Numa noite como qualquer outra, estávamos à espera que ele chegasse há algum tempo. O atraso já ia quase em duas horas. Passara uma década desde o último álbum de originais, mas ninguém se importava muito com isso. Pelo caminho havia lançado «Só» – um disco de reinterpretações das músicas ao piano – que ia sendo reproduzido até a cassete ficar encravada nos autorrádios por esse país fora, na longa e adolescente viagem dos verões, cravando na memória da paisagem canções de dor e esperança.
Foi nesse tempo que ele entrou de malas e bagagens na minha consciência. A partir de então, a sua música ficaria associada à toada desse álbum e a sua figura, de protagonista do rock português, passaria a ser a do trovador intimista, sábio vadio que nos convida à exposição das vulnerabilidades. Essa imagem iria perdurar durante muitos anos e fixar a sua marca de água na cultura popular portuguesa, diluindo-se, por fim, nesse perigoso lago da música ligeira, onde se conquista a consagração.
Assim começa o artigo de Jorge C., Balada de um homem insubmisso, no AbrilAbril. Continuai a ouvir, ver e ler, por favor.
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