segunda-feira, 20 de junho de 2011

Os nomes das políticas

Falar dos novos ministros só é interessante na medida em que se fala das políticas e das estruturas que as condicionam. O ministro das finanças, Vítor Gaspar, é o administrador-delegado que a troika precisa para garantir que o seu programa inviável é adoptado com toda a convicção. Com carreira feita no BCE, monetarista e admirador de Milton Friedman, tem o perfil ideal para traduzir em políticas as obsessões de um moralismo das finanças públicas que é incapaz de compreender o que se tem passado na Zona Euro e que vê a crise como uma oportunidade e não como um imenso desperdício. Álvaro Santos Pereira, por sua vez, poderá meter na gaveta as ideias sobre reestruturação da dívida, que ocorrerá quando der jeito aos credores, mas será incentivado a levar à prática o seu projecto de liberalização das relações laborais, ou seja, de aumento da discricionariedade empresarial e de redução do trabalho a um custo a economizar. Os sectores mais reaccionários do patronato ficarão gratos. O desemprego continuará a aumentar, claro, porque é a crise de procura que determina a sua evolução. As parcerias público-privadas permanecerão intactas e serão provavelmente alargadas, na saúde, por exemplo, apesar do cepticismo de um ministro sem peso político. Peso terá Paulo Macedo, ex-administrador da Médis e novo ministro da saúde, que vem do BCP, um dos grupos interessados em capturar este apetitoso sector, onde os lucros se fazem à custa do Estado e da vulnerabilidade dos cidadãos. Austeridade, desemprego e fragilização da provisão pública. Com estes ou com outros nomes, estas são as políticas.

9 comentários:

  1. Concordo,
    deviamos ter mantido o Sócrates para ele conseguir levar a divida publica para os 200 mil milhões em vez dos 160 mil milhões que conseguiu.

    Precisamos de mais PPP's, TGV's, Parque Escolar, consultorias, pareceres, estudos.

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  2. não há moralismo, o que existe é uma questão política que cada um moraliza como lhe aprover. A perda de independência ea redução do crescimento são problemas políticos. Podem é ser traduzidos noutro tipo de discurso. Como a esquerda não percebeu a vinda do tsunami, desconversa refugiando-se no moralismo.
    Paulo Pereira tem razão: continuamos na via do desastre, afirmando a superioridade do investimento público improdutivo?

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  3. "...reestruturação da dívida, que ocorrerá quando der jeito aos credores..."

    Como é que se pode reestruturar a dívida sem que os credores estejam de acordo? Por decisão unilateral?
    O João Rodrigues sabe perfeitamente quais as consequências que uma decisão unilateral dos devedores implicaria.

    Por que insiste esta esquerda, em que o João Rodrigues navega, em soluções impossíveis, se não quisermos albanizarmo-nos?

    O que é que acontceria se amanhã o governo português decidisse não pagar o que o país deve e reclamasse reestruração das dívidas?

    Importa-se esclarecer ou prefere continuar a repetir-se diariamente?

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  4. Esta esquerda é mesmo incompetente !

    Então se apoia e apoiou este EURO como pode querer soluções anti-euro?

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  5. A esquerda sempre foi inteligente, a direita burra...mas isso é noutros paises, porque entre nós é sempre é o inverso.

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  6. Um curto vídeo dedicado às quatro inteligências que comentaram antes de mim:

    VÍDEO

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  7. "liberalização das relações laborais"

    Eu tenho um pequeno gabinete de contabilidade e actualmente sinto que contratar alguém quase que me obriga a ter mais reponsabilidades do que adoptar um filho. É que parece que para o trabalhador eu tenho de garantir emprego para a vida, para um filho não. Porque é que a esquerda diminui o trabalhador a uma condição de quase ininputabilidade?

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  8. "às quatro inteligências"

    Mais uma amostra cínica da prepotência intelectual da esquerda...

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