenhum convénio militar concreto. A contraproposta soviética, apresentada no dia 2 de Junho, libertava o pacto de qualquer procedimento estabelecido na Sociedade das Nações, discriminava os Estados que receberiam garantias e determinava que o pacto e o convénio militar entrariam em vigor simultaneamente. Depois de muitas discussões,a questão da desvinculação do pacto da Sociedade das Nações foi aceite. Já as negociações em torno dos Estados que receberiam garantias - principalmente no que se refere às antigas províncias bálticas - começaram a arrastar-se em torno das mais absurdas polémicas. Baufre, um dos negociadores franceses, e posteriormente um destacado general, escreveu referindo-se às propostas soviéticas: “Era difícil ser mais concreto e mais claro (…) o contraste entre esse programa e as confusas abstrações franco-inglesas é surpreendente (…) Os argumentos soviéticos eram ponderáveis (…) A nossa posição era falsa.”

No dia 8 de junho, Lord Halifax, Ministro das Relações Exteriores da Inglaterra, comunicou à Maiski, embaixador soviético em Londres, a viagem de William Strang, mero funcionário do Departamento Diplomático, para prosseguir as conversações em Moscovo. Era uma clara demonstração do desinteresse inglês numa rápida assinatura do pacto. Em fins de Junho, as negociações já duravam 75 dias. Desses, a URSS utilizara 16 dias para preparar as suas respostas; a Inglaterra e a França, 59. Enquanto isso a situação na Europa se agravava cada vez mais.

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No começo de Julho havia sido obtido o acordo em torno dos Estados “garantidos” no pacto. Iniciaram-se, então, as discussões sobre o Convénio Militar. Os soviéticos insistiam em que o pacto e o convénio militar formavam um todo único, entrando em vigor simultaneamente. Os ingleses e os franceses desconversavam e queriam tratá-los separadamente, como dois documentos distintos. No fundo, evitavam assumir qualquer compromisso militar concreto com a URSS. Maiski relata: “no início de Julho foi-me comunicado que teve lugar o seguinte diálogo entre Chamberlain e Wood, Ministro da Aviação: - O que há de novo acerca das negociações sobre o pacto? - perguntou Wood. Chamberlain fez um gesto de irritação e respondeu: - Ainda não perdi a esperança de frustrar a assinatura desse malfadado pacto.” O historiador inglês David Irving também faz menção à essa postura de Chamberlain: ”Em 25 de Maio, as escutas realizadas pela FA ao correspondente do The Times em Berlim, Mr. James Holburn, mostravam que, durante a sua estadia em Londres, havia tomado conhecimento de que Chamberlain não tinha a intenção de aliar-se com Stalin: ainda esperava retomar, algum dia, o contacto directo com Hitler.”