terça-feira, 9 de maio de 2017

A Culpa é do Mélenchon


O tempo entre a 1ª e a 2ª voltas das Eleições presidenciais foi marcado por uma campanha, como tenho visto poucas, de ataque à única candidatura de esquerda que se atreveu a vencer, no meio do descalabro que foram os resultados. Sobre o que têm a dizer, à direita, os vários antifascistas de ocasião não me interessa particularmente falar. Pelo menos, até ouvir à direita portuguesa qualquer coisa contra o governo fascista efectivamente existente na Hungria, cujo partido continua a integrar o respeitável PPE, sem sobressalto de maior.

Interessa-me bastante mais a forma como uma certa esquerda europeísta embarcou nesta campanha. Repare-se que estamos bem para lá da questão de saber se Mélenchon deveria ter divulgado o seu voto depois da consulta ao movimento França Insubmissa, consulta essa que estava marcada antes do voto da 1ª volta. Estamos no domínio de uma campanha que visava atribuir a Mélenchon a responsabilidade de uma vitória de Marine Le Pen, do fascismo, da guerra, de todos os males da França, da Europa e do mundo.

Em primeiro lugar, é preciso perceber que o facto de essa campanha assentar essencialmente no pânico e na histeria não quer dizer que os seus instigadores estejam a agir de forma irracional. A campanha contra Mélenchon tem três propósitos inteiramente calculados:

1. A diversão – A primeira razão para a obsessão anti-Mélenchon é a de conseguir não dizer absolutamente nada sobre o descalabro do candidato do PSF e da proposta do Europeísmo de esquerda. É verdadeiramente extraordinária a forma como os entusiastas de Hamon saíram de mansinho ainda os votos não estavam contados. Hamon não ficou só sem votos. Ficou sem amigos. Em toda a esquerda europeísta, não se ouve uma reflexão, uma interrogação, um palpite que seja sobre o grau de descrédito a que chegou a proposta política do europeísmo de esquerda. Um momento que pode ajudar a perceber essa deserção foi aquele em que Hamon se disponibilizou a apoiar Mélenchon numa segunda volta, pondo a esquerda bem antes do europeísmo.

2. A amálgama – A segunda razão é a de forçar a esquerda soberanista num dos pólos que se pretende impingir a todos os povos. Ou se está com a Europa, ou se está com o fascismo. Se o pudor foi impedindo que esta imposição fosse formulada com esta clareza, o colapso do europeísmo de esquerda soltou todas as inibições. À esquerda que não desistiu de o ser só sobraria a possibilidade de se amalgamar com a direita fascista ou a direita ultra-liberal. Mélenchon só se livraria das acusações se, na noite das eleições, tivesse entregue a Macron votos que lhe foram entregues para um projecto incompatível. O preço da salvação para Mélenchon era o suicídio político.

3. A sobrevivência – A terceira razão decorre dessa exigência. A campanha dos europeístas contra Mélenchon é um esforço desesperado para reconquistar à cotovelada o espaço perdido. A esquerda que desistiu de enfrentar a Europa do liberalismo, a esquerda que passou alegremente dos panegíricos a Hamon aos panegíricos a Macron, a esquerda que passou do europeísmo de esquerda para o europeísmo-ponto, trava o seu combate mais virulento contra o resto da esquerda. A França representa em três actos a falência política do europeísmo de esquerda: os 6% de Hamon, o programa de Macron, a campanha contra Mélenchon.

Notará o leitor que não incluo nas motivações da campanha contra Mélenchon qualquer tipo de sobressalto antifascista. Não é por não acreditar que haja gente que pensa seriamente que o melhor curso de acção para Mélenchon teria sido declarar imediatamente o apoio a Macron. Tanto acredito, que continuo a achar que, depois da consulta ao seu movimento, Mélenchon deveria ter dado a conhecer o seu sentido de voto. Mas teria sido desastroso que Mélenchon o tivesse feito na noite eleitoral, curto-circuitando o seu próprio movimento e a consulta que ele próprio convocou. Dizer que ele estaria apenas a dar a sua opinião pessoal é só ridículo. Uma coisa é clara: não há qualquer motivação antifascista que possa motivar este concurso de tiro ao Mélenchon.

