quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Bom sinal


A declaração de Jerónimo de Sousa sobre a reunião do PCP com o PS deve ser escutada com atenção, em particular pelos que ainda alimentam, em sectores do campo intelectual progressista, por exemplo, preconceitos anti-comunistas, de onde de resto não tem estado ausente, aqui e ali, uma irritantíssima condescendência de classe.

Esta declaração de abertura negocial, que aparentemente terá surpreendido muita gente, confirma duas ideias. Em primeiro lugar, só quem tem um horizonte estratégico claro e, na minha modesta opinião, fundamentalmente correcto, pode ter a flexibilidade para intervir na complexa conjuntura política que se abriu depois das eleições sem tentar perder de vista os interesses e os valores essenciais. Em segundo lugar, e seja qual for o seu desenlace, todo este processo negocial será bastante pedagógico e clarificador, indicando que os comunistas são uma componente necessária, se bem que naturalmente não suficiente, de qualquer alternativa séria para este país.

Entretanto, a malta da política dos grandes negócios, que andava relativamente caladinha na comunicação social, começa a agitar-se, pressionando a favor do bloco central dos interesses. Bom sinal.

15 comentários:

Jose disse...

A 'múmia de Belém' é que os topou de véspera e já desenhou o caderno de encargos.
Não lhe apareçam com um programa de governo de maioria de esquerda com chancela e conforme ao especificado e não sobem ao poleiro.
Tirando isso sou todo a favor de uma maioria de esquerda.
É mais que tempo de bipolarizar, não na treta retórica mas onde conta, na economia e na rua.

Dias disse...

Todo o apoio é pouco.
E a malta da direita cada vez mais nervosa, por vezes caricata, quando se põe a traçar o perfil que “caracteriza o PS”, ou pelo menos, aquele que ela anseia ;)
Eles e o PR deviam perceber que os portugueses votaram para a composição de um parlamento, e não para escolher um primeiro-ministro.

Anónimo disse...

É pena ver os palhaços do costume andarem a pregar que um governo do PS apoiado pelo PCP e pelo BE, seria um golpe PRECiano. Esta gente não se enxerga e os palhaços em questão ainda menos.
Afinal de contas a verdade é que mais de 60% dos eleitores disseram que não queriam um governo PAF. E de tal maneira o fizeram que o tal PAF (que deverá ser o de muito má memória) se o PS, o PCP e o BE quiserem não conseguirá aprovar nada na Assembleia e desde logo e é quanto basta, o Orçamento de Estado.
Os palhaços do costume parece não compreenderem que não têm a maioria na assembleia.
O que é que será que esses palhaços arruaceiros não entendem.?
Por outro lado, a verdade é que se o PS der cobertura a qualquer governo PAF traindo assim os cobardemente os seus eleitores assina a sua sentença de morte.

Anónimo disse...

Pago para ver...

Ficaria admiradíssimo se o PC estivesse realmente interessado em negociar o que quer que fosse com o PS. É apenas uma tentativa mais sofisticada de, pela enésima vez, demonstrar que o PS é um partido "traidor". É só ver as cenas dos próximos capítulos.

Se por qualquer bizarra viragem política fosse outra coisa (preocupação a sério com a sorte dos portugueses e não apenas com os empregozinhos que têm na estrutura e nas autarquias), nas próximas eleições o PC desaparecia.

Dito isto, só espero estar enganado. Um pólo à esquerda que negociasse um verdadeiro programa de compromisso de governo com o PS seria uma verdadeira revolução no panorama político dos últimos 40 anos. Alguém acredita que vai acontecer? Eu não...

Anónimo disse...

o 8 de outubro de 2015 às 20:00 não acredita.

Claro que PCP e BE já disseram que Costa só não é primeiro-ministro se não quiser.

Se calhar 8 de outubro de 2015 às 20:00 acreditou sempre que o PS governaria à esquerda. E daí não sai: O PS governar à esquerda, o PCP e o BE são mauzões e PSD e CDS deviam governar. Pode ser que se lixe. O preconceito é fodido para a inteligência e abertura de diálogos.

Anónimo disse...

"Por outro lado, a verdade é que se o PS der cobertura a qualquer governo PAF traindo assim os cobardemente os seus eleitores assina a sua sentença de morte."

