quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Os lugares contam

O projeto começou por ser conhecido como «Museu Salazar», a instalar na terra natal do ditador. Mas na sequência da controvérsia que se gerou, a equipa de consultores nomeada pelo município assegurou não se tratar de «um museu nem de uma casa-museu Salazar», mas antes de «um Centro Interpretativo do Estado Novo».

É natural que o autarca de um interior em declínio, com uma população envelhecida e uma economia local difícil de suster e perspetivar, não despreze o potencial turístico-económico decorrente do facto de o seu concelho estar associado a uma figura relevante da História recente do país. Mesmo quando se trata de um ditador e mesmo quando o autarca em causa não terá a intenção de alimentar saudosismos e romarias ou, menos ainda, de contribuir para qualquer espécie de revitalização da extrema-direita portuguesa.

Faz também por isso sentido que em vez do «museu» dedicado a um culto paroquial do ditador, o conceito seja o de criar um centro interpretativo do regime que se lhe associa, com o necessário rigor científico e mobilizando para o projeto diferentes ângulos de análise e perspetiva, como é suposto que se faça em democracia. Isto é, dando conta, entre outros aspetos, do «regime que assassinou, torturou, mentiu e empobreceu os bolsos e os espíritos dos portugueses e de todos os povos de que os portugueses tiveram a ilusão de ser proprietários». Permitindo, como assinalava há dias Abílio Hernandez, «que a nossa história [não] seja ocultada», mas antes «ensinada para evitar novos crimes contra a liberdade e a democracia», preservando a memória e compreendendo os acontecimentos e o seu rumo, para que o passado não se volte a repetir.

Acautelada a devida coordenação científica do projeto, a cargo de investigadores como Reis Torgal e Avelãs Nunes (CEIS20), e sendo importante, para a própria democracia, a criação de espaços desta natureza, poderá remover-se do debate a ideia insalubre de um museu biográfico e laudatório dedicado a Salazar. O problema é que subsiste a questão do lugar, que não é de menor importância. Como lembra Miguel Cardina, a «relação entre memória, património e território» implica «integrar a dimensão contextual na análise de memoriais, museus, monumentos ou centros interpretativos». De facto, não se «interpreta» uma ditadura a partir da terra natal do ditador, nos seus espaços, mobilizando o seu «espólio» e com o respetivo «centro» - como bem sublinha Pedro Adão e Silva - «sintomaticamente a situar na cantina-escola Salazar, convenientemente sediada na avenida dr. António de Oliveira Salazar». Se não é intenção recordar, in loco, este «filho da terra», deve reconhecer-se que o lugar de Vimieiro está impregnado de uma ambiguidade política, histórica e emocional que o torna inelegível para acolher o projeto proposto.

30 comentários:

Jose disse...

O projecto começa a ganhar forma para, com «o necessário rigor científico e mobilizando para o projeto diferentes ângulos de análise e perspetiva, como é suposto que se faça em democracia» melhor criar «uma ambiguidade política, histórica e emocional».

Jose disse...

A primeira republica foi uma falsa democracia, fez morrer largos milhares de portugueses na 1ª GG, nas e por causa das colónias; a descolonização matou milhares em África e meia dúzia por cá; mas para pôr a esquerdalhada como salvadores da Pátria, no regime de Salazar tudo são crimes e horrores infindáveis.

«uma ambiguidade política, histórica e emocional»

Anónimo disse...

Escusa jose de fazer o choradinho em honra daquele sacana do Salazar

A guerra colonial matou dezenas de milhares Em que a responsabilidade do ditador está inscrita a sangue no seu historial

Tentar avançar com a primeira república como fuga para os crimes de Salazar ê sinal de muita coisa. Nenhuma delas tem um nome bonito

Jaime Santos disse...

Pelo contrário, Nuno Serra, o local é excelente para se construir um Museu ao Estado Novo, desde que este seja fiel à verdade histórica e não sirva como laudatório do ditador. De outro modo, arriscamos mesmo a que um dia Santa Comba Dão seja um local de romagem da Extrema-Direita, quando não sobrar lá nada senão a campa do ditador. Que melhor arma contra tal risco do que a afirmação da verdade sobre o regime que dirigiu justamente onde Salazar nasceu e está enterrado?

