segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Rebeldia simples


Não se defende a violência contra cada um dos elementos da classe dominante, nem o uso colectivo de passa-montanhas. Uma classe social é muito mais do que o somatório dos seus elementos ou representantes. E não desaparece assim, muito pelo contrário. Mas há nestes segundos do filme Fight Club de David Fincher uma rebeldia simples, um apelo à consciência emancipatória que tem faltado - por diversas razões - a muitos das pessoas desgraçadas pelo processo de individualização a que a sociedade portuguesa e mundial foi acometida com o dealbar do pensamento conservador reinante.

A par do violento rolo compressor da desvalorização salarial que criou desempregados às carradas como forma de pressionar os salários para a miséria; a diabolização do papel dos sindicatos tidos como organizações de malfeitores, viciados nos seus "interesses instalados"; a defesa de uma negociação individual entre o assalariado e o seu patronato (quando muito ao nível da empresa, promovendo-se comissões de trabalhadores que se despreza e a quem não se liga nenhuma); tudo isso fez parte de um programa de violência social que visou tornar o Emprego cada vez mais num somatório de postos pacificamente descartáveis e sem cara, sob a ideia de que tudo era feito para o seu próprio bem.

E assim foi. Verificou-se a uma lenta transformação de assalariados orgulhosos do seu trabalho e do seu papel social, em vítimas sem auto-estima, esmagadas pela pressão do desemprego, incapazes de se dar ao respeito, presos no sentimento de estar sozinho no mundo e sem ânimo para ver a sua força articulada.

Foi como se lhes quisesse retirar uma ideia da cabeça...

..."as pessoas que vocês estão a perseguir são pessoas de quem vocês dependem. Nós cozinhamos as vossas refeições, recolhemos o vosso lixo, atendemos as vossas chamadas, conduzimos as ambulâncias, guardamo-vos enquanto dormem. Não nos f...!"

17 comentários:

Jose disse...

«pessoas desgraçadas pelo processo de individualização a que a sociedade portuguesa e mundial foi acometida com o dealbar do pensamento conservador reinante»

Haverá maior desgraça do que alguém que não tenha uma clara ideia da sua individualidade?
Afinal é com quem vai todos os dias para a cama!

O pensamento conservador dealbou?
Mas se foi esse pensamento que nos acompanhou desde que descemos das árvores!!!

Jose disse...

«Verificou-se a uma lenta transformação de assalariados orgulhosos do seu trabalho e do seu papel social, em vítimas sem auto-estima»
Mas não é isso que foi projectado?
Após mais de 40 anos a dizerem que sem leis repressivas sobre os patrões, sem subsídios e ajudas do Estado, sem sindicatos ferozes, sem partidos defensores dos trabalhadores o individuo, o trabalhador, não é senão um coitadinho, sem força nem meios de cuidar do seu destino?

Jose disse...

«violento rolo compressor da desvalorização salarial que criou desempregados»

Mas não é suposto que os crie? Ou crie emigrantes?
Ou é o rolo compressor das actividades sem mercado que desaparecem e com elas os empregos?
Sair da área de conforto -conselho sábio - inclui mudar de profissão.
Lamento, mas mão foi, não é, nem nunca será diferente.

Anónimo disse...

Corrigir só, por favor, no segundo parágrafo. Não é "quanto muito" é "quando muito".

Geringonço disse...

Muitos destes "elitistas" devem pensar que o dinheiro lhes garante a imortalidade, devem pensar que agora já nem precisam da maioria de forma a perpetuem o seu privilégio, devem pensar que os Robocops os vão salvar da insurreição da plebe!

É sabido que as "elites" perdem o juízo quando pensam que são donos do universo, é sabido que houve alturas, quando perderam completamente o juízo, perderam as cabeças, perderam literalmente as cabeças...

Pedro disse...

Infelizmente o socialismo de tipo soviético queimou-se a si mesmo com fenómenos como o estalinismo. Entretanto a social-democracia e o socialismo democrático traíram, vendendo-se à direita neoliberal.

