segunda-feira, 25 de março de 2019

Memória de uma entrevista

A entrevista de António Costa ao Público merece três ou quatro comentários esperançosos e três ou quatro sem ilusões e sem preocupações de ser exaustivo.

Em primeiro lugar, reconhece a realidade ululante: “o euro foi o maior bónus que a Europa ofereceu à Alemanha”. Eu adicionaria a dimensão de classe à da geopolítica; falaria, por exemplo, de capital financeiro alemão e das duas alas do partido único exportador alemão, mas não quero ser picuinhas.

Em segundo lugar, vem reconhecer a inevitabilidade da “geometria variável” das alianças entre Estados, abrindo campo para várias velocidades e até direcções, perante a realidade do desenvolvimento desigual, da crescente heterogeneidade social e política da União Europeia, mesmo que seja para superar a “paralisia” da integração. As ilusões não acabam todas de uma vez.

Em terceiro lugar, parece reconhecer a medo que nacionalismos há muitos e que a dicotomia liberal dos “abertos” e dos “fechados” representa um estreitamento perverso do combate político, embora por vezes caia nessa dicotomia já habitual.

Em quarto lugar, reconhece que a integração europeia estreitou os termos do combate político. Quando Tsipras e Macron, o perigoso plástico político que ainda flutua, são as componentes de uma suposta aliança progressista está tudo dito sobre os destroços de uma social-democracia afundada pela UE.

Em quinto lugar, Costa continua a estar disponível para novas perdas de soberania, em nome de potenciais avanços progressistas na UE. Nem ele próprio pode acreditar numa loucura com cada vez mais condicionalidades depois de todos estes anos; de todas estas décadas, na realidade.

Em sexto lugar, mantém a esperança na União Bancária, quando está farto de saber que Portugal, também graças ao seu governo, foi uma cobaia para mecanismos perversos com lastro, onde o Estado português continuará a pagar e os estrangeiros cada vez mais a mandar.

Finalmente, quando a lógica realista das grandes potências as impele a defender as suas indústrias, continua a achar que Portugal beneficiará da abertura irrestrita. Desta forma, continuaremos sem instrumentos decentes de política industrial, monetária ou comercial para gerir o grau de abertura em função de algo tão irremovível quanto potencialmente objecto de deliberação democrática: o nem sempre convocado interesse nacional.

21 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem!

Jose disse...

O pior de tudo é que, sem o dizer - nada de inquietar o remanso geringonçon - se pode concluir que só reformas de mentes e processos e aumentos de produtividade nos podem aproximar da Europa desenvolvida.

Francisco disse...

As contradições intrínsecas do sistema capitalista e aquilo que é a sua tradução concreta no cada vez mais indisfarçável choque de titãs entre os blocos imperialistas, tornam a social-democracia não apenas num projecto político falhado (isso em si mesmo, não constitui qualquer novidade de relevo), mas, sobretudo, num projecto perigosamente inútil para a consecução de objectivos que não poderão já, porventura, ser obtidos utilizando as mesmas armas do passado. É neste contexto que deve entender-se a emergência da extrema-direita europeia (já aqui ao lado na vizinha Espanha, por exemplo) a qual vai ocupando precisamente o lugar deixado vago pela cadáver social-democrata.
Pela minha parte receio bem que este caminho se agudize, já que não existem por enquanto e a uma escala significativa alternativas políticas de esquerda que visem a superação do sistema capitalista, quando é certo que é precisamente essa superação o elemento nuclear em torno do qual gravitam todos os problemas por um lado e toda a esperança por outro. A entrevista de António Costa é a entrevista de alguém que sendo um náufrago a quem foi dada a mão em Outubro de 2015, se encara a si mesmo de forma impante como o governador da ilha onde acabou por dar à praia, insistindo em dizer que em redor é tudo leite e mel, quando na verdade o que mais há são dunas e areia, embora se oiça aqui ou ali, o som desta ou daquela arara

esteves, ayres disse...

