domingo, 4 de dezembro de 2011

Contra o moralismo

Em Portugal há um excesso de moralismo nos debates sobre a economia, em geral, e sobre as finanças públicas, privadas e internacionais, em particular. O Estado excessivamente gastador, que teria de se comportar como uma família em crise, as famílias que também viveriam acima das suas possibilidades ou um país que não saberia poupar são algumas das principais expressões de uma tendência para substituir a análise dos mecanismos económicos reais e dos seus efeitos ético-políticos por uma atribuição dos problemas económicos à fraqueza moral de indivíduos e colectivos incapazes de adequar o seu comportamento. Este moralismo deve ser entendido, em simultâneo, como um subproduto ideológico da forma concreta que a europeização da economia política nacional assumiu com o Euro e como um poderoso factor de legitimação das respostas de austeridade à crise gerada pela integração europeia. Este elemento estrutural está geralmente ausente do discurso moralista.

Introdução ao meu contributo para o livro 25 Anos na União Europeia, 110 perspectivas. As últimas aldrabices de Herr Passos Coelho são o exemplo perfeito do moralismo que procuro desmontar. O livro e a conferência onde foi lançado esta semana são apenas mais dois exemplos do trabalho colectivo dinamizado por Eduardo Paz Ferreira da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Nestes tempos sombrios de moralismo imoral, tem sido incansável na promoção do debate plural e na intervenção cívica informada.

4 comentários:

rui fonseca disse...

"O Estado excessivamente gastador, que teria de se comportar como uma família em crise"

Muito bem. Se não é assim, como é que deve ser?

Resolve-se o problema com inflação, é isso? Provavelmente no ponto em que as coisa estão não haverá alternativa.

Mas, por quanto tempo?

É possível continuar interminavelmente a distribuir mais do que se produz? É possível distribuir melhor, mais equitativamente. (Conceito moral, não?)

Como é possível pagar o seu salário como investigador se a produção do país ficar sistematicamente aquem do que gasta?

Basicamente, o que distingue os comportamentos a Norte a Sul da Europa foi cimentado pela reforma protestante, segundo Max Weber.

Era um imbecil?

Ricardo Amaral disse...

Daniel Estulin no parlamento europeu dia 1 de dezembro
http://www.danielestulin.com/2011/12/04/daniel-estulin-speech-at-european-parliament-1122011/dezembro

Diogo disse...

Depressão Bancária de 1930

Em 1930 os Estados Unidos não tinham falta de capacidade industrial, propriedades rurais férteis, trabalhadores experientes e determinados e famílias laboriosas. Tinham um amplo e eficiente sistema de transportes ferroviários, redes de estradas, e canais e rotas marítimas. As comunicações entre regiões e localidades eram as melhores do mundo, utilizando telefone, teletipo, rádio e um sistema de correios governamental perfeitamente operacional.

Nenhuma guerra destruiu as cidades do interior, nenhuma epidemia dizimou, nem nenhuma fome se aproximou do campo. Só faltava uma coisa aos Estados Unidos da América em 1930: Uma adequada disponibilidade de moeda para negociar e para o comércio.

No princípio dos anos 30 do século XX, os banqueiros, a única fonte de dinheiro novo e crédito, recusaram deliberadamente empréstimos às indústrias, às lojas e às propriedades rurais. Contudo, eram exigidos os pagamentos dos empréstimos existentes, e o dinheiro desapareceu rapidamente de circulação. As mercadorias estavam disponíveis para serem transaccionadas, os empregos à espera para serem criados, mas a falta de dinheiro paralisou a nação.

Com este simples estratagema a América foi colocada em "depressão" e os banqueiros apropriaram-se de centenas e centenas de propriedades rurais, casas e propriedades comerciais. Foi dito às pessoas, "os tempos estão difíceis" e "o dinheiro é pouco". Não compreendendo o sistema, as pessoas foram cruelmente roubadas dos seus ganhos, das suas poupanças e das suas propriedades.


Sem Dinheiro para a Paz, mas com muito Dinheiro para a Guerra

A Segunda Guerra Mundial acabou com a "Depressão". Os mesmos banqueiros que no início dos anos trinta não faziam empréstimos em tempos de paz para a compra de casas, comida e roupas, de repente tinham biliões ilimitados para emprestar para aquartelamentos militares, rações de combate e uniformes.

Uma nação que em 1934 não conseguia produzir alimentos para venda, repentinamente podia produzir milhões de bombas para enviar para a Alemanha e para o Japão.

Com o súbito aumento da quantidade de dinheiro, as pessoas eram contratadas, as propriedades rurais vendiam os seus produtos, as fábricas começaram a funcionar em dois turnos, as minas foram reabertas, e "A Grande Depressão" acabou!

Alguns políticos foram considerados culpados pela depressão e outros ficaram com os méritos por ter acabado com ela. A verdade é que a falta de dinheiro causada pelos bancos trouxe a depressão, e a quantidade adequada de dinheiro acabou com ela. Nunca foi dito às pessoas a simples verdade de que os banqueiros que controlam o nosso dinheiro e crédito usaram esse controlo para saquear a América e colocá-los a todos na escravidão.

http://citadino.blogspot.com/search?updated-max=2011-11-03T10:36:00Z&max-results=10

Anónimo disse...

Passo a citar: «Em Portugal há um excesso de moralismo nos debates sobre a economia» Um excesso de moralismo?!?!?! Excesso????? e logo de moralismo?!?!?!?!?! Então nem quero imaginar o estado em que estaríamos se faltasse o excesso, ou o moralismos, ou ambas as coisas... O oautor da frase que vá gozar para um sítio que eu cá sei.
JA