sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Olhar para o euro sem paixão

No auge da crise, quando a taxa de desemprego atingiu o seu máximo, 42% dos portugueses estavam contra o euro, de acordo com o Eurobarómetro (um inquérito de opinião regular realizado pela Comissão Europeia). Hoje a taxa de aprovação da UE entre os portugueses é a mais alta desde que existe moeda única na Europa, conforme constata o jornalista Luís Reis Ribeiro num artigo publicado no Dinheiro Vivo.

O nível de eurocepticismo em Portugal tem uma relação directa com a taxa de desemprego, o que faz algum sentido, já que o euro nos retirou instrumentos fundamentais para combater o desemprego sem os substituir por outros (note-se que a taxa de desemprego ainda é hoje o dobro do que era no início do século). No entanto, esta tendência que os portugueses parecem ter para avaliar o euro com base na situação económica do país em cada momento tem dois problemas fundamentais.

Primeiro, sugere que tudo o que acontece de bom ou de mau à economia portuguesa depende da nossa presença no euro, o que não é verdade (pense-se no preço do petróleo ou da evolução do comércio mundial, que influenciam fortemente o que por cá se passa).

Segundo - o que é pior, mas não surpreendente - sugere que grande parte dos portugueses não avalia a participação de Portugal no euro em função dos seus impactos estruturais na economia nacional, mas apenas em função da situação conjuntural. Isto é um problema, pois é aí que reside o principal busílis da questão.

22 comentários:

Anónimo disse...

Reflexões minhas.
Face a esta análise certeira, que sentido faz um referendo à presença no Euro?
São os defensores da saída do Euro que agravam a associação conjuntural ao apontarem a saída como única solução em momentos de crise.

Geringonço disse...

Vou vendo mais gente a questionar a "recuperação económica", o tipo de trabalho que está a criar, os rendimentos e as condições.

António Costa e o Catavento lançam foguetes agora, vamos ver quanto tempo a festa dura...
Dá um jeitão ter como oposição o desacreditado tarado psicopata Passos Coelho, ao lado deste tudo brilha!

Os portugueses, tal como os gregos e outros, são só pró Euro porque tem medo das consequências de ter que se governar a eles próprios, e por enquanto, vão relegando a governação a organizações pós-democráticas como é o caso da comissão europeia e o BCE.

É o medo que domina a população, não é a convicção de que o Euro seja benéfico.

Anónimo disse...

O fim da discussão destes assuntos agora que a conjuntura política mudou, contribui para o problema http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/05/o-triangulo-das-impossibilidades-da.html?m=1

Alice disse...

Não me admira.
As questões de soberania são relegadas para um plano secundário, sem ser feita a óbvia ligação à economia.

Na verdade, num mundo puramente capitalista, pode dizer-se que a própria soberania está pronta a ser vendida a quem der mais.

Jaime Santos disse...

É natural que as pessoas avaliem a pertença ao Euro com base na sua experiência pessoal, e não com base numa avaliação pretensamente objetiva da sua influência na nossa Economia (isso existe?). Defender uma saída do Euro que no curto prazo implicaria que ficaríamos pior, seria absolutamente equivalente, Ricardo Paes Mamede, à posição de Luís Montenegro, que disse que o País estava melhor, mesmo se as pessoas estavam pior. Por isso, aos detratores do Euro não lhes resta mais do que desejar, qual PPC, que a situação piore e sejamos empurrados para fora dele. Preocupe-se antes em olhar para mudanças graduais nas nossas políticas que permitam que a nossa vida melhore, não em olhar para grandes cenários que implicam grandes sacrifícios. Poderão ser inevitáveis tarde ou cedo (e convinha que fossem devidamente estudados e preparados), mas isso não quer de todo dizer que sejam desejáveis...

Anónimo disse...

Uma análise desapaixonada...mas certeira

Anónimo disse...

Tudo o que grande parte dos portugueses avalia, é a folga ( ou a falta dela ) com que chegam ao fim do més. Esse é o único "indicador " que conta quando se trata de "avaliar" o contexto. E como a experiência do presente se sobrepõe sempre à memória na hora de tomar decisões, não percebo o espanto. Para o bom povo, tudo o que não interessa é se a tal "folga" se denomina em euros, dolares, francos ou outra moeda qualquer. Claro que não havendo folga a culpa será de tudo o que quiser: da moeda, do Sócrates ( claro....), do aquecimento global, name it....

Alves Reis

Jose disse...

Essas avaliações de opinião são o exacto reflexo da cultura política que a abrilada promoveu e passou a norma: a política define-se por duas medidas: está a dar - boa política; não está a dar - má política.
Os propagandistas só trabalham nesses registos.
Veja-se a geringonça: não faz nada de significativo, mas não pára de alimentar a noção de que 'está a dar'.

Quanto à discussão da saída do euro é conversa de teóricos que seguramente dariam montes de notas num 'estar a dar' no melhor estilo inflacionário, que esperam vir a justificar uma qualquer ditadura de emergência que sonham fosse 'patriótica' e de esquerda.
Para não encontrar os detalhes consultar o Bateira aí abaixo (onde raramente sou publicado).

jose magalhaes disse...

Análise apropriada e clarividente, embora incompleta.A variação da percepção da posição do país quanto à moeda única e ä participação na UE,é conjuntural e os resultados do abaixamento da taxa de desemprego e a saída dos procedimentos por déficit excessivo,são percepcionadas,cumulativamente,com o nível da dívida que,seria sempre incrementada,com a assumpção dos custos resultantes como está, aliás, à vista na trapalhada da negociação do R(por enquanto)U,e nos montantes elevados das compensações por créditos e fundos utilizados.

Anónimo disse...

Adoro conversas como a do comentador José Magalhães, dessas que dizem coisas como a análise de Ricardo Paes Mamede está "incompleta".