Um texto de um artigo do saudoso Arnaldo Matos Sobre a UE, que muitos de vós desconhecem, por culpa da maioria da comunicação social, que sempre o ódio até á sua morte.
Publicado em 20.03.2014 no Jornal online LP(…)
"Os ideólogos do imperialismo europeu sempre apresentaram as suas teorias sobre a necessidade da unidade política e económica da Europa como uma narrativa de paz: a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, a Comunidade Económica Europeia, a União Económica e Monetária e, por fim, a União Europeia foram sempre apresentadas aos povos da Europa e do mundo como instrumentos políticos de paz, num continente onde, desde o I Milénio antes da nossa era, não houvera um único século sem guerras.

Só no século XX, travaram-se na Europa duas guerras, que imediatamente se transformaram em duas guerras mundiais. Os chamados pais fundadores do movimento que visava a unidade política e económica da Europa propunham-se, com a unidade europeia, pôr definitivamente termo às guerras na Europa e criar entre os povos europeus uma era de paz permanente"(1)

Arnaldo Matos

esteves, ayres disse...

A União Europeia, a Ucrânia e o Espaço Vital Alemão
Imprimir Email Publicado em 20.03.2014
mural 01Os ideólogos do imperialismo europeu sempre apresentaram as suas teorias sobre a necessidade da unidade política e económica da Europa como uma narrativa de paz: a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, a Comunidade Económica Europeia, a União Económica e Monetária e, por fim, a União Europeia foram sempre apresentadas aos povos da Europa e do mundo como instrumentos políticos de paz, num continente onde, desde o I Milénio antes da nossa era, não houvera um único século sem guerras.

Só no século XX, travaram-se na Europa duas guerras, que imediatamente se transformaram em duas guerras mundiais. Os chamados pais fundadores do movimento que visava a unidade política e económica da Europa propunham-se, com a unidade europeia, pôr definitivamente termo às guerras na Europa e criar entre os povos europeus uma era de paz permanente
(")"Nada mais hipócrita poderia haver, pois o primeiro passo dado no apregoado sentido da unidade e da paz foi a constituição da Comunidade Económica do Carvão e do Aço, com a qual os vencedores da segunda guerra mundial, com a Inglaterra e a França à cabeça, tomaram conta das reservas estratégicas germânicas do carvão e do ferro, duas matérias-primas vitais para a recuperação económica dos vencedores da guerra de 1939/45.

Por três vezes e em lugares diferentes, Lenine escreveu, contra os primeiros ideólogos imperialistas da unidade europeia em nome da paz, que os então chamados estados unidos da Europa ou seriam impossíveis ou reaccionários.

Reaccionária é precisamente a União Europeia de hoje, constituída sob a égide de um acordo intercapitalista encabeçado, para vergonha do povo português, por um contrato diplomático conhecido como o Tratado de Lisboa"

esteves, ayres disse...

(4)"Nada mais hipócrita poderia haver, pois o primeiro passo dado no apregoado sentido da unidade e da paz foi a constituição da Comunidade Económica do Carvão e do Aço, com a qual os vencedores da segunda guerra mundial, com a Inglaterra e a França à cabeça, tomaram conta das reservas estratégicas germânicas do carvão e do ferro, duas matérias-primas vitais para a recuperação económica dos vencedores da guerra de 1939/45.

Por três vezes e em lugares diferentes, Lenine escreveu, contra os primeiros ideólogos imperialistas da unidade europeia em nome da paz, que os então chamados estados unidos da Europa ou seriam impossíveis ou reaccionários.

Reaccionária é precisamente a União Europeia de hoje, constituída sob a égide de um acordo intercapitalista encabeçado, para vergonha do povo português, por um contrato diplomático conhecido como o Tratado de Lisboa.

A União Europeia não é apenas reaccionária; a União Europeia é a guerra! E, desde logo, a guerra na própria Europa.

