Apesar de eleições, dizem eles sem qualquer vergonha, sem nenhum medo de fazer o elogio do desrespeito pela escolha popular.
De facto, desde 2009, tendo o país votado assim e assado, à esquerda e à direita, por políticas mais e menos expansionistas, é austeridade que o país continuamente tem tido. Por vezes, mais, muitíssima, como no período 2011-2013, outras vezes, menos, como entre 2017 e 2019, mas sempre austeridade.
A Fitch, enfim, uns cretinos, com a credibilidade de quem atribuía uma das suas notações de risco mais favoráveis aos amigos da Lehman Brothers apenas uns dias antes deste mamute financeiro, em Setembro de 2008, ter estrondosamente falido.
A Fitch, parte de um sistema de desmando e punção financeira que atua desta forma apenas porque as autoridades, apesar de eleições, beneficiando de um consentimento de facto, mas não de jure, que resulta da desinformação de jornais como, por exemplo, o Negócios, continuam escandalosamente a permiti-lo, como se não tivéssemos aprendido absolutamente nada na última década e meia.
Como se a escolha dos eleitores fosse um detalhe sem importância e a integridade das instituições da democracia não fosse abalada pelo aplauso da invariabilidade das políticas que resultam de resultados eleitorais variados, a ideia de democracia limitada tão central no pensamento liberal de Hayek.
Como se a austeridade melhorasse a capacidade do país cumprir o serviço da dívida.
Como se a relação entre dívida pública e taxa de juro dependesse dos mercados e não do BCE.
Também foi assim na Alemanha pré-Hitler. O mesmo desdém pela vontade popular, o mesmo militarismo assente num abastardado Keynesianismo de guerra, a mesma continuada insistência numa austeridade fatal para a democracia.

2 comentários:
Mais palavras para quê.!!!
Mau grado os seus erros e limitações, Yanis Varoufakis bem avisou...
https://www.youtube.com/watch?v=9CCfjSyItMA
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