segunda-feira, 1 de abril de 2024

Anti-Reis

Livro de 2011. Crescemos imenso com esta gente...

Ter colaborado política e intelectualmente com o governo austeritário de Passos-Portas e da troika não é currículo, mas sim cadastro político-ideológico, para parafrasear a fórmula de Miguel Beleza sobre a sua própria passagem pelo Ministério das Finanças, onde foi um dos responsáveis pela privatização e liberalização do sistema financeiro. 

Ricardo Reis e Pedro Reis fazem um dois em um: o primeiro empresta sempre a a sua autoridade, agora de professor da LSE, Oh My God, à austeridade e à transferência de rendimentos do trabalho para o capital; o segundo andou a vender o país com Paulo Portas, tendo dirigido Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), entre 2011 e 2014. Tecnicamente, é um vende-pátrias, portanto. 

Ambos fizeram parte do grupo dos dezassete economistas que terá gizado o programa económico fraudulento do PSD. Depois das eleições, Ricardo veio logo distanciar-se: “Eu não fiz programa nenhum. Fui convidado para uma reunião para, durante 5-10 minutos, comentar os planos do PSD, e oferecer as minhas sugestões sobre o que seria importante para a economia”. Tratou-se de um sonso esforço para recuperar a aparência de neutralidade, agora que a direita está no poder, por parte de um economista retintamente neoliberal. 

Pedro, por sua vez, foi um dos coordenadores assumidos do tal programa. O agora Ministro da Economia tem duas ideias erradas na cabeça: baixar o IRC e tirar o Estado do caminho das empresas. Vicente Ferreira, mobilizando ampla evidência empírica, já mostrou a perversidade da primeira ideia. Quanto à segunda, não passa de um artificio retórico para colocar o Estado ao lado, e atrás, das grandes empresas, socializando os seus riscos e facilitando a transferência dos seus custos sociais – ambientais, laborais, etc. – para o conjunto da comunidade, especialmente para os que estão menos protegidos.

2 comentários:

  1. Obrigada João Rodrigues pelo seu post. Fez- me rir embora a situação do país não esteja para sorrisos. Mas é tão bom ler um texto de uma pessoa que sabe do que fala e tem a liberdade para dizer de modo claro o que pensa. São tão raros os comentadores lúcidos, progressistas e livres!

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  2. E somos duas. Obrigada

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