Com efeito, servindo-se da União Europeia como chamariz atractivo, o imperialismo germânico começou a organizar a Europa à imagem e semelhança da visão hitleriana do III Reich. Aproveitando-se do colapso do imperialismo revisionista soviético, a Alemanha começou a ocupar, sempre contando com as estruturas apelativas da União Europeia, os países do leste da Europa, e foi ao ponto de dividir um país, relativamente próspero como era a Checoslováquia, em dois países distintos – a República Checa e a Eslováquia – recuperando assim, sob a forma de República Checa, o território dos Sudetas, objecto da ocupação militar das tropas hitlerianas no período que antecedeu a segunda guerra mundial.

Completado o quadro da incorporação do leste europeu na União Europeia, a Alemanha e seus lacaios, no grupo dos quais se conta a classe dominante capitalista em Portugal, voltaram-se para os Balcãs, onde impuseram uma longa guerra para a destruição da Jugoslávia, guerra que Hitler no seu tempo não conseguiu ganhar.

Com a ajuda das tropas americanas, da Nato e dos governos seus lacaios na União Europeia, o imperialismo germânico conseguiu destruir a Jugoslávia e dentro desta, destruir a Sérvia, ajustando a chancelerina Merkel as velhas contas que Hitler não conseguiu ajustar com a nobre nação sérvia.

Assim, quarenta e poucos anos depois do termo da II Guerra Mundial, a guerra voltou à Europa pela mão dos mesmos tiranos: os boches.

Na nova guerra balcânica, alemães e americanos cometeram todavia um erro fatal: permitiram que, na província sérvia do Kosovo, a maioria albanesa e muçulmana local estabelecesse a independência, através de um movimento terrorista recrutado na vizinha Albânia e armado pelos Estados Unidos da América e pela Alemanha, ao mesmo tempo que a capital da Sérvia e as suas principais cidades eram destruídas pelos bombardeamentos maciços de aviões da Nato e da Alemanha"

esteves, ayres disse...

(5)A União Europeia, a Ucrânia e o Espaço Vital Alemão
Imprimir Email Publicado em 20.03.2014
mural 01Os ideólogos do imperialismo europeu sempre apresentaram as suas teorias sobre a necessidade da unidade política e económica da Europa como uma narrativa de paz: a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, a Comunidade Económica Europeia, a União Económica e Monetária e, por fim, a União Europeia foram sempre apresentadas aos povos da Europa e do mundo como instrumentos políticos de paz, num continente onde, desde o I Milénio antes da nossa era, não houvera um único século sem guerras.

Só no século XX, travaram-se na Europa duas guerras, que imediatamente se transformaram em duas guerras mundiais. Os chamados pais fundadores do movimento que visava a unidade política e económica da Europa propunham-se, com a unidade europeia, pôr definitivamente termo às guerras na Europa e criar entre os povos europeus uma era de paz permanente.

Nada mais hipócrita poderia haver, pois o primeiro passo dado no apregoado sentido da unidade e da paz foi a constituição da Comunidade Económica do Carvão e do Aço, com a qual os vencedores da segunda guerra mundial, com a Inglaterra e a França à cabeça, tomaram conta das reservas estratégicas germânicas do carvão e do ferro, duas matérias-primas vitais para a recuperação económica dos vencedores da guerra de 1939/45.

Por três vezes e em lugares diferentes, Lenine escreveu, contra os primeiros ideólogos imperialistas da unidade europeia em nome da paz, que os então chamados estados unidos da Europa ou seriam impossíveis ou reaccionários.

Reaccionária é precisamente a União Europeia de hoje, constituída sob a égide de um acordo intercapitalista encabeçado, para vergonha do povo português, por um contrato diplomático conhecido como o Tratado de Lisboa.

A União Europeia não é apenas reaccionária; a União Europeia é a guerra! E, desde logo, a guerra na própria Europa.

