sexta-feira, 17 de julho de 2009

O princípio do fim do Euro (II)

Ao mesmo tempo que a Alemanha recusa uma política europeia de relançamento, a França confronta a Alemanha com uma política orçamental expansionista. Ao ‘eixo’ partido da União Europeia junta-se a passividade dos estados que estão na primeira linha para um agravamento dramático da sua dívida pública. Portugal é apenas um deles.

Em suma, a menos que ocorra um milagre na Alemanha, o agravamento da crise ecónomica e financeira acabará por fazer saltar a faísca detonadora de uma crise política na UE no próximo ano. A interacção das várias crises conduzirá ao desmoronar da Zona Euro por insustentabilidade social, financeira e política. Nessa altura não vai haver condições para ponderar sobre o que será melhor para o futuro de cada estado-membro (benefícios e custos de ficar ou sair do euro). A partir de um dado momento a dinâmica dos acontecimentos será imparável.

Para os que acham que apresento uma visão catastrofista recomendo a leitura deste texto de Jacques Sapir, escrito há três anos, onde a actual crise e vários cenários para o futuro da Zona Euro foram discutidos.

Para terminar, e tendo em vista a próxima campanha eleitoral, deixo algumas questões a que as esquerdas do meu País deveriam responder:
Que posição deve Portugal assumir relativamente ao 'isolacionismo' da Alemanha, seja no combate à crise seja no bloqueio da integração europeia?
Deve Portugal permanecer na Zona Euro a qualquer preço ou deve (tanto quanto possível) preparar a saída juntamente com outros estados?
Ou a leitura do que nos espera no próximo ano é outra, e nesse caso qual?

Atenção, nas respostas não vale tomar os desejos por realidade.

13 comentários:

Zé Carioca disse...

se o risco da zona euro implodir é assim tanto, como se explica que os mercados financeiros aceitem taxas de juro de longo-prazo de todos os países-euro tão baixas.
a crise cria tensões? sim; há risco da coisa implodir? não

Diogo disse...

Portugal deve sair do Euro e da influência dessa coisa que ninguém sabe o que é, nem a quem pertence, chamada BCE.

Porque é que Portugal não imprime a sua própria moeda para as suas despesas e, em vez disso, pede dinheiro emprestado ao BCE e paga juros por isso?

Os ladrões de bicicletas já se deram ao trabalho de pensar nisto?

António Cerveira Pinto disse...

A propósito e para ajudar ao alerta, aqui vai meu postal sobre O tempo do esquilo cinzento

Rui Fonseca disse...

Também neste caso os extremos coabitam: quem ler as opiniões dos liberais de direita conclui que usam os mesmos argumentos dos blocos do outro lado da esquina.

A propósito: Como é que JBateira explica o câmbio de hoje do euro v dólar: 1,411?

Está tudo doido?

Porque será que os extremos se mostram tão ansiosos pela continuação da crise global e contribuem tão pouco para a solução da crise local?

Filipe Melo Sousa disse...

Ahh.. boas notícias. Fim do Euro? O estado vai finalmente acabar com o monopólio da emissão monetária? O Belmiro vai poder emitir o Escudo-Sonae?

Ainda bem. É que já basta das trapalhadas dos bancos centrais e dos burocratas estatais que causaram a crise.

Sim, porque afinal quem quintuplicou as taxas de juro? Depois admirem-se que os particulares não conseguem pagar, e que as obrigações hipotecárias é que são "tóxicas".

zé miguel disse...

e o fim do euro é um desejo ou é a realidade? Faz isto parte de um discurso orquestrado para marcar pontos ideológicos? Este banquete de pessimismo quanto ao euro não nos estará a ser servido como chantagem? Será tudo isto uma ameaça para que se adopte uma política social e económica comum?

Estamos mesmo num beco sem saída? Gostava de conhecer a opinião do autor (não aquela que eu penso que ele quer fazer passar).

Cumprimentos

Bruno Fehr disse...

