terça-feira, 13 de fevereiro de 2024
Feirar
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024
Um Mira Amaral ao jeito de Montenegro
Numa intervenção que fez há dias, Luís Montenegro informou-nos que o ministro da Economia num governo da AD seria “ao jeito de Mira Amaral”. É uma afirmação acertada em tempo de eleições. Mira Amaral é um ex-governante de que o PSD se pode orgulhar. Mas há um problema: o que o notabilizou naquela pasta tem pouco a ver com o que a AD defende para a Economia – e ainda menos com as declarações sucessivas dos seus dirigentes.
Luís Mira Amaral tutelou o Ministério da Indústria e da Energia entre 1987 e 1995, o que faz dele um caso raro de continuidade no cargo em democracia. Durante aqueles oito anos notabilizou-se por diversas iniciativas de política económica, que produziram resultados estruturantes para o país. Em particular, são deste período o Programa Específico de Desenvolvimento Industrial em Portugal (PEDIP I) e o Programa Estratégico de Dinamização e Modernização da Indústria Portuguesa (PEDIP II).
O que encontramos naqueles programas é uma política económica selectiva, focada em sectores classificados pelo Governo como estratégicos, assente no papel activo de um conjunto de agências públicas munidas dos recursos adequados, com uma coordenação clara (o Gabinete Gestor do PEDIP) e um compromisso político ao mais alto nível.
Para o PSD de então, um Estado interventivo e com estratégia não era socialismo. Era uma política necessária para apoiar o desenvolvimento de uma estrutura produtiva frágil e com poucos instrumentos de política para a gerir – como ainda hoje é a economia portuguesa, apesar de todo o caminho já percorrido.
O PSD de hoje é outra coisa. O partido aderiu a um fundamentalismo de mercado segundo o qual qualquer esforço público para responder aos desafios da economia nacional não passa de uma deriva colectivista e de uma “visão estatizante” (nas palavras de Montenegro). Diz Pedro Reis, um dos coordenadores do programa económico da AD, que o papel do Estado é “remover custos de contexto, aliviar fiscalidade, acabar com burocracias”, ou seja, deixar os mercados funcionar e esperar que chova.Pode dar jeito a Montenegro colar-se à imagem do que foi Mira Amaral enquanto ministro. Para levar isso a sério, os dirigentes da AD teriam de alterar a forma como olham para o papel do Estado no desenvolvimento das capacidades produtivas do país.
O resto do meu texto pode ser lido no Público, em papel ou online.
Escrita de frente
As iniciativas liberais matam
Breaking News - a The Economist, revista de todas as iniciativas liberais desde o século XIX, da democracia censitária aos imperialismos de comércio livre, incluindo as guerras do ópio, reconheceu num artigo desta semana sobre os opioides, o seguinte:
domingo, 11 de fevereiro de 2024
Nota panfletária pessoal
Um dos meus melhores amigos é um excelente inventor de slogans e escritor de panfletos: “tanta casa sem gente, tanta gente sem casa” é dele. Procurei sempre aprender com os melhores e os meus amigos e camaradas são os melhores, estou convencido.
sábado, 10 de fevereiro de 2024
Que fazer até 10 de março?
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024
A importância de ser radical
Esta semana, num artigo de opinião em que anuncia publicamente a sua saída do PAN, André Silva afirma que não há luta climática digna desse nome “sem a alcunha de 'radical'”. Pese embora as muitas divergências que tenho com o ex-porta-voz do PAN, concordo com esta afirmação e acrescento: uma luta climática consequente só é possível à esquerda. O “horror climático”, prossegue André Silva, reclama “disputas e controvérsias capazes de revolucionar consciências e políticas, incompatíveis com o business as usual do centro político”. Denota-se, pois, o caráter eminentemente político da ação climática, que constitui, assim, um campo de disputa ideológica por excelência e um terreno fértil para a imaginação e construção de alternativas radicais.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024
Outra nota pessoal para dias coletivos
Um jornal com boas questões
No seu discurso de encerramento do Congresso do Partido Socialista (PS), em 7 de Janeiro de 2024, o seu novo secretário-geral, Pedro Nuno Santos, trouxe algumas novidades ao debate político português. Uma das mais marcantes, numa crítica mais ou menos velada a décadas de política económica, foi a ideia de que Portugal precisa de ser mais selectivo no apoio público à actividade económica, apostando em sectores mais dinâmicos, tecnologicamente mais avançados e com maiores margens de lucro. Assim se permitirá salários melhores e maior receita fiscal para financiar serviços públicos. Enquanto a direita alertava para a sovietização da economia portuguesa, a proposta de Pedro Nuno Santos parece, de alguma forma, seguir o actual zeitgeist de política económica nos Estados Unidos e na União Europeia.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024
SIC Fox News Portugal?