Com efeito, servindo-se da União Europeia como chamariz atractivo, o imperialismo germânico começou a organizar a Europa à imagem e semelhança da visão hitleriana do III Reich. Aproveitando-se do colapso do imperialismo revisionista soviético, a Alemanha começou a ocupar, sempre contando com as estruturas apelativas da União Europeia, os países do leste da Europa, e foi ao ponto de dividir um país, relativamente próspero como era a Checoslováquia, em dois países distintos – a República Checa e a Eslováquia – recuperando assim, sob a forma de República Checa, o território dos Sudetas, objecto da ocupação militar das tropas hitlerianas no período que antecedeu a segunda guerra mundial.

Completado o quadro da incorporação do leste europeu na União Europeia, a Alemanha e seus lacaios, no grupo dos quais se conta a classe dominante capitalista em Portugal, voltaram-se para os Balcãs, onde impuseram uma longa guerra para a destruição da Jugoslávia, guerra que Hitler no seu tempo não conseguiu ganhar.

Com a ajuda das tropas americanas, da Nato e dos governos seus lacaios na União Europeia, o imperialismo germânico conseguiu destruir a Jugoslávia e dentro desta, destruir a Sérvia, ajustando a chancelerina Merkel as velhas contas que Hitler não conseguiu ajustar com a nobre nação sérvia.

Assim, quarenta e poucos anos depois do termo da II Guerra Mundial, a guerra voltou à Europa pela mão dos mesmos tiranos: os boches.

Na nova guerra balcânica, alemães e americanos cometeram todavia um erro fatal: permitiram que, na província sérvia do Kosovo, a maioria albanesa e muçulmana local estabelecesse a independência, através de um movimento terrorista recrutado na vizinha Albânia e armado pelos Estados Unidos da América e pela Alemanha, ao mesmo tempo que a capital da Sérvia e as suas principais cidades eram destruídas pelos bombardeamentos maciços de aviões da Nato e da Alemanha"!....

esteves, ayres disse...

(6)"O apoio dado ao Kosovo – hoje um país reconhecidamente inviável - voltou-se contra os governos dos países da União Europeia que têm nações ou minorias nacionais nos seus territórios, desde a Espanha (com a Catalunha, o País Basco e a Galiza), e o Reino Unido (com a Escócia e a Irlanda do Norte) até à Roménia (com a Moldávia), à Itália (com a Lombardia) e à França (com a Córsega e os territórios ultramarinos).

Mas o imperialismo germânico, arrastando a União Europeia como bandeira, não se ficou pela nova guerra dos Balcãs; foi também, levando sempre consigo o pendão da União Europeia, à guerra na Líbia e na Síria, deixando aí dois caroços dos quais ainda hoje não vê como sair.

É verdade que a chancelerina Merkel, muito embora já seja a terceira vendedora mundial de armamento, ainda não dispõe de um Rommel e de um Afrika Korps para tentar dominar o norte de África, mas, tal como o seu émulo Hitler, já anda em guerra na Síria e na Líbia, ali por causa do controlo do Mediterrâneo oriental e do Oriente Médio, e aqui por causa do petróleo.

Será que um dia mais tarde, a chancelerina ou os seus descendentes irão à Noruega tomar-lhe o seu petróleo do Mar do Norte, já que a Noruega se recusou a entrar na União Europeia e, muito menos, a entrar na zona euro?!...

Em todo o caso, é por causa do petróleo e do gás natural (além das monumentais reservas de trigo) que a Alemanha, sempre servindo-se do espantalho da União Europeia, iniciou a ocupação da Ucrânia, visando porém mais longe: visando o Azerbeijão e os países agora independentes da orla do Mar Cáspio, onde também Hitler tentou chegar para abastecer-se de petróleo e de gás.

É, ainda e uma vez mais, a aplicação prática da teoria do espaço vital alemão, já definido no Mein Kampf. A passo e passo, caladinha e quase distraída, Merkel experimenta chegar com o lábaro da União Europeia aonde Hitler não teve força para chegar com os seus Panzer"

esteves, ayres disse...

