domingo, 6 de fevereiro de 2011

No capitalismo realmente existente

As vozes e os interesses dos mais pobres contam pouco na política norte-americana (...) os grandes ganhadores de todo o tipo de ‘inovações financeiras’ nas últimas três décadas não foram os pobres (nem as classes médias), mas indivíduos já muito bem pagos (...) O ajustamento à crise foi transferido para o resto da sociedade, particularmente para os que têm menos formação e menos remuneração, que agora perderam as suas casas, postos de trabalho e a esperança para os seus filhos. Estas pessoas não causaram a crise, mas estão a pagá-la.

Simon Johnson, MIT, ex-economista-chefe do FMI

Até há pouco o tópico das desigualdades e suas consequência económicas, políticas e morais negativas, associado ao processo de financeirização do capitalismo, induzido politicamente pela acção de forças que desmantelaram o controlo sobre a finança, só interessava a economistas políticos heterodoxos. Agora, a economia convencional começa a acordar para a vida no capitalismo realmente existente, embora sem abandonar fixações com equilíbrios gerais e outras fantasias de mercado. Através do artigo de Simon Johnson, dei com esta apresentação de Daron Acemogolu, um dos economistas ortodoxos mais cotados do momento. E até no vox já se fala da relação entre aumento da desigualdade, o aumento do endividamento dos mais pobres e a fragilidade financeira. É claro que nenhuma destas análises se compara à que consta deste livro, escrito por quem já anda na economia política crítica, com sensibilidade teórica e empírica impar, há algum tempo.

6 comentários:

Anónimo disse...

O que vos dói é o sucesso de Reagan. E as vitórias da esquerda onde estão? O Alegre com os seus 19%, claro.

Nuno disse...

"O papel de um sector financeiro saudável é apoiar a "economia real". Mas agora ocorre o inverso, com a cauda a abanar o cão."

http://macromon.wordpress.com/2011/02/03/americas-fire-economy/

Maquiavel disse...

O sucesso de Reagan é realmente estupendo: uma dívida externa maior que do resto do mundo junta, altos níveis de desemprego e criminalidade, instabilidade social...

... mas a maior vitória reaganista foi a nacionalização de tantas empresas, falidas devido ao triunfo da desregularização, no fim do reinado de Bush II!

E se não fosse o tal papão estadual a safá-las, o capitalismo fianceiro tinha ido com os cães MESMO, como, aliás, Krugman já referiu, e o palhaço do Greenspan reconheceu.

Anónimo disse...

Entretanto a União Soviética foi à vida, e apesar desses grandes problemas o capitalisno triunfou e as ideias estatizantes são minoritárias. Até a China e o Brasil de Lula são capitalistas. Por que será Maquiavel de pacotilha? Deve ser por haver bons resultados e crescimento económico.

loira disse...

bem , essas pessoas de que fala no 1º ponto tb não contribuiram por aí além para a prosperidade , pois não? falamos de uma sociedaded que enriquece com I&D , ciência , empreendorismo e tal economês , certo? a bem dizer lucraram imenso com essas coisas todas em que não participaram...e agora que o que se necessita é uma x ( não sei bem em qual andamos , 4ª? ) revolução agricola bem podiam meter mãos à obra.

Anónimo disse...

http://bilder-livros.blogspot.com/2010/11/crise-financeira-global.html