Não é só do sono da razão que nascem monstros, mas também do esquecimento do Passado...

Anónimo disse...

Jaime Santos junta-se aos que querem um mausoléu para que os viúvos de salazar possam carpir as suas mágoas

É dedicado a ele ( e a outros como ele) este belíssimo texto:

"«Um Museu Salazar na casa onde o ditador nasceu não é possível que seja isento de saudosismo. Há uma atmosfera de capela na ideia impossível de apagar. Qualquer que seja o nome que se dê a este espaço, o perigoso enfoque está criado. Por mais que se destituam os conteúdos de ideologia, o gesto corrompe-se por definição. Os malfeitores devem ser lembrados pelos lugares onde mataram e onde morreram, é isso que nos ensina e nos urge lembrar.

Não é verdade que favorecer a memória de Salazar como um "filho da terra", figurão na História do país, seja só uma liberdade democrática, porque não é. É uma desfaçatez. Salazar mandou assassinar, criou campos de concentração, torturou, mentiu, falseou eleições, dispôs do país e das colónias como se fossem sua mercearia e seu jogo de soldadinhos. Por isso, o que diz respeito à saudade de Salazar não é opinião, é desfaçatez. Não é exercício democrático, é branqueamento de um regime que assassinou, torturou, mentiu e empobreceu os bolsos e os espíritos dos portugueses e de todos os povos de que os portugueses tiveram a ilusão de ser proprietários."

(cont)

Anónimo disse...

""O museu que tinha de haver era o que se perdeu com a sede da PIDE. Aí, sim, haveria de se espanar o saudosismo. A simples ostentação daquelas portas e daquelas paredes serviria para se contar a História a partir do prisma da decência; aquele que imediatamente diz que nenhum poder se pode arrogar a perseguir os seus opositores. Ninguém nos pode voltar a diminuir na liberdade de pensamento e de expressão. Não nos podem matar.

O entusiasmo de Leonel Gouveia, eleito pelo PS na autarquia de Santa Comba Dão, é, no mínimo, inusitado. Já sabemos que o diabo encontra meios de colocar os néscios ao seu serviço, também já suspeitávamos que muita da Esquerda trabalhasse na verdade para a mais pura Direita. Que fizesse um favor tão grande ao fascismo é que não estaria à espera. De Centro Interpretativo a lugar de velas é um passo. Com o rumo que o Mundo leva, se não formos mais espertos, o que vemos a acontecer espantados em outros países regressa ao nosso em esplendor. Quero dizer, para matar as saudades dos assassinatos e dos desaparecimentos, e da tortura e da mais elementar mentira. Vai ser uma curiosidade, depois, ver onde nasceu o novo ditador para cuidar de lhe manter a casinha em pé e ir para lá interpretar o raio que parta."

Um brilhante texto, este de Walter Hugo Mãe

Anónimo disse...

Já agora, já viram a romagem que ocorre em Santa Comba Dão à campa do perverso ditador?

Sem apelos indirectos de museus e de outras fantochadas, é apenas uma brigada breve de reumáticos, frustrados, prenhes de ódio e de sabujice.

Jose disse...

«Ninguém nos pode voltar a diminuir na liberdade de pensamento e de expressão.»

comecemos então por limitar essa liberdade e essa expressão suprimindo a memória de 48 anos de história de Portugal ou reduzindo-a à memória da PIDE, dizem que diz o tal walter hugo mãe

Tudo convites a que o 25A seja recordado pela tortura do Marcelino da Mata, ou pelo filme que deveria ter por título 'a enxada é minha'.

Anónimo disse...

A tentativa constante de jose tentar branquear assassinos, torcionários, ditadores, é particularmente elucidativa

Aconteceu assim já com Pétain, o traidor francês, que se tornou cúmplice e aliado de Hitler. Quantos franceses terão morrido e sido torturados sob as suas ordens?

