quarta-feira, 3 de julho de 2013

A política de Gaspar continua?

O mesmo título do último post, mas com um crucial ponto de interrogação. Este aponta para uma exigência básica de clarificação democrática: eleições, já. Toda a força social tem de estar concentrada aqui, tem de se multiplicar a mesma força que permitiu a vitória dos professores, da escola pública.

Bem sei que os economistas zumbi vão andar por aí, de novo e em força, tal como há dois anos atrás; o mesmo cortejo fúnebre da economia portuguesa composto por ex-ministros das finanças, banqueiros, especuladores, desculpem, analistas de mercado. Há dois anos atrás garantiam-nos que o programa da troika era a melhor coisa que tinha acontecido à economia portuguesa, uma oportunidade. Agora, a fraude é outra: assim se perde a credibilidade conquistada nos últimos dois anos junto dos credores. Credibilidade é o outro nome para a conveniente subserviência de um governo ao serviço dos credores e que assim bateu todos os recordes: de destruição de emprego, de colapso do investimento, de recessão, de aumento do fardo de uma dívida impagável.

Desta forma, adiou-se uma reestruturação da dívida urgente num país que tinha e tem dinheiro para pagar pensões e salários, mas não tinha e não tem para pagar pensões, salários e o serviço da dívida. O debate eleitoral voltará, num novo, e espero que mais esclarecido, contexto, aos assuntos de há dois anos atrás: que compromissos são privilegiados? Os partidos têm de se posicionar sobre isto, respondendo a uma outra pergunta ainda mais concreta: denunciam o memorando ou mantêm a política de Gaspar com outro figurino governativo? Denunciar é mesmo a palavra-chave.

Denunciar o memorando e iniciar um duro processo negocial, usando as armas dos devedores, na linha da proposta, entre outras, do Congresso Democrático das Alternativas, é o ponto de máxima unidade e que começa a enfrentar a contradição principal, iniciando um indeclinável processo de resgate de Portugal que tem de enfrentar todos as chantagens, todos os medos, recuperando os instrumentos de soberania necessários para sair da crise. Caso contrário, a política de Gaspar continuará, e pode até chamar-se segundo resgate, porque está inscrita em estruturas europeias que permanecerão intactas. A desobediência e a rebelião democráticas começam mesmo pelos elos mais fracos. Para isto, toda a confiança democrática será necessária.

Qual é a alternativa?

5 comentários:

Aleixo disse...

A crise política, não está nos arrufos das comadres... mas sim,

no persistir manter em funções, um Governo que faz tudo,

menos respeitar a legitimidade da representação.

Em Democracia, não pode haver dirigentes!

Há REPRESENTANTES.

Eu sei...é uma chatice (!!!)
mas...a DEMOCRACIA é assim.

Essa passagem de representantes do POVO,
a "iluminados" dos directórios instalados,

tem de ACABAR!

Nota:

Alguém tem ilusões, que os "iluminados" não se vão suicidar??!!

nmlima disse...

A alternativa... e secessao. Fica uma Republica Portuguesa com uma "constituicao" atropelada, subordinada aos deveres como protectorado da UE; e uma nova Republica que se governa como entender (e puder).

Anónimo disse...

Se se fizer uma reestruturação da dívida, quem é que vai emprestar dinheiro ao estado?

Se ninguém emprestar dinheiro ao estado, como é que o estado vai financiar o défice?

A redução do valor dos juros é suficiente para transformar o défice do estado em superavit?

E como é que ficam os bancos portugueses (que detêm grande parte da dívida do estado)? Sem o valor das obrigações do tesouro, não cumprem os rácios que precisam para poder operar.

Se os bancos não emprestarem, como é que se faz investimento? Como é que as empresas gerem a tesouraria?

A reestruturação da dívida deixa-me com muitas dúvidas.

D., H disse...

Quem tem medo de eleições, já?
Há gente que vai espernear, tentando inverter o rumo, chantagear.
Lê-se aqui http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=78996 que “No CDS há quem queira manter o Governo”. Bem, nós já vimos de tudo, esta gente está disposta a tudo e mais alguma coisa…É o pote!
Os partidos teriam de clarificar as suas posições, para as pessoas poderem fazer as suas escolhas: denunciar o memorando, ou aceitar a austeridade sem fim a mando da troika (seremos estrangeiros no próprio país). A intrujice que o partido do governo alardeou para subir ao poder, foi uma péssima experiência, acabando por se tornar ilegítimo.

E se a democracia for só “quando eu mando em você”?!

R.B. NorTør disse...

Se os bancos não emprestarem... Mas os banco andam a emprestar?