Como tal, parece que a ideia de rebeldia passou para o campo da extrema direita, como vemos com o que se está a passar nos EUA. Trump e a alt-rigth apresentam-se como rebeldes contra o sistema. Mesmo quando apenas querem reforçar o sistema…

Estamos tramados.

João Ramos de Almeida disse...

Caro José,
Fico contente que as minhas frases o levem por muito pensamentos. Mas os seus sobre a emanação natural do pensamento conservador não resiste a um exame de História do século XX. O mesmo acontecendo sobre o papel das organizações, como formas superiores de concretização do pensamento individual, ele sim uma emanação da realidade em que se insere.

Acho que vai precisar de se esforçar um pouco mais se quer fazer uma marcação cerrada. Até breve.

Jose disse...

Caro João,
Não sei onde foi buscar a ideia da «emanação natural». O que a História lhe mostrará é que sempre esteve presente e sempre evoluiu.

«o papel das organizações, como formas superiores de concretização do pensamento individual, ele sim uma emanação da realidade em que se insere»
'ele sim' fica indefinido que seja o papel das organizações ou o pensamento individual.
Mas emanação continua a não ser palavra que substitua a interação.

Agora 'o papel das organizações como formas superiores de concretização do pensamento individual'
- se o pensamento é levado à prática nas organizações – é frequentemente o caso.
- se as organizações têm por papel promover o pensamento individual - dependerá dos objectivos da organização, e não raro há muitas más notícias quanto a isso.

Tudo considerado, é prudente considerar que subsiste na autonomia e responsabilidade individual, a mais confiável condicionante do destino de cada um.

Anónimo disse...

"Haverá maior desgraça do que alguém que não tenha uma clara ideia da sua individualidade? "

Claro que há. Nem a cama serve de argumento para justificar esta patetice desculpabilizadora para todos os sacanas sem lei que advogaram a sua individualidade.

Hitler ou salazar estavam perfeitamente conscientes do que faziam. Do primeiro herr jose nem se atreve a dizer bem, mas elogia até ao vómito um seu associado, Pétain.

Do segundo não esconde a sua admiração.

Pelo que a continuarmos pela senda indicada por herr jose ainda teremos de lhe perguntar se vai com estes tipos para a cama

Anónimo disse...

Mais pérolas de herr jose:

"O pensamento conservador dealbou?
Mas se foi esse pensamento que nos acompanhou desde que descemos das árvores!!!"

Afastem-se os pontos de exclamação a cheirar a algum histerismo serôdio, tentando fazer passar esta idiotice como verdade

Foi o pensamento conservador que nos acompanhou? Desde que descemos da árvore?

Sim? Mas estamos reduzidos a "isto"? Sem fluxos e refluxos do pensamento conservador? Como "esse pensamento que nos acompanhou"?

Como o sabe herr jose? Que dados antropológicos tem para defender esta atoarda? Se o tal pensamento conservador nos tivesse sempre acompanhado e ao que parece reinante, como teríamos descido da árvore? como teríamos dominado o fogo? Como teríamos inventado a roda?

Como teríamos acabado com a escravatura ou com a monarquia absolutista? Corrido com a nobreza parasitária ou feito o 25 de Abril?

Percebe-se que o pensamento conservador seja muito atractivo para herr jose.

O "senso-comum" defendido e idolatrado pelos conservadores retrógrados teve um grande choque quando se descobriu que era a Terra a girar à volta do Sol

Foi por causa do "acompanhamento" do pensamento conservador que sucedeu o que sucedeu a Copérnico e depois a Galileu.

Até que mais tarde o tal pensamento conservador foi escaqueirado. Para infelicidade de tal pensamento e para tristeza do "senso-comum "de herr jose como metodologia de ensino

Anónimo disse...

Mais pérolas de herr jose

Perdão, de herr jose e de Passos.

"o coitadinho" do trabalhador

Desde que Passos utilizou o termo, jose repete-o até à náusea.
Mas agora há uma pequena variante:
"o trabalhador, não é senão um coitadinho, sem força nem meios de cuidar do seu destino?"

Quem disse tal a herr jose? Aí está o grande busílis para incensar o individualismo e a afronta individual do destino.