(7)"O processo da chancelerina Merkel é sempre o mesmo: procura aprisionar os novos países, oferecendo-lhes a entrada na União Europeia e apoios financeiros que se diriam ilimitados; se, nos países alvo, uma parte da população se opõe ao fascínio do canto de sereia germânico, a Alemanha fornece armas e organiza a guerra civil com vista a afastar do poder as forças locais que se opõem à entrada na União Europeia (ou seja, que se opõem à ocupação germânica do seu território).

Na Ucrânia, a milícia nazi organizada e armada pelo governo germânico foi ao ponto matar alguns dos ocupantes da praça Maiden, em Kiev, atribuindo depois ao governo legítimo ucraniano a autoria dessas mortes.

A União Europeia é, de facto, a guerra e a bandeira da guerra.

Só que, desta vez, encontrou na Ucrânia um osso muito duro de roer – o mesmo osso que, afinal, sob a direcção de Estaline, tinha derrotado já Hitler e agora derrotou a chancelerina Merkel, a União Europeia e a Nato – o povo russo!

Claro está que a Federação russa não iria nunca permitir que a Alemanha ocupasse a Crimeia, onde se localiza o único porto de águas quentes (ou seja, único porto russo em que as águas nunca gelam ao longo de todo o ano) à disposição da sua marinha de guerra e da sua frota de comércio"Por agora, nem a Alemanha, nem a Nato, nem o imperialismo americano tem condições para inverter esta derrota.

E a luta obviamente continuará pelo lado das populações russas, que, tal como sucedeu com os sérvios na Bósnia-Herzegovina, não deixarão de exigir a sua autonomia e independência políticas em determinadas outras regiões da Ucrânia.

Todavia, há, disto tudo e desde já, duas lições a tirar: a primeira, a de que a União Europeia não é uma estrutura europeia de paz, mas, sim de guerra, da qual os povos europeus, amantes da paz, devem impor a sua própria retirada; a segunda, a de que a correlação de forças estratégicas ao nível mundial já se alterou nos últimos vinte cinco anos, depois do colapso do social-imperialismo revisionista soviético.

As derrotas estratégicas do imperialismo americano no Iraque e no Afeganistão, acompanhadas da derrota da tentativa de ocupação da Ucrânia, mostram que o imperialismo americano, sendo ainda uma potência militar dominante, já não é, no quadro mundial, uma potência militar determinante.

Todavia, a União Europeia é a guerra; o imperialismo germânico é a guerra; o imperialismo ianque é a guerra. Mas são também e cada vez mais tigres de papel. A vitória final será sempre dos proletários e dos povos do mundo. E esse será também o caso da actual luta na Ucrânia"

Espártaco (Arnaldo Matos)

josé luis disse...

Aos sessenta e nove aos, já sem ilusões a respeito do que nos podem oferecer aqueles que nasceram -política e ideologicamente - para dividir entre si a parcela conquistada - roubada -do bolo maior que é o esforço braçal e intelectual de quem luta pela dignidade de uma existência, só me falta entender o que falta ser feito no sentido da grande síntese fascinante que vem sendo modelada desde que nos foram roubados os verdadeiros significados de quase tudo o que é substantivo político. Espaço vital, impulso vital, compromisso vital, etc., sempre foram a outra forma de dizer que o sistema capitalista foi imaginado para ser eterno. Estude-se o percurso Mussoliniano que o leva ao seu tipo de fascismo, que por ter sido diferente em algumas das fontes, foi diferente do nazismo. Sim, pretendo dizer que também no neofascismo actual, haverá tantas faces como contextos interpretativos. Não, não me passa pela cabeça dizer que A. Costa tem qualquer tipo de inclinação desse tipo, porém quer-me parecer que o futuro do PS, a curto prazo, será o que os neoliberais - ou neofascistas - do PS quiserem, pois basta uma campanha mediática bem orientada, e havemos de ficar de boca aberta. De espanto? É tanta a história passada!

Adriano disse...

