quarta-feira, 16 de agosto de 2017

No PSD de Passos tudo como dantes (ou talvez não)

Duas notas sobressaem no discurso de Passos Coelho no Pontal. Por um lado, o regresso ao passado em termos de narrativa: o ex-primeiro ministro volta a assumir as reformas estruturais como linha política do partido, acusando a atual maioria de imobilismo e o Governo de «não ter um espírito reformista», correndo-se o risco de «ter perdido uma legislatura a viver à conta do que se fez no passado e da conjuntura e nada a preparar o futuro». Para o Passos Coelho, era agora necessário «prosseguir algumas reformas lançadas pelo seu executivo com o CDS», para que o país pudesse «ter “fôlego” no futuro». Contudo, para o ex-primeiro ministro, a preferência da atual maioria de esquerda «pela estatização e pela coletivização» está a impedir o avanço de reformas na área do Estado, na Saúde, na Segurança Social e no emprego.

Desta forma, e ao arrepio de tudo o que foi dito durante o último ano sobre supostos cortes nos serviços públicos e a deterioração do Estado Social, ou sobre a excessiva rapidez na reposição de rendimentos, Passos Coelho volta a falar no seu projeto político para o país, fazendo-nos recordar de imediato o Guião para a Reforma do Estado de Paulo Portas, a ideia de que os cortes em salários e pensões deveriam tornar-se permanentes ou, recuando um pouco mais no tempo, a proposta radical de revisão da Constituição discutida em 2010, que entre outras medidas propunha a total liberalização dos despedimentos. E de pouco serve sugerir, de novo, que os bons resultados alcançados pela atual maioria e pelo atual Governo, na economia e no emprego, são mérito das «reformas» empreendidas pela anterior maioria de direita. Como já demonstrámos aqui, o «empobrecimento competitivo» e a «austeridade expansionista» terminaram em 2013, por força do travão do Tribunal Constitucional a uma nova dose de cortes nos salários e nas pensões e pela aproximação das eleições de 2015, que levou o Governo de direita a suspender a fúria austeritária.

Passos pode e deve voltar a assumir publicamente as suas ideias para o país. É politicamente mais honesto e claramente preferível ao vazio de propostas em que o seu partido mergulhou nos últimos dois anos. Mas como o ex-primeiro ministro tem hoje noção de que essas ideias perderam apoio eleitoral (não só pelo seu comprovado fracasso mas também pela demonstração de que afinal havia alternativa), vale tudo para tentar conquistar votos. E é nesse contexto que surge a segunda nota digna de registo no discurso do Pontal: a deriva populista e xenófoba que a frase da noite proferida por Passos encerra, e cuja análise - no seu significado e demagogia - é feita de modo certeiro aqui e aqui. Sim, há algo de novo no PSD para lá da ideia de regresso ao empobrecimento e à austeridade: o apoio a André Ventura em Loures não foi uma coisa circunstancial, foi mesmo o primeiro passo para «testar Trump» no nosso país.

10 comentários:

Jose disse...

«não só pelo seu comprovado fracasso mas também pela demonstração de que afinal havia alternativa»

Enunciado o dogma geringonço, com tudo o que de falso e fingido traz consigo, basta acrescentar mais uns mantras para que as massas de crentes se comovam em extremo com a sua própria bondade,o que, em contraponto, os leva a exaltarem-se ferozmente com os horrores que serão seguramente as alternativas ao paraíso esquerdalho.

Em particular a nóvel bem-aventurança das portas abertas aos miseráveis do mundo, enche-os de inebriantes desvelos altruístas.
Será seguramente um sucesso, com o simplex a criar empresas na hora, que logo vendem umas propostas de emprego dando de brinde um guia para as amplas benesses que um Estado falido tem para oferecer aos desvalidos deste mundo!
«Temos uma cultura diferente, cultivamos a idiotia»

Luís Pereira disse...

Passos Coelho tem duas características é teimoso e estúpido. É teimoso porque não foge da mesma política de reformar o Estado (ou seja cortar salários miseráveis na ordem dos 500, 600 ou 700 euros) para enriquecer os grandes patrões que continuam a engordar com ou sem Geringonça. É estúpido porque não vê que perdeu muito eleitorado e não vê realidade do sucesso (embora lento) das politicas do PS com o apoio das esquerdas. O PIB cresceu mais de 2% não por causa do PSD/CDS, mas sim do PS com apoio do BE e do PCP.

