domingo, 15 de janeiro de 2023

Para lá do empresarialmente correcto


Uma notícia de economia política internacional que marcou esta semana: “projecções feitas nos anos 70 e 80 pelos cientistas da ExxonMobil previram o aquecimento global”. Esta multinacional norte-americana é um dos símbolos do capitalismo fóssil e tem precisamente financiado o negacionismo em relação às alterações climáticas. Hoje, trata-se também de bloquear o avanço do planeamento ecológico urgente, através de armadilhas como a responsabilidade social das empresas e outras formas de branqueamento socioecológico. 

Ao contrário do discurso do empresarialmente correcto, é urgente reconhecer que a grande empresa capitalista é uma forma de governo autoritário, que concentra poder e conhecimento e que tem de ser interna e externamente escrutinada e democratizada, através de freios e contrapesos sociais e estatais pelos menos tão poderosos. Muitas vezes a nacionalização é a melhor forma de o fazer, já que a regulação tende a ser pilotada pelas grandes empresas em sectores cruciais. Sim, por cá teremos de renacionalizar o capitalismo fóssil de Amorim e companhia se o quisermos controlar, redimensionar e redirecionar de forma acelerada. 

Infelizmente, a economia convencional, que frequentemente não passa de uma racionalização do privilégio e da hierarquia, procura ofuscar as relações de poder, tratando a empresa como se fosse uma entidade apolítica submersa em mercados, uma rede de contratos, e subestimando os custos sociais crescentes das actividades predatórias deste actor político maior em múltiplas áreas.

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