Comecemos pelos factos: Mélenchon foi o candidato que melhor combateu a Frente Nacional em todos os seus terrenos: Nos operários (22,4%), nos empregados (23,1%), nos desempregados (27,5 contra 29,9%) e nos jovens (24,6 contra 25,7). Se a Frente Nacional cavalgou nos sectores em que o descontentamento é maior, a França Insubmissa foi a única força capaz de lhe resistir, capaz de combater nesse terreno.

Quanto às transferências de voto, Macron teve 19% de eleitores Mélenchon, 18% de Fillon e 9% de Hamon. Se pensarmos na diferença, entre votos Macron-Le Pen, os contributos líquidos são 12% de Mélenchon, 8% de Hamon e 4% de Fillon. Claro que também se pode falar da proporção de eleitores, em que Hamon ganha claramente 90%, enquanto Mélenchon se fica pelos 73% e Fillon pelos 56%, mas estas contas têm um problema: o que conta é o número de votos. Para que um candidato possa “dar” votos contra Le Pen, primeiro é preciso que sejam ganhos, e quem o conseguiu fazer à esquerda foi Mélenchon. Acresce que Macron e Hamon são dois candidatos provenientes do mesmo espaço político, mesmo que diferentes e mesmo antagónicos, no plano da política económica e social. 

Coloquemos, portanto, as responsabilidades onde elas assentam: o grande motor da extrema-direita em França são as políticas dos europeístas, o único travão é a esquerda de Mélenchon.

Um elemento da campanha particularmente sonso é a ideia de que Mélenchon, com este posicionamento, teria desbaratado a base de apoio que reuniu durante a sua campanha. As sondagens para as legislativas não parecem confirmar esse desejo. As previsões apontam para que Mélenchon perca para as legislativas cerca de um terço do seu eleitorado das presidenciais. Isto significa que acontecerá o mesmo, mas em menor grau, que aconteceu em 2012, quando Mélenchon caiu de 11,1 para 6,9% entre Presidenciais e Legislativas. Esta quebra terá, portanto, muito mais a ver com o escandaloso sistema eleitoral francês do que com qualquer castigo a Mélenchon. Mais uma vez, ninguém parece ter nada a dizer sobre o previsível colapso do PSF.

Finalmente, não deixa de ser sintomático que a esquerda europeísta cada vez mais introduza nas suas análises o grau de qualificação dos eleitores como critério qualitativo do voto europeísta de esquerda. Viu-se com o Brexit, volta a ver-se agora, o que se compreende. É que, por um lado, a quantidade escasseia e, por outro, quem defende a obstinação europeísta condena-se ao completo desaparecimento no eleitorado popular. A grande inovação aqui é o surgimento de uma esquerda que, não apenas se conforma, como celebra esse desaparecimento.

Felizmente, há uma esquerda popular que não desistiu de ser esquerda e de ser popular. Macron foi dos seis candidatos o que menos entusiasmo reunia entre os seus próprios eleitores da 1ª volta, 45% dos quais declararam ter votado nele, não por ser o seu candidato preferido, mas por estar em melhores condições para ganhar. É este o panorama. À medida que o campo europeísta se vai estreitando, política e eleitoralmente, à medida que o europeísmo ultra-liberal se torna o único europeísmo relevante, só há uma força que surge como alternativa à alternativa de Le Pen. Essa força é a França Insubmissa. Que haja uma esquerda que continua, mesmo depois das eleições, a fazer desta força o seu principal adversário é um bom sinal dos tempos. Pelo menos, ficamos esclarecidos.

25 comentários:

Jose disse...