Aconteceu com a barbárie das tropas franquistas e falangistas, em que tentou realçar as "qualidades" das hordas destes filhos da puta, responsáveis por tantas mortes. O "viva la muerte" era, para este jose, um salutar hino heróico

Aconteceu com o massacre a mando de Barrientos, aquele que era assessorado pelo nazi Klaus Barbie.


Acontece sistematicamente com salazar.

Jose lá sabe os seus ídolos.

Não pode é fazer parte de organizações fascistas já que pela nossa Constituição "não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista"

Anónimo disse...

A guerra colonial sorveu entre 7 a 10% da população portuguesa e mais de 90% da juventude masculina. Ainda em termos de gastos humanos, durante os treze anos de guerra, morreriam mais de 8 mil homens e ficariam feridos ou incapacitados cerca de 100 mil portugueses.

- Segundo dados do Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA), morreram 8.831 militares portugueses

- O número mínimo de mortos africanos terá totalizado os cem mil.

- Relativamente aos que foram psicologicamente afectados pela guerra, embora o número seja contestado, os psiquiatras Afonso de Albuquerque e Fani Lopes contabilizaram 140.000.

Os jovens portugueses eram obrigados a cumprir o serviço militar, que durava entre dois a quatro anos, incluindo a recruta e uma comissão de serviço de cerca de dois numa colónia africana em guerra

Além disso, as guerras em Angola, na Guiné e em Moçambique sorveram avultados meios financeiros, calculando-se que, durante os treze anos, uma média de 33% do Orçamento do Estado tivessem sido canalizados para a «defesa» e que, nos anos 60, foram mesmo ultrapassados os 40%.


Esta é a herança salazarista. Crimes e horrores que não se esgotam na frieza dos números e que devem ser lembrados e recordados. A tentativa de esconder esta trampa miserável e horrenda por detrás da 1ª grande guerra não pode passar impune

Anónimo disse...

A enxada é dele?

Ou outra forma de assumir a raiva desbocada contra quem ousa demascarar as tretas dos viúvos de Salazar

E de salazar e do seu regime de piolhosos fascistas

Grande Walter Hugo Mãe. A acertar no sitio certo, lá onde as balls de salazar foram camtadas até à idiotice maior por um seu admirador incontido

Anónimo disse...

( confessemos...até a tentativa do branqueamento da pide...

é de ...! )

Anónimo disse...

"suprimindo a memória de 48 anos de história de Portugal ou reduzindo-a à memória da PIDE"?

Pelo contrário, pelo contrário.

É preciso, necessário e urgente lembrar o que foi o fascismo,a ditadura e todos os seus crimes.

Mas não em santuários e em romarias néscias. "Os malfeitores devem ser lembrados pelos lugares onde mataram e onde morreram, é isso que nos ensina e nos urge lembrar."

Anónimo disse...

Suprimindo a memória de 48 anos de história de Portugal...


Assim sobre a guerra colonial teríamos direito a este vocabulário em uso por jose para "explicar" a guerra colonial

Cite-se o próprio jose:
"Todo o filho da puta fez declarações a favor dos turras para mamar mordomias no destino de exílio"

"Turras"? Para Angola e em força?

Anónimo disse...

"Reduzindo-a ( a história de Portugal) à memória da Pide"
Sobretudo à memória que jose tem da Pide


Mais uma vez jose em discurso directo:

"agentes da PIDE prestaram grandes serviços à Pátria - se é que sabes o que isso seja!"


Ou a defesa da higiene pública da pide made in Jose:

"Não duvido que ( os pides) trinchassem um treteiro badalhoco de vez em quando, que a higiene pública também é defesa do Estado"

Para a Posteridade e mais Além disse...

e 15 comentários depois não há museu pra ninguém

Anónimo disse...

Este José ê ainda pior do que se pensava

Anónimo disse...

Por 15 comentários? Não há museu para ninguém?
É pá se fosse verdade tínhamos que aturar o choradinho do jose agarrado ao Jaime e ao Pimentel
Ia ser um drama de drag-queres

Jose disse...