Não é preciso ser militante nem simpatizante do BE, nem sequer ser de esquerda, para considerar que Mariana Mortágua esteve ontem mesmo muito bem no debate com Montenegro (para colocar as coisas num registo eufemístico e evitar metáforas pós-bélicas). Aliás, é o próprio friso insuspeito de comentadores da SIC que o assinala, nesta nova indústria de classificações: Mariana Mortágua venceu o debate.
É portanto preciso ter bastante topete para que, no dia seguinte, a propósito de uma ação de campanha de Montenegro em Setúbal, o Expresso - num texto que não é de opinião - venha dizer que o líder do PSD tentou «manter o embalo do debate com Mortágua» e «vestir o fato de primeiro-ministro», numa altura em que «o núcleo duro» do partido «acredita que pode ter chegado o momento (...) de Montenegro virar o jogo a favor da AD».
Talvez lá na SIC não se apercebam, mas o entusiamo de «cheerleaders» da direita é tão flagrante que se arrisca a ser notado sem dificuldades de maior. É quase caso para dizer: metam mais tabaco.
Tanto faz
Dois betos liberais até dizer chega e um negacionista das ciências do chega entram num bar ou numa estação de televisão, tanto faz.
A AD não está a falar para os jovens, mas sim para os ricos
terça-feira, 6 de fevereiro de 2024
Dia 8, conferência Praxis sobre-extrema direita e sindicalismo

Em mais uma videoconferência, a Práxis propõe-se refletir, na próxima quinta-feira, dia 8, a partir das 21h00, sobre a real influência e capacidade de atração da direita radical populista junto de amplos setores laborais e sociais. O debate conta com a participação de Miguel Carvalho (jornalista) e Manuel Morais (antropólogo, agente das forças de segurança e ex-sindicalista), cabendo a moderação a Henrique Sousa (investigador social e membro da Práxis). As inscrições podem ser feitas aqui.
O legado mediático tóxico de Marcelo
Salgados, Galinhas e Portas
Ontem, o jornalista Miguel Carvalho sinalizava o seguinte: “Ao Público, Marco Galinha revela algo há muito sabido nos bastidores: que o PR o incentivou a comprar a Global Media. Quando, em devido tempo, questionei Belém, a resposta oficial foi esta: Marcelo recebera Galinha como outros empresários do setor, nada de novo.”
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024
IL...iteracia
domingo, 4 de fevereiro de 2024
Onde estão?
O que ficou
sábado, 3 de fevereiro de 2024
E se há um camarada à tua espera...
“E se há um camarada à tua espera, não faltes ao encontro e sê constante”, já cantava Zeca Afonso. Na Biblioteca Nacional, no dia 5 de fevereiro, o programa deste seminário promete encontro e debate intensos, tal como Toni Negri, de cuja abordagem ao comunismo estou relativamente distante. Partindo de um estimulante ensaio sobre Keynes, de 1968, muito bem traduzido no Brasil, sublinharei as relações de amor e de ódio entre marxistas e keynesianos. Sou pelo amor.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024
Lado a lado
Nós, os humanos, somos chamados à vida, sem que o tenhamos programado e sem nos pedirem consentimento. Somos chamados por outros, como um fruto de convivência. Somos chamados à vida, mas não para qualquer vida, não para um qualquer modo de viver. Somos chamados para conviver como humanos, isto é, para partilhar um modo de ser criativo, convivial e responsável, tendencialmente feliz. Este ideal, que podemos classificar como de vocação humana nem sempre é possível de realizar e nunca é fácil. Os humanos têm a capacidade de faltar à confiança, de abusar dela e de mentir, degradando a convivência. Fala-se da degradação da convivência humana como ‘condição humana’, como se fosse ou tivesse de ser uma inevitabilidade, uma lei natural. Se a verdadeira amizade é uma raridade, ela existe, é possível, e deve expandir-se. É um objectivo da vocação humana.
Desventuras das iniciativas liberais em educação
«No início dos anos 90, a Suécia adotou um sistema de “cheques-ensino” (vouchers), permitindo que escolas privadas passassem a ser financiadas pelo Estado, recebendo para o efeito um montante por aluno baseado no valor médio dos custos operacionais das escolas. A medida levou ao surgimento de “escolas independentes” (friskolor), tendo os pais passado a poder escolher as escolas dos filhos, fomentando a competição entre elas, no pressuposto de que a concorrência melhoraria o sistema educativo no seu todo.
