terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Exercício


Porque ninguém vota no vazio. Vota-se num campo cuidadosamente preparado, onde uns têm palco permanente e outros mal existem, onde se fabricam inevitabilidades através de sondagens e pseudo-sondagens repetidas até à exaustão, não para informar, mas para condicionar. Vota-se num ambiente onde a pergunta nunca é «quem defende o quê?», mas «quem tem hipóteses?», como se a democracia fosse uma corrida de cavalos e não uma escolha política substantiva.

Vale a pena, por isso, fazer o exercício que não foi feito nos grandes meios de comunicação: que resultados teríamos tido se não houvesse este bombardeamento diário de números apresentados como ciência, mas usados como arma psicológica? Que reflexão colectiva teria sido possível se os cidadãos tivessem sido confrontados com as campanhas reais, com os conteúdos, com as propostas, com o percurso e as escolhas concretas de cada candidato, e não apenas com caricaturas e silêncios estratégicos?

Excerto de um excelente exercício de Sofia Lisboa: Agora sim, a segunda volta

8 comentários:

José M. Sousa disse...

Exactamente. As sondagens deviam ser proibidas!

Frederico Pinheiro disse...

A esquerda radical continua a culpar os fatores externos pelos seus insucessos. Continua a perder apoio popular e culpa tudo e todos, menos as suas próprias decisões.
Pelas terceiras presidenciais consecutivas o PCP avança com um candidato que tem menos de 5%. Este ano o resultado foi especialmente miserável. Mas a reflexão, infelizmente, continua a não contribuir para a angariação de apoio popular.

Anónimo disse...

Como bem sabes, o PCP não existe, há mais de 100 anos, para "angariar" o "apoio popular" em eleições. É ao contrário: a razão do Partido é apoiar o povo em todos os momentos e lugares onde se combata pela justa emancipação do trabalhador português. E por cá andará, sempre, por muito que doa aos liberais/fascistas e à esquerda amestrada e eurocontentinha!

Anónimo disse...

Não ignorando as limitações dos atos eleitorais num contexto tão intensamente capitalista, estes não são irrelevantes, antes pelo contrário, na construção de uma relação de forças. É preciso avançar no plano social e eleitoral, porque as coisas estão ligadas. Que a social-democracia também reflita sobre os danos que tem causado na consciência coletiva.

Anónimo disse...

Ninguém disse eram irrelevantes. Mas, para o trabalhador, a relação de forças não se constrói, apenas (nem sequer, principalmente), nas urnas.

Frederico Pinheiro disse...

O que eu acho que dói a todos os que acham que o PCP é importante é ver este partido a afundar-se e com cada vez menos apoio popular. Isso é que é motivo de preocupação e de reflexão.

Frederico Pinheiro disse...

Sem dúvida. Todos os movimentos e organizações de esquerda devem refletir sobre os erros e agir para chegar ao povo português.

Anónimo disse...

A importância do PCP não se mede pela sua "expressão eleitoral", como a oligarquia bem sabe. Isso é conversa para convencer papalvos. A força do Partido reside na clareza da sua mensagem emancipadora, na vontade de resolver os problemas concretos das pessoas, na qualidade das suas propostas e, não menos importante, na acção organizada e mobilizadora do seu colectivo de militantes. O grande mérito do PCP está, acima de tudo, em defender o interesse do homem comum. Quanto à contabilidade eleitoral: é, mesmo, possível ter-se razão, dizer a verdade e, conjunturalmente, perder eleições. No longo prazo, as pessoas percebem...