Há o Museu do Aljube para nos falar de quase tudo que à resistência ao regime diz respeito e que bem documenta a sua natureza repressiva e sem liberdades; mas aí não há que falar do restante, aí estamos no pleno conforto da plena condenação.

Algo em que possa surgir o muito bem que foi feito pelo regime e é o pânico na esquerdalhada!!!!
E de tal maneira que já os próceres da nação recomendaram que ninguém colabore com Santa Comba por causa das assombrações aí residentes; há que preservar o clima abrilesco que dá abrigo a tantos democratas, cara*o!

Antes não haja museu do que montar uma palhaçada dum choradinho in memoriam das vítimas do fascismo, dos horrores do fascismo, da desgraça do fascismo, da vergonha do fascismo, do atraso do fascismo, da maldade do fascismo, quando, por esse mesmo tempo a Europa era um encanto, mais a leste brilhava a Luz da Salvação, isto para não falar dos territórios de África, tão carentes de se libertarem para serem felizes para sempre em paz e progresso.




Anónimo disse...

Muito bom que foi feito pelo regime?

Os chás de recolha de fundos de Salazar?
Com as dondocas com que namoriscava, enquanto recolhia fundos para os franquistas espanhóis?

Anónimo disse...

O muito bom que foi feito pelo fascismo?

Como o horror da guerra em proveito dos colonialistas e sob as garras de Salazar?

Anónimo disse...

O muito bom feito pelo fascismo?

Como as ordens para executar Humberto Delgado?

Anónimo disse...

O muito bom que foi feito pelo fascismo?

Como a protecção dos néscios donos de Portugal,que submeteram os trabalhadores à mais desenfreada exploração, sob a protecção dos esbirros do regime e da pide tão admirada por jose?

Anónimo disse...

Estas lágrimas do jose pelo colonialismo e pelo fascismo

Olhem para os malandros dos colonizados, desejosos de se libertarem do jugo colonial... atao isso faz-se?


Ê de néscio o “ felizes para sempre”. A liberdade é um bem inestimável e para esta cambada a felicidade está reservada aos que ocuparam e saquearam a terra alheia

Uma terra ocupada pelas botas cardadas do fascismo. Racistas da trampa a saquearem as riqueza dos outros

Até se babam ainda quando pensam nisso

JE disse...

"aí estamos no pleno conforto da plena condenação."

Estamos?

Quer jose que lhe perdoem os hinos caceteiros a elogiar os pides ou o grotesco racista de usar a palavra "turras", com que as elites do regime e os porno-ricos minoseavam os colonizados que se revoltavam?

JE disse...

O algo de muito bom que foi feito pelo regime?

Os que salazar mandou assassinar? Os campos de concentração criados pelo patife? As torturas que mandou executar? As mentiras com que encheu aqueles discursos néscios e bolorentos, alvo do exercício onanistico dos seus viúvos? As eleições falseadas e aldrabadas? O jogo de dono e senhor do país e das colónias como se fossem suas mercearias e coutadas?

JE disse...

O que diz respeito à saudade de Salazar não é opinião, é desfaçatez.

Não é exercício democrático, é branqueamento de um regime que assassinou, torturou, mentiu e empobreceu os bolsos e os espíritos dos portugueses e de todos os povos de que os portugueses tiveram a ilusão de ser proprietários.

Pelo que, com o respeito que é devido ás vítimas do fascismo, não vamos deixar branquear um regime de torcionários, de filhos da puta e de sacanas sem lei

Por mais que jose tente trautear o hino da mocidade, o grasnar da legião e os berros dos torturadores

JE disse...

" há que preservar o clima abrilesco que dá abrigo a tantos democratas, cara*o!


...isso é uma nova referência às balls do outro, pelas quais jose tem tanta estima?

JE disse...

Verdadeiramente admirável

A comprovação in loco das ligações fortes e fatais entre um assumido saudosista do fascismo e um igualmente assumido neoliberal

Tocam-se abraçados. Dependem um do outro. Amam-se um ao outro

Jose disse...

A edição sempre poupa o Cuco!