quarta-feira, 19 de setembro de 2018

O FMI, a Comissão Europeia e a direita portuguesa

De acordo com os relatos feitos pelo FMI e pela CE, o governo português pretende prosseguir uma estratégia orçamental baseada: na moderação (e não em cortes) de salários e contratações na função pública; numa maior eficiência do Estado (e não na redução dos serviços coletivos prestados); e na redução dos juros, por via da credibilidade dos objetivos orçamentais (e não da redução da despesa). 

Afirmam ainda as instituições internacionais que as autoridades nacionais pretendem promover a competitividade da economia através de fatores não custo (qualificações, inovação, orientação exportadora) e não da redução dos custos salariais ou fiscais. 

E que pretendem assegurar a sustentabilidade da Segurança Social através da diversificação de fontes de financiamento (e não da redução de direitos). 

Ao contrário de outros tempos, as instituições internacionais não contestam estas orientações centrais da atual política económica do país. 

Podemos encontrar diferentes razões para a anuência do FMI e da CE face às opções nacionais, mas uma coisa é evidente: no momento atual, a oposição de direita não pode contar com estes aliados tradicionais. 

Até que a maré mude, a tradição já não é o que era.

[O resto do meu artigo de ontem do DN pod ser lido aqui.]

14 comentários:

Jose disse...

A mediocridade é aceite, assim se insista ser esse o talento dominante.

Paulo Marques disse...

Quando até a elite capitalista anda à nora é a confirmação de que vivemos em "tempos interessantes". É bom saber que a extrema direita ainda lhes mete medo, por muito que apenas sirva para abrandar empobrececimento permanente.

Jaime Santos disse...

Será que afinal alguma coisa mudou desde que Centeno foi para Presidente do Eurogrupo, mau grado a língua de pau em relação à Grécia? Se este discurso for para manter, só se pode dizer que já não era sem tempo...

Unabomber disse...

"Tradicionalmente, os relatórios das instituições internacionais favorecem as abordagens mais conservadoras à política económica.
O pressuposto de que partem pode ser resumido assim: a maioria dos países, em particular as Pequenas Economias Abertas como Portugal, DEPENDEM fortemente do financiamento externo para investir e DEPENDEM da procura internacional para produzir e criar emprego; como tal, a política económica dos governos nacionais deve centrar-se na atração de investidores e em garantir a competitividade do setor exportador.
Por outras palavras, o Estado deve ser posto ao serviço da globalização dos capitais e do comércio." (R.P.M.)
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"Afirmam ainda as instituições internacionais que as autoridades nacionais pretendem promover a competitividade da economia através de fatores não custo (qualificações, inovação, orientação exportadora) e não da redução dos custos salariais ou fiscais. E que pretendem assegurar a sustentabilidade da Segurança Social através da diversificação de fontes de financiamento (e não da redução de direitos).
Ao contrário de outros tempos, as Instituições Internacionais não contestam estas orientações centrais da atual política económica do país."

"Podemos encontrar diferentes razões para a Anuência do FMI e da CE face às opções nacionais, mas uma coisa É Evidente: no momento atual, a oposição de direita NÃO pode contar com estes Aliados Tradicionais.
Até que a maré mude, a tradição já não é o que era."
(Por R.P.M.)

Unknown disse...

Tal como este governo era o Diabo personificado no Centeno e de repente é o "gajo" melhor para orientar o destino dos irmãos europeus. Só não percebe isto, quem nunca foi pescador, dar linha até cansar o peixe, depois e só sacá-lo e deixa-lo asfixiar e morrer no balde.

S.T. disse...

Enquanto não vir um keynesiano ao leme do ministério das finanças alemão, não acredito.

E mesmo assim, ver para crer!

https://www.ft.com/content/e257ed96-6b2c-11e4-be68-00144feabdc0

E este pdf por Georg Bibow:

http://www.levyinstitute.org/pubs/wp_886.pdf

S.T.

Jose disse...

Uma vez que a mediocridade seja o objectivo definido como padrão a alcançar, não resta às instituições senão aceitar essa opção.

Anónimo disse...

Lá está aqui alguém a fazer de papagaio ou eco do anteriormente dito

Mas mantendo alguma manipulaçãozita. Os berros não fazem parte do texto original

O pobre do Unabomber esqueceu-se de o referir

Anónimo disse...

A mediocridade como objectivo a atingir?

A mediocridade terá sido a governação de Coelho e de Cristas mais o processo austeritário criminoso?

Para sermos justos, não foi bem mediocridade. Foi mais planeado do que eles querem fazer admitir.

Mediocridade já foi a invocação do diabo que serviu de pano de fundo a passos e aos seus correligionários.

Ou o caso da associação industrial do Minho, autêntico ninho de medíocres e aldrabões sem escrúpulos. Desde 1975

Anónimo disse...

Essa do "não resta às instituições senão aceitar essa opção" faz lembrar aquele respeitinho às hierarquias que um tipo esgrimia para justificar as pulhices do patronato

Ou talvez seja apenas uma tentativa para defender instituições mafiosas?

Ou quiçá para esconder as más notícias para os adoradores da troika?

Jose disse...

A mediocridade comunica-se de cima para baixo.
A mediocridade é a defesa maior segura de uma elite de medíocres aconchegados a um poder que nunca sonharam cair-lhe no colo.

( E se o 2º comentário, repete o 1º, é porque o 1º não foi o 1º a ser publicado - questões editoriais.)

Anónimo disse...

Adivinha-se um queixume de jose?

Assim feito piegas?

Diria mesmo mais, feito coitadinho, perdão, auto-coitadinho?


É não perceber como funciona a net e a chegada dos comentários. A mediocridade própria do nosso tecido patronal

Anónimo disse...

A propósito deste post de Ricardo Paes Mamede, "O FMI, a Comissão Europeia e a direita portuguesa" um sujeito aí em cima fala repetidamente em mediocridade.

De facto. Uma mediocridade de bradar aos céus. Todos eles. Uma qualificação necessária mas não suficiente.

Agora francamente, lugares-comuns sobre a "comunicação" da mediocridade é sinal que o discurso faliu.

Palha inútil

Anónimo disse...

Já não será palha o comentário a seguir sobre "uma defesa maior segura" ( ????)

Estamos com certeza a entrar num daqueles "discursos claros e lúcidos" do ídolo. Mas este é o exemplo, quiçá involuntário, de um outro tipo de mediocridade.

Quando o sujeito fala num "poder que nunca sonharam cair-lhe no colo" estará a referir-se à legitimidade democrática de quem vê os resultados eleitorais terem uma tradução governativa, como manda a democracia e a CRP?

A referência a tal circunstância traduz definitivamente uma clara mediocridade, diríamos mesmo mais, uma mediocridade ressabiada anti-democrática.

A confirmação do aqui dito vem de uma outra frase. Fala-se de uma "elite de medíocres aconchegados a um poder". Percebemos que se fala de Passos e Cavaco. E percebemos também o motivo de se manifestar uma tal mediocridade ressabiada e anti-democrática.

Não queriam mesmo largar o dito poder.

E ainda estão nesta