Acha mesmo que se o PS for governo com apoio parlamentar do BE e PCP não trai cobardemente parte do seu eleitorado? O PS está numa encruzilhada: qualquer que seja a sua decisão vai perder cobardemente parte do seu eleitorado.

José Luís Moreira dos Santos disse...

Sendo esse, no momento presente, o meu desejo,um governo à esquerda, gostaria de chamar à atenção para dois pormenores muito importantes: a situação interna do PS; a mais do que muito sentida incorporação pelos partidos da direita de posições fascizantes no seu discurso, que será quanto mais de terror quanto mais próxima se veja de ser afastada do poder. A partir daí, os média encarregar-se-ao de ser o palco de todos os acontecimentos. Vamos ver!
José Luís Moreira dos Santos

Anónimo disse...

"Acha mesmo que se o PS for governo com apoio parlamentar do BE e PCP não trai cobardemente parte do seu eleitorado?"

Sim, trai, trais os eleitores António Vitorino, Vital Moreira e Vitalino Canas. Tadinhos deles.

Dias disse...

Caricata, é como eu vejo a “preocupação cidadã” da direita com a postura que deve ter A. Costa e o PS a fim de não “defraudar as expectativas” do seu eleitorado…
O que me lembro é disto:

http://visao.sapo.pt/antonio-costa-o-que-me-pedem-e-que-corra-com-eles=f827841

Ricardo disse...

Eu por mim não (des)governava nenhum deles,vejam bem que em 9 milhões de eleitores "só" 2 milhões votaram na coligação do governo e juntando o ps aos outros dois da "esquerda" não dá 3 milhões,onde estão então os outros 4 milhões(para além de alguns milhares de votos em pequenos partidos)??

Jose disse...

Se bem me lembro, houve um tempo em que se faziam passeatas a proclamar:'Partido Socialista, partido marxista'.
Coisas do passado...

Dizer que há uma maioria de esquerda é uma mentira piedosa: o PS é hoje 70% ao centro, 10% de esquerda, 5% de esquerdalhos e 15% para o lado que renda mais.
Dizer que há uma maioria de esquerda é uma falácia que até hoje é admissivel como consolo necessário a moderar a catatonia pós-eleitoral da esquerda.
Ultrapassada esta fase crítica, aforados os poderosos 15% quanto baste, far-se-à o acordo ao centro.

meirelesportuense disse...

Agora para rematar só falta a candidatura à Presidência da República por parte de Manuel Alegre -com a natural desistência dos outros candidatos à esquerda- para arrumar com a Direita do Poder por uns tempos razoáveis...
Viram hoje na Covilhã -Via SIC.Notícias- a romagem da imagem da Nª Sª de Fátima com direito a missas e restantes rituais, pelas terras do interior?
-Que medo Deus meu, a Esquerda pode ganhar!!!...
-Fez-me recordar "os céus avermelhados de sangue/com imagens da foice e do martelo" dos tempos de 1974/1975...Não saímos da cepa torta.

Luis Cabrita disse...

Como diz o 9 de outubro de 2015 às 15:12 "O PS está numa encruzilhada: qualquer que seja a sua decisão vai perder cobardemente parte do seu eleitorado."

Por outro lado se se coligar à esquerda perde eleitorado de direita e capitaliza eleitorado à esquerda, por outro, se viabilizar pela abstenção um governo de direita pode ser que não perca, eleitorado, perante a operação de desgaste político que lhe será preparada tanto à direita como à esquerda.

Ironicamente, de um ponto de vista estratégico, esta pode ser a melhor opção para o PS, embora não o seja para António Costa, portanto talvez não aconteça.

Anónimo disse...

A conversa de "perder ou ganhar votos" se se optar por esta ou aquela solução está correcta se se continuar a optar pelos aparelhos partidários e não pelos cidadãos.

Uma vez por todas, ousemos ser criativos e defender os cidadãos portugueses.

Quem os defender, nunca será penalizado. Mesmo se a comunicação social, em peso, baralhar, instrumentalizar, manipular, com a ajuda de comentadores tudólogos, biased.

Quero pensar que , apesar de tudo, Portugal ainda pode voltar a ser 1 lugar higiénico.

Jose disse...

'Que se lixem as eleições' foi a frase pré-eleitoral com maior produtividade em votos que se conhece até hoje.

Mas para isso é preciso mais do que ao PS coube.