O valor que o salário mínimo real tem em 2017 (€535, acerto IPC, base 2011), é 26 porcento superior ao valor real que tinha em 2002 (€424, acerto IPC, base 2011), data da entrada na moeda única; já o salário mínimo real em 2002 (€424), data da entrada na moeda única, é 21 porcento inferior ao valor real que tinha em 1975 (€535, IPC, base 2011). E qual a diferença entre estes dois períodos? A divisa! Logo, desde que foi criado o Euro aumentou em 26% o rendimento REAL das famílias, sendo que o Escudo retirou rendimentos pela via da depreciação da moeda. De referir que o índice IPC faz referência ao Índice de Preços ao Consumidor e tem em consideração o cabaz de produtos e serviços do cidadão médio. Logo, se há pessoas que mais beneficiaram com o Euro, indubitavelmente que foram os assalariados e pensionistas portugueses, devido à estabilidade da divisa.

S.T. disse...

Identifica-se logo acima o chouriço do Aónio que agora, por vergonha das bacoradas que andou a propalar sobre a tortura e a violação dos direitos humanos já não tem coragem de usar o mesmo nick.

Já se explicou que o salário mínimo não é significativo porque representa apenas o mínimo socialmente aceitável e não representa a economia do país como um todo.

E já se forneceram outros dados muito mais interessantes em que são comparados índices de crescimento de países que entraram e de outros que não entraram na moeda única. E as conclusões são avassaladoras: Cada português perdeu mais de 40.000€ com a porcaria do €uro.

Estudo completo aqui, em pdf:

https://www.cep.eu/fileadmin/user_upload/cep.eu/Studien/20_Jahre_Euro_-_Gewinner_und_Verlierer/cepStudy_20_years_Euro_-_Winners_and_Losers.pdf

"Conclusion: Portugal only benefited marginally from the euro in the first few years after its introduction. In subsequent years, the euro increasingly led to losses of prosperity. Aggregated, it has given rise to a drop in prosperity of € 424 billion overall or € 40,604 per capita. Only in France and Italy were the losses greater."

"Conclusão: Portugal apenas beneficiou marginalmente do euro nos primeiros anos após a sua introdução. Nos anos subsequentes, o euro levou cada vez mais a perdas de prosperidade. Agregado, deu origem a uma queda na prosperidade de € 424 mil milhões no total ou € 40.604 per capita, somente na França e na Itália as perdas foram maiores."

António Costa parece ter a noção clara de que o negócio favoreceu descomunalmente a Alemanha, mas está como o prisioneiro que não resiste à tortura e que assinará tudo o que os torcionários lhe puserem na frente.

Aconselha-se-lhe a leitura deste artigo de Wolfgang Streeck:

https://braveneweurope.com/wolfgang-streeck-the-euro-is-not-without-alternative

Excerto que me parece significativo e assenta como uma luva:

"There will therefore be no “transfer union” compensating less competitive member countries for their losses –and in any case the amounts required would be far too high even for Germany. Moreover, in the long run reliance on transfers from a richer country will undermine national self-government, as the giving country will want to have a say on how the receiving country will use what it is given. Sticking to the euro in the hope for Germany paying off the losers under its hard currency regime would be a big mistake."

A meu ver a melhor linha de acção políticamente aceitável é envergonhar a cara aos dirigentes alemães.

Se o PS não os tiver no sítio para o fazer directamente, até pelo lixo plástico europeísta que flutua no Rato, deve "encomendar" o serviço e fazer muitas vascas para garantir que a mensagem é largamente difundida.
Melhor ocasião não pode haver, com as europeias à porta.

Como diria o Sr. Taleb, Kapish?

S.T.

Jaime Santos disse...

Sobre o resto, não vale a pena dizer muito, corresponde às posições habituais de João Rodrigues. Sobre a sua defesa do protecionismo, deveria ter percebido que o que Costa defende é uma abertura que não comprometa a possibilidade de Portugal fazer alianças com outros atores, a começar pela China. A sua crítica aos 'campeões europeus' baseia-se justamente no desejo de impedir que a formação destes se faça à custa do sacrifício dos Países mais pequenos.

