sexta-feira, 26 de maio de 2017

O eterno murmúrio

«Medina Carreira está agora mesmo na TV a defender que a aposta do Governo na investigação científica e no aumento dos doutorados é um disparate porque a esmagadora maioria das empresas portuguesas não precisa de doutorados para nada. "Se você tem um armazém de bacalhau precisa é de uma balança e de um pesador para pesar o bacalhau, não precisa de doutorado nenhum para nada"... Esta é a ideia que Medina Carreira tem do que deve ser Portugal e como devem ser as empresas portuguesas... Portanto, tudo a aprender a pesar bacalhau, ou a acartar baldes de cimento, que este país não é para doutores, isso é para os alemães e escandinavos... Já abandonei o programa, não se aguenta, um ataque pegado à ciência e à cultura, porque também criticava com especial verrina os doutorados em Ciências Humanas, algo que para ele parece evidente que é pura perda de tempo e dinheiro...».

Zé-António Pimenta de França (facebook)

Medina Carreira continua a falar como se estivéssemos em 2010. Como se nada se tivesse passado entre 2011 e 2015. Como se nada se tivesse aprendido com as falácias do «ajustamento» e das «reformas estruturais», do «viver acima das possibilidades» e dos «direitos adquiridos», da competitividade por baixos salários e da sangria migratória, da austeridade salvífica e do desinvestimento nas pessoas e nas qualificações, do «empobrecimento» e do desprezo pelo Estado e pelas políticas públicas. A imperturbável economia das trevas, no seu eterno murmúrio. Como sempre em horário nobre e sem contraditório.

13 comentários:

Jaime Santos disse...

Medina Carreira é um velho ressabiado, provavelmente desde que Pina Moura meteu na gaveta a sua proposta de reforma fiscal em 2000. Mas convém não esquecer que o Ricardo Paes Mamede chamou a atenção aqui atrasado, neste mesmo espaço, para a necessidade do investimento na investigação e desenvolvimento ser o adequado às necessidades do País, e àquilo que o nosso tecido empresarial pode quer absorver, quer suportar. E que chamou, há mais tempo, atenção para a falácia da 'reindustrialização'. Goste-se ou não, um regresso à Economia Industrial dos anos 70 não é possível. Seria bom que quem contesta os pontos de vista de um Medina Carreira não caia igualmente na demagogia. Portugal é uma economia aberta que, de acordo com o Pedro Lains, tem défices da balança comercial desde os anos 50 e que precisa de financiamento e de investimento externo como de pão para a boca e essas são as condições objetivas. Ora isso determina em grande medida o esforço para controlar as contas públicas, com Euro ou sem ele. E não sairemos disso tão cedo...

Joao Carlos disse...

Medina Carreira sofre de nostalgia. Nostalgia do tempo das crianças, jovens mulheres que migravam para servir. As que criavam os filhos dos senhores doutores e engenheiros, crianças como elas, as a quem tinham retirado o privilégio de ser criança. Doença grave que infesta uma franja da sociedade portuguesa, que não se conforma de ter perdido a criada de todo serviço. Do criado sempre disponível em troco do prato de sopa. Era regressado o tempo em que um trabalho não permitia a subsistência. Da referência, Sr. Doutor, Sr. Engenheiro, e a respectiva vénia. Medina Carreira não é deste tempo, do tempo dos Srs. Anónimos, o refrão proferido é “Oh tempo volta para trás”. Por momentos – superior a quatro anos - deslumbrou em Belém e Restelo os saudosos tempos. Era feliz, o regresso da cunha, o privilégio, o favor dos governantes, a corrupção de estado a bofaria tomava e cimentava-se. Ele era ouvido, tinha o seu tempo de antena, os fiéis ouvintes, era a glória. Depois veio o terror fez-se democracia. Não chegou um grupelho ter mais votos, foi preciso uma maioria de deputados. Não caiu bem nos supostos democratas que a democracia funcionasse.

Corvo Negro disse...

Aquela cabeça está formatada por e para uma ideologia e não para o racional e lógico. É pura perca de tempo qualquer esforço para mostrar a realidade a este empedernido pafioso.

Geringoço disse...

“Medina Carreira continua a falar como se estivéssemos em 2010.”

Errado, o Medíocre Carreira fala como se estivéssemos em 1960…

É bom lembrar porque razão deram palco ao comentador PAGO Medíocre Carreira, Medíocre Carreira foi encarregado de disseminar o sentimento de culpa na população portuguesa pelas porcarias do neoliberalismo.