Um itinerário para a irrelevância da Europa é a grande ambição da esquerda dita popular e dita soberanista.
Os camaradas-dirigentes sabem os termos em que os seus interesses podem vir a ser acolhidos.

Filipe Martins disse...

«Felizmente, há uma esquerda popular que não desistiu de ser esquerda e de ser popular»
Sabe quem também é muito popular? A FN.


Quanto a relacionar europeísmo com fascismo, quero lembrar que o segundo já existia muito antes do primeiro. Que a Europa anda nas ruas da amargura, está à vista; mas tem costa muuuuuuuuuuuito largas.

Anónimo disse...

"Comecemos pelos factos: Mélenchon foi o candidato que melhor combateu a Frente Nacional em todos os seus terrenos". Ou, dito de outra forma, é com a Frente Nacional que Melenchon partilha o eleitorado.

Anónimo disse...

Gostei da chamada de atenção para o governo fascista da Hungria.
Com o silêncio cúmplice de todos os trastes que andaram de Macron na boca e a mão na bolsa

Anónimo disse...

Não conseguem " dizer absolutamente nada sobre o descalabro do candidato do PSF e da proposta do Europeísmo de esquerda".

E do afundar do PS francês às mãos dos seus próprios dirigentes.

Chama-se a isto traição por parte dos agora tão cantados ex-dirigentes "sociais-democratas". Não só dos seus valores como também dos que representam. Mas há ainda algo mais. É que mostra à evidência que estamos no reino da podridão ética e do esgoto humano

Anónimo disse...

Tanta perturbação por parte dum anónimo perturbado.

Vejamos:
"Comecemos pelos factos: Mélenchon foi o candidato que melhor combateu a Frente Nacional em todos os seus terrenos".

Um facto.
Espanta-se como a partir desta realidade, o tal anónimo parta para uma conclusão tão idiota como suspeita:
"é com a Frente Nacional que Melenchon partilha o eleitorado"

Ou seja, se Melenchon não tivesse sido quem melhor combateu a Frente nacional já não partilhava o eleitorado. E o anónimo já não podia mostrar que. Mas não é que o eleitorado teima sempre em ser partilhado, pelo menos nas democracias formais?

A julgar pela amostra seria legitimo admitir que a inteligência não foi partilhada com o referido anónimo quando deus procedeu à distribuição desta.

Anónimo disse...

“Estamos a morrer!” O dia em que a Itália deixou 60 crianças afogarem-se

Gravações telefónicas revelam como as autoridades italianas negaram auxílio a mais de 400 sírios à deriva no Mediterrâneo durante cinco horas. Acabariam por morrer 268 pessoas.

Esta é a Europa que nos querem impingir. Estes são os criminosos que nos governam

Al disse...

Entretanto, parece que a tentacao hegemonica tambem afecta os melenchonistas. Nao chegaram a acordo com o pcf. A seguir...

José Fontes disse...

Ó olharapo José,
«Um itinerário para a irrelevância da Europa é a grande ambição da esquerda dita popular e dita soberanista.»
Bela frase, quem foi que te escreveu isto?
Agora a pergunta: Qual é a tua grande ambição?
O que é que queres fazer quando cresceres e passares a ter um pensamento não infantil?
Tens de pensar nisso, troll.
Ou queres continuar a fazer esta figurinha triste que fazes aqui diariamente?

Jaime Santos disse...