Ou então, trata-se do costumeiro 'atirar a pedra e esconder a mão' em que o João Rodrigues não consegue defender a autarcia nacional, que é aquilo que desejaria. Na ausência da URSS, resta-lhe a defesa de um nacionalismo serôdio que Salazar não enjeitaria (só que ele dizia uma coisa e no final fazia outra).

Enfim, sem emenda!

Aónio Eliphis disse...

ST diz que "Cada português perdeu mais de 40.000€ com a porcaria do €uro". Um paradoxo em si mesmo que revela a integridade intelectual de ST, isto é, nula! Cada português perdeu rendimentos numa moeda (40 mil unidades), caso o país nunca tivesse aderido a tal moeda há 17 anos. É como dizer que eu teria tido muitos filhos portugueses, caso tivesse casado há 20 anos em Estocolmo com a Claudia Schiffer.

S.T. disse...

O Sr. Aónio que não se arme em parvo porque não tem a mínima razão para me colocar questões de integridade intelectual.
A sua comparação é tão cretina que não merece sequer comentário.

Se não tem massa cinzenta suficiente para ler o estudo em causa, olhe, vá lamber sabão!

O estudo detalha muito bem a metodologia seguida para chegar a essa conclusão.

S.T.

S.T. disse...

Já agora, falta o linkezinho!

Para hoje, um artigo que pode ser instrutivo se adaptado aos trolls europeístas.

No caso versa a forma inteligente como AOC, Alexandria Ocasio-Cortez, combate eficazmente os trolls republicanos sobre as questões das alterações climáticas.

https://www.salon.com/2019/03/27/alexandria-ocasio-cortez-shows-us-all-heres-how-to-fight-republican-climate-trolls/

S.T.

S.T. disse...

E para bónus, Yanis Varoufakis afirma em vídeo do FT que o acordo do Brexit é tão contrário aos interesses britânicos que é o tipo de acordo que só se aceita depois de se ter sido vencido numa guerra.

https://www.ft.com/video/01aef2cb-81b9-4dbb-9f8b-85a0c9559097

Que tal? Bom, não?

Agradeçam ao Aónio... LOL

Tudo bons rapazes, a malta da EU...

S.T.

Aónio Eliphis disse...

O ST deveria saber que fazer previsões económicas sobre o que seria o mundo agora, caso há 17 anos as decisões tivessem sido outras, não anda muito longe da astrologia, tal o rigor da "metodologia". Já os dados que apresentei do poder de compra são apenas factos! Sabe ST, é que eu sou engenheiro, e nunca fui muito à bola com o "rigor metodológico" das ciências sociais!

Aónio Eliphis disse...

Excelente vídeo ST. Todavia hoje sabe-se que Schäuble quis expulsar a Grécia do Euro no pico da crise, e que na hora H, o governo grego colocou o rabinho entre as pernas, e violou mesmo o resultado de um referendo popular. E disso o Varoufakus nada diz!

S.T. disse...

Não Sr. ingeñero. Tá errado, Sr ingeñero!

O que o cavalheiro apresentou não são dados sobre o poder de compra da TOTALIDADE da população. Quando muito serão dados sobre a parte da população trabalhadora que recebe o salário mínimo, que é uma percentagem variável do total da massa salarial nacional.

E ainda mais. O salário mínimo nada diz sobre o crescimento das empresas e a sua rentabilidade. Para isso há outros indicadores que são mais adequados.
Se se quer ter um quadro global do crescimento de uma economia o indicador mais simples e genérico é o PIB.

Só que o PIB não serve para sustentar o seu europeísmo da treta!

Aquilo que o Sr fez foi o chamado "cherry picking", escolher só um indicador parcial em função da tese que quer promover.
O Sr ingñero é uma fraude.

Por isso repito, Sr. ingeñero, vá lamber sabão!

S.T.

Aónio Eliphis disse...

Espera aí! Então mas o PIB não é aquele indicador capitalista redutor que nada nos diz sobre a distribuição da riqueza e bem-estar do proletariado? Agora estou confuso! Não é o salário mínimo o rendimento dos mais pobres e oprimidos?