Esta aventura liberal foi objeto de aclamação internacional, tendo levado por exemplo o conservador britânico Michael Gove, secretário da Educação de David Cameron (2010-2014), a adotar as friskolor como modelo para centenas de novas escolas no Reino Unido. Na Suécia estima-se que, atualmente, as escolas privadas que beneficiaram desta política tenham inscritos cerca de 15% do total de alunos entre os 6 e os 16 anos e 30% dos alunos dos 16 aos 18 anos. E que, em termos de rede, representem cerca de 18% do total de escolas do ensino básico e 36% do ensino secundário.
Recentemente, porém, e recusando a ideia de que se trata de casos meramente pontuais, a ministra da Educação sueca, Lotta Edholm, declarou ao The Guardian que as friskolor foram um “fracasso generalizado”, assinalando a redução dos padrões de qualidade e a inflação das notas dos alunos. Em junho de 2023, um relatório do maior sindicato de professores da Suécia tinha já alertado para as consequências de o sistema educativo sueco se ter tornado num dos mais mercantilizados do mundo, gerando piores resultados, incrementando a segregação e granjeando a insatisfação dos próprios alunos. Propondo uma reforma do modelo, a ministra Lotta Edholm assegurou que passará a “deixar de ser possível obter lucros à custa da qualidade da educação”.
A ideia de que os pais possam escolher a escola dos filhos, através da atribuição de cheques-ensino (ao invés de financiar uma rede pública de escolas que garanta o acesso de todos a uma educação de qualidade) é uma ideia naturalmente sedutora. Tão sedutora, porém, quanto ilusória. De facto, levada à prática, a alegada “liberdade de escolha” das famílias traduz-se, isso sim – dado o incentivo para que as escolas concorram entre si – numa maior “liberdade de escolha” dos melhores estabelecimentos de ensino para selecionar os seus alunos, de modo a obterem os melhores resultados e posições mais favoráveis nos rankings.
Mas é mais que isso. Tal como na saúde, a privatização da educação através da atribuição de vouchers, com o desvio de recursos estatais, essenciais para garantir e melhorar os serviços públicos, é geradora de dinâmicas de divergência cumulativa, com as melhores escolas a serem capazes de atrair os melhores profissionais, desencadeando e acentuando fenómenos de segregação e de maior desigualdade de oportunidades.
Na campanha eleitoral que se avizinha, e de forma mais ou menos dissimulada, assistiremos uma vez mais ao regresso do canto de sereia da direita em torno da “liberdade de escolha”, com o argumento de que é indiferente se a provisão é assegurada pelo público ou pelo privado. Os sinais são claros, com a nova/velha AD a prometer o reforço dos Contratos de Associação, a IL a prometer escolas em competição pelas preferências das famílias e o Chega a ir, evidentemente, pelos mesmos caminhos».
Publicado originalmente no Setenta e Quatro.
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024
Não esquecemos
Mais do mesmo
Pedro Reis, um dos quatro coordenadores do programa económico da AD (coligação entre o PSD, o CDS e o PPM), explicou ao Público os eixos fundamentais do programa. Reis diz que "é preciso libertar uma fiscalidade absolutamente esmagadora" e "tratar bem o setor privado" para fomentar o crescimento da economia.
Era interessante saber a que é que se refere exatamente o economista da AD. É que a carga fiscal em Portugal está abaixo da média europeia e, ao longo das últimas três décadas, a taxa de IRC já baixou de forma significativa, além de terem sido criados benefícios fiscais para apoiar o investimento privado. Neste aspeto, a "nova" receita do PSD é apenas mais do mesmo.
quarta-feira, 31 de janeiro de 2024
AD no país das maravilhas
Para superar a melancolia de esquerda
terça-feira, 30 de janeiro de 2024
Da lambebotice
segunda-feira, 29 de janeiro de 2024
Um Estado com estratégia não é socialismo, é boa política
Notas pessoais de dias coletivos
Encontrar a economia política
A prolongada crise do capitalismo neoliberal enquanto mudança estratégica das formas económicas, políticas e ideológicas do processo de acumulação deixou um rasto de destruição global: o agravamento das desigualdades, o alastramento da pobreza, o desastre ambiental, a guerra e a nova corrida aos armamentos, o declínio das democracias, a insegurança e o medo feitos política num tempo sem política como razão estratégica. Um presentismo conformista difuso que digere e normaliza o processo de regressão em curso e é diligentemente fabricado pelas novas máquinas de formatação do senso comum.
domingo, 28 de janeiro de 2024
Algarve: não há água sem justiça
Choques chineses
Neoliberalismo com características chinesas, capitalismo restaurado, socialismo com características chinesas, socialismo com (ou de) mercado, capitalismo de Estado, capitalismo político, economia mista, formação económico-social com orientação socialista: termos usados para caracterizar a China pós-maoista e só na economia política crítica, com orientação histórico-institucional, dos últimos anos.








