A tentativa de racionalizar a 'langue du bois' de Mélenchon já atinge proporções absolutamente ciclópicas... Eu imagino o que a Esquerda da Esquerda diria se Mélenchon tivesse defrontado Le Pen na segunda volta e algum candidato derrotado da Esquerda Europeísta ou da Direita tivesse expressado dúvidas em relação ao voto republicano em Mélenchon. Teriam sido taxados de fascistas neoliberais e sei lá que mais. Mélenchon deu, claro, um grande tiro no pé, porque deveria repetido a 23 de Abril aquilo que disse em 2002: 'Quelle conscience de gauche peut accepter de compter sur le voisin pour sauvegarder l’essentiel parce que l’effort lui paraît indigne de soi ? Ne pas faire son devoir républicain en raison de la nausée que nous donne le moyen d’action, c’est prendre un risque collectif sans commune mesure avec l’inconvénient individuel.' Assim, substituiu a defesa de princípios (supostamente tão caros a essa Esquerda) à não alienação de futuros votantes nas legislativas, sendo que a sua postura foi pateticamente evoluindo até implorar a Macron que este desistisse das alterações à lei do trabalho em troca de um apoio, recebendo em troca a nega que merecia (um candidato derrotado de Esquerda não negoceia com um vitorioso de Direita). E, já agora, não era nada certo que Macron iria ganhar, foi a sua prestação no debate que lhe permitiu arrasar Le Pen. Mas nada disto nos deve preocupar muito agora. O José Gusmão até se pode sentir reconfortado com os seus dotes retóricos, mas enquanto a capacidade de a própria Esquerda se entender entre si for próxima de zero (http://www.liberation.fr/elections-presidentielle-legislatives-2017/2017/05/04/entre-la-france-insoumise-et-le-parti-communiste-les-coups-pleuvent_1567319) a sua capacidade ganhadora será nula. Zero à esquerda. E esteja à vontade para continuar a culpar toda a gente pelos erros éticos e táticos dos seus. Tal como os Bourbons pós-revolução, nunca aprendem nada e nunca esquecem nada... Pois que lhes faça muito bom proveito...

Anónimo disse...

Dimensões verdadeiramente ciclópicas?

Isso, isso.

Mais a imaginação do que a esquerda diria se patati-patata.

Jaimme Santos. Ainda não percebeu que a fraude do temor da direita que levou muito boa gente a votar no gigolo do Macron ( na excelente definição de alguém que Jaime Santos lastimou não ter sido censurado) foi já suficientemente esquartejada e denunciada para voltar a tal tema desta forma tão repetitiva como ciclópica?

Não leu o Miguel Esteves Cardoso que do alto do seu perfil conservador tem mais dignidade e racionalidade que todos os trovadores de Macron?

Anónimo disse...

Esteja à vontade Jaime Santos para tentar atribuir tiros nos pés a quem quer que seja.

Nestas coisas é como a água benta. Cada qual toma a que quer.É como a imaginação de Jaime Santos. Este já se deixou de apresentar dados e factos concretos. O seu discurso gira à volta do que imagina.

Linda forma de argumentar.

Mas a imaginação de Jaime Santos tem destas coisas. Dá para fazer afirmações tão imaginativas como surreais.

Jaime santos. Alguém acredita que pela diferença de votos, a vitória de Macron tivesse sido determinada pelo debate televisivo?

Falando seriamente. Pensará que somos todos parvos para engolir essas estórias da carochinha?


Anónimo disse...

Há todavia algo mais sério a colocar em cima da mesa.

É a forma desonesta como se cita o que Melenchon disse em 2002 tentando fazê-lo passar como aldrabão de feira a violar princípios tão caros à esquerda.

E é desonesto porque é o próprio Melenchon que vem explicar previamente a diferença entre o 2002 e o 2017. Que vem explicar porque mudou e o que mudou. Que vem denunciar as virgens púdicas escondidas atrás do ódio.
Que Jaime Santos se tenha "esquecido" do que Melenchon disse é sintomático.

A confirmação deste discurso de raiva contra Melenchon vem a seguir:
"a sua postura foi pateticamente evoluindo até implorar a Macron que este desistisse das alterações à lei do trabalho em troca de um apoio"

Pateticamente evoluindo? Implorar a Macron?

Não terá Jaime Santos nenhuma fonte de confiança para afastar de nós a terrível suspeita que a imaginação de Jaime Santos continua à solta e que é da profundidade do seu ser que saem estas tão imaginosas como miseráveis conclusões?