Eu como residente na Alemanha e trabalhando na área económica tenho a dizer que este texto é uma anedota pegada do principio ao fim. Se há país que continua a suportar a crise esse país é a Alemanha, e isso deve-se ao facto de a maioria das grandes empresas ter redireccionado o investimento Alemão e intensificando exportações e importações com a Rússia e a Ásia, de certa forma virando as costas aos parceiros Europeus. Mas que vem primeiro? A Nação ou a Europa?
Agora com a Franca e Inglaterra em crise querem que a Alemanha sustente a UE? Não me façam rir.
Existe o interesse geral que a Alemanha seja afectada pela crise tal como toda a Europa, isso não aconteceu e só acontecerá se em Setembro depois das eleições a politica mudar.

A crise actual Europeia deve-se ao facto de o banco central Europeu por forma de combate ter tido uma reacção oposta à da Reserva Federal. Enquanto os EUA andam a imprimir dinheiro como louco hiper-inflaccionando a moeda Americana, a Europa parou de imprimir Euros. Obviamente que não imprimindo Euros a crise se sente, mas não há uma desvalorização tão acentuada da moeda.

Quanto ao sair da UE? Como, expliquem-me como pode um país sair da UE com as dividas que tem à UE? A não ser que tenham achado petróleo em Portugal e muito, Portugal está preso na UE como todos os outros países, e assim que o Tratado de Lisboa for aprovado podem esperar todas essa regulações que vocês parecem desejar, mas ao custo da soberania nacional e da nossa constituição.

Pedro Braz Teixeira disse...

Entrando no “filme” desta previsão, penso que o que faria mais sentido não é o fim do euro, mas a divisão do euro em duas moedas. Por um lado, os que estão do lado da Alemanha e pretendem, grosso modo, manter as actuais regras. Por outro, os que estão, digamos, do lado da França, e que preferem regras mais flexíveis. A primeira certeza é que a divisão do euro em duas zonas monetárias seria um processo muito mais pacífico do que a implosão em moedas nacionais. Mas quem quisesse sair de todo, faça favor.
A taxa de câmbio inicial entre as duas moedas seria 1, mas logo se iniciaria uma apreciação do “euro alemão”.
Portugal deveria aderir ao “euro francês” porque precisa desesperadamente de depreciar para conseguir recuperar competitividade, que não há meio de o conseguir.

PhC disse...

Sair do Euro ? E depois ?
As consequencias seriam terriveis !!!
Muita falta de responsabiladade.
Sejam sérios !

Justiniano disse...

Ou o Bateira se expressa muito mal ou ninguém quer perceber o sentido da Posta...
A questão, creio eu, não se relaciona com o querer estar no Euro ou não querer estar no Euro (Os Italianos têm discutido muito a temática ao longo da existencia do Euro), mas sim em poder estar no Euro ou não poder estar no Euro, estar no Euro sem economia ou ter economia sem o Euro.
O problema, para muitos, é como partilhar a mesma moeda com uma economia tão desenvolvida como a Alemã?
A discussão, caro Bateira, deveria ter tido lugar à mais de 8 anos...actualmente é um bocado tarde demais para isso.

Jorge Bateira disse...

Caros amigos,

A posta pretende apenas chamar a atenção para uma realidade muito simples: a Zona Euro (como um todo) não é sustentável com a actual arquitectura institucional. A saída 'por cima' é a federalista. A saída 'por baixo' é a implosão, com eventual reconfiguração dos parceiros. A Alemanha acaba de dizer (sem ter consciência disso) que prefere a 'saída' por baixo.

Bem sei que é difícil habituarmo-nos à ideia de que o euro é uma construção política precária e que pode acabar, pelo menos para nós e mais alguns países. Como dizia um ex-Primeiro Ministro, é a vida!

Justiniano disse...

J. Bateira!
O problema não é institucional...mesmo a solução federalista não evita as correcções económicas que o Bateira quer evitar. As diferenças de produtividade e a diferente competitividade das várias economias que há-de em última instancia revelar-se na retribuição salarial e na capacidade de produzir dívida.

Miguel Madeira disse...

Há quem diga que, agora, é impossível sair do euro:

http://voxeu.org/index.php?q=node/729