Ora, batatas para este tipo de comentário. Vem o autor para aqui escrever quatro parágrafos acerca de modos de olhar o euro e afinal os leitores queriam era uma tese de doutoramento.

Jose disse...

Se bem me lembro do que não apareceu:

O único sentimento que domina é o 'está a dar' ou 'não...'.

Da Política é o que sobra após 43 anos de doutrinação sobre as enormes complexidades que garantiam um futuro brilhante, sempre pela esquerda, naturalmente.

Assim a geringonça, sem fazer nada de significativo ou complexo, limita-se a manter o clima de 'está a dar', seja porque está a dar turistas e emprego para os servir, seja por uns euros aqui e umas promoções acolá.

Quanto ao euro, bandeira de esquerda, faz o papel que fez a 'pesada herança', e se ninguém nunca disse quanto pesava a herança, também ninguém diz o que se segue à saída do euro.

Anónimo disse...

O PIB cresce, o desemprego desce, as pensões aumentam e o défice é o melhor desde 74. No euro. O que prova que não é preciso sair. O segredo está nas cativações. Parabéns ao PS (próximo da maioria absoluta) e ao Centeno (próximo presidente do Eurogrupo).

Anónimo disse...

Se bem me lembro do que não apareceu. Mais é o que está a dar. Em género de "sentimento"pois claro que o que está a dar é mesmo isso.

Género Ágata.Da predilecção da mediocralhada neoliberal pesporrenta

Está certo. Confere

Anónimo disse...

"O estar a dar ou o não estar"

A isto se resume um "comentário" aflautado de alguém aí em cima.

O mais estranho é que quem assim manobra nesse registo e o invoque assim um pouco tropegamente é quem logo a seguir determine todo lambão:
"Os propagandistas só trabalham nesses registos".

Uma verdadeira delícia

Clara disse...

Plenamente de acordo.

Anónimo disse...

O comentário de um anónimo das 15 e 07 confirma na perfeição os dois problemas citados pelo autor do post.

Impressiona.

E justifica por completo as teses que falam da necessidade de se votar à esquerda do PS.

Porque quem fala no segredo das cavitações e dá os parabéns ao PS e ao próximo presidente do eurogrupo demonstra que está um pouco "cavitado"

Anónimo disse...

O euro bandeira da esquerda?

Ah, está confirmado o disparate da"pesada herança".

Como se sabe a herança foi pesada para quase todos. Mas foi muito leve para os serventuários do regime e para os seus torcionários. Para os que andaram a saquear o país e as suas riquezas. Para os que mandaram matar e morrer na guerra colonial.

Usando um vocabulário típico de quem anda a lastimar-se com o peso da herança, esta foi muito prazerosa para os lambões e os mamões do regime. Para a nata (medíocre e à pato bravo) do nosso tecido empresarial que vivia à sombra do capitalismo monopolista de estado

Uma rica herança pois então. Comemorada à mesa dos celebrados almoços da legião, como confessado por um seu próprio adepto, um tal Jose.

Que agora anda a inquirir um pouco tontamente pelo peso daquela.

Anónimo disse...

Só assim se compreende a lástima e o lacrimejo por Abril e pelos 43 anos passados em regime democrático.

Sempre pela esquerda dirá destrambelhado

Esquecido estará dos seus vivas a Sal..., perdão a Cavaco e a Santana Lopes? Ou a Barroso e a Passos Coelho? Doutrinários de marca que deixaram tantas marcas pela sua governação ao serviço da Doutrina? Neoliberal e de direita, mais ou menos extrema, mais ou menos pesporrenta?

Anónimo disse...

Mas pedia-se uma coisa ao sujeito que assim manifesta tanto ódio ao dia em que Portugal correu com a canalha odienta.

Que mantivesse uma certa postura. Um certo decoro. Que independentemente das suas posições de classe, respeitasse a inteligência dos demais. As ditaduras de emergência com que sonha e que traveste como patriótica e de esquerda são coisas que atestam uma perturbação e inquietação crescente.

Confirmado por um incongruente palavreado seu a pedir "para não encontrar os detalhes". E por uma pieguice ( o termo pieguice é usado pelo sujeito desde que Passos o desencantou da fossa da ideologia neoliberal) espantosa para com as suas "publicações". As suas, dele, Jose.

Adivinha-se até a lagrimazita ao canto do olho quando se queixa desta forma pouco honesta de Jorge Bateira.

Ele logo ele, jose, que zurze a "doutrinação" de esquerda nos últimos 43 anos, revelando-se um saudoso entusiasta do tempo da censura ditatorial, que proibia qualquer outra coisa que não fosse a sua doutrinação

Ah, mas que saudades desses tempos e dos tempos da herança bem apetecida, bem comemorada e bem regada, lá nas almoçaradas dos legionários

Jose disse...

Na choldra, ser chico-esperto sempre garante admiradores (15:07).

Anónimo disse...

Choldra e chico-esperto? Com admiradores ainda por cima

Será por isso que herr jose admira tanto os colonialistas mamões e alarves? Verdadeiros chico-espertos alarves e mamões, que na choldra deveriam estar?

Para poderem ser admirados por outros chico-espertos como garante de?

Ou dito por outras palavras, é "isto" que herr jose tem para dizer sobre um outro comentário mesmo que não se esteja de acordo? Revelando pavlovamente o registo de choldra em que se move?

Anónimo disse...

O grande Eça já a definira melhor, à dita choldra. Com uma outra classe, com uma outra profundidade, com um outro rigor, com uma outra ironia.

Daí também o particular odiozito de herr jose ao grande escritor? Por lhe ter desnudado com tanta antecedência e tanto humor a ideologia e a sociedade em que se move?