Anónimo disse...

Com um pedido de desculpas pelo facto de se citar o Diário de Notícias e não alguém de peso como Macron ou Jaime Santos, vamos iluminar as "violações de princípios" e o implorar de Melenchon.

É bom apontar até onde vai a "imaginação" . Infelizmente quantas vezes se tem que apontar até onde vai a má fé:

"Com sete milhões de votos, não posso ser o homem de antes", asseverou o líder do movimento A França Insubmissa, recordando que, na primeira volta das presidenciais, realizada a 23 de abril, Macron (com 8,6 milhões de sufrágios, equivalentes a 24,01%) e Le Pen (7,6 milhões, que correspondem a 21,3%) apenas somaram 45% dos votos.

"O mais determinante para o país são as eleições legislativas e vou trabalhar para conseguir uma maioria parlamentar", declarou.

Em França, o Presidente não tem poder legislativo, que é uma prerrogativa da Assembleia Nacional.

"Na segunda volta, vamos livrar-nos de Le Pen e, num mês, das políticas de Macron, porque este homem é incapaz de dirigir o país", acrescentou.

Mélenchon disse que Marine Le Pen é tão radical como o seu pai, Jean-Marie Le Pen -- condenado por racismo e "negacionismo" histórico - e desmentiu os que o acusam de indefinição numa altura em que é preciso travar a extrema-direita.

"A minha posição não é a de 'nem-nem' (nem um, nem outro). A todos os que me ouvem, digo-lhes que sobretudo não votem na Frente Nacional (FN)", o partido de Le Pen, sustentou.

Esclareceu também porque é que a sua posição em relação à necessidade de deter a extrema-direita nestas eleições difere tanto da que assumiu em 2002, quando, ainda como militante socialista, instou ao voto no conservador Jacques Chirac, contra Jean-Marie Le Pen, "com molas no nariz".

"Em 2002, pensei que era um acidente. Mas depois, em todas as eleições, obrigam-nos a votar contrariados. Todos se esqueceram de que, nas regionais de 2015 (ganhas pela FN), pedi uma frente republicana [contra a extrema-direita], o que corresponde a dar o título de bombeiro aos pirómanos", comentou, referindo-se às políticas dos partidos tradicionais.

Viram o Macron ou o Jaime Santos a juntarem-se em 2015 na frente republicana?

Anónimo disse...

Ficámos a saber que há um itinerário

E que esse itenerário passa pela irrelevância...

Faz lembrar, em modo mais erudito, mas sobretudo mais pedante, o itinerário reservado para Portugal pelos fascistas da época. Que para defender o colonialismo insistiam na mesma tese do Portugal irrelevante se descolonizasse.

Um disparate pegado como se viu.

Que seja um descendente directo dos camaradas-dirigentes de outrora a dizer o mesmo no presente não é de todo inocente

Anónimo disse...

La MARIANNE :
L'élection d'Emmanuel Macron se sera faite dans un contexte inédit. Selon les résultats disponibles à 20 heures ce dimanche 7 mai, environ 12% des électeurs ont choisi de voter blanc ou nul au second tour de l'élection présidentielle 2017. Soit un record dans toute l'histoire de la Ve République.

Anónimo disse...

“É sensato ignorar que quase 27 milhões de franceses, 56% do eleitorado, recusaram votar nas propostas de reforço da União Europeia que Macron levou a sufrágio?”

(Pedro Tadeu )

JOSÉ LUIZ FERREIRA disse...

Ai sim, Filipe Martins? O fascismo já existia antes do europeísmo? Muito me conta! E eu a julgar, veja lá, que o nazismo tinha sido um europeísmo. Como o imperialismo napoleónico antes dele, só para dar um exemplo entre muitos. Afinal, nem Napoleão, nem Hitler, nem nenhum dos que ambicionaram unificar a Europa foi europeísta. Ou então o nazismo não foi um fascismo. Isto é sempre a aprender...

