sexta-feira, 8 de junho de 2012

Eurobasura

Segundo a Fitch, a socialização dos custos das aventuras imobiliárias da banca espanhola, através da capitalização, poderá atingir um montante equivalente a 9% do PIB espanhol. Baixe-se a notação, claro, a caminho do lixo. A crise espanhola que é do euro confirma vários outros custos sociais em que aqui temos insistido: da liberalização financeira e do financiamento por poupança externa, da especulação imobiliária, da perda de soberania monetária, da independência política dos bancos centrais e outros reguladores capturados pelo poder financeiro, da austeridade, das inanidades económicas que justificam estes arranjos, onde se incluí a ideia de que esta crise é da “dívida soberana” que cresceu em excesso ou que a rigidez laboral é parte do problema. A Espanha, com os seus superávites orçamentais, baixa dívida pública e bancos internacionalizados, era o país modelo de disciplina orçamental e de regulação liberal antes da crise. Esta indica pela enésima vez que os défices são uma variável endógena ao ciclo de um capitalismo cada vez mais instável devido às estruturas da finança de mercado, que as dívidas privada e pública estão sempre interligadas, e que os bancos são mesmo nacionais na vida e sobretudo na morte. E, no entanto, mesmo perante o fracasso clamoroso da abordagem convencional à crise, perante a “loucura vestida com bons fatos” e com poder monetário, os meios de comunicação social portugueses continuam a falar da “ajuda externa”. Não ajuda.

6 comentários:

João Carlos Graça disse...

Caro João
De acordo consigo no fundamental, apesar de me parecer que a abordagem do Krugman, fazendo crer (ou assumindo) que realmente se trata sobretudo de estupidez ou cegueira é ela própria uma abordagem que se vai tornando pouco promissora.
Os problemas têm sem dúvida uma origem mais funda, e em parte a questão está precisamente em o keynesianismo "ortodoxo" ter ocupado quase por completo o espaço da crítica de inspiração "institucionalista".
Ganharíamos todos, creio, em alargar a discussão aos problemas suscitados pela economia do desenvolvimento, por exemplo... como sugere o Jonathan Feldman, aqui: http://www.counterpunch.org/2012/06/05/im-so-bored-by-the-keynesians/
Bom, mas os keynesianos que aborrecem o Feldman, pelo menos, não assumem a defesa duma aberração como o Euro.
Por cá, entretanto, estamos muito abaixo mesmo disso, evidentemente.
Talvez daí, em parte, o ascendente tão incontestado do "Nova-neoliberalismo". Se um país, face ao nosso estado de coisas, o mais que consegue produzir à esquerda é resmunguice anti-Merkl e pedinchismo "social-europeísta", depois não nos queixemos...

Joões de Rans.... disse...
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marina disse...

bem , quantos faltam para que a alemanha se lixe ? depois da frança? talvez depois da inglaterra em recessão ? estou a ficar cansada com o suspense dos "mercados" .podiam abreviar , por favor ? já quase todos percebemos ao que vão , não é preciso engonhar tanto.

marina na marinha disse...

bem , quantos faltam para que a alemanha se lixe ?
depois da frança?
talvez depois da inglaterra em recessão ?
estou a ficar cansada com o suspense dos "mercados" .podiam abreviar , por favor ?
já quase todos percebemos ao que vão , não é preciso engonhar tanto...simplex

é só marinar em fogo lento

eulália disse...

é uma vergonha, aquilo que nos estão a fazer.
é preciso revoltarmo-nos, estou a ficar impotente devido aos "mercados".
os "mercados" são uns animais, ainda são piores que os homens.

jacinto disse...

já sinto o peso dos "mercados", é cruel sermos .... pelos "mercados".