NikoMakiav disse...

Idiotia e discurso bacoco era o do seu mentor Passos ao promover o emprobecimento de Portugal como estratégia de competitividade para o crescimento economico , visao essa que falhou claramente . Abjecto era o discurso de outrora do vosso saudoso pardacento governo da direita radical Passos/Portas que governava contra os portugueses apelidando-os de "piegas" e convidando-os a emigrar do Pais . O que vale é o que povo portugues é mais esclarecido do que o Americano ou Brasileiro ao ter rejeitado experiencias ao jeito de Trump / Temer ou ainda Maduristas que pretendiam a alteraçao da constituicao e outro regimento para o Tribunal Constitucional mais em feiçao da cloaca laranjinha ! Bem hajam Gerigonça, o Pais vai bem e os Portugueses voltaram a acreditar na felicidade . Vade-retro Satanas laranjinhas e seus acolitos jihadistas

Jose disse...

Nem me incomoda particularmente os vossos ódios pelos laranjas - provavelmente votarei neles pela primeira vez em Outubro.
O que me incomoda é a vossa falsidade congénita e impenitente.
Essa pretensa 'bondade' para tudo que é coitadinho (e quase tudo o é!) traz-me sempre à lembrança uma reportagem do cardeal Cerejeira dirigindo-se às jocistas (umas senhoras caridosas do tempo da outra senhora que se preocupavam com o operariado, nesse tempo numeroso).
Só que os 'jocistas esquerdalhos' dão com uma mão e logo preparam a outra para sacar ao vizinho ou - preferentemente - às gerações futuras através da dívida.

Anónimo disse...

Jose inquieta-se.

Adivinha-se que está possesso. Bate com a mão no peito ( o que pode, da forma como o pode) e proclama tremendo que vai votar pela primeira vez nos laranjas.

O que isso interessa para o debate é que não sabemos. Lamechices ou pieguices de acordo com o vocabulário de Passos que imita?

É um direito que lhe assiste, votar em quem quiser. Eram perfeitamente escusadas todavia estas profissões de fé. Talvez seja por isso que se tenha lembrado de Cerejeira...

Embora percebamos que o que quereria votar mesmo era na União Nacional. Ou noutra sequela de idêntico perfil ideológico

Anónimo disse...

( Convenhamos que a recordação da estória com o Cerejeira é particularmente delicodoce. E se ilumina e aquece a memória do Jose, o que nos surge é apenas uma historieta idiota em que se retoma o fraseado tão em uso pelo Passos Coelho.

E que é repetido ad nauseam pelo mesmo Jose:
"coitadinho,coitadinho, coitadinho"

Quiçá um bom motivo para votar pela primeira vez nos laranjas? )

Anónimo disse...

Quando jose fala em sacar ao vizinho...fala em sacar aos povos colonizados? Prática habitual entre os colonialistas ( e Jose assume sê-lo) que desgraçou tantas gerações tanto aqui como nas colónias

Anónimo disse...

«não só pelo seu comprovado fracasso mas também pela demonstração de que afinal havia alternativa»

Percebe-se que esta frase cale fundo no sujeito de nickname Jose.

Cale fundo,porque contra factos não há nada a fazer.

E temos que, por isso, aturar uma colecção de "comentários" de Jose desabridos e do género:
"falso e fingido traz consigo basta acrescentar mais uns mantras as massas de crentes se comovam em extremo com a sua própria bondade,o que, em contraponto, exaltarem-se ferozmente com os horrores que serão seguramente as alternativas ao paraíso nóvel bem-aventurança das portas abertas aos miseráveis do mundo,inebriantes desvelos altruístas.Será seguramente um sucesso, com empresas na hora, que logo vendem umas propostas de emprego de brinde um guia amplas benesses que tem para oferecer aos desvalidos deste mundo cultura diferente,a idiotia»

A vacuidade mantristica de tudo isto impressiona.

Eça faria cá um brilharete com este "material"e com o sujeito deste material

Jose disse...


Eça, a novel muleta!

Anónimo disse...

jose decidiu mudar de voto.

Um dia difícil este. Uma decisão difícil. Pobre Cristas.Mas Cristas não tem as mesmas qualidades de Portas

O seu rancor a Eça equivalerá tanto ao seu amor por muletas de muletas?