sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Parabenizar, mobilizar, argumentar


Fernando Alexandre acusou e culpou a Fenprof, que é uma federação sindical de classe e a maior federação de sindicatos de professores no nosso país. Repito: não culpou «os sindicatos». Culpou, e acusou, uma Federação específica afecta à CGTP-IN, que esteve na linha da frente na luta contra o Pacote Laboral que tem defendido de modo intransigente e consequente a Escola Pública e os direitos dos professores.

Recupero um artigo de Manuel A. Domingos no AbrilAbril para dar os parabéns atrasados à CGTP-IN, que ontem fez 56 anos. Devemos tanto, mas tanto, ao maior movimento social português.  

Fernando Alexandre sabe quem é o seu inimigo principal e nós sabemos que este liberal até dizer chega, antigo dirigente do mais liberdade para explorar e expropriar é hoje, com camaradas como Pedro Santa Claude, o principal inimigo da escola pública, estando ao serviço do capitalismo deseducativo, como parte de um Governo dos ricos para os ricos e pelos ricos.

Entretanto, para todos os que olham para os protestos em Espanha e se queixam de cá não acontece nada, tenho uma mensagem: comecem por se juntar à mobilização da CGTP-IN, mobilizem para a manifestação. Foi, afinal de contas, a força que derrotou o pacote laboral, graças a duas greves gerais, é a condição necessária para a defesa do salário direto e indireto, dos bens e serviços públicos. 

Há muito mais que tem de vir abaixo, há muito mais para reconstruir e construir. 

E repito as vezes que forem necessárias: quanto mais força tiver a CGTP-IN, maiores serão as hipóteses de desenvolvimento económico nacional. 

Em primeiro lugar, a CGTP-IN contribui para uma economia com maior pressão salarial, com um mercado interno mais dinâmico, dando mais incentivos, do lado da procura e da oferta, para o investimento modernizador.

Em segundo lugar, o reforço da negociação coletiva, tão abrangente e centralizada quanto possível, contribui para resolver problemas de ação coletiva, bloqueando estratégias patronais medíocres, assentes na intensificação da exploração, ao mesmo tempo que diminui desigualdades excessivas.

Em terceiro lugar, a CGTP-IN defende intransigentemente o Estado social assente na provisão pública, enviando a seguinte mensagem ao capital: ide trabalhar para os setores de bens transacionáveis, malandros.   

Há mais razões, claro, incluindo as que estão relacionadas com a recuperação de instrumentos de política perdidos e furtados por uma integração europeia que esta central sindical sempre criticou, mas estas três razões chegam e sobram.

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