É que sozinho o trabalhador não vale nada. E solidário e em conjunto e com a força de todos vale muito mais

Veja-se como herr jose pragueja e insulta quando ouve falar em sindicatos. Ou mesmo quando lê a palavra luta.

T arrenego não é mesmo?

Anónimo disse...

Mas a questão é mais funda do que isto.

Herr jose a debitar:
"Após mais de 40 anos a dizerem que sem leis repressivas sobre os patrões, sem subsídios e ajudas do Estado, sem sindicatos ferozes, sem partidos defensores dos trabalhadores o individuo, o trabalhador..."

Repare-se logo a abrir o cardápio, o ódio pelo 25 de Abril. Saudades do tempo em que o trabalhador não era um "coitadinho"? Em que servia para a engorda dos capitalistas vivendo à sombra do fascismo? Em que era enviado para matar e morrer nas colónias para glória e fortuna de uns tantos?

E repare-se que os assalariados orgulhosos do seu trabalho e do seu papel social foram função directa da revolução e de algumas tentativas para frenar o enorme poder do Capital e do patronato medíocre, inculto e pesporrento.

Com a criação de sindicatos fortes, para desgosto de quem estava habituado a sugar-lhes o sangue, suor e lágrimas.

E com o levantar de um Estado Social que faz agonias tanto a herr jose como a Passos e à mumia paralítica cavaquista

Anónimo disse...

Pelo que o "foi projectado"com que herr jose se defende é apenas a tentativa rasca de esconder o essencial do texto de JRA: a denúncia da violência social que o patronato e a classe dominante exerce sobre quem trabalha.

Ora isto é muito perigoso para quem como jose defende tal violência.Desde a cena dos coitadinhos dos trabalhadores atá ao esconjuro de tal violência.

Repare-se como duma penada se ilide uma situação aviltosa e que tem que ser combatida para colocar a culpa nas "leis repressivas sobre os patrões", nos subsídios e ajudas do Estado", "nos sindicatos ferozes" , "nos partidos defensores dos trabalhadores".

A violência social que se abate sobre os explorados não é já responsabilidade dos fautores da miséria e da exploração.

Isto tem um nome muito feio. Tal atitude merecia um palavrão. Mas que não se explicita por respeito ao João e aos leitores deste blog.

Jose disse...

Cuco, vai falar com o Pedro que ainda tem paciência para te aturar.

Anónimo disse...

Herr Jose tem pesadelos com um cuco.

Herr jose junta-lhe um Pedro. Quem?

Herr jose depois dos disparates publicados resolve atirar a bola para canto e exorcizar assim os seus fantasmas.

Adivinha-se a inquietação. Mas é notória sobretudo a fuga.


Para onde foi a prosápia do saudável condicionante? Fugiu s trote?



esteves, ayres disse...

Como dizia o meu avô materno, "isto só lá vai com uma revolução, mas não de cravos"! Essa foi uma ideia que os ditos "comunistas "do Barreirinhas Cunhal do PCP, e de mais uns tantos "revolucionários" da treta, nós convenceram!
A revolução não se faz por decreto, nem com os militares e outros agentes da burguesia reaccionária!
Não sei quando será?! Mas um dia esta País, onde somos explorados até ao tutano tem que mudar!

Anónimo disse...

O MRPP é o partido daqueles verdadeiros rebolucionários que espumavam o seu ódio a Revolução Portuguesa , enquanto promoviam o Durão Barroso a ídolo da burguesia e a ladrão do mobiliário de direito.
Deu o fanado MRPP uma boa mão à burguesia. Depois Arnaldo Matos, em 1982 fez uma fita digna de verdadeiro educador ao serviço da classe e retirou-se do partido dizendo que a contra-revolução tinha ganho. Foi ganhar dinheiro como advogado e desapareceu.Era visto em amenas cavaqueiras com a fina flor da burguesia como com Relvas, mas preferia ter estes encontros dissimulados nos gabinetes de consulta.
Em 2015, e apesar de não possuir nenhum cargo no PCTP/MRPP, dá ordem de suspensão de todos os membros do Comité Permanente do Comité Central.
É este o perfil dum verdadeiro rebolucionário da treta que fez o seu trabalho em prol do triunfo da burguesia reaccionária!