Já repararam como ele (não só ele) insiste em explorar os estereótipos? Isto não revela apenas uma mentalidade atrasada e alienada mas também a típica mesquinhez dos saudosistas de um determinado regime…

Portugal, se quer seguir o caminho de futuro que valha a pena pode e deve apostar em ciência.

O que o Medíocre Carreira e outros bafientos advogam para Portugal é um passado de má memória.

Quando neoliberalismo for finalmente ultrapassado, e acreditem vai acontecer, espero que o Medíocre Carreira ainda cá esteja, até lá, que o ódio que tem pela prosperidade da população portuguesa o consuma!

Jose disse...

Sobre a Falácia da Investigação como factor crítico de crescimento económico.

Nada é dito sobre, as percentagens das humanidades nos doutorados 4?%, ou a mais baixa percentagem de doutorados nas empresas, ou a mais elevada despesa por patente na Europa.
E essas são as questões que devem informar o investimento no acrescer da massa de doutorados existente.
.
Mas certo é que:
- promover bolsas e investigadores em Institutos e Universidades Públicas sem contrapartes nas indústrias relacionadas é essencialmente aumentar a mama às elites e exportar mão-de-obra.
- e num todo mais amplo, mantendo a estúpida proporção ‘humanidades’ é pura propaganda e distribuição de mamas a clientelas políticas.

Anónimo disse...

Por mim não vejo mal ao mundo português que Medina Carreira fale do que sabe e se exponha publicamente. Não terei de acordo com tudo que ele expõe, mas a sua presença na TV faz pensar muita gentinha, ola´ se faz!
E´ que ele foi e e´ capaz de por questões controversas ate´ aos comentadores sabichões que não se mostram capazes de fornecer alternativas a´ actual situação do país.
Quando ele pergunta: que foi feito das duas centenas ou mais de milhares de milhões que entraram em Portugal nos últimos 15 anos, a resposta e´ o silêncio. Assim não vale! de Adelino Silva

Anónimo disse...

Em segunda versão_

"Coitado do Jose.

Não mete pena este choradinho apressado com que tenta esconder a mediocridade aflitiva, pesporrenta e senil dum Medina Carreira?

Profundamente emparelhados na defesa duma economia das trevas ao serviço dos maiorais de sempre, este Jose e este Medina Carreira fazem lembrar uma novel brigada do reumático"

Anónimo disse...

Mais uma, em segunda versão:

"Depois dá gozo ver um representante dum patronato objectivamente catalogado como inculto, medíocre e analfabeto vir falar em percentagens de doutorados nas empresas.

Nas empresas de medíocres cabotinos salazarentos e caceteiros patrões, que fogem ao fisco e frequentam bordéis tributários, aceitarem-se assim doutorados que tornariam ainda mais evidente a boçalidade dum patronato desqualificado?"

E já agora.

Este ódio pestilento pelas "humanidades" tem algo ver com o desconforto sentido pelos medíocres face a outras disciplinas que os obriguem a pensar e a enquadrar um mundo, para lá da taxa de lucro saqueada? Mais a raiva para com quem tem méritos e conhecimentos muito para além do cavalo e do desempenho e da peritagem deste sujeito agarrado narcisicamente às suas mamas?

Anónimo disse...

A Educação não deve servir apenas para desempenhar uma função com a qual se ganhará o pão!
A Educação, deverá servir para elevar o espírito, a crítica para nos iluminar um pouco mais nos caminhos das trevas! Depois, como ganhamos o pão é secundário! Pena é que, infelizmente, ainda prevaleça a "cultura" da grunhice e dos abusos dos prazeres etílicos entre os nossos jovens...

Dias disse...

Medina Carreira, como ele gosta de bacalhau (que exemplo mais estúpido!)

Ele que é licenciado em Direito (nem economista é, o autor dos gráficos manhosos...) porquê este acinte com os doutorados em Ciências Humanas?!
Esta gente saudosista devia aproveitar o sol nesta fase da vida, e deixar de poluir o espaço público.

João Vasconcelos-Costa disse...

parece-me já ser uma questão de senilidade, que, como é sempre, cristaliza o pior ou mais primitivo das pessoas.

Anónimo disse...

Quantos "medinas-carreira" fazem diariamente a sua propaganda, ou melhor, a propaganda de quem beneficia com tais propagandices.

maria ferreira disse...


Nunca esquecerei a "tareia" que Hernâni Lopes lhe deu sobre o que Portugal precisava e não era das críticas dele. Magistral!