Anónimo disse...

Na mouche José Luiz Ferreira

esteves, ayres disse...

Eu sei, e tenho a certeza que muitos de vós, não gostam de ouvir, mas também sei que muitos, vão ao seu consultório pedir para os ajudarem, quando são despedidos pelas seu Administradores, patrões, e seus mais diretos colaboradores (das empresas)! Não sei se vão publicar. Uma opinião que nunca passa na comunicação social!(...)As Presidenciais Francesas
Realizou-se ontem o sufrágio da segunda volta das eleições presidenciais em França. Concorreram os dois mais votados candidatos da primeira volta: Emmanuel Macron, antigo ministro demissionário de economia do primeiro governo do presidente François Hollande, Macron que fundou entretanto um movimento político da direita liberal, designado En Marche!, e Marine Le Pen, da Frente Nacional, partido político de extrema-direita, chauvinista e racista, fundado no começo dos anos setenta pelo pai da candidata.
O partido socialista francês, de François Hollande, praticamente desapareceu nestas eleições, pois o seu candidato, Benoît Hamon, teve apenas 6,3% dos votos na primeira volta. François Hollande, cujas sondagens sobre popularidade chegaram a ser inferiores a 4%, não concorreu a um segundo mandato presidencial, obviamente para evitar uma derrota humilhante.
Macron venceu a primeira volta do sufrágio presidencial com 24,10%, enquanto que Marine Le Pen alcançou então 21,30%. No sufrágio realizado ontem, isto é, na segunda volta, Macron foi eleito com 66,10% dos votos expressos, contra 33,50% da candidata da extrema-direita, Marine Le Pen.
O partido socialista franceês de François Hollande apelou ao voto em Macron, como o mal menor, em relação ao mal maior que seria Le Pen. Ou seja, Hollande e o partido socialista apelaram ao voto no representante da direita liberal reaccionária, que aliás já haviam incluído no primeiro governo do actual presidente socialista como ministro da economia, em alternativa ao voto em Marine Le Pen.
Tristérrima alternativa a que conduziu a política reaccionária de direita seguida por Hollande, em obediência às necessidades da aliança do imperialismo francês com o imperialismo alemão.
Todos os partidos ditos de esquerda apelaram, na segunda volta, ao voto em Macron, sempre segundo os ditames da porca teoria oportunista do mal menor.
Mas a questão central é outra: o que é que têm feito os partidos da esquerda francesa para que o seu eleitorado possa seguir uma política revolucionária de classe autónoma e independente?
Como todos sabem, esses partidos ditos de esquerda, no domínio da presidência de François Hollande, não fizeram outra coisa senão apoiar cobardemente a política reaccionária de guerra do imperialismo francês na África e no Próximo e Médio Oriente, e o desemprego, os cortes salariais e os aumentos de impostos sobre os trabalhadores no interior do país. Por outro lado, esses partidos ditos de esquerda apoiaram a política interna terrorista de François Hollande e do partido socialista francês, que se caracterizou por alterações constitucionais que liquidaram os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos franceses, permitindo a prisão sem culpa formada e os assaltos a residências pelas polícias sem qualquer mandato judicial.
Sob a presidência de François Hollande e a vigência dos governos ditos socialistas, o partido do velho Jean Jaurès transformou-se num partido de lacaios do imperialismo francês, chegando ao ponto do chefe do Governo Manuel Valls propor que os socialistas franceses apagassem a expressão socialismo no programa e no nome do seu partido.
Continua

esteves, ayres disse...

Continuação(...)A França elegeu ontem um presidente de direita, lacaio e agente do imperialismo francês e inimigo jurado dos operários e desempregados franceses e dos cidadãos da França, sejam de sangue árabe ou de ideologia religiosa muçulmana.
As consequências do apelo da chamada esquerda francesa ao voto num candidato presidencial da direita como o mal menor, que seria o voto no candidato da extrema-direita, estão à vista: daqui a cinco anos, quando se repetirem as eleições presidenciais em França, vai ser inevitavelmente eleita a previsível candidata Marine Le Pen, da Frente Nacional.
Com todos os partidos e movimentos políticos a votarem no mal menor, Emmanuel Macron subiu de 24% dos votos na primeira volta, para 65,3% na segunda volta. Mas a ameaça da futura vitória da extrema-direita agravou-se: a Frente Nacional passou a ser o maior partido da oposição em França e a sua votação directa subiu de 21,36% na primeira volta, para 34,70% na segunda.
Chamo especialmente a atenção dos meus leitores para a dimensão e o significado do voto popular de protesto que se pode extrair da abstenção e dos votos brancos e nulos.
A abstenção alcançou o nível record de sempre, posterior às eleições de 1969, vai para cinquenta anos. Nas eleições de ontem abstiveram-se 12 milhões de franceses, mais do que um quarto (25,5%) de todos os cidadãos inscritos.
Os votos nulos e brancos subiram a 4,2 milhões de votos, ou seja, 12% do eleitorado inscrito. Há pois mais de 16 milhões de franceses que não se deixaram iludir pela teoria oportunista do mal menor. E é aí que está a verdadeira esquerda operária revolucionária.
As últimas eleições presidenciais francesas mostram como os partidos ditos socialistas e os falsos comunistas estão a desaparecer do quadro político da Europa. Nos países europeus, como aliás em todo o mundo, os comunistas e os proletários devem unir-se e organizar-se para rejeitar o imperialismo e as suas teorias reaccionárias da guerra imperialista e do mal menor, para lutarem à frente de todos os povos pelo comunismo e pela revolução mundial proletária.
Nem Hollande, nem Macron, nem Le Pen! Proletários de França, uni-vos! Sim ao partido comunista da classe operária revolucionária! Proletários de todos os países, uni-vos!
08Mai17
Arnaldo Matos

Filipe Martins disse...

JOSÉ LUIZ FERREIRA,
Será realmente esse o europeísmo de que estamos a falar?...
Então o Dr. Evil ou o Brain são «globalistas» porque querem conquistar o mundo, certo?
Ora, tenha juízo!

Anónimo disse...

Com um pedido de desculpas ao caro Filipe Martins.
O José Luís Ferreira está coberto de razão. A tentativa de impor um modelo de governação único à Europa passou por todos os dementes que tentaram dominá-la.
Um sistema supranacional de governo tem sido o sonho húmido de todos os que não sabem respeitar as identidades nacionais.Como Napoleão ou Hitler

Anónimo disse...

Caro Filipe Martins.
Pode exprimir a sua opinião sem insultar os demais.

Filipe Martins disse...

Caros anónimos,
Percebo o porquê de tanto anti-europeísmo, quando o conotam com dominação supra-nacional.
Acontece que o europeísmo dos europeístas, é substancialmente diferente: tem que ver com coesão e relações entre povos próximos, sem esquecer as especificidades nacionais e a subsidiariedade. Mas é certo que não se consegue isso mantendo total soberania.

Um europeísta português, é primeiro português e só depois europeu, mas acredita que há coisas que só se resolvem à escala do continente. Vocês confundem europeístas com partidários do «respeitinho», mas isso, meus caros, é limitação vossa.

No meu caso, não sou europeísta a todo o custo; acredito apenas que a Europa Unida é um ideal pelo qual vale a pena lutar. Se vier o dia em que, apesar de todos os esforços, ele se mostre inalcançável, será o dia em que deixo de ser europeísta.
Mas a vossa Esquerda nem sequer tenta! Preferem voltar às capelinhas nacionais.

PS: Anónimo 2, quer explicar-me como é que eu insultei os «demais»?